Garfada na final
Quem nunca teve problemas com um “garfo” em quadra? Nos profissionais o problema é amenizado pela presença do juiz. Mesmo que esse faça absurdos, existe uma regra não dita que, com a presença do juiz, o maximo que pode acontecer é um dos tenistas questionar uma marcação e se acertar sempre com o juiz. O tenista do outro lado da quadra não teria nenhuma obrigação de se manifestar, de um jeito ou de outro. Sempre existiu a possibilidade de um tenista “passar o pé”, pelo menos no saibro, onde o árbitro poderia, de qualquer maneira, verificar a marca – por isso fica mais fácil, e elegante, simplesmente passar o pé e dar o ponto para o adversário, algo que nem todos fazem.
Em tempos de “Desafios” a história mudou, pelo menos nas quadras em que ele existe. Mas existe uma área em que já tivemos sérios problemas no passado e, parece, não mudou. Quem conhece o tênis há tempos lembrará do sério incidente na final do US Open de 1985, quando Yannick Noah e Henri Leconte enfrentaram a dupla americana de Flach e Seguso.
Os dois primeiro sets foram decididos no tie-breaker. O terceiro estava set point no TB quando uma bola, segundo os franceses, tocou o cabelo de Flach- que usava aquele estilo mullet que o Agassi fez famoso – desviando e saindo pelo fundo. O juiz não marcou nada. Os franceses questionaram o americano que se fez de morto e negou. O pau comeu, com ofensas de ambos os lados. Os franceses se indignaram, perderam o TB e simplesmente entregaram o quarto set, sem fazer um game. O caso ficou muito famoso, saiu em todos os jornais e frequentou todos os vestiários. Os quatro nunca mais se falaram.
Vinte e seis anos depois um replay do affair, exatamente no mesmo cenário e circunstancias; final de duplas masculina do U.S. Open.
Os alemães Melzer e Petzchener enfrentando os poloneses Fyrstenberg e Matkowski. O primeiro set 6/2 para os alemães. No segundo set, 2×2, a confusão. Só que, desta vez, temos as câmeras de TV como testemunhas. Então, sem maiores comentário, eu deixo que vocês acompanhem o voleio de canela do “garfão” Petzchener – simplesmente ignorem o “desafio”, que nada tem a ver com o assunto.
Os poloneses, indignados, não fizeram mais nenhum game. O alemão, de origem polonesa e cara de paisagem, provavelmente não precisava passar por esse papel para ganhar – mas o caráter fala mais alto. Fyrstenberg, assim como os franceses 26 anos atrás, se recusou apertar a mão do “garfão” no final.
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Autor: paulocleto Tags: duplas masculina, u.s open