Depois da paspalhada tcheca na sexta-feira sequer hesitei na minha decisão. A força ímpar de meus leitores ajudou na decisão. Acordei sem pressa e da mesma maneira me meti na Castelo Branco, uma estrada lotada e chata em seu começo, mas que depois nos leva para novos horizontes.
Depois que o transito limpou, com Stevie Wonder reverberando nas caixas, a viagem de uma horinha foi fácil. O local da exibição Sharapova x Dulko é um belíssimo condomínio que um dia foi duas belíssimas fazendas. Com as chuvas de verão, o verde dos gramados e o vermelho dos Flamboyants nos fez sonhar com um terreninho por aquelas bandas.
O pessoal que organizou realizou um belo evento e o jogo foi a cereja do bolo. Foram felizes até na prudente idéia de cobrir a quadra, que ficou ótima e com lugar para quase 1000 pessoas. O piso era o mais usado no circuito indoor na atualidade – madeira pintada.
O jogo deu para o gasto. Nenhuma das duas queria fazer a outra sofrer. Como lembrou Gustavo Kuerten, sentado na lateral de uma das arquibancadas, as mulheres são por demais competitivas para fazerem uma boa e divertida exibição. Por isso o jogo foi sisudo e sério. Maria está lenta para as laterais, mas os golpes estão lá, assim como o instinto de jogar bem os pontos importantes. Gisele soube ser uma boa e feliz coadjuvante. Que não existam dúvidas, a estrela é a russa.
Uma das conversas das arquibancadas e corredores era se a mais bonita era Gisela ou Maria. Divisão na parada. Consenso; Maria é um mulherão, impressionante pelo tamanho e a juba loura, mas argentina é mais bonitinha, além de mais simpática. Maria é a rainha da marquetagem, algo que ela realiza com eficaz burocracia.
Encontrei amigos e pessoas que não via há tempos, o que é sempre um prazer e uma alegria. Um evento desses reúne uma fauna heterogênea, o que é parte do charme. Maria Esther foi homenageada antes da partida pelos 50 anos de seu 1º título. Gustavo Kuerten também foi chamado à quadra e fizeram a temeridade de lhe entregar o microfone na sua mão. Naquele momento a outra Maria, ali de pé sem entender uma palavra, foi simples coadjuvante.
Após o jogo tivemos um almoço e uma confraternização. A segunda foi ótima, até uma das minhas irmãs, a Vera, estava por lá. É sempre divertido bater rápidos papos com diferentes pessoas. Cruzei com pessoas das mais diferentes tribos; do tênis esbarrei no Carlos Bernardes, nos meus brothers Carlos Kirmayr e Luiz Mattar, ouvi dizer que Cássio Motta também estava por lá, Gustavo Kuerten, Mauro Menezes e outros. Não vou mencionar o resto, a outra turma, porque senão isto vira Quadra de Caras.
O almoço foi disputadíssimo, o pessoal estava morrendo de fome, pois o jogo acabou quase às 15hs, e a fila se movia, com infeliz insistência, mais lentamente que nossa fome. Para nos distrair, a vista do restaurante, que fica no topo de uma colina, como vem chovendo muito na região, estava uma maravilha.
Maria e Gisela pareceram e ficaram por pouco tempo. A russa sempre cercada de seguranças, o que me parece uma babaquice sem tamanho. Tirei algumas fotos com as moças. A da Maria, afagando meus cabelos, fico devendo, pois sumiu depois que minha mulher foi fotografar umas amigas.
Demorou mas o pessoal aprendeu a cacifar um evento tenístico. O evento de hoje foi realizado com esmero e cuidado, que é o que as pessoas esperam e deveriam receber quando saem de casa para se divertir, tanto quando convidadas ou quando pagando. Esse negócio de sair de casa, ser mal tratado ou, pior, correr o risco de tomar porrada em arquibancada é um programa de índio e uma cultura que nosso povo ainda não conseguiu eliminar.
Sei que alguns vão criticar o evento fechado como elitista. C’ést la vie. Os organizadores tiveram suas dificuldades em vender o evento – na Argentina foi cancelado por falta de grana, a Maria não cobra barato – e o plano original era ser aberto para o público.
No final, para a coisa acontecer, quem pagou a conta aqui foi Condomínio Fazendo Boa Vista, que tem sua própria agenda e interesses. Os convidados são possíveis clientes e foram entretidos com evento de se tirar o chapéu.
Quem quiser ver o jogo pode ligar na SporTV. O resto deve se contentar com o texto acima, as fotos abaixo e aguardar pelo Aberto da Austrália, que estarei comentando em Janeiro, quando Maria, e Gisela, voltam às quadras.



A arena, as artistas, o blogueiro, o cara e o brother.