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06/10/2009 - 13:52

Jet lag

Foi só eu fazer algum tipo de insinuação sobre o tênis feminino que os rapazes decidiram reagir e mostrar do que são capazes. Andy Roddick, que pelo jeito está curtindo uma lua de mel por conta do futuro casório, perdeu para o polonês Kobot em dois sets. O argentino Juan del Potro brigou mais, mas dançou nas mãos do francês Roger-Vasselin em três sets.

O argentino alegou jet lag, dor de estomago e muita festa para a surpreendente derrota. Roddick, que nunca foi de oferecer desculpas, preferiu arregaçar sua raquete. Podem me criticar, mas acho mais condizente.

Jogar do outro lado do mundo definitivamente tem seus problemas. Quem fez essa viagem sabe o desconforto que é os primeiros dias. Eu ficava uns 10 dias torto – com sono de dia e querendo sair à noite. Mas o problema é coletivo e quem lidar melhor se dá melhor. Alguns vão mais cedo e jogam outros eventos, outros vão uns dias antes e outros ainda chegam em cima da hora. O corpo demora a se acostumar e às vezes é o bastante para causar surpresas. Como desculpa não ganha jogo nem justifica derrotas…

O espanhol Rafa Nadal escapou, por pouco, de entrar na lista acima, ao derrotar o sorridente Marcos Baghdatis 6/4 no 3º set. Agora deve embalar. Eles estão todos, junto com as moças, no Aberto da China, mais um torneio que reúne ambos os sexos, uma tendência que, espero, seja irreversível, senão imediata.

delpotro-roddick Delpo e Roddick – derrotas surpreendentes e reações distintas.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Masculino Tags: ,
07/07/2009 - 17:44

E o desafio?

Na hora eu estava tão tenso que notei e logo esqueci o assunto. Será que o Roddick estava tão doido que não notou?

O vídeo abaixo é do ultimo game da final de Wimbledon. As imagens e som da TV croata – por isso tentem ignorar o som. Prestem atenção no ponto jogados aos 4:13minutos . É vantagem do Roddick, para fazer 15 x 15 no quinto – em games, não em pontos! -, a bola de esquerda do americano cai na linha – ou pelo menos dá para achar que caiu – é cantada fora e o cara não desafia?!? Nada??!

Logo em seguida, Federer, voltando para receber, dá uma rápida olhada em direção ao ponto de contacto da bola – e passa reto. Ele é que não ia desafiar. Dois pontos depois o jogo acabou. E até agora não vi ninguém falar nada sobre o assunto.

Aproveitem para rever a segunda bola do Federer, de esquerda, no MP, causando o erro do adversário: arriscou bonito.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Grand Slam, Tênis Masculino Tags: ,
05/07/2009 - 22:26

A final

Esta vitória de Roger Federer merece dois posts, distintos e complementares. Um sobre a partida em si, outra sobre seu significado dentro de um contexto mais amplo e histórico.

A partida foi, como o próprio Federer admitiu, muito estranha. O suíço só saiu de quadra vencedor depois de conseguir quebrar o adversário uma única vez, após 4:16h de jogo. Devem ter sido 4:16h imensamente frustrante para um campeão de seu calibre. No entanto, não mais frustrante do que foi para Andy Roddick, que esteve a uma bola, por mais de uma vez, de liderar a partida por 2 x 0.

Roddick jogou muito tênis – um padrão que já havia mostrado na semifinal contra seu xará. Sacou muito, em termos de qualidade e não só de força, uma das mudanças que pode ser creditada a seu técnico. Também soube jogar do fundo da quadra, mesmo enfrentando um adversário que, notadamente, tem mais golpes do que ele – hoje isso não ficou evidente.

Uma partida decidida por 16 x 14 no quinto set obrigatoriamente foi decidida nos detalhes. O mais crucial, pelo menos para aqueles que conhecem o esporte, foi o fato do americano ter jogado atrás durante todo o quinto set. Só ali foi uma hora e meia e catorze games de pressão administrada por Roddick até a ultima bola. Lembrei-me de uma vez, como capitão da Copa Davis, quando Carlos Kirmayr venceu o terceiro set de uma partida contra um alemão no Ibirapuera, por 23 x 21. No intervalo, do 3º para o 4º, ele sentou na cadeira e, com a cabeça debaixo da toalha, chorou como uma criança durante um minuto e meio até se acalmar. Imaginem o alemão.

Enorme crédito deve ser dado a Federer por ter administrado o seu emocional ao longo da final. Imaginem o turbilhão de emoções, considerando o contexto e as circunstâncias. Ele estava tão ligado que notou quando Pete Sampras entrou, atrasado, na Quadra Central – e ainda o cumprimentou, o que deve ter sido a primeira vez que fez isso na sua carreira.

A partida foi tão maluca que apresentou os protagonistas em papéis trocados. Federer bateu seu próprio recorde de aces e executou muito mais deles do que o sacador Roddick. Já o americano foi o homem que teve a faca e o queijo na mão e ditou o ritmo da partida.

Se a partida foi dramática pela troca de liderança no placar e pela extensão do set final, foi menos densa emocionalmente e interessante tecnicamente do que outras disputas que temos acompanhado, neste e em outros GS, até porque foi um jogo muito dentro do contexto da quadra de grama. O serviço falou alto, as trocas de bolas foram curtas e maioria dos games sem grandes disputas. Dois sets no tie-break, um 7/5 e um 16/14 espelham isso.

Já tive a oportunidade de comentar que finais, na maioria, não são partidas de grande nível técnico pelas circunstâncias. Porém, mesmo notando um Federer mais tenso e, especialmente, conservador do que o normal, os dois tenistas se comportaram excepcionalmente, técnica e emocionalmente. Roddick não jogou, em nenhum instante, como um tenista inferior, enquanto Federer não cedeu às pressões que, mesmo quando bem mais leves, derretem tenistas menores. São dois grandes tenistas que realizaram um tremendo confronto como dois grandes campeões.

 

     

Autor: paulocleto - Categoria(s): Grand Slam, Tênis Masculino Tags: ,
05/07/2009 - 18:03

A bola

Todo jogo tem seus momentos decisivos. Os tenistas e seus técnicos conseguem relembrar, sem maiores esforços, os pontos que fizeram com que saíssem de quadra como vencedores ou perdedores. A aí, durma-se com um barulho desse.

Durante alguns dias, quiçá semanas, meses e mesmo anos, Andy Roddick vai sonhar com o voleio de esquerda alto que errou no set-point do segundo set, após já ter vencido o primeiro set. A bola de Federer foi meio esquisita, meio pifada – uma passada de direita alta que Andy não conseguiu controlar. Ali o jogo virou. Ali o jogo poderia ter sido ganho pelo americano. Ali Federer nasceu de novo.

Abaixo, ainda em inglês, a resposta de Roddick sobre a bola:

ANDY RODDICK:” Well, there was a pretty significant wind behind him at that side. It was gusting pretty good at that time. When he first hit it, I thought I wasn’t gonna play it. Last minute, it looked like it started dropping. I couldn’t get my racquet around on it. I don’t know if it would have dropped or not.”

Abaixo o comentário do Federer

ROGER FEDERER: “Yeah, I mean, I thought the second set was obviously key to what came after. Maybe being down two sets to love, the way Andy was serving, would have always been a very difficult situation to be in, you know. Even then down two sets to love it’s still possible, but it definitely increased my chances of winning.”

                                     ———————

O fotografo Julian Finney captou o momento que para sempre aterrorizará os sonhos de Andy Roddick.

Roddick – o voleio de esquerda que vai lhe trazer pesadelos por um bom tempo.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Grand Slam, Tênis Masculino Tags:
05/07/2009 - 17:22

Classe

Além de ter feito uma belíssima apresentação, exigindo o máximo do campeão, Andy Roddick teve o mérito de ter sido mais feliz em seu breve discurso pós-jogo do que Federer.

Se Federer pareceu um tanto deslumbrado, hesitando nas suas congratulações aos campeões presentes, e mesmo ao adversário, Andy foi mais articulado, bem humorado e inteligente que o adversário.

Federer tentou, sem muito sucesso, ser engraçado, e “agradeceu a Sampras por ter vindo, já que a distância é grande”. Foi o máximo do cumprimento às lendas do tênis que vieram lhe prestar homenagem. Já Roddick, exaltou o adversário como o melhor, e ainda mencionou, um a um, dos ubber-campeões presentes; Bjorn Borg, Rod Laver e Pete Sampras, dizendo que espera, um dia, fazer jus, em quadra, à presença e aos feitos deles. Muita categoria em um dos momentos mais difíceis de sua carreira.

Roddick – momento difícil vivido com classe.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Grand Slam, Tênis Masculino Tags:
03/07/2009 - 15:15

Andys

Andy, o Roddick, jogou acima do que vem jogando, utilizando a maior extensão de suas capacidades. Andy, o Murray, sentiu a pressão, como esperado, e jogou um tanto abaixo de suas capacidades. O resultado colocou o americano na final, para alegria de seus fãs e do outro finalista, que vem abrindo um champagne atrás da outra há mais de um mês.

Apesar do número de aces, Murray sacou abaixo do que devia, oscilando demais. Uma hora ace, outra empurradinho. Aliás, a oscilação é que o impediu de estar na final de Wimbledon. Nas horas importantes o escocês não sacou, a não ser um determinado momento do segundo set. Pior ainda é sua insistência em dar slices em pontos importantes e não usar aquela esquerdona top spin, que faz estragos tanto na paralela como na cruzada. Da mesma maneira, a insistência em devolver saques slices de direita, deixando a bola no meio da quadra, mesmo quando não há necessidade. O escocês ainda tem que aprender como usar todo seu arsenal em todos os momentos da partida.

Roddick é exatamente o outro lado da moeda. Um tenista com um ótimo técnico, que lhe vem ensinando utilizar seu arsenal da melhor maneira em todas as horas. Com ele Roddick aprendeu pouco tecnicamente e muito taticamente. Saca bem, e todo mundo sabe, mas não tem mais a ansiedade de fugir da direita como o diabo da cruz, e sabe o que fazer, mesmo que não seja demais, com sua esquerda quando forçado a batê-la. Tem também mais confiança em ir à rede e não inventar quando chega lá. Na grama, junto à rede, tudo que se precisa é um ângulo e uma caricia. Acima de tudo aprendeu, até pela idade, que um tenista com seu saque não precisa se desesperar tão facilmente.

A presença de Murray garantiria a emoção da final, pela carência de 74 anos dos britânicos e pelo seu retrospecto positivo com Federer. Como o inverso é a verdade no confronto Roddick x Federer – pode-se até chamar de freguesia – a emoção pode ficar restrita a Federer e seus recordes. Mas ninguém morre na véspera, e precisamos ver tanto como vai estar o suíço no dia que pode vir a ser o mais importante de sua carreira, como Roddick no melhor momento emocional de sua carreira.

Andy, o Roddick, final merecida.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Grand Slam, Tênis Masculino Tags: ,
30/03/2009 - 19:54

Como é que é?

Geralmente é no início do relacionamento que jogador e técnico tem “aquela conversa”, onde a realidade e o futuro da parceria são delineados. É verdade que muito do que é combinado é prontamente esquecido em futuro incerto, especialmente pelos jogadores. De qualquer maneira, a conversa inicial é a hora do técnico marcar seu território, senão a coisa pode ficar feia para o lado dele e para a relação.

Andy Roddick conta que estava tão cheio de energia para o novo relacionamento com Larry Stefanky – provavelmente estava mais cheio ainda de perder jogos – que foi logo enchendo a bola do técnico: “Larry, é o seu show, você manda e eu obedeço”. Stefanky aproveitou a deixa e emendou: “a primeira coisa é você perder 7 kilos (15 libras)!” “Na hora eu me arrependi de ter aberto a minha bocona.”

Bem falou o que não deve, faça o que deve. Roddick encarou o desafio, perdeu a gordura excessiva e com isso vem conseguindo mudar seu jogo e estilo. Hoje aceita mais a correria e por isso pode-se dar ao luxo de ter mais paciência, errar menos e esperar o momento certo de atacar. Não precisa depender tanto de seu saque. Ele está com 24 vitórias e 4 derrotas, o melhor início de temporada de sua carreira. Ainda é cedo para decretar que a parceria é um sucesso, mas os resultados falam por si.

Antes que alguém pergunte, eu também me pergunto; o que será que o Darren Cahil falou para o Roger Federer no Dubai?

Andy, hoje sem receio de tirar a camisa.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Masculino Tags:
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