Nada | Paulo Cleto

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domingo, 16 de novembro de 2008 Masters | 20:12

Palmas para ele

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Esta semana em Xangai o sérvio Novak Djokovic confessou a um repórter que talvez seja melhor passar desapercebido em um torneio, sendo essa uma maneira de liberar a pressão e poder jogar mais à vontade.

Para quem, durante um bom tempo, fazia todo tipo de papagaiada para chamar a atenção – aquele negócio de imitar colegas de trabalho na quadra central do US Open 07 foi o fim da linha – a declaração é volta de 180º. Foi-se o palhaço e, no circuito, dizem, chegou o presunçoso.

Talvez essa seja a diferença entre o Djokovic do início da temporada, após vencer o AO, e o de agora, calado e compenetrado durante o Masters. Talvez seja consequencia de ter visto suas pretensões de roubar o segundo lugar no ranking de Rafa Nadal, após perder para o espanhol em Hamburgo, RG, Queens, imediatamente antes do “animal” se estabelecer em Wimbledon, e ainda nas Olimpíadas. Só foi vencê-lo em Cincinnatti, pouco para quem queria o lugar do outro e ainda o de Federer. O banho de realidade muitas vezes é um de água gelada.

A sua personalidade ainda está lá; o rapaz é um batalhador, um tremendo competidor, sabe jogar bem quando por baixo no placar e, nos pontos importantes, sabe buscar dentro de si o que tem de melhor emocionalmente.

Gostei muito do torneio jogado pelo sérvio. Jogou bem todas as partidas, inclusive quando perdeu para Tsonga. Nas suas contas não valia nada; jogou um primeiro set impecável, quando deixou escapar o segundo se irritou, momentaneamente, e simplesmente economizou o corpo e a mente para outro dia. Pragmático e realista. Se não fizer isso em outras ocasiões, quando todo jogo conta, tudo bem.

Djoko não é um tenista talentoso como Federer, nem forte como Nadal. Terminar em terceiro, nos calcanhares do suíço, só 10 pontos de diferença, tem que ser considerado um feito. Há muitos tenistas com saques melhores do o seu, golpes mais potentes e maiores envergaduras. Mas Djoko consegue apresentar um pacote muito bem acertado, tendo como amalgama uma força competidora tão boa como a de qualquer outro.

Parece pouco, mas não é. Com sua vontade de vencer, o rapaz traz para a quadra um trabalho bem completo; preparo físico – é muito rápido, atlético e resistente -, um bom emocional que o leva através de jogos difíceis e parelhos, ele não é tão melhor do que vários adversários – e golpes bem montador e regulares.

Alie-se a isso uma coragem para arriscar em pontos importantes, pelo menos quando não enxerga Nadal ou Federer do outro lado da rede, e temos um tênis competitivo e que, fique claro, com a ambição chegar ao topo do ranking mundial. Palmas para ele.

De sapatos dourados, e sempre lutador, Novak é um novo homem.

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Autor: paulocleto Tags: , , , , ,