É uma dureza chegar em casa e escrever, após andar a pé e de bicicleta por quase 7 horas. Essa é a maravilha de Paris. A segunda parte, não exatamente a primeira.
Hoje tive o privilégio, que eu ansiosamente esperava por, de ir ver a exposição do J.W. Turner no Grand Palais. Para aqueles que não conhecem o pintor inglês, um dos meus favoritos, sugiro o suicídio ou, pelo menos, um pouco mais de informação cultural.
Há pouco tempo atrás escrevi um post o mencionando e coloquei a foto (posso imaginar o Producer indo atrás) de uma de minhas suas pinturas favoritas. Hoje, após ter que dar uma carteirada no mano da porta do museu, ao descobrir que a fila da entrada demoraria três horas, tive a oportunidade de ver a maior exposição do pintor inglês fora da Inglaterra.
Durante minha caminhada pelas salas pensei nas analogias entre Turner e Agassi, já que algo teria que escrever por aqui. Ambos descobriram, aprenderam e aperfeiçoaram suas respectivas artes extremamente cedo na vida.
Ainda no berço, Agassi dava suas raquetadas em uma bolinha pendurada como um móbile e aos quatro devolvia centenas de bola lançadas pelo “dragão” construído por seu pai.
Turner cresceu nas ruas, seu pai era barbeiro e a família quase miserável. Muito cedo descobriu o dom, assim como Agassi, e passou a desenhar com pedaços de carvão nas ruelas de Covent Garden, antiga zona do mercado em Londres.
Logo tornou-se arrimo da família, ao pintar também rápidas aquarelas que impressionavam pela qualidade e pela idade do menino. Não muito diferente de Agassi que cedo já impressionava pela habilidade e talento para bater na bolinha.
Ambos cresceram para se tornar reconhecidos mestres de suas habilidades e talento.
No entanto, uma grande diferença entre eles. Agassi sempre odiou o que fazia e Turner sempre foi apaixonado pelo seu dom e pela sua arte. Agassi escreveu um livro renegando seu amor pelo tênis, com o qual aprendeu a lidar, ganhar jogos e muito dinheiro porque sempre soube, como sempre diz, que não faria nada tão bem em sua vida. O que não deixa de ser uma razão, mas criou uma profunda ambiguidade em sua personalidade.
Turner, que viveu 76 anos, entre 1775 e 1851, uma época onde não se vivia tanto, honrou e homenageou seu dom cada dia de sua vida. Ainda jovem foi reconhecido e começou a fazer fortuna, a qual não tinha vergonhas e culpas em acumular. Mas nunca se acomodou em um estilo, sempre arrojando, buscando inovar e quebrar as barreiras que os artistas e pessoas construíam em suas vidas e épocas, inclusive na pintura.
Sua pintura, sempre criativa, na verdadeira concepção da palavra, pode ser considerada percussora não só dos impressionistas como também da arte abstrata. Seus últimos anos foram profícuos, se tornando exatamente a minha fase favorita de seu trabalho, se é que posso singular uma única.
Hoje, ao me deparar com seu quadro “Calais Sands” quase desmoronei e caí para trás. O impacto emocional foi tão forte que tive que desviar os olhos e me retirar do recinto, demorando alguns minutos para me recompor. Foram poucas e especiais as partidas de tênis que me emocionaram dessa maneira, constatando o meu amor e paixão pelo nosso esporte. Não me lembro de nenhuma envolvendo Agassi.

Turner, “Calais Sands”, se alguem descobrir uma imagem melhor do quadro na internet me comunique.