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Arquivo da Categoria Tênis Masculino

terça-feira, 20 de setembro de 2011 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:35

Tá pronto o Feijão?

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Ontem no fim do dia fui abordado por um amigo me perguntando se eu não achava que o João Feijão Sousa poderia/deveria ter jogado a Copa Davis no lugar do Ricardo Mello. Quando alonguei o olhar sem responder, meu amigo adiantou que acabara de ler sobre a vitória de Feijão sobre o espanhol Tommy Robredo em Bucarest.

Talvez seja a melhor vitória do paulista até agora, sempre algo a festejar. Mais importante é a sequencia de bons resultados que começam a aparecer. Aos 23 anos, João vem encontrando seu jeito dentro do circuito. Seu ranking atual, #84 do mundo, é o melhor da carreira. Com ele consegue entrar em boa parte dos eventos da ATP Tour, o que é um enorme passo na carreira de qualquer tenista. É a primeira evidencia de que entrou na matilha. Agora a realidade muda e é uma nova, e crucial, fase de solidificação.

Quanto à pergunta do meu amigo que abre a post, a resposta é não. Primeiro porque Ricardo Mello já havia provado seu valor em Copa Davis dentro de suas limitações. Segundo porque Feijão atravessa tal fase. Isso quer dizer que, se fosse colocado e não conseguisse bons e surpreendentes resultados, sua auto-estima poderia ser afetada, algo nem um pouco aconselhável, neste e em qualquer momento. Ele e Bellucci são praticamente contemporâneos e, consequentemente, poderão caminhar juntos na Davis por alguns anos. Tudo em sua hora.

Além disso, João vem elegendo as quadras de saibro como suas favoritas – a Davis foi em quadra dura – e nela tem passado a maior parte de sua carreira e vitórias. Uma limitação que ele tem armas para enfrentar. O rapaz é grande, sacador e pega pesado nas bolas e sabe volear. Com certeza poderia ser mais rápido. Um cenário não muito distante do que Bellucci que vem corrigindo.

A escalação foi correta e tranquila. Não adianta decidir em cima de pressões e pressas. Se o Feijão continuar seu caminho, este o levará até a titularidade da Copa Davis.

Notas relacionadas:

  1. Feijão
  2. Feijão e Bogotá
  3. Feijão com fome
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domingo, 18 de setembro de 2011 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 20:48

Perdas e ganhos

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Esta é a semana mais interessante da Copa Davis, que é a competição mais interessante do tênis. Não vou explicar a segunda colocação, porque já a expliquei inúmeras vezes – quem conhece tênis sabe do que falo, quem não conhece não vai entender mesmo.

É a semana mais interessante da competição porque se joga as semifinais e os “play-offs”. Ou seja, por um lado se decide os finalistas, por outro quem fica no filet-mignon da competição e quem vai amargar uma carne de segunda por mais uma temporada.

Para o Brasil foi, por um lado, mais uma data triste. Por outro, nem tanto. Poderiamos ter subido e não conseguimos. Mas dentro da derrota fizemos uma boa figura, o que tem sempre muito valor.

Em Copa Davis o que importa para o tenista que entra em quadra é ganhar. O resto é resto. Para o analista não é tão preto e branco; existem áreas cinzas. O Brasil ficou fora do Grupo Mundial. Mas, olhando de fora ou de dentro há outras miradas.

Nossos fracassos anteriores na hora da onça beber água não foram nada animadores. Dois deles, que me vêem à mente, de doer; Equador em casa e Índia lá fora. Duas babas que não deveriam ter escapado. Caso encerrado.

A derrota para a Rússia foi outra história. Não importa que a Rússia não é mais um poder mundial como era a poucas temporadas atrás. Jogavam em casa, em suas condições, o que é sempre uma vantagem, mesmo sendo naquele “cemitério” em Kazan – o pessoal de lá não parece dar muita bola para tênis. Ganhar nessas condições é sempre uma enorme dificuldade.

O técnico russo flertou com o perigo, seja lá qual era a razão dele. Alias, ficou a um único ponto de amargar uma séria derrota. Bellucci fez o trabalho dele no 1º dia, a dupla fez a dela no 2º dia – que prazer vem uma dupla afiada e bem jogada – e nossos dois singlistas fizeram o que podiam e mais um pouco no terceiro.

Hoje ninguém teve câimbras, passou mal, vacilou ou pensou na morte da bezerra. Todo fizeram seu trabalho como esperamos que façam. Nessas circuntâncias, vencer ou perder são consequência de entrar em quadra.

A partida que vai dar o que falar, por algum tempo, será a dos dois melhores de cada país. Thomaz Bellucci jogou, assim como no 1º dia, como esperamos que jogue nosso melhor tenista. Sem vacilos emocionais. Se existiram vacilos são parte do jogo. Com certeza, Thomas gostaria de jogar melhor inícios de sets; dois dos três sets que perdeu foram com seus serviços sendo quebrados no 1º game do set.

O terceiro set foi épico. Muito do que penso e sinto sobre Copa Davis esteve presente. Na parte emocional e mental Bellucci não nos decepcionou – pelo contrário. Superou nossas expectativas.

Dois comentários. Poderia ter feito o adversário jogar no 1º match-point. Um erro de devolução é tudo que o oponente pede nesse momento. No segundo MP não há criticas a se fazer. Só elogios à audácia do Youzhny que atacou sem perdão com sua direita na diagonal.

O segundo é que se eu fosse o técnico do Belo o faria assistir, algumas dezenas de vezes, até entrar em seu cérebro e subconsciente, o game onde quebrou o saque do russo no quinto set. Por que ele não joga sempre assim, ao invés de ser tão perdulário com os pontos? Se ele jogasse com essa estratégia em mente, o tempo todo, com o saque que tem, seria extremamente perigoso.

O pecado de Ricardo Mello foi começar tão mal a partida. Talvez ele não tenha se recuperado da derrota de Thomaz antes de entrar em quadra– algo que só foi, aparentemente, assimilado com o transcorrer da partida. A partida mostrou-se mais ganhável do que ele deve ter imaginado e do que o primeiro set mostrou. Como das outras vezes, Ricardo mostrou que tem um bom temperamento para a competição e que luta com seus limites.

A melhor notícia que sai dessa derrota é que os fãs de Thomaz Bellucci podem o encarar com outros olhos daqui para frente. Hoje ele foi o tenista que todos esperam. Aliou seu arsenal técnico a uma mentalidade e uma atitude condizente. Nenhuma séria crítica pode vir por aí.

Eu conversava, durante a partida, que a vitória daria uma enorme injeção de adrenalina na carreira de Bellucci. Não só pelas suas duas vitórias como pela conquista do time. Se não aconteceu, paciência. Thomaz ainda pode pegar tudo o que aconteceu e injetar uma tremenda dose de confiança em sua carreira. Hoje ele viu, assim como todos que quiserem ver, que ele pode ser muito mais tenista do que vem sendo e que os fãs têm visto. Após cinco horas de correria, em um cenário de extrema tensão, que não me venham mais falar que o rapaz não tem preparo físico. O que lhe falta, ou faltava, foi algo que hoje ele encontrou dentro de si próprio.

Em Kazan um novo Bellucci.

Notas relacionadas:

  1. Nas alturas
  2. Probabilidade
  3. Sem bombar
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:04

Tamborim x Balalaica

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Lá nos cafundós da Rússia o Brasil tentará, mais uma vez, voltar ao Grupo Mundial da Copa Davis. Infelizmente desde o fim da era Gustavo Kuerten a equipe tem colecionado uma série de fracassos e desiludido as expectativas. Fica a ver se será lá nos cafundós que isso se acertará, mas só o peru morre na véspera.

A equipe formada pela CBT é encorpada, preenche os requisitos da competição atual e a formação de uma equipe moderna. Pelo menos em termos de cargos e infra-estrutura está tudo lá e mais um pouco. Se os escolhidos são os melhores é o que determina o sucesso ou não.

A dificuldade real começa por jogar fora de casa, em um país que conseguiu formar uma certa tradição nos últimos anos. O problema ameniza quando se verifica que os russos não têm mais um time temível, nem os indivíduos que faziam a diferença. Foram-se Kafelnikov, Safin e Davydenko. Ainda resta Youzhni, que não queria jogar e o técnico trouxe no laço e na chantagem emocional. Mas, mesmo ele já não é o mesmo perigo, apesar de ser um “jogador de Davis”.

O Brasil não surpreendeu com seus singlistas. Bellucci e Ricardo Mello são as melhores opções. Bellucci porque é o nosso melhor tenista – ver o ranking – mesmo não tendo mostrado o tal espírito de Copa Davis. Ricardo todo mundo sabe do que é, ou não, capaz. E já mostrou que cresce na competição, o que conta. Desta vez o técnico/capitão levou dois singlistas e dois duplistas, formação ideal e com seus riscos. Se um dos singlistas ficar dodói é um problemaço.

Os russos surpreenderam. Escalaram Youzhny, nenhuma surpresa aí, que enfrenta Melo. Mas, deixaram Tursunov fora e colocaram Andreev para enfrentar Bellucci. Das duas uma: ou o técnico/capitão Tarpicshev, que manda mais no tênis russo do que o pessoal da antiga KGB, sabe algo que não sabemos, o que não seria nenhuma novidade, ou a arrogância do Capitão pode custar caro.

Técnico surpreender a todos não é nenhuma novidade. Ele sabe todas as cartas do baralho e nós só sabemos as que ele quer mostrar. Mas, se ele quis poupar o Tursonov, por alguma razão, ou mesmo para as duplas, achando que o Youzhny ganha de qualquer jeito do Mello e o Andreev pode bater o Belo, o Czar pode cair do cavalo legal.

Mais uma vez o sucesso do nosso time passa pelo Bellucci. Ou ele joga ou nós toma. O Ricardo perder é esperado, mas, pelo o que jogou com o Simon em Nova York, dá para fazer uma fezinha bacana no campineiro. O jogo do Thomas é mais para ele do que para o adversário. O cara não joga bem faz tempo, tem um ranking bem pior e na única vez que se enfrentaram o brasileiro venceu (Gstaad 09). Os dois se dão melhor no saibro – então o Belo que ganhe.

Considerando um 1×1 após a sexta-feira, a perestroika russa pode azedar nas duplas do sábado. Os nossos – Melo/Soares – são mais duplistas, independente de quem entre em quadra pelos russos. O que é legal, mas tem um detalhe: a responsabilidade da dupla pão de queijo. Precisam ganhar ou vencer.

O terceiro dia eu deixo em aberto. Só garanto uma coisa. Se o Brasil abrir 2×1 para o Domingo, o tamborim pode tocar mais alto do que a balalaica e o estádio de Kazan pode se tornar um Gulag para Tarpicshev e seus camaradas.

A garotada vai invadir e pode tomar conta.

Notas relacionadas:

  1. Decisões
  2. Merecendo
  3. Grande jogador
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011 Grand Slam, Tênis Masculino | 12:32

Garfada na final

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Quem nunca teve problemas com um “garfo” em quadra? Nos profissionais o problema é amenizado pela presença do juiz. Mesmo que esse faça absurdos, existe uma regra não dita que, com a presença do juiz, o maximo que pode acontecer é um dos tenistas questionar uma marcação e se acertar sempre com o juiz. O tenista do outro lado da quadra não teria nenhuma obrigação de se manifestar, de um jeito ou de outro. Sempre existiu a possibilidade de um tenista “passar o pé”, pelo menos no saibro, onde o árbitro poderia, de qualquer maneira, verificar a marca – por isso fica mais fácil, e elegante, simplesmente passar o pé e dar o ponto para o adversário, algo que nem todos fazem.

Em tempos de “Desafios” a história mudou, pelo menos nas quadras em que ele existe. Mas existe uma área em que já tivemos sérios problemas no passado e, parece, não mudou. Quem conhece o tênis há tempos lembrará do sério incidente na final do US Open de 1985, quando Yannick Noah e Henri Leconte enfrentaram a dupla americana de Flach e Seguso.

Os dois primeiro sets foram decididos no tie-breaker. O terceiro estava set point no TB quando uma bola, segundo os franceses, tocou o cabelo de Flach- que usava aquele estilo mullet que o Agassi fez famoso – desviando e saindo pelo fundo. O juiz não marcou nada. Os franceses questionaram o americano que se fez de morto e negou. O pau comeu, com ofensas de ambos os lados. Os franceses se indignaram, perderam o TB e simplesmente entregaram o quarto set, sem fazer um game. O caso ficou muito famoso, saiu em todos os jornais e frequentou todos os vestiários. Os quatro nunca mais se falaram.

Vinte e seis anos depois um replay do affair, exatamente no mesmo cenário e circunstancias; final de duplas masculina do U.S. Open.

Os alemães Melzer e Petzchener enfrentando os poloneses Fyrstenberg e Matkowski. O primeiro set 6/2 para os alemães. No segundo set, 2×2, a confusão. Só que, desta vez, temos as câmeras de TV como testemunhas. Então, sem maiores comentário, eu deixo que vocês acompanhem o voleio de canela do “garfão” Petzchener – simplesmente ignorem o “desafio”, que nada tem a ver com o assunto.

Os poloneses, indignados, não fizeram mais nenhum game. O alemão, de origem polonesa e cara de paisagem, provavelmente não precisava passar por esse papel para ganhar – mas o caráter fala mais alto. Fyrstenberg, assim como os franceses 26 anos atrás, se recusou apertar a mão do “garfão” no final.

Notas relacionadas:

  1. Irene
  2. Ontem
  3. Tensão e chuva no ar
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terça-feira, 13 de setembro de 2011 Grand Slam, Tênis Masculino | 14:38

Marco zero

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Uma partida para redefinir o tênis. Isto é o que ficou mais evidente na final do U.S. Open, com a vitória de Novak Djokovic sobre Rafael Nadal. O ponto de vista da afirmação? O aspecto físico do jogo de tênis entra em outra dimensão.

O maior diferencial que Novak Djokovic traz para as quadras é exatamente o seu preparo físico, mostrando ao resto dos tenistas qual é o novo limite a ser explorado. É óbvio que o sérvio atingiu esse patamar somente por conta de sua determinação, seus talentos e uma força de vontade assombrosa. Como sempre acontece, nunca é uma única qualidade que faz o campeão. Este é sempre uma coletânea de qualidades.

Essa nova fase do tênis – que não começou com Djoko, mas da qual ele se tornou seu expoente – ainda vai dar pano para manga e exigir ajustes. Ontem ficou evidente que pelo andar da carruagem os tenistas não conseguem jogar cinco sets no padrão apresentado nos primeiros três sets. Isso é algo que eu ressaltei durante a transmissão antes mesmo de se tornar realidade. Os corpos de ambos entraram em colapso no quarto set.

Djoko se deu melhor nesse momento porque tinha a vantagem no placar, soube dar a catimbada na hora certa e tem os golpes mais moldados para a situação. Uma coisa é estar com dores e saber que basta vencer um set dos próximos dois. Outra é estar com dores e ter a obrigação de vencer os próximos dois sets.

A partir do quarto set Novak alterou seu serviço; tirou a força e foi para a colocação. Funcionou maravilhas – sacou melhor e mais eficiente do que no resto da partida. Também deixou de jogar tão conservador – ao invés de alongar os pontos, passou a jogar mais flat, sem tanta força, mas colocado. Também funcionou. Nadal, sem pernas, ficou sem opção.

Nadal perdeu porque jogou pior nos dois primeiros sets, quando a partida foi definida, e foi nulo no quarto set. Apesar de Novak começar nervoso e perdendo nos dois primeiros sets, Nadal não conseguia soltar o braço e, pior, vencer seus games de serviço. Nadal se encolheu – jogando extremamente curto – praticamente a partida toda. Quando sacava foi tratado como são as meninas da WTA – na porrada. Só foi se soltar durante o terceiro set, pouco para vencer uma final contra um tenista da qualidade de Djokovic.

Djoko jogou com coragem o tempo todo. Além disso, soube administrar os momentos da partida – tanto os seus como os do adversário. Novak atualmente não é mais o tenista que aguarda que seus grandes adversários decidam, de um jeito ou de outro, o resultado da partida. Ele hoje impõe seu estilo e seus golpes. Como estes estão funcionando, ele vem decidindo, a seu favor, os momentos importantes.

Mas, como escrevi no início, os detalhes técnicos da partida são coadjuvantes ao que saltou aos olhos de todos que assistiram. O assombro com a capacidade física de ambos, até o momento do colapso, quase quatro horas após o inicio da batalha.

Alguns pontos, e games, deixaram a todos nós na beira de nossos assentos. A batalha entre os dois, os pontos repletos de alternativas e mudanças de ritmo e de ataques e contra-ataque, os games intermináveis que espelhavam a determinação e vontade de ambos, durante dos três primeiros sets, ficará na memória de todos e servirá de inspiração para as novas gerações do tênis. Como este passará a ser disputado é algo que o futuro nos mostrará.

O marco zero desse novo tênis começa por Roger Federer, que uniu tudo o que o tênis pode e deve ser em um único atleta – habilidades, técnica, físico e mental, passa por Rafael Nadal que mostrou o quanto a força física passou a ser determinante, e, neste instante, desemboca em Novak Djokovic que leva as qualidades de Nadal a um novo patamar, enquanto depura alguns refinamentos técnicos que o espanhol carece.

A mãe de Djokovic se adiantou em três anos, quando determinou, após a vitória do filho no Aberto da Austrália 2008, que um rei havia sido deposto e havia um novo rei no circuito. Hoje, após a temporada impecável e o terceiro Grand Slam do ano, mesmo não estando presente, sua previsão finalmente se consolida.

Novak Djokovic e seu terceiro troféu de GS da temporada.

Notas relacionadas:

  1. Chove chuva.
  2. Diploma
  3. Presente.
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011 Grand Slam, Tênis Masculino | 13:49

Delírio

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Não sei bem por que fico com uma sensação de que hoje pode ser o dia em que Rafael Nada vai aprontar para cima de seu rival, e pai, Novak Djokovic. Sensação um tanto sem fundamento, porque os números são mais favoráveis ao sérvio.

Uma coisa que aprendia a respeitar em uma quadra de tênis é a tal da “freguesia”. Se no total de confrontos Nadal impera, com 16 vitórias e 12 derrotas, não se pode ignorar os detalhes. Nas ultimas cinco, todas este ano, Djoko venceu. Tão grave – das ultimas 10 ele venceu 8. O espanhol está na caderneta do sérvio com um sério destaque.

Não vou nem me estender na temporada do sérvio – são 63 vitória e 2 derrotas. Nadal é o segundo desse ranking: 59/10. A importância desses números não pode ser subestimada. Como eu já escrevi anteriormente, o maior patrimônio de um tenista é a sua autoconfiança. Vitórias agregam um valor tão subjetivo quanto mágico ao jogo de um tenista. Atualmente Novak acredita que pode andar sobre as águas.

A maneira como derrotou Federer só acrescenta a esse misticismo tenistico. Agora, além da certeza que tem em seus golpes e em seu jogo como um todo, deve acreditar que está com o corpo fechado e imune a vitórias de oponentes.

Na parte técnica também não vou me alongar. Ficou claro, desde a vitória de Soderling em Paris, a maneira que o pessoal com duas mãos pode incomodar Nadal. Djoko intercepta os ganchos de forehand do espanhol antes que ele se tornem um incomodo pela altura e apura Nadal – tanto de volta na cruzada como, mais grave, indo para a paralela, no ponto frágil do oponente.

Além disso, se o espanhol mudar para a direita do adversário, algo que nem Federer estava muito à vontade em fazer, Djoko irá enfiar a mão cruzando no revés do Nadal. Este será obrigado a jogar reto e agressivo, aumentando sua faixa de risco – bolas altas desse lado não é algo que ele domine com a qualidade necessária.

Como eu disse, não sei bem porque essa minha sensação. Só posso lembrar de duas variáveis que podem mudar o traçado dos últimos confrontos entre os dois.

Primeiro porque o espanhol deve estar cheio dessa freguesia. Considerando que o rapaz tem um dos melhores, ou seria melhor descrever como pior?!, temperamento da história do tênis. Se existe um grande brigador com uma raquete de tênis na mão é ele. Eu nunca apostaria contra Nadal.

Segundo, pelo o que eu vi na partida do Djoko contra o Dolgopolov. Se existe alguém cara de pau o bastante para fazer qualquer coisa para vencer uma final é o rapaz de Mallorca e seu tio catimbeiro. Porque a maior surpresa deste U.S. Open, cheio delas, seria ver Rafael Nadal bater o numero 1 do mundo e ficar com o título, usando uma variação do seu golpe mais fraco – o slice de esquerda. Isso se aplicado sem peso, o que nem faz muito parte de seu repertório.

Devo estar delirando. Mas um pouco de delírio, na dose e na hora certa, pode surpreender.

Notas relacionadas:

  1. Logo de cara.
  2. As semifinais.
  3. Sem volta
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Grand Slam, Tênis Masculino | 00:19

Ajustou, gingou e ganhou

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Muita coisa aconteceu desde minha ultima intervenção no Blog. Os leitores, espero, perdoarão minha ausência estes dias. Confesso que fica um tanto complicado com o trabalho na TV, especialmente com as contingências que a ausência de uma quadra coberta faz em um mundo onde o clima é cada vez mais imprevisível.

Mais uma vez, estendo meus agradecimentos aos leitores que tecem seus comentários de uma maneira que enriquecem o Blog. Não são todos, mas os que assim o fazem salvam o dia.

Como algumas notícias ficam velhas rapidamente, por conta da chuva das novas, focarei no principal.

A espetacular vitória de Novak Djokovic, ou como muitos fãs preferem, a incrível derrota de Roger Federer.
Quando se perde partidas onde se lidera por dois sets a zero em dois Grand Slams seguidos, após passar anos sem que isso aconteça uma única vez, há que se considerar que algo mudou.

Federer vinha jogando muito bem o torneio, melhor do que se via nos últimos tempos, especialmente quando o colocavam para jogar à noite. Os dois primeiros sets comprovaram isso, além de comprovar que o suíço ainda mexe com a cabeça do sérvio.

Mas Federer também não consegue deixar de ser Federer. Ele sempre se acomodou nas vantagens. Seu terceiro set foi típico de quando se vem em situação confortável. A diferença é que em seu apogeu ele lidava com as tentativas de virar o jogo por parte de seus adversários sem maiores problemas. Mas fila anda. Nem ele é o mesmo, nem os adversários são os mesmos. Aliás, ele nunca escapou com essas viajadas com Rafael Nadal – por isso o saldo negativo.

A esta altura todos sabem de como deixou escapar a vantagem, permitindo que o sérvio entrasse no jogo. E este, na sua presente situação, tudo que precisa é de uma fresta para fazer uma avenida.

O quinto, e decisivo set, foi mais do mesmo. O suíço consegue impor seu padrão e mexer com a cabeça do adversário, conquista dois match-points e deixa escapar.

Esse “deixa escapar” é que cruel. Talvez impreciso. É sobre ele que quero escrever, já que decidiu o jogo e poucos se arricaram a dissecá-lo.

No 1º match-point Federer incorreu em um erro típico de seu temperamento. Para isso, talvez seja mais fácil um “tenista” entender do que um sofasista. Sacar aberto no lado do iguais é sempre um risco. Especialmente na dura. Voçê saca aberto para variar, a não ser que a direita do adversário seja uma “mina”, o que não nem um pouco o caso do Djoko – o Federer “fugiu” de lá desde o início.

Além disso, era só olhar para a cara do Djoko para ver que ele tinha apertado o botão do “foda-se”. Isso quer dizer o seguinte. Eu vou para o tudo ou nada: f…..

Uma coisa é ir para o tudo ou nada no saque fechado, sem ângulo. Não tem onde ir – se for vai para fora, na rede ou no centro, na mão do adversário. Abriu, vai levar porrada. Pode ir na arquibancada. Mas se o carinha estiver com um recorde de mais de 60 vitórias e somente duas derrotas na temporada pode ir na linha. Foi.

Aí teve aquela milonga do sérvio. Até ai, tudo bem, nenhuma novidade. O que ele fez é de milongueiro mesmo, mas não é fora da regra, pelo contrário.

O inimaginável vem em seguida. Já que pisou no tomate uma vez, Federer não quis saber de arte no próximo MP. Sacou o saque certo. No corpo, para evitar qualquer fantasmaria. E não é que quanto mais ele rezou mais o fantasma apareceu?!

O saque foi preciso e aí os deuses das quadras escolheram o sérvio. Ele ajustou o corpo, gingou para a direita, trouxe a raquete para o centro do corpo e, no reflexo, defendeu. A bola saiu rápida e aberta. Federer, pressionado pela evidente circunstancia, fugindo da esquerda, querendo manter a pressão com a direita, vai para a bola com um pouco mais de ânsia que deveria. Fora de posição, bate uma bola que podia tanto ficar na rede se jogada com mais spin, como sair na diagonal de jogada mais reta. Bateu na fita e sai. Ali o jogo acabou para Federer. Para o sérvio tinha acabado de começar.

Notas relacionadas:

  1. Chove chuva.
  2. Alma e ritmo
  3. Presente.
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terça-feira, 6 de setembro de 2011 Grand Slam, Tênis Masculino | 12:01

Espetáculo

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Eu já havia visto esse filme pelo menos duas vezes em New York. O cenário da seção noturna do evento americano é polemico e há controvérsias. Por um lado, os tenistas odeiam entrar tarde em quadra e com isso verem seus hábitos alterados. Dormindo tarde, a noite de sono não é a mesma, os horários são modificados e o tenista acaba saindo da sua zona de conforto, algo que ele odeia porque sabe que paga um preço caro por isso.

Por outro lado, os atletas sabem que a exposição mediática na seção noturna é massiva, maior do que a diurna, desde que não seja o segundo jogo em horário inconveniente. Existe uma briga e ciumeira entre homens e mulheres por quem deve entrar em quadra primeiro. Dois dias atrás, a Serena mandou, novamente, mensagem via imprensa dizendo ser um absurdo ela jogar a segunda partida. A maneira que o evento lida com a questão é sendo politicamente correto, e muito a contra gosto, e alternando os dias de quem joga a partida das 19h e quem fica com o aluguel.

Um dos argumentos mais idiotas, porem real, que já ouvi foi o da inglesa, a ultima delas a vencer Wimbledon, Virginia Wade, hoje comentando na BBC, que diz que as mulheres não deveriam jogar depois porque as faz ficar mal por conta da comparação. Primeiro a galera assiste os homens com aquela pancadaria e velocidade e depois entram as mulheres. Ela acha que fica ruim para o tênis feminino. Até ai o raciocínio vai bem, é na hora que diz que isso é razão para jogarem primeiro que o bicho pega.

O horário nobre é o das 19h, depois é só para completar o cardápio – tipo uma bem vinda sobremesa. Quando o jogo anterior não é daqueles que se alongam, tudo bem. A noite vinga.

Mas quando temos o cenário como o de ontem, em que a seção começou com 1 ½ h de atraso, por conta da partidaça anterior – vitória de Tsonga sobre Fish – a casa cai. Para piorar, tivemos Wozniacki e Kunestsova em quadra por quase três horas.

Quando esse jogo foi para o terceiro set, eu comecei avisar os telespectadores que Roger Federer estava fumegando nos vestiários provavelmente xingando em voz baixa a organização do evento pelo aluguel imposto. É bom lembrar que se Federer quiser ganhar este torneio – uma das ultimas boas chances de vencer qualquer Grand Slam em sua carreira e manter a distância de título nos GS de Rafa Nadal – ele teria que vencer ontem, depois Tsonga, Djokovic e Nadal ou Murray. Só pedreiras.

Por isso não devia estar nem um pouco feliz assistindo o jogo da “cruzadinha Wozniacki”. Avisei também os fãs do tênis que não fossem dormir, porque o suíço entraria babando em quadra, pronto para liquidar com o adversário pela via rápida. E quando ele entra em quadra focado, irritado e com vontade de acabar logo com a fatura é capaz de mostrar um tênis inédito e da mais alta qualidade.

Foi o que aconteceu. Na calada da noite Roger Federer entrou em quadra e, apesar dos esforços do argentino Juan Monaco, nos brindou com uma das mais espetaculares apresentações já vistas em uma quadra de tênis. O que o homem fez com a bolinha e o adversário é algo difícil de se imaginar possível e que, arrisco, sem receios, dizer que nunca foi visto. E nenhum outro tenista que já tenha pego em uma raquete, ou ande por aí com algumas debaixo do braço, pode sequer sonhar em repetir.

Quem viu viu. Quem não viu, fica sem saber que a perfeição dentro de uma quadra de tênis é algo possível em raras e especiais ocasiões. Quando se obriga Roger Federer esperar sentado no vestiário durante horas, sabendo que a estrela do espetáculo que o mundo inteiro quer ver não usa trancinhas nem saiote, e que ele, por conta do politicamente correto, corre o risco de ver a integra de seu show da quinzena ser abreviada. Mas a pergunta que não cala em minha mente é: por que ele não joga sempre assim?

Roger Federer – fazendo o impossível em quadra.

Notas relacionadas:

  1. Escada abaixo
  2. A final masculina
  3. Quinta-Feira em Roland Garros
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domingo, 4 de setembro de 2011 Grand Slam, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:20

Susto.

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Muito estranho. Quem está ligado na ESPN, na partida do Delpo com o Simon, pode acompanhar as imagens. Quem não viu, veja o video abaixo.

Mas quem não estava, aqui vai uma breve descrição: Rafa Nadal estava dando a entrevista à TV após a partida quando começou a passar mal. Ele começou a se contorcer de dores, que parecerem ser bem severas. No início me pareceu caimbas nas pernas que se espalhavam para o resto do corpo.

Após alguns instantes o rosto ficou totalmente contorcido pela dor, os olhos cerrados e a boca crispada, enquanto ele escorregava pela cadeira, já sem controle do corpo. Aos poucos caiu por detrás da mesa e desapareceu no chão.

Após alguns minutos ele se levantou, ficou de pé e voltou a falar com a imprensa. Em breve devemos ter mais detalhes sobre o assunto. É bom lembrar que a esta altura Nadal já havia tomado banho e feito sua massagem – mas é a primeira vez que vemos o espanhol sofrer dessa maneira. É bom lembrar tambem que hoje estava muito calor e a Flavia Penetta passou mal em quadra, inclusive vomitando em quadra. Tanto a italiana como o espanhol venceram. O jogo da moça foi o mais dramático das mulheres até agora.

Notas relacionadas:

  1. Crime de paixão.
  2. O bicho vai pegar
  3. Bellucci x Nadal
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011 Grand Slam, Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:45

Hoje

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Devo começar comentando, às 15h na ESPN, a partida entre Sharapova e Penetta. Duas das mais interessantes tenistas do circuito, por razões e gostos distintos. Sugiro que assistam se querem saber mais. Ou mesmo abaixem o som e se deliciem.

Depois entram na quadra Rafa Nadal e Mahut. O francês, que bateu o espanhol na grama, deve ter plano de jogo semelhante. O espanhol ainda está inseguro, na medida em que Rafa Nadal fica inseguro.

A última partida da seção noturna será Roddick, que está sendo paparicado pela organização, e o jovem americano Jack Sock – esse nome tem um som estranho! Zé Meia! Será um daqueles jogos para a galera se divertir – não sei se o garoto tem personalidade para desafiar o ícone americano da década.

Tem também clássico de Tandil: Del Potro x Junqueira. Como disse o Delpo, os amigos de ambos é que vão se divertir.

O Ferrer vai matar o Blake.

O Wawrinka deveria matar o Young.

Eu torço para que o Rogério mate o Bogomolov.

Nalbandian x Ljubicic – exibição de veteranos.

Garcia-Lopez x Simon. Só vejo amarrado. E amordaçado.

Chela x Darcis. Nem amarrado.

Melzer x Kunitsin. Veria fácil. Torcendo pelo mala austríaco.

Gulbis x Muller. Gulbis na próxima rodada. Se ele quiser. O que eu não aposto, mas torço.

Bea Maia jogando 1ª rodada do qualy de juvenis. Eu torcendo.

Muitas duplas e jogos juvenis. Um bom dia para passear nas quadras secundárias, que ficam mais vazias, boas de circular e sentar e melhor ainda de asistir. Mas eu vou estar no estúdio da ESPN. Não dá para ter tudo na vida.

Notas relacionadas:

  1. Irene
  2. Brilhou
  3. Ontem
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