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Arquivo da Categoria Tênis Brasileiro

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Brasileiro | 12:13

O ginásio

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Com a presença de um ATP Tour em São Paulo, a maior cidade do país, e o sucesso que ele acabou por se tornar, algumas considerações podem ser feitas nos próximos dias por mim e os leitores.

Existem mais fãs do tênis do que se dá o crédito por aí. O que talvez exija um mea-culpa geral, inclusive dos organizadores do evento, que demoraram em trazer o torneio para aonde ele sempre deveria ter estado.

Na mesma linha, poucos dão crédito ao esforço, o arrojo e o sucesso da organização do Aberto do Brasil. O evento foi de competência ímpar e mostrou que a cidade está pronta para eventos ainda maiores. Isso não quer dizer que não possa melhorar. Pelo contrário. Os organizadores sabem disso e já tem em seu radar várias mudanças para 2013.

Espero que o governo, responsável pelo Ibirapuera, também entenda a sua responsabilidade. Não é possível que uma cidade como São Paulo viva no tempo do onça em termos de hospedar esporte e entretenimento, por conta de uma infraestrutura do quarto mundo há muito defasado, em uma época onde a nossa principal cidade rival em eventos no país recebe bilhões para colocá-la no patamar do que existe lá fora.

Em termos crus e realistas, o Ibirapuera, mesmo após a maquiagem que recebeu, se compara, por exemplo, com uma Arena O2, local do Masters em Londres e inúmeros outros eventos, como uma birosca de beira de estrada se compara com um hotel 5 estrelas de Londres ou mesmo São Paulo.

Se o governo, tanto do Estado como da Prefeitura, não tiver a sensibilidade e a perspicácia de entender a situação, a cidade de São Paulo pode ser relevada a coadjuvante nos próximos muitos anos, em um cenário que atrasará tanto nosso Esporte como a Cultura e, principalmente, a economia, já que, como vimos, se um esporte dito de elite consegue lotar três dias seguidos um local para 10.000 pessoas, imagine um local digno, com instalações adequadas, restaurantes e lanchonetes condizentes, ar condicionado central, estacionamento para todos sem ser um roubo e sem bandidos “tomando” conta dos carros nas ruas próximas enquanto a polícia fecha os olhos, bilheterias em numero correto e com pessoas preparadas para atender pagantes, infraestrutura para receber eventos paralelos durante os eventos principais, acústica para os mais distintos eventos, assentos condizentes com preços que podem ser cobrados e todo o resto que se espera do principal ginásio de uma das maiores cidades do mundo.

E para quem acha que isso é impossível, é só lembrar o que aconteceu com os restaurantes da cidade nos últimos anos e, principalmente, com os cinemas, que hoje recebem um ticket médio mais de 10 vezes do que recebiam quando insistiam em oferecer pocilgas ao invés de cinemas.

Notas relacionadas:

  1. O Aberto do Brasil
  2. Cobras no Ibirapuera
  3. WC
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012 O Leitor no Torneio, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:57

Pipocas

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Cheguei mais cedo ontem no Ibirapuera. Aproveitei que o dia foi interrompido por um almoço com o amigo Carlos Kirmayr para enforcar o resto da tarde. Em São Paulo o público diurno ainda é menor do que o noturno. Sempre me questionei em como os franceses enchiam as arquibancadas de Roland Garros às 3h da tarde. Os meus primeiros pensamentos eram que é um povo rico, e pode se dar ao luxo, acrescentado ao fato que sabem colocar suas prioridades em ordem. É incrível como as pessoas permitem que o trabalho atrapalhe o seu tênis.

Aproveitei para dar uma volta nos stands externos, onde vi o pessoal deixando o braço para ver quem saca mais rápido – parece que cada um dos patrocinadores colocou uma dessas gaiolas com um radar para o pessoal se comparar ao Karlovic. A falta de imaginação continua assolando o planeta. Vários deles uniformizados, o que me faz pensar que são tenistas fanáticos, algo que o Ibira está cheio, o que é ótimo para o evento – “more power to tennis players end less to sofasistas!”

Orientado pelo inconfundível cheiro de pipoca entrei no stand do Banco do Brasil, onde, dentro de uma gaiola de vidro, vi uma moça, uma mesa e as pipocas. Enquanto marchava para lá, outra moça, atrás de um balcão, se desesperava me perguntando “posso ajudar, posso ajudar?” Eu sabia o que ela queria e ela não tinha nada do que eu precisava. Perguntei para a de dentro se podia pegar um saquinho, enquanto esticava a mão cheia de dedos e desejo, ao que ela me respondeu que a pipoca era para quem se habilitava para um cartão de crédito. Enquanto saboreava as primeiras, que nem tão quentinhas estavam, instiguei a nissei que me questionava a falar sobre a oferta. Ela começou a me dar aquele malho treinado, enquanto eu fazia comentários interesados e divagava o meu olhar para fora em busca de novos interesses. Com toda a simpatia, perguntei se poderia ir lá fora dar uns saques, enquanto engolia mais alguns milhos explodidos e deixava a claustrofóbica salinha. Já desarmada e provavelmente contemplando a iminente possibilidade de se encontrar mais uma vez a sós na gaiola, ainda tentou me lançar com o pedido de uma doação ao Instituto Kuerten, o que achei generoso da parte dela, para com ele, mas a minha atenção já fora desviada pela curiosidade do preço de um saquinho de pipoca e os esforços necessários por consegui-lo.

Logo depois encontrei o leitor Flávio “Barão”, acompanhando de sua fraunlein, que me avisa que no sábado será o proprietário de um camarote junto com a musa Maysa. Conversamos um pouco enquanto eu aguardava o Pedra, pai de Andre Sá para rápida conversa, que me contou sobre as vantagens e desvantagens de morar em uma fazendo sem internet. Em seguida fiz rápida visita à área reservada da organização e dos tenistas. A conversa mais longa foi com Dani Orsanic, treinador argentino de Thomaz Bellucci. Conversamos sobre o jogo maluco do dia anterior e sobre o que vem pela frente no seu trabalho. Na devida hora falarei mais sobre o assunto.

Ainda eram quase 5 da tarde e David Nalbandian estava sentado, uniformizado, comendo uma manga, conversando com amigos argentinos – mal sabia ele que ainda teria que esperar mais de 6h para entrar em quadra. Não foi à toa que poucas vezes vi o ex-pança – ele me pareceu bem mais magro, inclusive no rosto, o que ressalta a sua riqueza nasal – tão focado em partida. Ele acabou com o francês Simon, cujo técnico, o ex-top 10 Tulasne foi um dos meus interlocutores no local, antes que entrássemos irremediavelmente pela madrugada, que era o que se temia. Mesmo assim, um bom público ficou acordado para ver o talentoso Hermano eliminar o cabeça #2 por 6/2 6/3 fora o baile.

Fui questionado pela ordem dos jogos por algumas pessoas, que assumem que o Diretor do Torneio é algum idiota. Conversei com ele, Luiz Felipe Tavares, e lembramos que 40 anos atrás realizamos os primeiros grandes torneios de tênis no Brasil, o WCT, naquele mesmo ginásio, onde estiveram, entre muitos outros, Laver, Emerson, Borg, Ashe.

O organizador me contou que a feitura da ordem dos jogos é um cabo de guerra diário. Desde sempre, a ATP cede para alguns diretores de torneios que tem força e influencia nas Américas e Europa e desconta para cima dos outros. Para cá a força da lei, para lá o olhar condescendente dos pares geográficos. Só para se ter uma ideia, a realização da ordem de hoje exigiu toda a habilidade de negociação por parte do diretor do torneio, para podermos ter Bellucci no horário nobre, o segundo jogo da noite. Mesmo assim, corre-se o risco de termos o cenário de ontem, quando o horário nobre foi dominado pelo sonolento confronto entre Chardi e Mayer após o Verdasco alongar seu jogo ao extremo. Mas, pelo menos, amanhã é sabadão e o publico não tem que acordar cedo.

Tavares também me contou que para ontem alugou containers para amenizar o problema das bilheterias, algo que os leitores aqui no Blog alertaram e que foi levado a ele. A infraestrutura do Ibirapuera é extremamente carente e precária em vários pontos, a maioria longe dos olhos do público. Mas um deles, o das bilheterias, atinge o publico pagante em cheio. É mesmo desagradável, e desrespeitoso, ficar um tempão para se comprar o direito de se acompanhar um espetáculo. Ele me assegurou que isso já foi amenizado. É algo também que o governo do Estado, dono do complexo e parceiro do evento, deve ser priorizar em eventos que buscam acolher um público numeroso e bem pagante.

Nalba – correndo para não entrar na madrugada.

Notas relacionadas:

  1. Durante a chuva
  2. O sono dos justos
  3. Gregos e troianos
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:20

Psique

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O MestreMalaMurray tem seus colegas de complexidades na profissão. Alguns até mais velhos que ele, como nosso velho conhecido David Nalbandian. Outros mais jovens, como o nosso também já velho conhecido Thomaz Bellucci. Todos eles adeptos do tênis-bipolar.

Ontem, com o congraçamento de um jogando em seguida do outro, ficou um tanto mais evidente do que se trata esse estilo que enlouquece as arquibancadas com suas emoções e, imagino, maltrata, pelo menos um pouquinho, a psique dos envolvidos.

Na verdade, acho que maltrata mais a do nosso caro Bellucci, que ainda tem poucos anos de estrada e um baú enorme de expectativas para carregar. Já o argentino é velho de guerra, sabe o que pode ou não fazer e não me parece que sofre muito com o que acontece ou não em uma quadra de tênis. Aliás, se sofresse mais e se importasse mais teria tido ainda mais bons resultados do que teve. Porém, lembremos, um homem deve saber seus limites e suas ambições na palma da mão para manter a paz e conquistar o sucesso pessoal que é a paz constante. O sucesso para os outros sempre será uma possível infinita fonte de frustrações.

Bellucci ainda é um tenista tentando se firmar e se afirmar nos corações de seus torcedores e conterrâneos. Apesar das dificuldades entre os envolvidos, ontem no Ibirapuera me pareceu que a torcida estava torcendo para ver o instável Bellucci conseguir desenvolver o seu melhor. Ao meu lado, um torcedor comentava como seria o tenista hibrido com a cabeça do Ricardo e o jogo do Thomaz. É um pensamento, mas se é para se imaginar híbridos… Mas a realidade é que tivemos azar em termos nossos dois tenistas se enfrentado tão cedo na chave.

Já no estacionamento, meu sobrinho e minha irmã, que não é sofasista, pois foi campeã sul-americana aos 15 anos, o que faz tempo que não acontece por aqui, teciam suas impressões e assombro sobre o peso de bola de Bellucci. Realmente, o cara pega pesado e faz a peludinha andar barbaridades. Talvez mais do que o Nadal?!

Os primeiros seis games de ambos os jogos foram de outra dimensão. Nalba enfiou 5×1 e quase perdeu o set, ganho só no tie-break. Mas naqueles primeiros games deu para ver do que é capaz esse talentoso e sólido argentino, quando quer.

Thomaz enfiou um 6/0 no 1º set em Melo que não sabia mais para que lado correr – e não dá para dizer que ele estava jogando mal. Aí veio aquele surto que já vimos antes. Perda de concentração e foco, erros não forçados e confiança abalada. No segundo set, brigou com seu tênis, mostrando o quanto pode ser instável técnicamente quando quer acertar.

O terceiro foi pau a pau até Thomaz voltar aos seus instintos e a soltar o braço, após alguns games de bolas com mais spin e mais seguras. Quando viu suas bolas de ataque entrarem, fez as pazes com a confiança e foi embora.

Ainda tivemos – mais uma vez – uma bola que poderia ter mudado o jogo e que, no entanto, acabou por sacramentar a vitória do rapaz de Tietê. No 4×2, 0×15, Ricardo colocou Thomaz para correr e esteve prestes a conseguir um 0×30, em um jogo que ainda estava tenso e indefinido. Quando a bola ficou curta, com o adversário pregado no fundo, Ricardo foi para a curtinha e não deve ter acreditado na recuperação daquele. Thomaz, que havia abandonado algumas curtinhas, sabendo da importância do ponto, ligou o turbo, chegou e fez um contra ataque cruzadinho, para a surpresa do campineiro, que esqueceu de sair do mata-burro e cobrir a rede. O publico urrou; olhei para minha mulher e decretei: acabou! Bellucci ganhou oito pontos seguidos até o fim do jogo.

Notas relacionadas:

  1. Pegada.
  2. Jack
  3. Os degraus
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:33

Ibira

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Fiquei na duvida se ia de moto ou de carro. Como o transito em São Paulo é difícil, fui de moto mesmo. Só que o estacionamento, dentro do complexo, é $30,00 moto ou carro. Porrada igual.

Já dentro do ginásio, o próprio organizador me dizia que os “guardadores de carro” de rua cobram os mesmos $30,00 – e não há nada a se fazer. Só mesmo a prefeitura ou a polícia – nenhuma delas atuando, pelo menos nessa área. E se você não paga só Deus sabe em que condições encontrará o veículo. Enquanto isso o alcaide Kassab nos assegura que tudo está em ordem na cidade. Autoridades estacionam dentro do ginásio e não pagam. Sei!

O local está bem legal. Vários stands fora do ginásio coberto e uma vez lá dentro o ginásio melhorou bastante dos últimos anos. Mas o mais impressionante é ver aquela quadrona de saibro lá embaixo. Vale lembrar que por debaixo do saibro está o cimentão do ginásio, o que deixa a quadra mais rápida do que o normal.

São bastantes lugares para convidados, ainda bem. Há convidados dos patrocinadores, que são quem paga as contas, e dos organizadores, que é quem paga o pato. Há também uma boa bancada para a imprensa, que tenho minhas duvidas acomodará a todos os credenciados.

Na sala de convidados é difícil ficar tranquilo. São muitos os conhecidos. Amigos e conhecidos. Entre os amigos encontrei Carlos Kirmayr, que logo me passou um pendrive com fotos das antigas. Se vocês se comportarem uma hora mostro algumas. Depois disso, a demanda por conversas era tão grande que fiquei segurando uma mini-pizza um tempão antes de conseguir comê-la. Logo fui para a quadra acompanhar o jogo do João Feijão.

O rapaz, infelizmente, não conseguiu fazer o seu melhor jogo como gostaria. Como saiu perdendo o saque logo de cara, o adversário, o romeno “sorrisinho” Hanescu, não largou mais o osso. Uma bela partida mental desse tenista que nem sempre consegue manter o foco e o padrão – mandou do começo ao fim e não abriu a porta. Quanto a Feijão, ele ainda tem que encontrar a maneira de jogar no mesmo padrão em tempo integral entre os seus novos adversários, o pessoal do ranking entre 50 e 100. Jogou bem no Chile e queria, por razões óbvias, jogar bem aqui. Mas está trabalhando e progredindo. Perguntado, respondeu que irá investir em perder peso, ficar mais rápido e errar menos. A final do Aberto da Austrália fazendo seus efeitos.

Uma pena que perdi a maior parte da entrevista do Fernando Gonzalez. Só o ouvi explicando que vai até Miami porque lá tem uma tremenda torcida chilena e ele acha que será um bom local para o adeus final. Eu queria fazer duas perguntas a ele – mas não vou falar quais, vai que eu ainda consiga perguntar.

Quem estava todo feliz pela vitória era o mineiro Marcelo Melo, sempre acompanhado do irmão/técnico. Ele jogou com Bellucci e derrotaram os espanhóis Mantanes e Ramos. Seus próximos adversários serão Bruno Soares e Eric Butorac, um confronto entre ex-parceiros, o que sempre acrescenta algo.

Hoje devo voltar. Teremos Nalbandian em quadra e Bellucci x Melo, um clássico que promete ser interessante. Se conseguir me entender com o meu novo celular, prometo umas fotos diferentes.

Notas relacionadas:

  1. Pegada.
  2. E agora?
  3. Atire a primeira pedra
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 22:22

Exuberância

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Uma bela e boa vitória do campineiro Ricardo Mello, batendo Pere Riba por 6/4 6/2. Boa porque nunca é simples bater um espanhol, mesmo que ele seja #90 do mundo. Bela porque conquistou a vitória jogando um tênis de primeiríssima, independente de o adversário o permitir ou não. Jogar bem e vencer é um ótimo casamento que faz um bem danado para a confiança.

Será interessante ver se Mello levará essa exuberância para a próxima rodada, quando enfrentará Thomaz Bellucci, que saiu de cabeça-de-chave e não teve que jogar – são 28 tenistas em uma chave de 32, sendo 8 adiantados.

O piso é mais para Thomaz do que para Ricardo. Mas quadra de saibro não está nem um pouco lenta, pelo contrário. Mas este já jogou, e bem, o que fará uma diferença no confronto, já que Thomaz ainda entrará testando seus golpes e a quadra. Por esse equilíbrio, a partida promete. Aguardem.

Notas relacionadas:

  1. Probabilidade
  2. Tarefa almejável
  3. Começou o Pan
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:46

WC

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Ronda uma certa polêmica em torno das escolhas dos convidados do Aberto do Brasil que começa este fim de semana. Alguns sites levantam a questão – do porque Rogério Silva não foi convidado – assim como alguns dos meus leitores pedem um Post a respeito. Bem, nada como uma pauta sugerida e oportuna.

Os “wild cards” foram “inventados” para “proteger” e “ajudar” os eventos nas contingências do circuito. Uma, que nem todos os tenistas “obedecem” a regra da ATP de se comprometer com o evento 42 dias antes do início. 95% deles o fazem, mas tem sempre uma mala que gosta de maltratar.

Um dos convites do Brasil Open vai para o atual campeão do torneio, Nicolas Almagro, que não se inscreveu na data. Por que? Só perguntando para o rapaz. Pode ter sido porque esqueceu, porque estava em duvida se viria ao Brasil, onde conquistou dois de seus dez títulos, o que explicaria a dúvida, ou, talvez, porque essa é uma maneira de blefar e conseguir uma “garantia” mais polpuda dos organizadores, que não gostam de ficar sem seu campeão.

Outra contingência é trazer tenistas que realmente não estavam decididos jogar o evento e que podem mudar de ideia com um agrado e um WC. Outra ainda é poder convidar um tenista de nome que esteja fora da lista final – o caso do chileno Fernando Gonzalez, que viu seu ranking despencar por conta das contusões que o afastaram da quadra. Ex-top 10 e finalista de Grand Slam, e um dos grandes nomes do tênis sul-americano da década, Fernando e sua direitaça farão uma diferença para o espetáculo.

Não podemos esquecer que a preocupação maior dos organizadores é com o publico que ajuda a pagar o evento. Com a saída do torneio do Sauípe não precisa ser um gênio para entender que a bilheteria passar a ser um fator importante para pagar as contas e satisfazer os patrocinadores, além de agradar os fãs. As vendas dos ingressos provam isso – talvez até para a surpresa dos organizadores que, talvez, se perguntem por que não o fizeram antes. Já imaginaram esse evento em São Paulo com Gustavo Kuerten?

Uma outra preocupação dos eventos é com a nova geração de tenistas, que sempre pode fazer bom uso de convites para tais eventos. Não que sempre o façam quando os recebem e jogam. Tiago Fernandes foi oferecido um convite logo após vencer na Austrália e assim mesmo seu técnico recusou, preferindo que ele fosse para o qualy. Talvez uma oportunidade mais lógica.

Mais um critério dos organizadores é com os seus inúmeros compromissos para com o sucesso do torneio. Para se realizar tal evento, que custa muitos milhões, é necessário muito mais do que a inocência e desinformação da maioria imagina e muitos acordos devem ser feitos pelo caminho.

Não sei quem receberá o terceiro e ultimo convite do Aberto do Brasil. Devem segurar até o ultimo instante para ver se aparece um daqueles casos acima mencionado. Se não, vão para seu próximo critério de escolha.

Quanto a Rogério, um tenista de 28 anos, dificilmente se encaixa no critério de novos valores. Se encaixa como o primeiro brasileiro fora da chave, cuja presença também seria interessante para a torcida, assim como a de outros brasileiros. Mas os organizadores devem ter a sua ordem de prioridades e critérios e, é bom lembrar, o qualy do torneio não é nenhum bicho de 7 cabeças – mas a melhor oportunidade para os tenistas locais medirem suas forças com adversários, por um lugar ao sol, e com a ajuda de sua torcida. E, pelo que sei, Rogério está acostumado a dificuldades e não é de fugir da luta.

Notas relacionadas:

  1. O Aberto do Brasil
  2. Gregos e troianos
  3. Cobras no Ibirapuera
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 15:32

Fibra

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Estava dando uma olhada nos meus posts anteriores e cabe aqui um pequeno mea culpa no Post “Feds e Davis”.
Uma das partidas da equipe brasileira, e que foi televisionada, vale ser ressaltada, por uma razão bem clara. A vitória de Vivian Segnini sobre a colombiana Castano por 6/3 5/7 7/6, em partida longíssima, onde salvou dois match-points.
Uma coisa que sempre respeitei, e ressaltei por aqui, é o fato de um tenista ganhar em casa, especialmente defendendo seu país. É óbvio que cada uma faz o que pode dentro de suas limitações técnicas. Porem, como cada um estende seus limites emocionais e mentais para conquistar uma vitória é algo bem diferente que mostra muito sobre o caráter do atleta.
Vencer uma partida dessas, contra uma adversária mais encorpada e mais experiente, é uma conquista que não pode nem deve passar despercebida. Parabéns à Vivian, que mostrou, mais uma vez, a fibra que outros tenistas mostraram defendendo o Brasil no passado, ou mesmo jogando perante seus torcedores, e que poderia voltar a ser padrão em nosso tênis.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 21:36

Feds e Davis

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A semana passada foi de Fed Cup, o evento feminino criado pela FIT para as mulheres terem sua competição por equipes. O Brasil está em um grupo regional americano e, infelizmente, longe de ter algum sucesso nos últimos anos.

Pelo o que li, a equipe brasileira feminina tem hoje condições extremamente superiores que a maioria das equipes de Copa Davis que participei. Enquanto fui obrigado a correr o mundo e enfrentar com somente a participação dos jogadores na maioria dos eventos, as meninas tiveram uma encorpada equipe para lhes dar o respaldo necessário, exatamente como deve ser.

Vamos deixar claro que nos últimos anos consegui que a CBT permitisse, e pagasse, a montagem de uma estrutura que serviu de modelo para as equipes atuais da Copa Davis e agora da Fed Cup. Ali estavam o técnico e comissão técnica, fisioterapeutas, preparador físico, chefe de equipe e até assessores imprensa e fotógrafos. No entanto, não foi o bastante para passarmos do quinto lugar na competição, que foi jogada nas quadras do Graciosa Clube, em Curitiba, um dos mais charmosos de nosso país.

Esta semana será da Copa Davis mundo afora. O Brasil, também na chave zonal, está adiantado e só joga em Abril, contra o vencedor de Equador e Colômbia, que se enfrentam esta semana.

Quem estará em quadra este fim de semana, defendendo a Suíça, será Federer que, talvez, encare defender seu país nesta temporada. Ele joga em casa e, junto com Wawrinka, recebe os americanos Fish e Isner – Roddick ficou em casa.

Os espanhóis, sem Nadal, recebem os cazaques, os austríacos recebem os russos, os franceses visitam os canadenses, e os italianos vão a Rep. Checa, os sérvios, sem Djokovic, encaram os suecos em casa, os croatas vão a Tóquio, e, no único confronto envolvendo sul-americanos, a Argentina, sem Delpo, invade a Alemanha.

E, a partir do fim de semana, enquanto massacram as bolinhas Copa Davis afora, começará o qualy do Aberto do Brasil, no Ibirapuera, em São Paulo, programa imperdível para tenistas e sofasistas. Só não vale ficar fora.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:23

De virada

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Recebo a informação de que o João “Feijão” Souza passou a primeira rodada no ATP de Vina del Mar, batendo o italiano Fillipo Volandri, cabeça #8, por 1/6 7/5 7/6.

Mais do que me chamar atenção a vitória, sobre um tenista experiente e que conhece e gosta do saibro, me chamou a atenção a contagem. Uma vitória, de virada, no TB do set decisivo é uma vitória diferenciada. Nessas horas a experiencia e o emocional falam alto. Como a primeira ele não tem mais do que o italiano, resta o emocional.

É ótimo que Feijão comece a ganhar esse tipo de confronto, o que deve lhe dar uma confiança ainda maior no seu taco. Vamos aguardar a próxima rodada, contra o vencedor de Fernando Gozalez, que volta às quadras e o espanhol Pere Riba.

Notas relacionadas:

  1. Feijão e Bogotá
  2. Domingo de oportunidades
  3. Tá pronto o Feijão?
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:09

Delírios?

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Hoje está mais difícil. Com esse assunto de acordar 5h da manhã – bem antes do meu habitual – fica a óbvia obrigação de ir dormir bem antes também. Ou a a casa cai. E de vez em quando cai mesmo, já que tem noite, como ontem, que devo ter passado da hora e aí a próxima hora não chegava. Um inferno.

É como jogo de tênis, você vai ficando confiante que a coisa está sob controle e pisa no tomate. Quarta-feira e eu me sentindo confiante, achando que o assunto estava dominado. Dancei.

Além disso, logo cedo jogo do Thomaz Bellucci. Jogo de brasileiro é diferente de jogo de estrangeiro. Tem o envolvimento emocional. Lembro que na época do Kuerten eu “me preparava” desde café da manhã – e o jogo era à tarde!

Por isso, hoje vou inovar. Adoro inovar – e inovo pouco. Bem menos do que deveria.

Dois comentários dos meus leitores chamaram a minha atenção. Como ambos são relevantes e interessantes, uso-os como raiz. Um deles de um leitor que diz ser antigo, no entanto não me lembro de tê-lo lido antes. O outro, o Bruxo, alguém que começa a aparecer com maior frequência por aqui.

Primeiro, o do Bruxo, falando sobre o jogo do Ricardo Mello:

“Só vi o jogo do Ricardo Mello essa noite. Ele fez o que pode. A única coisa que poderia ser melhor foi o saque. Quando você joga contra um animal como o Tsonga, se você começa a precisar muito de segundo saque, você basicamente está morto, porque ele vai te furar com o drive. O que falta pro Ricardo Mello começar a ter chance contra alguns cachorros maiores é um saque mais confiável (não precisamos ir longe, um saque como o do Falla, regular, com alta porcentagem de acerto no primeiro saque faria o Ricardo subir de nível).
Nos ralis achei o Ricardo taticamente esperto. Todas as vezes em que ele fez o Tsonga correr pra direita, ele anulou o potencial de ataque do Tsonga daquele lado e colheu alguns erros não forçados. Fica a dica para os próximos adversários do Tsonga: mudanças de direção são o caminho (ele voltou pesadão da pré-temporada e tem algumas dificuldades em jogar na corrida, e ele gosta de ter liberdade de movimentação pra fugir da esquerda). A partir do momento em que você consegue fazê-lo de limpador de para-brisa (correndo de um lado a outro e tirando a liberdade de movimentação dele), ele é extremamente vulnerável. Foi fazendo isso que o Ricardo embaçou os três sets.
O Tsonga por sua vez mostrou uma capacidade absurda de sair dos buracos. Não me lembro de nenhum break-point pro Ricardo onde ele tenha dado bobeira. Pelo contrário, o Tsonga vinha com um torpedo no saque, com um bom voleio, ou com uma patada troglodita de direita. Foi 3×0 pro Tsonga muito por mérito dele também.
O Tsonga tem bola demais pro Ricardo, mas ele fez um belo jogo. Foi a melhor derrota possível.”

O segundo, do LF, como ele se identifica, apesar de utilizar um email válido:

“Não acho que o Bellucci tenha jogado tão mal assim: falta personalidade e convicção nos pontos importantes. Ele teve inúmeras chances de quebrar o saque do Monfils, mas não cacifou. Ele continua pecando no mental, baixando a cabeça quando perde pontos que estavam sob seu controle.
Falta mais movimentação lateral e vertical: chegando frações de segundo atrasado em algumas bolas com a empunhadura que tem fica mais difícil ainda.

Pontos positivos: melhora sensível no slice (tanto cruzado quanto paralelo), ganhando alguns pontos com sua utilização. Instinto matador mais aguçado, indo para a rede volear (e bem!) quando sente que desequilibrou o adversário. Posicionamento mais aberto no saque: tirou a força e acrescentou efeito no serviço; fez menos aces, mas trabalhou bem com o saque aberto; fez menos dupla-falta também.

No mais, quero dizer que acompanho o blog há algum tempo e acho que seja o melhor do ramo no país. Acompanho o patrão na ESPN e aprecio muito seus comentários. Curto bastante a maioria dos blogueiros, todos contribuem bastante em termos de diversão e discussão.
Abraço a todos.”

Ambos, é óbvio, são tenistas. Suas colocações o evidenciam. Não assisti a partida do Ricardo, mas acompanho o raciocínio do Bruxo. Suas ponderações sobre o Tsonga são interessantes e reais. Suas colocações sobre o Ricardo também são boas, o que me lembra da máxima americana: o tenista é tão bom quanto seu 2º saque. Da mesma maneira que os cachorrões se distinguem dos outros pela sua capacidade de “fechar a porta” nos pontos importantes, como os BP.

LF – será Luiz Felipe? – foi na veia quanto a Thomaz. Ele não jogou mal – lhe falta personalidade e convicção. Na mosca e só com uma outra forma de dizer o que tanto insisto. Alias, disponibilizo abaixo um link para uma entrevista feita pelo jornalista Julio Gomes da ESPN com o tenista brasileiro, logo após entregar a rapadura em terra de canguru. Nela, questionado diretamente pelo Julio, Thomaz admite algumas coisas pela primeira vez – um passo na direção correta.

A percepção de LF de como e quando Thomaz “abaixa a cabeça” é correta. Assim como a deficiência na movimentação lateral – gritante quando dividindo a quadra com Monfils.

Sua análise dos pontos positivos também é de quem entende e sabe “ler” o jogo. Os slices, que Thomaz tanto relutava em usar (aqui a influencia do técnico que, também canhoto, utilizava bastante o golpe). Não sei sobre o “instinto matador”, mas concordo com as idas – necessárias – à rede para fechar o ponto. A mudança conceitual no serviço é um dado, apesar de que Bellucci é sacador e não pode abrir mão de umas duas vezes por game ir para o ace, nem que seja para intimidar – hoje ele foi quebrado em demasia.

Vi também um terceiro Comentário, onde alguém delira sobre se tivéssemos um tenista com a técnica de Bellucci e a cabeça de Ricardo Mello. Já li também sobre a mesma mistura com a entrega de Meligeni. É isso que dá quando se ouve pessoas que só começaram acompanhar tênis após Gustavo Kuerten e não tem Luiz Mattar ou Jaime Oncins, que seriam melhores exemplos. Vou dormir! – mas antes vou bater uma bolinha.

http://espn.estadao.com.br/australianopen/noticia/236194_VIDEO+EXCLUSIVO+BELLUCCI+CULPA+ERROS+BOBOS+POR+VIRADA+E+ADMITE+QUE+PRECISA+MELHORAR+ATITUDES

Notas relacionadas:

  1. Perto
  2. Probabilidade
  3. Virada
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  1. Primeira
  2. 3
  3. 4
  4. 5
  5. 6
  6. 7
  7. 10
  8. 20
  9. 30
  10. Última