Com certeza o segundo semestre da temporada 2011 não será algo que trará boas memórias a Thomaz Bellucci e seus fãs. Ele fez uma aposta, consciente e, mais do que provável, sob a orientação de seu técnico, Larry Passos, mas não se pode dizer que teve o sucesso esperado.
A estratégia de Bellucci era dar o pulo do gato com sua carreira e estender seus limites. Numero 21 do ranking ele já foi, o projeto era quebrar a barreira dos top 20 e testar a barreira dos top 10. Não foi nesta temporada, o que não quer dizer que não vá ser em outra.
A escolha de seus torneios, assim como foi a escolha do técnico, espelha a ambição do tenista brasileiro, algo saudável em um esportista. Se o tenista não almeja crescer na carreira com certeza começa, e merece, cair.
No entanto, não basta planejar bem, tem que executar bem. E foi aí que Thomaz fracassou, pelo menos se levarmos em consideração sua estratégia e ambição. Neste segundo semestre, o brasileiro apostou em grandes eventos, não se escondendo nos torneios menores.
Jogou todos os Masters 1000, viajou mais cedo para a América do Norte, começando em Los Angeles, se guardou na semana anterior aos Grand Slams, foi à Ásia, onde jogou os torneios maiores e mais difíceis, voltou ao Brasil, e voltou à Europa por duas semanas. Tudo como deveria.
Alguns exigem que deveria ter feito diferente. Poderia, mas não seria um calendário melhor. Para jogar Estocolmo ou Moscou teria que ir direto da Ásia – onde jogou dois eventos – jogar na semana seguinte em St Petesburgo ou Viena e depois Basel/Valencia, Paris, um Master 1000. Seria uma viagem de seis semanas por dois continentes e vários fusos, além de ter que voltar e jogar em São Paulo. Infelizmente o tenista atual, por diferentes razões, não está mais acostumado a fazer isso. E nem é bom fazê-lo. É pensar pequeno e pensar só em ganhar dinheiro.
O plano ideal é fazer pequenas intervenções – só que a ideia é conseguir resultados positivos nessas oportunidades. Se não se consegue ganhar, qualquer estratégia vai por água abaixo.
Critica-se Bellucci por jogar alguns torneios com a mesma tranquilidade que o criticam por jogar um outro torneio. Falam que ele deveria jogar torneios menores como St Petesburgo ou Viena, ao mesmo tempo em que deveria ficar longe de Basel. Infelizmente são críticas de sofasistas que enxergam e criticam uma mesa já posta. Só que o calendário é escrito na melhor das hipóteses 42 dias antes, e muitas vezes bem antes disso, obedecendo uma estratégia maior.
Muito mais vital para a carreira de Thomaz do que acertar suas prioridades de calendário, será ele aprender, ou conseguir, ganhar jogos apertados. É aí que o bicho está pegando para o brasileiro. Desde Los Angeles, Bellucci venceu três partidas e perdeu oito – sem contar a Davis. Nas que perdeu, só tomou um cacete em uma – para Gasquet. Em todas as outras o jogo foi equilibrado. Um tenista com confiança e de sucesso vence essas partidas.
Na Davis, onde foi elogiado, deixou escapar uma partida que poderia ter mudado o seu destino, assim como o do time brasileiro. Ele jogou bem? Jogou. Lutou? Sim. Mas não venceu e o tênis é cruel. Assim como a vida, os adversários e os torcedores. Essa é a realidade de um profissional de um esporte altamente competitivo. Se não gostar e lidar com pressão não sobrevive.
Por isso, discutir e criticar o calendário do tenista é pueril, até porque, como eu já disse, ele não errou. Pecou na execução, o que é outro assunto. Talvez se possa criticá-lo por sonhar alto, algo que eu não faria. Prefiro esse perfil ao de alguém que se esconde, onde quer que seja e pela razão que for, para não enfrentar grandes desafios, onde estão os grandes riscos e as grandes conquistas.
Seus pontos atuais devem mantê-lo nos grandes torneios durante pelo menos no primeiro semestre. Dependendo dos resultados, talvez Bellucci tenha que reavaliar sua estratégia. Mais uma vez a diferença estará na execução e não na escolha dos torneios. Só espero que ele mantenha a coragem fora das quadras e consiga se encontrar dentro delas.
Talvez um dia Thomaz seja obrigado a aceitar suas limitações. Talvez ele consiga crescer como jogador e derrotá-las. Só tenho a certeza que ele se sentirá melhor, pelo resto de sua vida, se souber que tentou ser o melhor que pode ser e não se curvou às forças de uma realidade que tentam impor a ele. Adversários, fãs e sofasistas.
