Se o saque sempre teve uma importância monumental no jogo de tênis, há cerca de quarenta anos a devolução de serviço passou por uma revolução e aos poucos foi adquirindo uma importância tão grande quanto o serviço.
A maior responsabilidade dessa revolução tem que ser creditada a Jimmy Connors e suas magistrais devoluções, tanto a de direita com o swing compacto como, especialmente, a de esquerda reta com as duas mãos. Para ser ter uma idéia melhor desse momento histórico é só dar mais uma olhadinha no vídeo que postei há poucos dias entre Laver, o grande sacador/voleador, e Connors, destruidor de sacadores, no início dos anos setenta.
De lá para cá o tênis mudou, várias vezes, drasticamente. Os sacadores melhoraram absurdamente, assim como os devolvedores. Por conta disso, o post de hoje, após temos analisado as estatísticas dos sacadores, é sobre os devolvedores.
Não é surpresa que o campeão nesse fundamento seja o Animal Nadal. Ele lidera os pontos vencidos nas devoluções de 1º e 2º serviços e nos games como devolvedor. Só não lidera as estatísticas do aproveitamento dos break-points, um dado interessante já que na sua frente estão Djokovic e Nalbandian. Já coloquei em outras ocasiões que o aspecto mental é uma das forças do sérvio. Quanto a Nalbandian, talvez o melhor devolvedor em quadras rápidas, não deixa de ser uma boa surpresa tal eficácia mental.
Quem tem bastante sucesso como devolvedor também é Davydenko, o 2º nas mesmas três estatísticas que Nadal lidera, porém em 7º no aproveitamento dos break-points. Fica então claro que se o russo tivesse o mental no padrão de sua técnica, seria um tenista ainda mais perigoso e candidato mais forte aos títulos no GS.
Interessante ver Verdasco, que tem altíssima percentagem de 1º saque, ser o 4º no aproveitamento de BP convertidos. O espanhol não tem golpes contundentes, mas conhece o jogo. Outro espanhol, David Ferrer, aparece nas quatro estatísticas e, apesar de não ser bom sacador, conta com sua regularidade como recebedor para se dar bem.
Murray, que no 1º semestre ainda era um tanto dispersivo, é o 4º devolvendo o 1º saque, o 3º devolvendo o 2º, o 6º nos games quebrados, mas não aparece entre os 10 melhores nos aproveitamento dos break-points. Imagino que em 2009, com sua recém adquirida confiança e novo foco na carreira, terá melhor aproveitamento.
Um dado impressionante é que os melhores devolvedores conseguem quebrar o adversário em cerca de 30% dos games. Nadal, o 1º, quebra em 33% das vezes que recebe e Federer, o 10º, em 27%. Isso é um média de 2 quebras por set – aí não tem quem segure, já que se o cara sofrer uma quebra ainda leva o set.
Para aqueles que procuram razões para a ausência de um maior sucesso de Federer, notem que ele, o segundo do ranking mundial, está somente em nono em duas das estatísticas, em décimo em outra e na mais mental – % de BP aproveitados – sequer aparece.
O argentino Del Potro é outro que mostra a importância da devolução no seu sucesso. Ele está entre os 10 melhores nas quatro estatísticas. Alie-se a isso o estrago que um jogador da altura dele pode fazer com seu serviço e temos uma ótima inspiração para o brasileiro Thomas Bellucci, que de mais de uma maneira tem jogo semelhante ao argentino.
A maior surpresa talvez seja outro argentino, Juan Mônaco, 47º no ranking, que aparece em duas estatísticas. Imagine o quanto ele é “ruim” nos games sacando. Outra anomalia é o 6º, o 7º e o 8º do mundo, Tsonga, Simon e Roddick, não aparecerem em nenhuma.
Para encerrar, dos 40 nomes que aparecem nas 4 estatísticas, somente seis batem o revés com uma única mão. Lembrando que cerca de 80% ou mais dos saques são direcionados ao revés. Isso responde a várias perguntas dos leitores.
Abaixo as estatísticas:
| Pontos vencidos devolvendo 1º serviços |
|
|
| Jogador |
% |
Partidas |
| 1. Nadal, Rafael |
34 |
90 |
| 2. Davydenko, Nikolay |
34 |
71 |
| 3. Djokovic, Novak |
33 |
78 |
| 4E. Murray, Andy |
33 |
72 |
| 4E. Verdasco, Fernando |
33 |
72 |
| 6. Ferrer, David |
33 |
64 |
| 7. Del Potro, Juan Martin |
33 |
59 |
| 8. Monfils, Gael |
33 |
47 |
| 9. Federer, Roger |
32 |
80 |
| 10. Blake, James |
32 |
68 |
|
|
|
|
| Pontos vencidos em 2º serviços |
|
|
| Jogador |
% |
Partidas |
| 1. Nadal, Rafael |
55 |
90 |
| 2. Davydenko, Nikolay |
55 |
71 |
| 3. Murray, Andy |
54 |
72 |
| 4. Ferrer, David |
54 |
64 |
| 5. Del Potro, Juan Martin |
54 |
59 |
| 6E. Berdych, Tomas |
54 |
54 |
| 6E. Nalbandian, David |
54 |
54 |
| 8. Monaco, Juan |
54 |
47 |
| 9. Federer, Roger |
53 |
80 |
| 10. Djokovic, Novak |
53 |
78 |
|
|
|
|
| Break points convertidos |
|
|
| Jogador |
% |
Partidas |
| 1. Djokovic, Novak |
47 |
78 |
| 2. Nalbandian, David |
46 |
54 |
| 3. Nadal, Rafael |
45 |
90 |
| 4. Verdasco, Fernando |
45 |
72 |
| 5. Del Potro, Juan Martin |
45 |
59 |
| 6. Wawrinka, Stanislas |
45 |
55 |
| 7. Davydenko, Nikolay |
44 |
71 |
| 8. Berdych, Tomas |
44 |
54 |
| 9. Blake, James |
43 |
68 |
| 10. Ferrer, David |
43 |
64 |
|
|
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| Games de devolução vencidos |
|
|
| Jogador |
% |
Partidas |
| 1. Nadal, Rafael |
33 |
90 |
| 2. Davydenko, Nikolay |
32 |
71 |
| 3. Del Potro, Juan Martin |
32 |
59 |
| 4. Djokovic, Novak |
30 |
78 |
| 5. Monaco, Juan |
30 |
47 |
| 6T. Murray, Andy |
29 |
72 |
| 6T. Verdasco, Fernando |
29 |
72 |
| 8. Ferrer, David |
29 |
64 |
| 9. Nalbandian, David |
29 |
54 |
| 10. Federer, Roger |
27 |
80 |