Buenos Aires | Paulo Cleto

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009 Minhas aventuras | 20:33

En efectivo, claro!!

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Muito mudou em Buenos Aires nos últimos anos. Em especial os argentinos. Provavelmente por mais de uma razão, os hermanos baixaram a bola e estão mais afáveis e simpáticos, para não escrever agradáveis e educados. Não vou entrar na sociologia do fato, fico na constatação – talvez o Martin H., que tem mais ferramentas para tal se anime.

Alguns detalhes chamam a atenção, não por ser importantes, simplesmente por eu estar nas ruas. A economia deles ainda está no início do processo da incorporação do cartão de crédito. Contas de restaurantes podem ser pagas em cartão, boa parte das vezes, mas nem sempre – é bom perguntar antes. O serviço, que nunca vem embutido na conta – como o Brasil, que assumiu de vez esse péssimo e rude hábito, pois induz ao serviço mal feito – só pode ser pago “en efectivo”.

Argentinos são extremamente prolixos. É uma viagem ouvir rabos de conversas deles ou mesmo conversar com eles. Não tão rao parece conversa de doido. Eles vão por caminhos que parece não encontrar nexo ou um fim. No final acabam concordando com um sempre presente “claro!!!”

O que pode nos levar à loucura, ou pelo menos nos fazer colocar, literalmente, o pé na merda são os cachorros. O que o pessoal gosta de um cão é brincadeira. Até aí, tudo bem. O duro, o mole seria o mais correto escrever, é que eles não têm o civilizado hábito de carregar aqueles saquinhos plásticos e recolher os rejeitos caninos. Não mesmo. Sem a menor cerimônia, a cachorrada vai se aliviando e os argentinos se quedam com aquela cara de paisagem, como se não fosse com eles. Para não voltar para casa carimbado há que se caminhar com um olho na paisagem e outro no chão.

Como não podia deixar de ser, as mulheres me chamam a atenção. Só que, agora, por razão distinta. Eu sempre vim à Argentina com a expectativa de encontrar, ou pelo menos ver, lindas mulheres pelas ruas. Bem, se elas continuam por aqui, na mesma proporção de antes, devem estar saindo de casa em horário distinto do meu.

Onde estão as mulheres esguias, com calças jeans apertadas, botas, cabelos soltos e bem tratados, rostos interessantes, olhar de “soy más jo”? As argentinas deixaram de ser patricinhas e se tornaram mulheres. Talvez aquelas outras fosse um engodo. Se pensar bem no assunto, o que não faço, os homens também mudaram. Aqueles cabeludos, de eternos blazers” azuis e pintas de galãs de filme argentino, “por supuesto”, também não se vê mais.

Hoje se vê mais os “negros” pelas ruas. Óbvio que não me refiro a negros – só vi dois até agora – e sim aqueles descendentes dos índios, tipo Maradona, que recheiavam as areas menos favorecidas no país e a quem eles se referem, carinhosamente, eu suponho, como “negro”. Pelo sotaque, também parece haver mais latino-americanos por aqui do que antes.

Os argentinos continuam se indignando muito mais do que nós, o que nos deveria servir de exemplo e inspiração. Odeio essa coisa do brasileiro virar a outra face para tudo de errado que fazem conosco – de políticos sem vergonha a imbecis que param os carros na calçada como se os pedestres fossem lixo. Por isso não entendo como por aqui o pedestre segue sendo invisível. Você que tente entrar na frente de um carro ou, pior, de um ônibus, para atravessar a rua.

Fora isso, a cidade continua extremamente interessante de se passear. Pela diversidade, pela arquitetura, pelo verde, pela dramaticidade, pelo equilíbrio da provincia com a metrópole, assim como das pequenas ruas arborizadas com as enormes avenidas, todas repletas de plátanos, pela hospitalidade de se caminhar, pelas livrarias e os cafés. Pelos argentinos nas ruas, menos pesado e, apesar das eternas dificuldades que de maneira perene assolam o país, mais de bem com a vida.

Mas o que salta aos olhos é a simpatia ou, no mínimo, a ausência de antipatia que eles mostram com os hermanos do norte. O que me deixa contente, pois sempre fui fã dos argentinos e incomodava a maneira como se comportavam conosco. Gosto daqui e gosto, agora ainda mais, deles. E cá entre nós, que bela cidade é Buenos Aires.

DSC02694 Buenos Aires aos meus pés.

Notas relacionadas:

  1. Panterinhas
Autor: paulocleto Tags:

terça-feira, 3 de novembro de 2009 Minhas aventuras | 00:32

Panterinhas

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Uma das razões pela qual eu sonhava em terminar minha carreira de técnico eram as viagens de avião. E os aeroportos. Dois infernos que pensei me acompanhariam pelo resto dos meus dias.

Cheguei a voar cerca de 80 vôos anuais, o que eu considero acima de qualquer medida de bom senso. E se eu estava voando isso, os tenistas profissionais não estão muito longe. Podem acreditar, essa é a principal razão, ouvida da boca de inúmeros deles, para abreviarem o dia da aposentadoria.

Com os anos, cheguei a estressar de vez a só poder entrar em avião após tomar uma “panterinha”, apelido dado à pílula mágica, por um amigo tenista, pela sua cor rosa. Sorte que não tive que encarar exames antidoping e não passar pela vergonha que o careca deve estar passando, para aliviar a consciência e aumentar a conta no banco. Mas eu, que não sou bobo, louco ou viciado sempre tive a supervisão de um médico.

Aliás, li algumas outras partes do livro da careca de Las Vegas e adianto que serei um dos que irão morrer com os U$29,99, ou o que seja, a não ser que uma alma generosa me ofereça um de presente. O livro promete, e não estou me referindo às partes que falam se suas aventuras com drogas. Deve ter muita coisa interessante por lá.

No entanto, duvido que a minha pastilhinha estivesse na lista negra, já que jogar tênis naquelas condições não é exatamente adequado. Era como se uma mão invisível invadisse minhas entranhas e tirasse aquela ansiedade torturante, amainando a angustia da percepção da mortalidade eminente, ao mesmo tempo que me deixava com zero espírito competitivo, faceta obrigatórias em um jogador.

Conheci vários tenistas que começaram a carreira indo para o aeroporto cheios de energias, sonhos e boas expectativas. Com as infindáveis horas passadas a 10.000m, os intermináveis momentos de ansiedade causados pela incerteza de se conseguiriam vôo para a próxima cidade, já que o tenista não fica um dia sequer na cidade após perder, filas, check-in, turbulências, noites mal dormidas, refeições horríveis, bagagens extraviadas, vôos lotados e sem lugar e um universo de imponderáveis que inferizam a vida, os tenistas literalmente sonham com o dia em que só viajarão a passeio. Isso para não mencionar quartos de hotéis, clubes, e eternidades longe da família e amigos.

Como técnico, passei quase duas décadas nesse turismo forçado. Por conta disso, atualmente só me comprometo com viagens onde o passeio e a descobertas de novos lugares sejam as prioridades. Podem até ser lugares já conhecidos, só que agora apreciados sob um novo ponto de vista.

Este fim-de-semana subi em um avião em Guarulhos sem sequer saber se ainda tenho alguma “panterinha” na gaveta do banheiro. O vôo longo foi longo o bastante para assistir The taking of Pelham 123 – um filme que adorei ver o original no início dos anos 70 e me deixou então na beirada do assento, algo que o atual, mais fraco, não conseguiu fazer.

O destino, Buenos Aires, onde, como não poderia deixar de ser, tive inúmeras experiências dentro e fora do tênis. Isso fica para outra hora. O foco hoje é outro, apesar de que pretendo bater minhas bolinhas em um clube no Parque de Palermo. Enquanto isso, se os leitores tiverem algumas dicas da hora, o espaço dos comentários está aí para isso.

taking_of_pelham_one_two_three_ver3

O filme melhor então, os vôos melhor agora.

Autor: paulocleto Tags: , , ,