Elena Dementieva, Maria Sharapova, Ana Ivanovic, Venus Williams, Jelena Jankovic e Dinara Safina – o que elas têm em comum? À parte de serem metade da lista das Top 10 do ranking mundial, o fato de possuírem uma tremenda e inacreditável dificuldade em sacar.
O saque é o único momento em que o tenista tem a bolinha na mão e há muito pouco que o adversário possa fazer para atrapalhar a execução do golpe. Assim sendo, teoricamente é o golpe mais simples do tênis. Agora vá explicar isso para as moças acima e uma série de outras no ranking da WTA; eu arriscaria dizer a maioria.
Não vou dissecar o movimento e a técnica de cada uma delas, até porque não é o tema do post. Mas adianto que, estranhamente, quase todas tem graves defeitos técnicos no saque, ao contrário do resto dos golpes. Mas o que me assombra é a dificuldade emocional de lidarem com esse golpe, dificuldade que parece restrita às mulheres. Até porque se algum homem trouxer essa dificuldade emocional para o circuito será arrasado por implacáveis adversários e desaparecerá.
Podemos até dizer que alguns homens têm dificuldades técnicas – como é evidente e mais reconhecida em Rafa Nadal. Mas o espanhol, que tem a maior força mental do circuito, além de um espírito inquebrantável, não desmorona emocionalmente pelas dificuldades que tem em sacar. Senão não seria quem é.
Mas as mulheres sofrem barbaridades com isso. Por que? Só posso especular. São mais frágeis emocionalmente, como parece ser o caso de Dementieva e Ivanovic? Porque tem sérios problemas técnicos, como Safina e Venus, além das outras? Ou porque, mais uma das contradições do circuito, as mulheres são muito melhores (na verdade, excelentes) devolvedoras do que sacadoras? De tudo um pouco – ou muito.
As mulheres crescem treinando contra rapazes e técnicos que sacam forte, o que é um bom treino. Mas ninguém pode sacar por elas. As mulheres que se sobressaem no circuito são, em sua maioria, extremamente sólidas e fortes em seus golpes, incluindo a devolução, o que castiga as sacadoras, especialmente as que não conseguem gerar força e velocidade nas bolas.
Acho que tem muito a ver com isso porque até poucos anos atrás – quando as mulheres não eram tão fortes, e consequentemente não tinham devoluções tão devastadoras – elas sacavam bem mais fraquinho. Tinham dificuldades em manter o saque, mas não desmoronavam tão drasticamente como agora. Imagino porque quando davam aquele “empurradinho” não vinha uma tremenda pancada.
Não acredito que seja uma questão de carência de força física feminina. Primeiro porque já vi mulheres sacando bem forte. Inclusive algumas das mesmas tenistas da lista acima, em especial Sharapova e Venus – quando não estão encafifando mentalmente tem uma bela pedrada no saque. O desmoronamento é emocional.
Um pouco deve vir da tradição do tênis onde o sacador tem a obrigação de vencer seus games. A partir do momento em que uma tenista começa ter seu serviço desrespeitado e quebrado, como se fosse uma terceira classe qualquer, altera-se toda a estrutura emocional da moça.
Uma coisa eu posso garantir: a partir do momento em que o tenista começa a pensar para sacar a maionese desanda. As minhas duplas faltas só aparecem, e raramente, quando por alguma razão o pensamento ruim – o da duvida – invade. Duvidei é batata; dupla falta. Fora isso a dupla falta só aparece quando conscientemente vou para um pouco mais no segundo saque. Nessas ocasiões não estou nem aí com a DF. Fico até contente por ter feito o que fiz.
Se você joga tênis sabe como é. Se não joga vai continuar pensando que isso é uma grande frescura. No entanto é a mais pura verdade. Como dizia Fernando Pessoa – pensar muito nunca tem bom fim. E alguma coisa está fazendo aquelas meninas pensarem demais.

Maria – beleza física e feiura técnica.