Vale a regra?
Agora que as transmissões de torneios vão emplacar, vale ressaltar a mudança, sutil, porém importante da regra dos 25 segundos que está sendo imposta pela ATP. Ela existe desde os anos 80, quando um mala sem alça chamado Mark Dickson, quase levou o publico a loucura com o ritual de seu saque. Isso porque antes dele não existia uma regra clara sobre o tempo para iniciar o ponto, porque não existiam os malas que existem atualmente em quadra. Os caras pegavam as bolinhas e sacavam.
Dickson não fazia muito mais do que sacar no seu jogo e por conta disso ficava ali na linha batendo N bolinhas a cada saque, como se fosse um Djokovic enfrentando um match point que valia a honra da mãe. Eram 30, 40, batidas por saque, e o cara errava 1º saque como todo mundo. Só que um dia o fulano caiu na Quadra Central do US Open e seu jogo foi televisionado para a TV costa a costa nos EUA. Os telespectadores foram à loucura e a imprensa caiu de pau. No mês seguinte tínhamos a regra dos 25’.
Só que essa é uma daquelas regras/leis que os brasileiros gostam de dizer que não “pegou”. E não pegou mesmo. Os juízes de cadeira não tinham coragem de enforçá-la e, quando o faziam, os tenistas agiam como se os juízes fossem ladrões. Nadal e Djoko são especialistas em usar e abusar dessa contravenção e aproveitar seu status de estrelas para levar vantagem sobre adversários impotentes.
Sabe-se lá quem tomou coragem lá na ATP; o fato é que é os juízes voltaram machos de dar dó. Uma em cada 15 vezes eles chamam os burladores à fala e ainda ouvem o que não querem.
Para facilitar a vida dos juízes de cadeira a ATP mudou também a regra. Continua 25 segundos de intervalo, contando logo após o término do ponto até o momento que o sacador bate na bolinha para sacar.
Vale lembrar os sofasistas, e muitos tenistas também, que o jogo deve ser no ritmo do sacador e não do devolvedor – sempre dentro dos 25’, algo que só vi valer no squash.
Na primeira vez que não sacar no tempo o sacador será advertido. Na 2ª vez perderá um saque. Na terceira e em todas as outras a mesma punição.
Como sempre, questões irão surgir. Qual o tempo para sacar entre 1º e 2º saque? Mais importante, e esta aposto que logo irá criar enormes confusões e só quero ver como o juiz agirá:
Logo o sacador dirá que se atrasou porque esperava pelo adversário que não estava pronto. E aí, José? Começará uma onda de sacador correr para o centro e servir antes do adversário estar pronto? E este, poderá chiar? E a regra de que tem que acompanhar o ritmo do sacador, como fica?
A regra é boa, só que a ATP não quer ter o ônus do bônus. Esse negócio de chamar uma a cada 10 vezes que há a infração só deixa o pessoal mais revoltado quando a punição aparece. O certo seria a regra ser imposta todas as vezes em que a infração acontece – poderiam até colocar um relógio como existe no basquete ou no futebol americano. Traria um pouco mais de emoção. Lógico que os tenistas chiariam, como chiaram quando veio o tie-break e o desafio. Os jogadores teriam que se adaptar a realidade, como já está nas regras! Basta os responsáveis agirem como tais e não como burocratas protegendo seus empregos.
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Autor: paulocleto Tags: ATP, novak djokovic, Rafael Nadal, regras




Jack, por partes.