Agassi | Paulo Cleto

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011 História, Tênis Masculino | 01:28

Saque e devolução

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Uma das pautas que me pediram – o Andre – foi sobre a evolução na técnica do saque e da devolução. Já vi que neste tipo de pergunta/resposta não vou conseguir ser definitivo. Primeiro, porque quero responder de bate-pronto, sem ter que pesquisar, anotar ou pensar muito. Com isso, suponho que as respostas não serão “definitivas”, mas vão espelhar o que penso e, talvez, abrir espaço para discussão.

Sempre existiram grandes sacadores e grandes devolvedores. Desde a época das raquetes de madeira, inclusive o grip – isso muito antes de inventarem os grips de couro. Dos que vi, Pancho Gonzalez já fazia uma enorme diferença por conta de seu serviço já nos anos 50. Muitos afirmam que foi “O Sacador”. Assim como Pancho Segura Cano fazia a diferença por conta de suas devoluções com as duas mãos de ambos os lados. Segura, ainda vivo aos 90 anos, seria o predecessor das grandes mudanças que o tênis sofreria 60 anos mais tarde. Gonzales morreu em 1995.

Sacadores e recebedores sempre nos propiciaram grandes rivalidades. Segura x Kramer, Laver x Rosewall, McEnroe x Connors, Sampras x Agassi etc. Estilos distintos que sempre nos proporcionou interessantes conflitos.

Até o fim dos anos oitenta os grandes sacadores imperaram, com algumas brilhantes exceções. Ninguém fez festa para cima de Borg, Vilas, Connors e Agassi, por exemplo. Mas o império era dos sacadores, de Gonzalez, Newcombe, Smith, Mc Enroe, Ivanisevic, Sampras, Becker e muitos outros, inclusive cabeças de bagre que só sabiam fazer isso.

Junto com as sacadores, imperava também o estilo saque/voleio, um estilo sedimentado e aprimorado por americanos e australianos. Por uma razão muito simples: em três dos quatro Grand Slams o piso era grama, piso que clamava pelo e facilitava o estilo saque/voleio. A grama era rápida e as bolas também. O estilo era mais velho do que andar para frente: sacar na esquerda do adversário e ir à rede – se desse, matar o voleio no lado oposto da quadra, se não desse, volear de volta no revés até sobrar para o voleio final.

Para facilitar o estilo, além da grama dos GS, quando não se jogava no cimento rápido, piso original da Califórnia, celeiro # 1 do tênis americano, os torneios aconteciam nos rapidíssimos carpetes de borracha em todos os torneios indoors, o que cobria prticamente todo o outono e inverno do hemisfério norte. Era 80-85% nesses pisos e o resto era o mesmo circuito do saibro europeu que ainda existe – onde americanos e australianos sequer apareciam. Assim mesmo se mantinham no top 10 só com os pontos do resto da temporada.

Alguns poucos e determinantes eventos mudaram a história, perfil e o futuro do tênis.

O mais importante foi a reação dos técnicos/professores com o fato dos grandes sacadores se imporem com tanta ferocidade. Devem ter se perguntado: quem foram os grandes devolvedores? Talvez tenham respondido: Segura Cano, Connors, Borg, Agassi. E o que eles tinham em comum? A esquerda com as duas mãos! Então vamos nessa!

Outro evento foi a reação dos donos dos torneios. Eles também ficaram porraqui com aquela chateza de saque-ace-ponto. Não saia jogo! As pessoas dormiam em jogos entre Sampras x Ivanisevic.

Paralelo a isso, houve a reação dos tenistas europeus ao quase eterno imperialismo dos americanos no comando da ATP. A rebelião colocou Alex Corretja no comando da ATP. Ele liderou as inúmeras mudança que bateram de frente com os gringos e acabaria com os eventos nos carpetes, passando para os pisos pintados com areia nos torneios indoors, unificando e democratizando o circuito também com os pisos de quadras duras. Além de salvar o circuito de saibro (por isso não deixam os torneios latinos-americanos mudarem o piso).

Os donos dos torneios aceitaram e apressaram as mudanças indoors, assim como o circuito de duras democratizou, sempre diminuindo a velocidade do jogo.

As mudanças acima deixaram o tênis mais lento, equilibrando a força que as novas gerações de tenistas trouxeram – por conta da altura, cordas e raquetes . Sem esquecer as bolinhas, que ficaram mais rápidas também.

O que houve, no fim das contas, foi uma uniformidade. Acabaram com os extremos. Nem as quadras e bolas lentas de Roma existem mais, nem as quadras de grama e os carpetes/gelo estão por aí para cortar o físico de boa parte do mundo. Hoje o tenista joga quase que com o mesmo estilo a temporada inteira. Uma diferença de velocidade é rara, mínima e todos notam.

Volto à esquerda com as duas mãos. Ela foi a grande mudança técnica, que é a pergunta do meu leitor. Ela acabou com a festa do sacador e, mais ainda, com a festa do sacador/voleador. Hoje ninguém mais ganha a vida sacando na esquerda de alguém e indo à rede volear. Muito menos contra alguém com o revés de duas mãos.

O saque melhorou na medida em que os tenistas ficaram mais altos e as raquetes “soltam” mais as bolinhas. Mas o grande salto técnico do tenista foi a devolução com as duas mãos – e seus sutis e determinantes aprimoramentos, os quais não vou entrar hoje. Hoje, nove dos onze primeiros do ranking batem com duas mãos. Esse golpe segurou os sacadores no fundo da quadra e os pregou por lá para o resto do ponto. Resta esperar qual será a reação a tudo isso. Porque não pensem que o atual será para sempre. Afinal, as teorias Darwianas se aplica a muita coisa neste mundo.

Os Panchos – Gonzalez, sacador e Segura, devolvedor.

Notas relacionadas:

  1. Todo Março
  2. U$29,99
  3. Muito barulho por nada.
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009 Light, Tênis Feminino | 22:28

Morrendo na praia?

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A essa altura todos já sabem, na verdade imaginam, o sacrifício necessário para uma jovem se tornar um profissional do tênis. Algumas conseguem lidar com todo o maldito estresse – mais uma vez, o livro do Agassi – a massacrante maioria não.

Alguns chegam perto, mas novamente a esmagadora maioria sucumbe na praia. Vocês não têm nem idéia de quantos, até porque vocês só ficam sabendo dos sobreviventes.

Ana Ivanovic e Jelena Jankovic foram duas tenistas que sobreviveram a Sérvia despedaçada – ou até mesmo por conta dessa tragédia chegaram entre as melhores do mundo. Mas elas tinham outras conterrâneas que, por uma razão ou outra, desistiram no caminho ou morreram na praia. Uma delas é Vojislava Lukic.
A menina era a melhor da Sérvia e da Europa até os 14 anos; chegou a ser a 5ª do mundo até 16 anos. Um futuro promissor. Nadando até perto da praia, chegou a ser #200 da WTA. De repente, parou. Afogou
.
Por que, deixou para vocês pensarem.

Ela diz que perdeu a fé no seu tênis. Queria uma vida mais frutífera, seja lá o que isso quer dizer. Decidiu ser atriz, modelo e trabalhar com marketing, seja lá o que isso quer dizer. Alega que quer ser feliz – e quem não quer? Talvez o Agassi, que afirma que era miserável enquanto faturava títulos e milhões. O ser humano é difícil de contentar, o que, talvez, para um tenista, seja uma qualidade.

Em 2008, aos 21 anos, jogou três torneios, parou e perdeu todos os pontos. Deixou o circuito. A semana passada foi até Dubai e jogou o torneio de duplas com uma amiga. Venceram uma rodada. Nem ela sabe por que foi nem se volta a jogar. Como muitas que escolhem as duas primeiras profissões acima, Lukic decidiu tirar a roupa – o que a macacada agradece. Este ano posou para a revista FHM da Sérvia e está tentando trabalhar na “Total Tenis”.

Na foto abaixo, do tempo em que ainda jogava, aos 17 anos, dá para notar o início da Síndrome Kournikova. A outra é deste ano. Encorpou, a moça. Ser feminina, e mesmo charmosa, em quadra é uma coisa. Transpassando uma tênue linha é um sinal de que as prioridades estão mudando – e aí é difícil continuar pagando o preço necessário para ser uma das melhores do mundo, pelo menos em quadra. Então fica mais fácil tirar a roupa para ver no que vai dar.

lukic Vojislava – A Sindrome Kournikova amadurecendo.

lukic6 Vojislava – quase no ponto.

vojislava lukic5 Vojislava – caída de maduro.

Notas relacionadas:

  1. Acabou, mas vai começar.
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 Light, Tênis Masculino | 10:32

Acabou, mas vai começar.

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Com a facílima vitória espanhola na Davis chega ao fim a temporada de 2009. O time espanhol já é forte de qualquer maneira, jogando em casa todas as partidas fica imbatível. Uma boa parte do crédito dessa vitória deve ir para a união e a força do grupo e o comprometimento, a entrega e a liderança de seu melhor tenista: Rafael Nadal. Não há time campeão sem esses quesitos. Esse é um compromisso que o Federer não assumiu, seriamente, até hoje, especialmente agora que eles têm o Wawrinka.

Teremos entre agora e o início da temporada 2010, no começo de Janeiro, uns dias para repassar o que de melhor e pior aconteceu no mundo do tênis, o que eu não sou lá muito fã de fazer, além de explorar algumas pautas que os leitores costumam pedir, o que acho mais interessante. Agora será a hora de me lembrar delas.

Vou ver se consigo também o livro do Agassi, que será minha cultura inútil para a época festiva. O problema é que o meu cartão de crédito já levou dois paus no site Amazon e não sei de ninguém voltando do EUA nos próximos dias.

Aos leitores reservo também uma outra agradável surpresa que divulgarei ainda esta noite ou amanhã cedo. Só não o faço antes porque assumi o compromisso de não fazê-lo. A expectativa também pode ser positiva.

espa

Notas relacionadas:

  1. Fim de semana
  2. Falta de tato
  3. A diferença
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sexta-feira, 13 de março de 2009 Tênis Masculino | 18:24

Todo Março

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A imprensa de Nova York confirma rumores de que o Madison Square Garden gostaria de institucionalizar uma exibição tenistica a cada mes de Março, como  a Roger Federer x Peta Sampras em 2008 e a das mulheres na semana passada.

Só que a dos homens foi um sucesso e a das mulheres nem tanto – dizem que havia 10 mil no das mulheres, o que não é exatamente estourar a boca do balão.

Por isso os rumores são que a próxima exibição será entre Roger Federer e Andre Agassi. O americano voltará às quadras em Maio, em Londres, e em Outubro no mesmo circuito que está atualmente no Rio.

Um detalhe; a grande projeto imobiliario que Agassi e esposa colocaram boa parte de sua grana pediu concordata a semana passada.

Notas relacionadas:

  1. Alpha dogs 2009
  2. A final masculina
  3. Dor providencial
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segunda-feira, 2 de março de 2009 Tênis Masculino | 16:44

Testando o teto.

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Os chefões do All England, local do Torneio de Wimbledon, realizarão uma exibição no dia 17 de Maio, dosi meses antes do torneio, na sua famosa Quadra Central com o intuito único de testar as condições atmosféricas decorrentes do teto retrátil a ser inaugurado este ano.

Os convidados para a Garden Party em Wimbledon são Tim Henman e Kim Cljisters e o Casal 20, Steffi e Andre Agassi. Vale lembrar que estes dois venceram o torneio – mas qual eles não venceram?

O pessoal quer ver como a grama reage tendo 15 mil pessoas nas arquibancadas e o teto, que é transparente, fechado. A organização afirma que o gramado deve estar totalmente seco antes de ser fechado. O que me faz pensar que será um verdadeiro estresse decidir o momento de interromper a partida, antes de a chuva começar, para então fechar o teto, que leva 10 minutos para fechar.

Uma mudança na umidade do local é esperada, em função do calor humano nas arquibancadas, e eles querem ver como isso funcionará. Eles testarão tambem o ar-condicionado e o administrador de umidade do ar. O público pagará cerca de R$115,00 para acompanhar a festa e o teste. Fico me perguntando se o teste não for o que eles esperam? Improvisam? Alea jacta est!

O gráfico do teto translúcido da QC de Wimbledon fechando e fechado.

Andre (debaixo da peruca) e Steffi na festa oficial de 1992, quando ambos venceram Wimbledon.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009 Tênis Masculino | 15:50

Teimosura

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No relacionamento técnico-jogador nem sempre o técnico ganha as discussões. Infelizmente, ou felizmente? Tenista é um bicho cabeça-dura e alguns só são piores do que outros. Vocês acham que o Federer não quer um técnico por que? Primeiro porque não quer dividir as glórias, mas principalmente porque não quer ouvir o que não quer. Por isso sua ultima tentativa foi Tony Roche, um técnico que não vai forçar nada, nem discutir coisa alguma. Com o barco vazando água talvez aceite um Cahill na sua vida, que é um longo caminho de um técnico mais assertivo.

Digamos, ao contrário de um Brad Gilbert ou mesmo um Jimmy Connors, que trabalharam com Andy Roddick e que o americano mandou embora por conta das divergências até suaves. Sabem por que o Connors foi despedido? Na volta de uma das viagens ao Oriente, Andy queria parar e treinar em Nova York, onde, por acaso, estava sua nova namorada e hoje noiva, a modelo Brooklyn Decker, uma figura de parar o trânsito ou, na pior das hipóteses, fazer um homem perder o caminho de casa.

Connors, o técnico que casou com uma coelhinho da Playboy e devia conhecer melhor o poder das entranhas, bateu o pé e disse para o pupilo vir para a Califórnia, onde ele mora. Os dois colocaram seus pontos de vista, nenhum quis ceder e a discussão ficou pessoal, o pior cenário para uma desavença profissional. Roddick deve ter feito as contas de quanto era o salário semanal, quem estava no lado pagador e quem estava no lado recebedor, e acabou despedindo o técnico que nunca foi homem de abaixar a cabeça para ninguém nem precisa de dinheiro para viver muito bem. Esse negócio de democracia em um relacionamento técnico/jogador é um tanto difícil de acontecer como de administrar. Um sempre acaba cedendo mais do que o outro ou há uma alternância ou a vara quebra.

Com certeza o tenista mais inflexível dos que treinei, ou pelo menos o que não fazia muita cerimônia em ser inflexível, foi Luiz Mattar. Nosso relacionamento nas quadras durou 10 anos, praticamente toda sua carreira. Uma de suas principais qualidades, e uma das razões para ter se dado bem em um circuito tão competitivo, foi essa sua característica, que pode ser também uma razão para dificultar o crescimento e ampliar os horizontes. Algumas de nossas divergências foram marcantes, umas divertidas outras nem tanto, não raras curiosas e muitas incontáveis.

Em 1987 Mattar venceu a semifinal do Torneio de Itaparica, batendo Sergio Casals, atual sócio de Emilio Sanchez em suas academias, nas semifinais. A partida foi uma batalha, com Nico se impondo no terceiro set, debaixo daquele sol baiano que tantas vezes mandou tenistas “animais” de físico, como Muster e Courier, precocemente para casa.

Após horas de uma luta excruciante, debaixo de sol escaldante ,Mattar queria dormir no ar condicionado ligado no máximo, algo que eu não aprovava nem gosto. Uma coisa é o ar condicionado para refrescar, outra é deixá-lo no máximo como se fosse o Alasca, para contrastar com o calor dos infernos dentro de uma quadra. Lembro que naquela noite discutimos por conta disso. Como o cara havia vencido a semifinal e no dia seguinte teria que voltar à quadra para jogar a final, foi de sua maneira.

A final era contra Andre Agassi, então com 18 anos e sem nenhuma responsabilidade de vencer. Mattar deve ter dormido como um anjo no seu adorado friozinho. Eu, da minha parte, tinha que me enrolar em cobertores nessas horas e, convenhamos, é um paradoxo passar a noite debaixo de um cobertor na Bahia.

Na manhã seguinte Nico acordou totalmente entupido e febril, tanto pelas horas debaixo do sol como pelo contraste da noite dormida no ambiente polar. Não que ele admita isso até os dias de hoje, mas Deus os fez teimosos e então tenistas.

O primeiro set, novamente debaixo de um calor dos infernos – vale lembrar que Agassi cresceu no deserto do Nevada e treinava na Florida – ainda foi equilibrado, sendo decidido no 7×5. No segundo set, a saúde do brasileiro, que também era um “animal”, arriou de vez e o americano partiu para o primeiro título de sua ilustre carreira; os dois ainda jogariam uma outra final, desta vez em Scottsdale, no deserto do Novo México, com outra vitória de Agassi.

Se desta vez a teimosia do tenista pode ter lhe custado um título, que eu totalmente acreditava ser possível nas circunstâncias de então, a mesma teimosia lhe abriu a porta de outro título, assim como me abriu uma porta para qual lhe serei grato até o fim dos meus dias. Mas isso é para outro dia, outro post. Um dia é da caça e outro do caçador. Hoje é da caça.

 Mattar, bravo dentro das quadras.

 

 Inaugurando mais um call center.

 

Notas relacionadas:

  1. Um oceano de habilidades
  2. Sacadores 2008
  3. DEVOLVEDORES
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