Protestos
Todas revoluções feitas pelos tenistas começaram com alguma insatisfação pontual dos mesmos com dirigentes. Isso porque a insatisfação é perene, agravada por conta de algum detalhe.
Não vou dar uma prelação histórica porque não há tempo nem é hora. Basta lembrar que o Tenis Aberto começou em 1968 por conta da Federação Internacional suspender Nick Pilic por este não querer jogar Copa Davis e os tenistas em sua maioria (os da cortina de ferro não) aderiram ao boicote a Wimbledon. Do boicote caiu a hipocrisia do “tênis marrom” e o tênis se profissionalizou.
A mudança de 1989/90 também foi na mesma linha, com os tenistas cheios das intransigências dos cartolas. Surgiu a ATP Tour, com muito mais força à ATP.
Atualmente existe uma série de descontentamentos pontuais e conceituais que vem sendo empurrados para debaixo do tapete. Uma panela de pressão esperando uma pequena ruptura.
A revolta de Rafael Nadal com a maneira como foi administrada a sua entrada à quadra ontem teve enorme repercussão no torneio – entre tenistas, mídia e organizadores. Em parte ele tinha razão, em parte não. A quadra tem que estar em ordem. Ele tem que estar pronto para jogar, assim como estava seu oponente, que o esperou por quase 10 minutos. O assunto é complexo.
A reação de Nadal gerou uma série de reações, especialmente por conta de ex-tenistas com microfones à disposição nas TVs. John McEnroe e Brad Gilbert estão deitando e rolando, o que não é nenhuma novidade. Cahill e Clif Drysdale, comentarista na ESPN e um dos fundadores da ATP apóiam, com bem maiores parcimônias. Patrick McEnroe, o super poderoso ex Capitão da Davis e Treinador Chefe da USTA, foi mais comedido. Disse que em vários casos os tenistas têm até poderes demais, mas nesta caso, o da quadra úmida, ele fechava com os tenistas.
Andy Roddick começou bem morno em seus protestos, tanto com a organização como à TV, mas com a pressão dos antigos e as novas contingências, chutou o pau da barraca quando seu jogo foi interrompido por conta de uma água que subia à superfície da quadra e chegou a destratar o Diretor do Torneio quando foi chamado novamente à quadra e o problema não estava resolvido. Ficou claro que falava tanto para as câmeras e os microfones abertos como para o Diretor.
Até Serena Williams – que ontem não se juntou às três tenistas, Penetta, Zvonareva e Wozniacki, que invadiram o escritório do Diretor do Torneio para definir a suspensão das partidas, tuitou uma força para Nadal por seus protestos.
Independente do que venha acontecer nos próximos dias, e ainda vai acontecer bastante, muita água vai rolar por debaixo dessa ponte. Cada pessoa envolvida, e especialmente aquelas que estão na periferia do assunto, mas tem grandes interesses no esporte, vão abrir suas próprias agendas e agitar o pedaço.
Mesmo completando as partidas de hoje, esses tenistas terão que jogar quatro partidas de cinco sets, algo inviável – pelo menos em termos de qualidade nas ultimas partidas. Os maiores favorecidos nesse ambiente são Djokovic, pela partida a menos, os dias a mais de descanso e melhor físico. Murray e Federer também não ficam tão mal na foto. Federer tem um jogo a menos, Murray foi rapidinho, tem ótimo físico e se move sem maiores traumas na quadra dura, ao contrário de Nadal.
Para os que tiverem interesse, abaixo um video de uma conferencia com vários tenistas frente às cameras de TV. John McEnroe solta o verbo, Gilbert tenta soltar o seu, Cahill e Drysdale amenizam e Patrick McEnroe se equilibra. BigMac oferece uma boa perspectiva histórica, antes de ser interrompido, e fica claro que o clima está pesado por lá.
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Autor: paulocleto Tags: andy roddick, Rafael Nadal
















