Quando Rafa Nadal venceu o 2º set levantei e fui ao clube fazer minha ginástica. O sentimento era que já tinha visto aquele filme antes. Quando comecei a fazer minha bicicleta, Rafa parecia ter a partida sob controle. Quando cheguei ao transport, ele sacava para fechar a partida pela primeira vez. No fim das contas tive que alongar o exercício porque para o caldo engrossou e aonde eu iria, na área dos pesos, não tem TV.
Nos últimos dois games o pessoal se aglomerava debaixo da TV. Eu pensava com meus botões; não me falta ver mais nada. Assistir o Animal Nadal perder, de forma bisonha, cinco games seguidos, na hora da onça beber água, para um de seus maiores fregueses, é mais do que uma cena rara – é bizarra.
A quadra azul tem sim algo a ver com a história. Mas não como uma desculpa. Essa cova o senhor Nadal cavou para si. Ficar alimentando essa polêmica toda em um torneio no quintal de sua casa não é a melhor preparação para um evento.
A quadra está escorregadia. Talvez mais do que devesse. Isso traz um componente a mais que os jogadores não estão acostumados. Reclamam os que perdem – será que Bellucci falou mesmo que ira levar chuteiras? – reclamam os que querem manter o status quo. Os que vencem agradecem e beijam a quadra. Ou seja; “quero a quadra exatamente do jeito que eu sempre ganho. Se fizerem algo diferente, eu pego a raquete e vou para casa”.
Aonde eu quero chegar é que algum curto circuito deu no Animal para ele simplesmente brochar daquela maneira na hora de fechar. Até ali, Verdasco tinha jogado muito bem, especialmente no 1º set, colocando o espanhol na defensiva. Nadal tinha dificuldades em chegar nas bolas, até porque a bola está andando bastante, como deve andar quando não se está na altura do mar. Eu queria só ver se esse circuito fosse jogado em outras cidades não a altura do mar como seriam diferentes as partidas e os estilos.
De qualquer maneira, Verdasco conseguiu acabar com a série de 13 derrotas – isso é que é freguesia – porque estava determinado a acabar com ela. E quando viu Nadal começar a vacilada ficou ainda mais confiante a começou a limpar as linhas. No fim das contas é isso – Verdasco ganhou porque jogou melhor na hora da onça beber água, o que, até hoje, era a marca registrada de seu oponente.
O fato é que essa derrota botou fogo de vez na polêmica. Ion Tiriac apostou e dessa vez parece que não vai levar. Ele conseguiu colocar praticamente todos os tenistas do outro lado da balança e deu a eles, que já vem buscando uma razão para se rebelarem, uma causa mútua.
É um fato que as quadras da Caixa Mágica sempre deixaram a desejar. Elas são construídas especialmente para o evento – o local abriga uma série de outros espetáculos durante o resto do ano. Essa transitoriedade não permite que as quadras se acomodem e atinjam sua maioridade. O piso escorregadio já era uma questão no ano passado e não foi acertado para este ano. O pessoal da manutenção parece perdido a respeito, chegando ao ponto de molhar a quadra durante o set, algo que nunca acontece – geralmente é no final dos sets.
Só que com essa conversa toda de “saibro azul” e a ausência de uma anuência dos “donos do circuito” – os líderes do ranking -, a polêmica deixou de ser o piso escorregadio, que é a questão, para a cor do piso, que não é a questão mas que chama, ou desvia, a atenção.
Com tudo isso, resta saber o que o Brad Drewet, o Presidente que Roger Federer bancou a colocou na ATP que chegoua Madrid na 3ª feira, vai fazer sobre a chiadeira de Rafael Nadal, que tornou toda a polêmica em uma questão política, que é o que queria, ao anunciar aos quatro ventos que no azul ele não joga mais. E agora, Ion?
Entre e “curta” a página do Blog no Facebook: https://www.facebook.com/BlogDoPauloCletoTenisnet

Fernandao gostou tanto do azul que até beijou…
Rafa não parece ter gostado nem da derrota nem do beijo….
Horas depois publicou essa foto na Face dizendo que já chegara a Mallorca..