Cognac, s’il vous plait
O melhor que Del Potro e Tsonga fazem depois desta terça feira é comprar uma garrafa de Cognac Hennessy Eclipse cada um, eu ia falar para dividirem já a bouteille custa $2000 Euros cada uma, existem algumas bem mais caras, mas com o prêmio de $155 mil Euros garantidos, eles podem se dar a esse luxo para ajudar enfrentar a noite que indubitavelmente irá lhes assombrar.
Delpo tinha dois sets a zero enquanto Federer estava naquele padrão “será que estou despenteando meu cabelão?” quando alguém na arquibancada falou mais alto do que a etiqueta sugere, lhe tirando do estado de estupor, o que acabou lhe irritando, e o fez lembrar que slice também vale quando enfrentando um adversário de 2m de altura. Virou o jogo. Delpo teve dois sets a zero, mas nunca sentiu o gostinho da vitória. Meia garrafa talvez resolva.
Já Tsonga nem uma inteira vai lhe dar a paz que irá buscar entre os lençóis. Talvez melhor mesmo seria um passeio pelo bas-fond de Paris em busca do afeto de alguma perversa que não tenha a menor ideia do significado do anglicismo match-point e seja boa de copo, de ouvido e do que mais a natureza lhe proporcionou.
Nos três primeiros sets, Djokovic lembrou o Djoko de dois anos atrás, correndo atrás de tudo e rezando pelo erro adversário. Tsonga foi muito mais audaz, como apreciaria o conterrâneo Danton “audace, tojour l’audace”. Ia para as bolas vencedoras, de esquerda e direita, do fundo e à rede – um tenista muito mais interessante de assistir. Compreensível – um tinha muito a ganhar o outro muito a perder.
Mas o diabo sempre está à espreita em uma quadra de tênis. Depois de ter quatro match-points, onde se não justificou a idolatria de Danton também não foi nenhuma Mauresmo, Tsonga viu o sérvio crescer das trevas e mostrar que nos Bálcãs o buraco é mais embaixo. Na hora da onça beber água, no finzinho do quarto set, o sérvio encarou o francês, que se fez de morto ao dizer que nenhum deles franceses tinha chances ao título, tática que quase funcionou, assim como encarou a torcida francesa que tentava manter o orgulho local em alta após todas as chibatadas que os europeus em geral veem levando.
Após ver a vaca francônica pular a cerca e invadir o brejo de barro do quinto set, Tsonga desistiu emocionalmente, enquanto Djoko ficou ainda mais forte. O set final foi um passeio, mais tranquilo do que uma promenade pelas ruas de St Germain. Tsonga afirmou que foi a pior derrota de sua carreira. Mas isso ficou para trás. Enquanto Djoko irá tomar um ou dois goles de uma Moet Chandon só para celebrar, Tsonga terá que enfrentar seus fantasmas, o que promete ser pior do que os que enfrentou naquela meia hora do quinto set. Por que é tão humanamente difícil se recompor após uma grande decepção?
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Autor: paulocleto Tags: Del Potro, Djokovic, Federer, paris, quartas de final, roland garros, semifinal, Tsonga



Esvaziando…





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