Chico Costa | Paulo Cleto

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009 Copa Davis, Tênis Brasileiro | 15:22

Pitadas

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Toda quarta-feira abro jornal “A Folha de São Paulo” procuro o caderno de esportes e lá a coluna do tênis, escrita pelo colega Régis Andaku com um distanciamento que proporciona uma visão peculiar do tênis.

Régis nos deixa saber o que se passa pelo mundo do tênis, fazendo uma interessante mistura do tênis nacional e internacional, de fatos e opiniões. Além da coluna propriamente dita, acrescenta, em coluna lateral, pitadas do tênis nacional, em especial o juvenil e o de tenistas ainda em formação. É sua maneira de expor e auxiliar os que ainda não são noticias mas já estão na luta.

Na imensa maioria das vezes Régis não é polemico, pelo contrário, preferindo passear pelas notícias como um diletante e um escancarado apaixonado pelo esporte.

Por isso, foi com surpresa que li sua coluna de hoje sobre a derrota do Brasil na Copa Davis. Desta vez Régis decidiu ir na veia.

Menciona que houve gente defendendo jogadores “com mais espírito de Davis”, ao mesmo tempo em que diz, com razão, que seria impossível deixar de fora Bellucci e Daniel, assim como a dupla Sá/Melo, pelos resultados obtidos e, acrescento, pela ausência de resultados de outros.

Então, pergunta Régis, se tudo estava certo, o que deu errado, já que tinhamos a grande vantagem de jogar em casa e, no papel, um time melhor rankeado? Ele oferece duas razões.

Primeiro, o show de bola de Nicolas Lapentti. Algo que todos viram, aplaudiram e que não é nenhuma surpresa, mas não o suficiente para sugestificar uma derrota em casa para um tenista de 33 anos, em fim de carreira e com um ranking atual bem pior do que nossos tenistas.

Na próxima razão ele pega na ferida e escreve; “porque faltou um verdadeiro capitão ao Brasil, capaz de mexer com coração e mente, muito mais do que gritar palavras de incentivo. Para um grupo ainda inexperiente em Davis, como o nosso, faz diferença. Um capitão que, além de ser referência, seja personagem do confronto. Sendo a Davis o único torneio que permite a um técnico sentar ao lado da quadra e interferir no jogo, por que não fazê-lo?”

“Não se trata de catimbar, gritar ou tumultuar (às vezes até isso), mas de se levantar nas horas certas e fazer crescer o bom tenista quando tudo parece perdido. Mexer com os brios e mudar, ou a cabeça do jogador, ou o momento da partida, ou o destino do duelo. Com Nico inspirado de um lado e um capitão coadjuvante de um time inexperiente do outro, o resultado, visto agora, não parece surpresa, infelizmente.”

Pensei em ligar para o Régis e perguntar: onde assino embaixo? Já que tenho o blog, achei interessante publicar esse trecho da coluna. Eu vinha pensando como abordar o tema, que para mim é um tanto mais delicado. Por conta disso, acrescento minhas pitadas.

Nico Lapentti deitou, rolou e fez a festa porque deixaram. Não que para isso fosse necessário agredir ou mesmo intimidar o “gentleman” equatoriano. Longe disso e não é por aí. Mas, para isso seria necessária uma vivencia, conhecimento e, especialmente, uma liderança que não houve e já não há a algum tempo – para colocar todas as peças nos seus devidos lugares. Mas isso é uma questão de personalidade ou, no caso, a ausência de uma.

Chico Costa nunca fez um impacto como tenista e muito menos como técnico, dois critérios utilizados para a escolha de um capitão de Davis. Mas tem feito um impacto como um personagem que sabe se aproximar de pessoas no poder e se prestar ao papel que lhe oferecem. Por um bom tempo foi o de criticar e atacar aqueles que lutavam para construir, como ele agora pensa que faz. Foi recompensado com um cargo um tanto além de suas capacidades.

Hoje tenta se estabelecer “formando” tenistas, o que não fez até agora e, quando inquirido, batendo na tecla do que acredita ser “politicamente correto”, liberando aos ventos idéias pueris, simplórias e batidas como se fossem pensamentos profundos e inéditos. Isso quando não está criticando dura e publicamente jovens tenistas por aceitarem bolsas de estudos em ótimas universidades nos EUA. Não tenho certeza, mas acho que ele não tem esse currículo.

Mas Chico Costa é o capitão indicado e mantido pela CBT. Infelizmente, por motivos diretamente opostos a que Régis Andaku oferece como as razões que poderiam ter evitado essa derrota em uma excelente oportunidade desperdiçada.

Notas relacionadas:

  1. PEGADINHA?
  2. Faltou vontade.
  3. Mais uma vez
Autor: paulocleto Tags: , , ,

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009 Juvenis | 10:06

Plano B

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Alertado pelo leitor Jefferson Guimarães tomei conhecimento das declarações do Chico Costa, glorioso capitão da Copa Davis. Ele critica, com ênfase, a decisão do jovem Henrique Cunha em aceitar o convite de uma universidade nos EUA. Chico considera a decisão como um plano B para quem quer se tornar profissional no tênis. Diz que isso acaba com o sonho do rapaz em ter sucesso no circuito e que a escolha seria mais por insegurança do que por convicção e que alguém o teria influenciado, vendendo gato por lebre e pedindo para desistir de seu sonho.

As declarações de Costa parecem ser também influenciadas por razões e preocupações pessoais. Ele treinou o rapaz no passado e em 2009 Cunha faria parte do Instituto Brasil onde Costa trabalha. Não sei os detalhes da decisão de Cunha, mas ele deve ter suas razões. Soube que a escola seria a UCLA, uma boa universidade e um dos melhores programas de tênis entre as escolas americanas.

Em parte Costa tem razão. Atualmente esse não é o caminho escolhido pelos jovens que tem como prioridade o profissionalismo no tênis. O que no passado era praxe hoje é cada vez mais raro. Em uma universidade de ponta os estudos têm tanta importância quanto o esporte. O outro lado da moeda é que o pessoal que abandona os estudos e vive de jogar Futures e Challengers mal sabe escrever, pensar fora do assunto tênis e fazer contas. Perdão, contas de somar até que fazem sim, mas vocês pegaram a idéia.

Mas, também não é inviável, nem sei se esse é o plano de Henrique, passar uma ou duas temporadas em uma boa escola em Los Angeles, com bons treinos e ótima infra-estrutura, jogar o circuito americano universitário que é tão competitivo quanto um bom Future, aproveitar as férias para jogar o circuito de verão americano e descobrir como o seu tênis e sua cabeça estão caminhando. Ter uma boa educação nunca fez mal a ninguém e voltar ao circuito internacional aos 19, 20 anos não é o fim do mundo. O brasileiro Luiz Mattar só entrou no circuito profissional aos 22 anos depois de cursar engenharia. Fez excelente carreira, chegou a 29 do mundo, ganhou 7 títulos na ATP e hoje, liderando seu próprio negócio, possui um patrimônio maior do que Gustavo Kuerten sonhou ter.

Como questiona Chico Costa, a decisão deveria ser feita por convicção e não pelo receio de enfrentar o incerto que o circuito profissional oferece para a esmagadora maioria que o adentra. Porém, com suas declarações, o treinador levanta a hipótese de que o jovem não tem o necessário para ser um competidor de fato, enquanto ignora as incertezas normais que atravessam a mente dos jovens nessa idade. Tenho minhas dúvidas se trazer assunto a público, com a ênfase nas críticas, foi a melhor idéia ou se foi a maneira que o capitão da Davis encontrou para mostrar sua frustração e, usando da força de seu cargo, pressionar publicamente o jovem tenista.

Henrique Cunha – pensando seu futuro.

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