Só para quem não sabe, hoje, na abertura do confronto pela Copa Davis, entre Brasil e Colômbia, o nosso número 1, Thomas Bellucci, bateu o número 2 da Colômbia por 7/6 3/6 7/6 6/2. Em seguida, Franco Ferreiro, número 2 do Brasil, entrou em quadra para enfrentar o número 1 da Colômbia, Santiago Giraldo. A partida foi interrompida, por falta de luz natural, com a vitória parcial do brasileiro por 6/3 6/4 6/7 e 5/5. Franco teve chance de vencer em três sets, mas os nervos o traíram, algo natural para um tenista que faz sua estréia defendendo o Brasil na Copa Davis. A partida segue amanhã às 12h, e em seguida se joga as duplas, onde o Brasil é franco favorito. Ou seja, uma vitória de Franco, teoricamente só falta dois games, sacramenta a vitória brasileira.
Já escrevi sobre o tema anteriormente, mas não custa relembrar. O sorteio da ordem dos jogos na Copa Davis é muito mais importante do que possa parecer à distância. Hoje em dia essa importância foi amenizada por conta das modificações feitas no terceiro dia, já que não há mais sorteio na ordem dos jogos nesse dia. Com isso, a importância ficou restrita ao primeiro dia, mas ainda assim é vital. Como?
No confronto atual o sorteio favoreceu, e muito, o Brasil. Com a ausência de Marcos Daniel e a utilização do inexperiente de Franco Ferreiro, a responsabilidade sobre Thomaz Bellucci, nosso número 1, aumentou. Se ele correspondesse, nossa vantagem se confirmaria.
Porque uma coisa é um tenista como Ferreiro entrar em quadra com o time em vantagem e outra é ele entrar em quadra arcando com o ônus da derrota do melhor do time. Com a derrota ele poderia se sentir encurralado. Com a vitória de Bellucci ele se sente bem mais à vontade. Sabe que dele não é esperado vitórias, mas se vierem, ótimo. Esse deve ser o cenário emocional em seu íntimo.
O Bellucci ganha os dois jogos e a dupla confirma a vitória do time. O que o número 2 fizer de bom é lucro. (A não ser quando enfrentando o também numero dois, numa possível decisão do confronto, quando então se espera que ele apresente seu melhor tênis e vença, por ele e pelo time.)
É uma pressão enorme sobre o primeiro do time, especialmente quando ele joga as duplas também. Por isso, Gustavo Kuerten odiava jogar as duplas, que o cansavam para o terceiro e decisivo terceiro dia, mas o fazia porque sabia que ou ele ganhava seus três pontos ou time ia para o brejo.
São dois cenários muuuuito distintos para se jogar, em um esporte onde um braço solto ou preso determina a vitória ou a derrota. Mas já que Bellucci entrou em quadra e agüentou o rojão – e aqui entram os parabéns por essa sempre difícil vitória, em especial fora de casa -, ele, Ferreiro, entrou em quadra no lucro. E o estilo do gaúcho ganha muito, ou perde bastante, com essas diferentes circunstâncias.
A última vez que participei de um time brasileiro foi na vitória do Sul-Americano de 18 anos, em 2001 ou 2002, quando o time era formado por Marcelo Mello e Franco Ferreiro. O Brasil venceu a Argentina na final, o que é sempre um feito, e eu fiquei deveras impressionado com o espírito e a personalidade de Ferreiro. Achava que ele tinha um potencial enorme dentro do tênis – mais do que nada por conta de seu espírito guerreiro – que, infelizmente, não se concretizou.
Mas o rapaz, de quem sou fã, especialmente quando ele para de se lamentar e joga como homem, parecia perfeito para competições coletivas, pois vibrava muito, abraçava a responsabilidade e, claramente, se inspirava pelo espírito da competição, muito distinta da participação individual. Um típico e bem vindo jogador de Copa Davis.
Por isso, não vejo como surpresa a sua performance de hoje contra o número 1 da Colômbia. A grande questão, que nós, o resto do time, e em especial ele, vamos dormir com, é como será a continuação do jogo de amanhã. Nessa hora a intervenção do capitão é fundamental, pois é necessário convencer o intimo de nosso tenista que, se ele tem um probleminha para amanhã, seu adversário tem um problemão.
