Diploma
Eu ficaria feliz com um novo campeão, assim como fiquei contente em ver uma final inédita. A variedade sempre faz bem para o coração arejado. Mas ficou faltando alguém do outro lado da rede na conquista de Novak Djokovic.
Andy Murray deixou evidente que ainda não tem o espírito e o perfil de um campeão de Grand Slam, momento maior no circuito. Novak Djokovic deixou claro que está mais preparado do que quando conquistou o seu 1º título, também em Melbourne.
Murray sofre demais em quadra. Todo dia. O equilíbrio faz parte de qualquer combinação vencedora na vida do ser humano, independente da atividade. Murray oscila demais, dentro de uma partida, de um set, de um game e mesmo de um ponto. É muita montanha russa para administrar emocionalmente.
Djokovic é uma rocha mental e cada dia mais forte emocionalmente, duas coisas distintas. A primeira foi um presente de Deus ao sérvio. A segunda ele vem buscando há anos.
Novak conseguiu dar um pulo de qualidade no seu tênis ao melhorar o serviço, não muito, mas o bastante, e dar um gigantesco avanço com a direita vencedora, uma bola decisiva que ele não tinha até a temporada passada. O que um título de Copa Davis faz para o coração e a confiança de um tenista.
Murray, ao contrário, ainda não conseguiu passar para o próximo nível de seu talentoso tênis, insistindo em restringir seu estilo em minar os adversários, o que faz com maestria. Finais de Grand Slam é outra história. Quem chega ali são os dois melhores jogadores do tênis momentaneamente. A agressividade, a determinação, a confiança são qualidades que não podem ficar de fora do portfólio de um campeão. Este tem que ser capaz de vencer os pontos decisivos se impondo e não só contando com os erros alheios.
Mas, que fique claro. Se faltou alguém na final, no evento estiveram todos e Novak saiu vencedor. Olhando para trás, ele soube lidar com a zebra e os maus espíritos, ao bater um desconhecido croata em quatro sets, ainda na 2ª rodada, único jogo quando perdeu um set.
Seu diploma de campeão foi merecido e conquistado na semifinal ao bater, de modo incontestável, Roger Federer, o que não é pouco. Se um dia o suíço pode sair da quadra e dizer que alguém lhe bateu, do começo ao fim, foi naquela semifinal. Se não tivemos um novo campeão, temos um campeão novo – o que também está de ótimo tamanho.
Murray e Djokovic – uma questão de atitude.
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Autor: paulocleto Tags: andy murray, novak djokovic









