Tem dias que o melhor é ficar na cama – acompanhado, of course. Não é pessimismo ou depressão, simplesmente a presença de um tempinho horrível que pode nos levar a ambos estados. Enquanto faço meu trabalho, olho pela janela e descubro um dia fechado, sem uma janelinha de azul do céu para oferecer uma esperança; parece Londres nos seus piores dias, que são a maioria. Para me fazer companhia, ligo a TV, que fica na mesa de trabalho, sintonizo na ESPN-BRASIL. Chove em Londres também. Ouço o Osvaldo Maraucci e o Marco A. Rodrigues falando sobre chuvas e tornados. Desligo.
Tempo feio é deprimente. E não falo de chuva, que pode ser atraente e bem vinda. Falo de dias cinza e frios. Aquela coisa nórdica, londrina. Ir a Londres e pegar tempo feio é deprimente. Ir a Londres para jogar, ou acompanhar, tênis é ainda pior.
Os tenistas vão à loucura. Ficam amaldiçoando a chuva, o clima e o lugar em geral. Primeiro pelas razões que já descrevi, depois, e mais importante, porque não conseguem treinar. Vocês já estiveram próximos de tenista que não pode jogar? Ficam nervosos, tensos, ansiosos, angustiados, irritados. É a nhaca!
Atualmente o torneio de Wimbledon disponibiliza quadras cobertas com um piso rápido para os tenistas aquecerem e treinarem nos dias de chuvas. Ajuda, mas não é a mesma coisa, nem de longe. Esse complexo foi construído do outro lado da rua, fora do clube, um espaço que era usado como estacionamento dos carros do evento. Isso à parte das quadras de treino de grama, localizadas em local adjacente ao clube, aquisição também recente. Ambos os locais foram muito bem vindos e um dos passos que o torneio deu, mostrando que novos tempos começavam, onde o atleta não era mais visto como o cocô do cavalo do John Wayne, que era a odiosa postura dos ingleses com os atletas. Eles estão longe de tratar os tenistas com a cortesia que os outros eventos oferecem, mas estão longe de serem como eram nem tanto tempo atrás.
Sempre houve uma expectativa por parte dos atletas de que na temporada de grama se vai treinar menos e que o tempo em quadra tem que ser usado da melhor maneira. Para equilibrar, eles também sabem, ou deveriam saber, que o tempo nas salas de academia será maior. Como as quadras são mais raras e o numero de tenistas continuam os mesmos, há o velho problema da muita demanda e pouca oferta. Lembrando que as quadras de grama, além de serem mais raras, são mais difíceis de manter, o que sai caro em ambas as pontas; mais uma razão para os ingleses não serem tão generosos com elas.
Isso tudo sem mencionar as interrupções pela chuva, a razão pela qual o Maraucci e o Marco estavam a falar sobre ela. Os tenistas em quadra são obrigados a interromper a partida e irem para o vestiário – algo que pode ser comparado, para o resto dos mortais, como um coitu interruptus. No meio do bem bom você é obrigado a sair correndo para não se molhar.
Além dos que saem da quadra, e ficam na tensão trancados no vestiário, tentando adivinhar quando vão voltar à quadra, até para saber se relaxam ou não, se comem ou não, se conversam com alguém ou não, se aquecem novamente ou não, existem os outros tenistas, que sequer entraram em quadra, e vivem situações semelhantes, com os agravantes de estarem na fila. O preço de tudo isso é que a qualidade dos jogos, como não poderia deixar de ser, cai. Mas a grama sobrevive e o clima londrino, é bom lembrar, está no seu melhor, justamente nessa época. Por conta disso, volto logo ao meu otimismo e vou aproveitar da melhor maneira o resto do meu dia.
