Mulheres | Paulo Cleto

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domingo, 6 de setembro de 2009 Juvenis, Tênis Feminino | 15:43

Mais Valia

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Com a chuva caindo, após mais uma noite em que fui dormir tarde, por conta do trabalho é bom lembrar, torna-se incontornável enxergar o mundo por um prisma um tantinho mais deprimente, senão realista, e começar a pensar um pouco na contra mão. A conclusão de tais elucubrações é que o atual circuito do tênis feminino é o naufrágio das idéias de Adam Smith e o ressurgimentos das teorias do velho Marx.

Não quero menosprezar ninguém, mas se até as próprias mulheres levantam a duvida!? As mulheres devem receber a mesma premiação do que os homens? Se olharmos pelo lado de que o que elas ganham não afeta em nada o que os homens ganham, então tudo bem. Porém, se olharmos pelo lado de uma comparação não deveriam.

Primeiro porque os homens jogam cinco e as mulheres jogam três sets. As horas masculinas de trabalho são mais longas e as condições mais inóspitas. Se isso não é argumento – e a WTA prefere discutir o sexo dos anjos e ouvir a missa em latim do que discutir esse ponto – então se poderia apelar para a “oferta e demanda”, a sábia regra que regula o mercado. Mas isso também é total heresia no ambiente da WTA, suas fundadoras e, óbvio, suas atuais atletas.

Poderíamos trazer à discussão o fator qualidade, sempre um diferencial no mercado onde impera o laissez-faire, e algo totalmente ignorado, ou melhor, desprezado, nos ambientes mais socialistas.

Considerando as partidas que temos acompanhado das melhores tenistas do mundo – e como toda regra, com suas excepcionais exceções – derretendo técnica e mentalmente em quadras, como se fossem meras tenistas 2ª classes (sem ofensas Maysa), cometendo um sem números de duplas-faltas, por conta de óbvia carências, física e emocional e, consequentemente, oferecendo um espetáculo de menor valor para o público, nos faz pensar como as idéias da “Mais Valia” do barbudo se encaixariam nessa discussão.

Notas relacionadas:

  1. Favoritos?
  2. A final feminina
  3. Lógica feminina
Autor: paulocleto Tags: , , ,

quinta-feira, 6 de novembro de 2008 Tênis Feminino | 11:49

Lindas e frágeis

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Uma das coisas que mais me chama a atenção no circuito feminino é a fragilidade emocional das tenistas. E não estou me referindo às tenistas brasileiras, escrevo sobre as melhores do mundo.

Não chega ser surpreendente as irmãs Williams, duas atletas fortes no físico e no perfil emocional. As duas não têm o tênis mais fluente do mundo, especialmente a Venus, mas conseguem, anos após anos, mesmo com outros interesses fora das quadras, manter-se entre as melhores do mundo e vencer os grandes torneios. As duas são, de longe, as mais fortes emocionalmente e mentalmente, duas coisas distintas, desde os tempos de Steffi Graf, uma tremenda campeã e uma rocha nos dois quesitos.

Para não me alongar na análise do que está acontecendo em Doha, atenho-me a dois fatos. O constante desmanche emocional de Aninha Ivanovic, com duas derrotas em dois jogos, e sempre à beira das lágrimas quando começa a perder o jogo, e o derretimento psicológico de Elena Dementieva em ocasiões importantes, tal como seu péssimo recorde no Masters.

Ivanovic, que tinha o recorde de 6×1 contra a compatriota Jankovic, mais uma vez mostrou aquela carinha de choro – dá vontade de colocá-la no colo cada vez que eu vejo e, convenhamos, não é exatamente o sentimento que uma campeã, como a trituradora de bolinhas Serena, deve inspirar, pelo menos em quadra. Uma tenista brigando pelo título de melhor do mundo não deve se dar ao luxo de escancarar emoções dessa maneira.

Dementieva se classificou para sete Masters nos últimos anos e a esta altura deveria se capaz de controlar os nervos. Nos últimos treze jogos que fez no Masters ganhou somente um; agora são 10 derrotas seguidas. No entanto, por conta dos valores que formam a atual realidade do circuito, faturou cerca de U$500 mil com esse ridículo recorde.

Mais uma vez Dementieva fritou seus neurônios, colocando seus talentos em dúvida, como declarou após a derrota, enquanto Venus, apesar de um caminhão de erros e 10 duplas faltas, diz que não fica se martirizando com seus erros porque isso nunca lhe trouxe benefícios. Essa maneira positiva, a chamada inteligência emocional, é a diferença entre os 15 títulos de GS das irmãs criadas em uma das piores periferias dos EUA e um único título, até agora, para as duas lindas e maravilhosas, talentosas, porém frágeis Aninha e Elena. Fico imaginando se isso é algum tipo de equilíbrio divino.

Dementieva e Ivanovic
Elena Dementieva e Ana Ivanovic: sofrimento e lágrimas nas quadras de tênis

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