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23/02/2010 - 12:19

O Aberto do Brasil

Antes que esfrie, assumo uma das pautas prometidas. De vez em quando leio algumas críticas ao Aberto do Brasil, a maior parte sobre o local, distante das capitais tradicionais para esse tipo de evento.

Se vale a crítica acima, vale também a crítica de que a visita de um fã do tênis ao complexo da Costa do Sauípe também seria um programão que a muitos prefere ignorar.

Afinal, e isso é um fato, é um belo programa passar uns dias na Bahia, misturando tênis – jogando e assistindo partidas que por aqui só mesmo na TV – praia e mar, ótimo clima, bons passeios, golfe, pessoas com interesses comuns etc. Se o pessoal prefere ignorar o evento, fica um pouco mais difícil de entender a crítica, afinal essa é a realidade de boa parte dos eventos mundo afora.

Tenho certeza que os organizadores, no caso a Koch Tavares Promoções, realizariam o evento em São Paulo, ou mesmo no Rio, se houvesse condições necessárias. São precárias e, quando existentes, não cobrem todos os requisitos.

Como acontece na maior parte dos casos, o público só conhece uma ínfima parte do necessário para se realizar um projeto desses, e não tem lá muita curiosidade em saber os detalhes. Quer a comodidade e quem não oferece da maneira esperada é criticado. Bem, não dá para dizer que não tenham razão, já que o conforto, o atendimento e a qualidade do espetáculo oferecido devem ser a prioridade de qualquer evento. Mas, tirando a distância das capitais do sudeste, não dá para dizer que as outras prioridades não estejam presentes. Se existe o custo da viagem/estadia, atualmente não dá para dizer que a Costa do Sauípe seja uma viagem cara, considerando os benefícios.

Só que alguém tem que pagar a conta, que não é pequena. Quem a pagava antes era o Banco do Brasil, que foi parceiro do tênis por alguns anos – no auge da era Kuerten. Este ano o BB decidiu ficar fora do evento e isso de última hora.

O resultado é que os organizadores ficaram com uma conta de cerca de 3 a 4 milhões de reais na mão. Após algum estresse e muita correria – e assumindo a realização do torneio, mesmo não sabendo de onde viria o dinheiro – encontraram na Gillete um parceiro. E um dos fatores decisivos para a empresa entrar como patrocinador principal foi a possibilidade de realizar o seu congresso anual no hotel durante a semana do torneio.

Para ilustrar, só um pouco, as necessidades de um torneio destes, mostro alguns números abaixo:

442.500,00 de dólares americanos foi a premiação -
71 jogadores (quali, simples e dupla) participaram
3.500 pessoas era a capacidade da arena
6.300 bolas foram usadas para treinos e jogos
900 toalhas brancas foram usadas pelos tenistas
14.220 litros de água em 57,6 mil copinhos (200ml) e 5,4 mil garrafas (500ml)
2.100 garrafas de 500ml de isotônicos bebidos pelos jogadores
55h de transmissão de TV para o Brasil – 30h para o exterior
46 pessoas para a equipe de arbitragem
12 pessoas para a equipe de quadra
25 pessoas para a equipe de manutenção de quadra
15,2 toneladas de pó de telha jogadas sobre a quadra durante a semana.
Fora um sem número de pessoas e de outras necessidades de infra estrutura, obrigatórias e necessárias, para receber tenistas, público, imprensa e patrocinadores.

costa


Praia na Costa do Sauípe – alternativas.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Masculino Tags:
13/02/2010 - 13:47

O sono dos justos

Já que um dos leitores colocou o fato na roda, acrescento uma foto para ilustrar e um breve texto para explicar.

Ontem fui para as quadras procurando um parceiro para bater umas bolinhas quando apareceram Marcos Daniel e André Sá para fazer o seu treino de fim de tarde. Como cometeram a bobeira de convidar eu não hesitei em aceitar. Resultado, passei quase duas horas fazendo drills e me divertindo com os dois e tambem com o Daniel Melo, que entrou em quadra para coordenar e ajudar nos drills.

Foi um belo treino/diversão, com empenho e compenetração dos garotos. Como disse o Daniel, é ótimo fazer uns treinos “out of the box” para fazer coisas diferentes. Variedade é bom até numa quadra de tênis.

Sá fez seu último treino no Sauípe – hoje ele embarcou para Buenos Aires – enquanto que Daniel ainda está nas duplas, com Bellucci. Tambem vai a Buenos Aires e depois para casa, acompanhar o nascimento da filha, que completa o casal do casal.

Quanto a mim, aproveitei a cortêsia, matei as saudades e ganhei o dia. E, para coroar, como adiantou o André à minha mulher ainda em quadra, dormi como uma pedra o sono dos justos.

DSC03099 BDaniel, o blogueiro e Sá. Treino e diversão.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Brasileiro, Tênis Masculino Tags: , ,
12/02/2010 - 12:30

Durante a chuva

Um pouco antes de chegarmos a Salvador o piloto do jato pendeu o avião para a direita, afastando-se um pouco da costa, o que nos proporcionou uma belíssima vista do litoral. À esquerda, disse ele, o Morro São Paulo, onde mais me saltou aos olhos o braço de mar que invadia a terra do que o tal morro. Mas foi alguns instantes mais tarde que a vista mais impressionante me atingiu. A Ilha de Itaparica e a Bahia do Todos os Santos totalmente encobertas por nuvens baixas e escuras e as evidentes colunas de chuvas que caiam ao chão. É uma vista exuberante lá de cima.

Fiquei com certo receio, mas quando chegamos ao aeroporto o sol brilhava. Entre pegar as malas, subir no ônibus, fazer o translado de uma hora, subir ao quarto para trocar de roupa e baixar para o hall do hotel foi o tempo certo para a chuva percorrer o caminho em nossa direção e despejar sua água. Era também a hora exata que começaria o jogo do Ricardo Melo, o que causou frustração entre todos no Sauípe.
 
O jeito foi encontrar uma mesa no hall do hotel, pedir um refrigerante e assistir a banda passar. E ela passou. Os tenistas e seus técnicos ocasionalmente saiam de seus castigos nos quartos, mas preferiam lá se isolar. No hall encontrei João Swetsch, técnico de Bellucci e recém empossado capitão da Copa Davis, Jorge Rosa, presidente da CBT, que recém voltou no frio novaiorquino, acompanhado de Emilio Sanchez, sim ele está aqui e conversando bastante, a simpática família Sá, escapando da fazenda no interior mineiro, o educado Marcos Daniel, ansioso por voltar a vencer e contar o incidente australiano, o gentil mineiro Bruno Soares, o sempre falante e “rápido” comentarista Dácio Campos, o radialista Fernando “Calega” Sampaio, sempre dividido entre as paixões pelo futebol e o tênis, o técnico Daniel Melo, que vai auxiliar Swetsch nas duplas da Davis, o afável Daniel Orsanic, técnico argentino de Cuevas, De Miguel, técnico espanhol, contemporaneo de Emilio, todos eles, e muitos outros, estiveram por ali cumprimentando e conversando enquanto a chuva caia.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Brasileiro, Tênis Masculino Tags: , , ,
14/02/2009 - 17:32

A primeira ninguem esquece

Daqui a pouco Thomaz Bellucci joga sua primeira final de ATP Tour, contra um tenista que gosta e entende as quadras de saibro, tem muita experiência, já foi top 10, tem golpes sólidos e variados do fundo da quadra e é muito rápido.

Será que o brasileiro tem arsenal para batê-lo? O interessante do tênis é que ninguém morre na véspera e o espanhol, favorito, terá que fazer tudo muito direitinho para bater o brasileiro ajudado por sua participante torcida.

Robredo é completo do fundo da quadra e cobre muito bem todos os cantos com sua velocidade. Uma pergunta é se o poderoso saque e a penetrante direita do paulista poderão minar a vontade e a estabilidade ibérica. Outra questão, técnica, é se o espanhol conseguirá, regularmente, “encontrar” a esquerda de Bellucci, que continua muito errática para o nível que ele pretende e que sua torcida ansiosamente aguarda.

Bellucci terá que imprimir muita velocidade e força ao jogo, porque nas trocas mais longas de bola o espanhol o induzirá ao erro com suas corridas e variações de bolas. Para tal, o paulista terá que jogar depreendido, algo ainda mais difícil para uma final.

É difícil esperar que Robredo entregue o ouro, a não ser que algo fora do normal aconteça – tipo participação da torcida ou outro incidente. O mais provável é que ele tente fazer o jogo render e oferecer corda para o brasileiro se amarrar emocionalmente.

Como dizem, A Final é sempre uma partida totalmente diferente das outras do torneio, onde o emocional conta ainda mais. Bellucci é um tenista tranqüilo, porem, dito isso, hoje, momento máximo de sua breve carreira, ele terá que trazer algo mais à quadra emocionalmente para conquistar seu primeiro título. E é exatamente isso que nós, seus torcedores, vamos torcer para que aconteça.

 

Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Brasileiro Tags: , ,
12/02/2009 - 23:32

Gostei

Bela vitória do Thomaz Bellucci na Bahia. Pelo menos imagino que tenha sido, pois aqui na minha TV a Sportv largou o tênis e foi para o futebol no início do terceiro set?! No entanto, para bater o Ferrero, que claramente estava a fins de jogo, o rapaz tem que ter jogado bem – como já havia feito no 1º set e vacilado no 2º.

Esse tipo de vitória é o que o tenista precisa para adquirir o ritmo e a confiança necessários para crescer no torneio e no circuito. Com a vitória do português Frederico Gil sobre Almagro fica ainda melhor a chave do brasileiro. É mais confortável ir dormir pensando em enfrentar um jogador ainda em formação e sem nenhum título no circuito, do que enfrentar o atual campeão do torneio.

Gostei também do Thomaz declarar que não vai se acomodar com o resultado, o que deixa claro que está ciente do perigo de rir antes da hora. Gostei também de como está utilizando seu saque mesmo no saibro lento e como não se abalou após perder o foco e o segundo set. Não muito tempo atrás o brasileiro se perdia um pouco nessa situação. Agora é aguardarmos o português, que é regular, tem boa esquerda e uma direita sujeita a ataques. É por lá que a fera deve entrar. 

 

Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Brasileiro Tags: ,
09/02/2009 - 10:26

Holanda, Califórnia ou Bahia

O Aberto do Brasil divide a semana com outros dois eventos; San Jose e Rotterdam, ambos indoors. Essas semanas democratizam o circuito, mas não são ideais para os torneios quem vêem as estrelas se espalharem em um universo em expansão.
 
Rotterdam é um evento tradicional, já foi um dos maiores, lembram da raquete cravejada em diamantes? e, além do bom premio, distribui garantias a granel para satisfazer um público exigente e com muita grana. Nadal. Murray, Davydenko, Tsonga, Simon e outros vão para lá. Afinal é no quintal de casa.

San Jose é o 2º evento mais antigo nos EUA e, apesar de pequeno, é muito querido pelos tenistas americanos, que tem tratamento diferenciado. Além de Roddick, Blake e Cia, Del Potro, não me perguntem por que, decidiu ir à Califórnia. Como bônus, esta noite há uma exibição entre Pete Sampras, que cresceu nas redondezas, e Blake.

No Brasil jogam, teoricamente, os saibristas da America do Sul, porém não os melhores, tais como Nalbandian(10), Gonzales(15), Del Potro(7) e outros argentinos. Não me perguntem por que.

O evento fica restrito a espanhóis da estirpe de Almagro(18) e Robredo(19), que enxergam na Bahia um bom local para se vencer um torneio e surfar na confiança. Tirando esses dois, fica um campo aberto para surpresas onde os brasileiros, se inspirados e preparados, poderiam crescer. Se não o fizerem não me pergunte o por que. Vamos ver como eles se comportam na primeira rodada para escrever mais sobre o assunto.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Brasileiro Tags:
13/01/2009 - 18:22

Lista baiana

Saiu a lista do Aberto do Brasil na Bahia. Se um dia o evento parecia sucursal Argentina agora é filial de espanhóis. Os dois países são formadores de especialistas do saibro e por isso a invasão. Apesar da enxurrada de espanhóis não estará por aqui Rafael Nadal, que já venceu o evento. Por isso que sempre digo: acompanhem todos os eventos que acontecem por aqui com atenção porque sempre pode estar aparecendo um campeão.

Entre os ibéricos, Robredo, Ferrero, Almagro e outros coadjuvantes como Montanes, em um total de dez.

Os argentinos virão em menor dose, cinco, e só do segundo escalão. Entre eles Acasuso, Monaco e Schwank, que aos poucos começa construir a carreira.

Bellucci e Daniel entrarão por mérito próprios. Outros brasileiros terão que passar o qualy ou receberem um convite da organização. Abaixo a lista divulgada hoje:

1. Almagro, Nicolas ESP 18
2. Robredo, Tommy ESP 21
3. Montanes, Albert ESP 45
4. Monaco, Juan ARG 46
5. Acasuso, Jose ARG 48
6. Ferrero, Juan Carlos ESP 55
7. Granollers, Marcel ESP 56
8. Schwank, Eduardo ARG 58
9. Hernandez, Oscar ESP 68
10. Vassallo Arguello, Martin ARG 71
11. Starace, Potito ITA 72
12. Devilder, Nicolas FRA 73
13. Navarro, Ivan ESP 74
14. Massu, Nicolas CHI 77
15. Junqueira, Diego ARG 78
16. Bellucci, Thomaz BRA 85
17. Lapentti, Nicolas EQU 86
18. Daniel, Marcos BRA 87
19. Fognini, Fabio ITA 88
20. Gimeno-Traver, Daniel ESP 90
21. Martin, Alberto ESP 100
22. Andujar, Pablo ESP 101
23. Volandri, Filippo ITA 102

Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Brasileiro Tags: , ,
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