Por que?
Uma grande partida deve ser jogada em um grande cenário, sob circunstâncias excepcionais, com participantes de qualidade, ser repleta de drama, emoção, entrega, técnica, um publico participativo e interessado e ter consequências de toda espécie. Essa foi a partida entre Djokovic e Murray, a melhor de todas no atual Aberto da Austrália.
A presença de Lendl no camarote de Murray fez uma diferença? Fez. Murray lutou, como muitas vezes fez, mas deixou de lado o negativismo e a choradeira, que eram seu maior calcanhar de Aquiles. Teve uma ou outra vez que quis escorregar, mas logo se recompôs e voltou a focar na tarefa. Seu técnico era um verdadeiro “poker face”.
Murray bobeou? Sim, e não foi pouco. Mas uma partida de quase 5h exige um esforço mental impossível de manter o foco em tempo integral. Até mesmo esse leão Djokovic deus suas escorregadas e quase virou a vaquinha do brejo. Mas deu um jeito de ganhar!
Quem viu, viu, e eu não vou dissecar tudo o que aconteceu, especialmente com quase 700 comentários, mesmo que a maioria não sirva para nada. Se alguém for esperto, pesque o que presta.
Se até gente que, teoricamente, deveria entender do assunto e senta no sofá, porque não meus caros e queridos leitores?!
Bate-Prontos
O Murray e o Djoko vão sonhar com aquela direita paralela no BP do 5×5 no 5º set. Só que o Murray vai acordar e pular da cama. O Djoko vai virar de lado e continuar a dormir o sono da paz.
Por que Murray não saca bem do começo ao fim jogo? Por que só na hora que está com o pé na jaca?
Onde o sérvio vai buscar aquela força interior? Até onde a sua confiança vai seguir lhe tirando de apertos e lhe dando vitórias quase impossíveis?
Por que o Murray faz só uma coisa ou outra? Se movimentar muito bem ou soltar o braço e ir para as bolas vencedoras. Não dá para fazer as duas ao mesmo tempo e ganhar o jogo?!
O Djoko é um dos tenistas que melhor troca a direção da bola que já vi jogar, Graças à qualidade técnica de seus golpes e a disposição para aceitar a correria que tal estratégia exige.
Por que Murray sacou o serviço mais rápido a 215km/h, e Djoko e 195, enquanto a média de 1º serviço do escocês foi 184(2º=139) e do sérvio 190(157)?
Vamos explicar para quem não entendeu: o numero, teoricamente anormal de “erros não forçados” dos dois tenistas tem uma razão e uma explicação muito clara – (Murray 86, Novak 69). E não é por conta de deficiência técnica dos dois tenistas.
Segundo os parâmetros utilizados, mesmo que os caras troquem 20 bolas, se a 21ª for um erro será contabilizado como não forçado. Quem não passou a vida no sofá não sabe que após umas 10 trocas de bola o negócio vira um martírio, físico e mental indescritível. E isso foi um padrão nessa partida. Considerar tais erros como “não forçados” é dar às estatísticas uma leitura que elas não têm. Isso sem falar que ficaram quase 5h em quadra disputando pontos longos.
Sabem quantas vezes foi executado um “saque/voleio” na partida? Uma única, em quase 5h. Não é a toa que o Djoko se desculpou com o mestre Laver. Este só sorriu. E não chorou.
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Autor: paulocleto Tags: andy murray, novak djokovic






