Publicidade

Arquivo da Categoria Tênis Brasileiro

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:46

WC

Compartilhe: Twitter

Ronda uma certa polêmica em torno das escolhas dos convidados do Aberto do Brasil que começa este fim de semana. Alguns sites levantam a questão – do porque Rogério Silva não foi convidado – assim como alguns dos meus leitores pedem um Post a respeito. Bem, nada como uma pauta sugerida e oportuna.

Os “wild cards” foram “inventados” para “proteger” e “ajudar” os eventos nas contingências do circuito. Uma, que nem todos os tenistas “obedecem” a regra da ATP de se comprometer com o evento 42 dias antes do início. 95% deles o fazem, mas tem sempre uma mala que gosta de maltratar.

Um dos convites do Brasil Open vai para o atual campeão do torneio, Nicolas Almagro, que não se inscreveu na data. Por que? Só perguntando para o rapaz. Pode ter sido porque esqueceu, porque estava em duvida se viria ao Brasil, onde conquistou dois de seus dez títulos, o que explicaria a dúvida, ou, talvez, porque essa é uma maneira de blefar e conseguir uma “garantia” mais polpuda dos organizadores, que não gostam de ficar sem seu campeão.

Outra contingência é trazer tenistas que realmente não estavam decididos jogar o evento e que podem mudar de ideia com um agrado e um WC. Outra ainda é poder convidar um tenista de nome que esteja fora da lista final – o caso do chileno Fernando Gonzalez, que viu seu ranking despencar por conta das contusões que o afastaram da quadra. Ex-top 10 e finalista de Grand Slam, e um dos grandes nomes do tênis sul-americano da década, Fernando e sua direitaça farão uma diferença para o espetáculo.

Não podemos esquecer que a preocupação maior dos organizadores é com o publico que ajuda a pagar o evento. Com a saída do torneio do Sauípe não precisa ser um gênio para entender que a bilheteria passar a ser um fator importante para pagar as contas e satisfazer os patrocinadores, além de agradar os fãs. As vendas dos ingressos provam isso – talvez até para a surpresa dos organizadores que, talvez, se perguntem por que não o fizeram antes. Já imaginaram esse evento em São Paulo com Gustavo Kuerten?

Uma outra preocupação dos eventos é com a nova geração de tenistas, que sempre pode fazer bom uso de convites para tais eventos. Não que sempre o façam quando os recebem e jogam. Tiago Fernandes foi oferecido um convite logo após vencer na Austrália e assim mesmo seu técnico recusou, preferindo que ele fosse para o qualy. Talvez uma oportunidade mais lógica.

Mais um critério dos organizadores é com os seus inúmeros compromissos para com o sucesso do torneio. Para se realizar tal evento, que custa muitos milhões, é necessário muito mais do que a inocência e desinformação da maioria imagina e muitos acordos devem ser feitos pelo caminho.

Não sei quem receberá o terceiro e ultimo convite do Aberto do Brasil. Devem segurar até o ultimo instante para ver se aparece um daqueles casos acima mencionado. Se não, vão para seu próximo critério de escolha.

Quanto a Rogério, um tenista de 28 anos, dificilmente se encaixa no critério de novos valores. Se encaixa como o primeiro brasileiro fora da chave, cuja presença também seria interessante para a torcida, assim como a de outros brasileiros. Mas os organizadores devem ter a sua ordem de prioridades e critérios e, é bom lembrar, o qualy do torneio não é nenhum bicho de 7 cabeças – mas a melhor oportunidade para os tenistas locais medirem suas forças com adversários, por um lugar ao sol, e com a ajuda de sua torcida. E, pelo que sei, Rogério está acostumado a dificuldades e não é de fugir da luta.

Notas relacionadas:

  1. O Aberto do Brasil
  2. Gregos e troianos
  3. Cobras no Ibirapuera
Autor: paulocleto Tags: ,

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 15:32

Fibra

Compartilhe: Twitter
Estava dando uma olhada nos meus posts anteriores e cabe aqui um pequeno mea culpa no Post “Feds e Davis”.
Uma das partidas da equipe brasileira, e que foi televisionada, vale ser ressaltada, por uma razão bem clara. A vitória de Vivian Segnini sobre a colombiana Castano por 6/3 5/7 7/6, em partida longíssima, onde salvou dois match-points.
Uma coisa que sempre respeitei, e ressaltei por aqui, é o fato de um tenista ganhar em casa, especialmente defendendo seu país. É óbvio que cada uma faz o que pode dentro de suas limitações técnicas. Porem, como cada um estende seus limites emocionais e mentais para conquistar uma vitória é algo bem diferente que mostra muito sobre o caráter do atleta.
Vencer uma partida dessas, contra uma adversária mais encorpada e mais experiente, é uma conquista que não pode nem deve passar despercebida. Parabéns à Vivian, que mostrou, mais uma vez, a fibra que outros tenistas mostraram defendendo o Brasil no passado, ou mesmo jogando perante seus torcedores, e que poderia voltar a ser padrão em nosso tênis.
Autor: paulocleto Tags:

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 21:36

Feds e Davis

Compartilhe: Twitter

A semana passada foi de Fed Cup, o evento feminino criado pela FIT para as mulheres terem sua competição por equipes. O Brasil está em um grupo regional americano e, infelizmente, longe de ter algum sucesso nos últimos anos.

Pelo o que li, a equipe brasileira feminina tem hoje condições extremamente superiores que a maioria das equipes de Copa Davis que participei. Enquanto fui obrigado a correr o mundo e enfrentar com somente a participação dos jogadores na maioria dos eventos, as meninas tiveram uma encorpada equipe para lhes dar o respaldo necessário, exatamente como deve ser.

Vamos deixar claro que nos últimos anos consegui que a CBT permitisse, e pagasse, a montagem de uma estrutura que serviu de modelo para as equipes atuais da Copa Davis e agora da Fed Cup. Ali estavam o técnico e comissão técnica, fisioterapeutas, preparador físico, chefe de equipe e até assessores imprensa e fotógrafos. No entanto, não foi o bastante para passarmos do quinto lugar na competição, que foi jogada nas quadras do Graciosa Clube, em Curitiba, um dos mais charmosos de nosso país.

Esta semana será da Copa Davis mundo afora. O Brasil, também na chave zonal, está adiantado e só joga em Abril, contra o vencedor de Equador e Colômbia, que se enfrentam esta semana.

Quem estará em quadra este fim de semana, defendendo a Suíça, será Federer que, talvez, encare defender seu país nesta temporada. Ele joga em casa e, junto com Wawrinka, recebe os americanos Fish e Isner – Roddick ficou em casa.

Os espanhóis, sem Nadal, recebem os cazaques, os austríacos recebem os russos, os franceses visitam os canadenses, e os italianos vão a Rep. Checa, os sérvios, sem Djokovic, encaram os suecos em casa, os croatas vão a Tóquio, e, no único confronto envolvendo sul-americanos, a Argentina, sem Delpo, invade a Alemanha.

E, a partir do fim de semana, enquanto massacram as bolinhas Copa Davis afora, começará o qualy do Aberto do Brasil, no Ibirapuera, em São Paulo, programa imperdível para tenistas e sofasistas. Só não vale ficar fora.

Autor: paulocleto Tags:

terça-feira, 31 de janeiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:23

De virada

Compartilhe: Twitter

Recebo a informação de que o João “Feijão” Souza passou a primeira rodada no ATP de Vina del Mar, batendo o italiano Fillipo Volandri, cabeça #8, por 1/6 7/5 7/6.

Mais do que me chamar atenção a vitória, sobre um tenista experiente e que conhece e gosta do saibro, me chamou a atenção a contagem. Uma vitória, de virada, no TB do set decisivo é uma vitória diferenciada. Nessas horas a experiencia e o emocional falam alto. Como a primeira ele não tem mais do que o italiano, resta o emocional.

É ótimo que Feijão comece a ganhar esse tipo de confronto, o que deve lhe dar uma confiança ainda maior no seu taco. Vamos aguardar a próxima rodada, contra o vencedor de Fernando Gozalez, que volta às quadras e o espanhol Pere Riba.

Notas relacionadas:

  1. Feijão e Bogotá
  2. Domingo de oportunidades
  3. Tá pronto o Feijão?
Autor: paulocleto Tags:

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:09

Delírios?

Compartilhe: Twitter

Hoje está mais difícil. Com esse assunto de acordar 5h da manhã – bem antes do meu habitual – fica a óbvia obrigação de ir dormir bem antes também. Ou a a casa cai. E de vez em quando cai mesmo, já que tem noite, como ontem, que devo ter passado da hora e aí a próxima hora não chegava. Um inferno.

É como jogo de tênis, você vai ficando confiante que a coisa está sob controle e pisa no tomate. Quarta-feira e eu me sentindo confiante, achando que o assunto estava dominado. Dancei.

Além disso, logo cedo jogo do Thomaz Bellucci. Jogo de brasileiro é diferente de jogo de estrangeiro. Tem o envolvimento emocional. Lembro que na época do Kuerten eu “me preparava” desde café da manhã – e o jogo era à tarde!

Por isso, hoje vou inovar. Adoro inovar – e inovo pouco. Bem menos do que deveria.

Dois comentários dos meus leitores chamaram a minha atenção. Como ambos são relevantes e interessantes, uso-os como raiz. Um deles de um leitor que diz ser antigo, no entanto não me lembro de tê-lo lido antes. O outro, o Bruxo, alguém que começa a aparecer com maior frequência por aqui.

Primeiro, o do Bruxo, falando sobre o jogo do Ricardo Mello:

“Só vi o jogo do Ricardo Mello essa noite. Ele fez o que pode. A única coisa que poderia ser melhor foi o saque. Quando você joga contra um animal como o Tsonga, se você começa a precisar muito de segundo saque, você basicamente está morto, porque ele vai te furar com o drive. O que falta pro Ricardo Mello começar a ter chance contra alguns cachorros maiores é um saque mais confiável (não precisamos ir longe, um saque como o do Falla, regular, com alta porcentagem de acerto no primeiro saque faria o Ricardo subir de nível).
Nos ralis achei o Ricardo taticamente esperto. Todas as vezes em que ele fez o Tsonga correr pra direita, ele anulou o potencial de ataque do Tsonga daquele lado e colheu alguns erros não forçados. Fica a dica para os próximos adversários do Tsonga: mudanças de direção são o caminho (ele voltou pesadão da pré-temporada e tem algumas dificuldades em jogar na corrida, e ele gosta de ter liberdade de movimentação pra fugir da esquerda). A partir do momento em que você consegue fazê-lo de limpador de para-brisa (correndo de um lado a outro e tirando a liberdade de movimentação dele), ele é extremamente vulnerável. Foi fazendo isso que o Ricardo embaçou os três sets.
O Tsonga por sua vez mostrou uma capacidade absurda de sair dos buracos. Não me lembro de nenhum break-point pro Ricardo onde ele tenha dado bobeira. Pelo contrário, o Tsonga vinha com um torpedo no saque, com um bom voleio, ou com uma patada troglodita de direita. Foi 3×0 pro Tsonga muito por mérito dele também.
O Tsonga tem bola demais pro Ricardo, mas ele fez um belo jogo. Foi a melhor derrota possível.”

O segundo, do LF, como ele se identifica, apesar de utilizar um email válido:

“Não acho que o Bellucci tenha jogado tão mal assim: falta personalidade e convicção nos pontos importantes. Ele teve inúmeras chances de quebrar o saque do Monfils, mas não cacifou. Ele continua pecando no mental, baixando a cabeça quando perde pontos que estavam sob seu controle.
Falta mais movimentação lateral e vertical: chegando frações de segundo atrasado em algumas bolas com a empunhadura que tem fica mais difícil ainda.

Pontos positivos: melhora sensível no slice (tanto cruzado quanto paralelo), ganhando alguns pontos com sua utilização. Instinto matador mais aguçado, indo para a rede volear (e bem!) quando sente que desequilibrou o adversário. Posicionamento mais aberto no saque: tirou a força e acrescentou efeito no serviço; fez menos aces, mas trabalhou bem com o saque aberto; fez menos dupla-falta também.

No mais, quero dizer que acompanho o blog há algum tempo e acho que seja o melhor do ramo no país. Acompanho o patrão na ESPN e aprecio muito seus comentários. Curto bastante a maioria dos blogueiros, todos contribuem bastante em termos de diversão e discussão.
Abraço a todos.”

Ambos, é óbvio, são tenistas. Suas colocações o evidenciam. Não assisti a partida do Ricardo, mas acompanho o raciocínio do Bruxo. Suas ponderações sobre o Tsonga são interessantes e reais. Suas colocações sobre o Ricardo também são boas, o que me lembra da máxima americana: o tenista é tão bom quanto seu 2º saque. Da mesma maneira que os cachorrões se distinguem dos outros pela sua capacidade de “fechar a porta” nos pontos importantes, como os BP.

LF – será Luiz Felipe? – foi na veia quanto a Thomaz. Ele não jogou mal – lhe falta personalidade e convicção. Na mosca e só com uma outra forma de dizer o que tanto insisto. Alias, disponibilizo abaixo um link para uma entrevista feita pelo jornalista Julio Gomes da ESPN com o tenista brasileiro, logo após entregar a rapadura em terra de canguru. Nela, questionado diretamente pelo Julio, Thomaz admite algumas coisas pela primeira vez – um passo na direção correta.

A percepção de LF de como e quando Thomaz “abaixa a cabeça” é correta. Assim como a deficiência na movimentação lateral – gritante quando dividindo a quadra com Monfils.

Sua análise dos pontos positivos também é de quem entende e sabe “ler” o jogo. Os slices, que Thomaz tanto relutava em usar (aqui a influencia do técnico que, também canhoto, utilizava bastante o golpe). Não sei sobre o “instinto matador”, mas concordo com as idas – necessárias – à rede para fechar o ponto. A mudança conceitual no serviço é um dado, apesar de que Bellucci é sacador e não pode abrir mão de umas duas vezes por game ir para o ace, nem que seja para intimidar – hoje ele foi quebrado em demasia.

Vi também um terceiro Comentário, onde alguém delira sobre se tivéssemos um tenista com a técnica de Bellucci e a cabeça de Ricardo Mello. Já li também sobre a mesma mistura com a entrega de Meligeni. É isso que dá quando se ouve pessoas que só começaram acompanhar tênis após Gustavo Kuerten e não tem Luiz Mattar ou Jaime Oncins, que seriam melhores exemplos. Vou dormir! – mas antes vou bater uma bolinha.

http://espn.estadao.com.br/australianopen/noticia/236194_VIDEO+EXCLUSIVO+BELLUCCI+CULPA+ERROS+BOBOS+POR+VIRADA+E+ADMITE+QUE+PRECISA+MELHORAR+ATITUDES

Notas relacionadas:

  1. Perto
  2. Probabilidade
  3. Virada
Autor: paulocleto Tags: ,

terça-feira, 10 de janeiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 01:12

Saudades

Compartilhe: Twitter

Thomaz Bellucci venceu sua primeira partida da temporada batendo o português Rui Machado em Auckland. Não é uma vitória para se empolgar, mas é uma vitória em uma primeira rodada em um primeiro torneio da temporada, o que é de bom tamanho.

Machado não é exatamente um tenista de quadras duras, mas nem Thomaz pensa ser, o que eu continuo achando um erro estratégico do paulista.

Além disso, jogar em Auckland é sempre um feito per si, já que aquele lugar é um inferno para os tenistas – venta mais do que em Fortaleza, outro inferno tenistico. Pior do que Auckland só Wellington, pelo menos na Nova Zelandia.

Venus Williams divulga que não joga em Melbourne. Nunca se sabe exatamente as razões das irmãs Williams, mas Venus vem anunciando sofrer de uma doença de autoimune para a qual não há cura e que causa fatiga e dores. Ela havia anunciado jogar esta semana e no AO – não jogará nem um dos dois. Ela jura que volta – a balzaquiana tem 31 anos.

Todos sabem que Marat Safin se elegeu deputado na Rússia, com ou sem maracutaia nas eleições, como acusa a oposição. Poucos lembram que a outra candidata tenista – esta derrotada – era Anna Chakvetadze, que acabou não sendo eleita.

Como a moça não é de ficar parada, decidiu voltar à carreira que havia desistido, pelo menos temporariamente – lembram dos desmaios em quadra? Anninha venceu a cabeça #3, Monica Nicolescu, uma tremenda surpresa, em torneio disputado em Hobart, Austrália, esta semana. Parece que estava com saudades.

Chakvetadge – já que não foi eleita deputada, posso publicar sua foto com as bolinhas. Sorry aos fãs do Thomaz.

Notas relacionadas:

  1. Mãozinha.
  2. Pegada.
  3. Manso
Autor: paulocleto Tags: , ,

domingo, 8 de janeiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:36

Diferenças

Compartilhe: Twitter

Um dos melhores sentimentos do tenista é jogar e vencer em casa. É muito diferente de jogar na frente de uma arquibancada repleta de estranhos e estrangeiros. Lógico que o sentimento só é completo com uma vitória e a festa só se completa com a conquista do título.

Thiago Alves sempre teve uma direitaça, um golpe diferenciado, mas nunca conseguiu deslanchar dentro dos top 100 – seu melhor ranking foi #88 em 2009. Chega uma hora o tenista se conforma e faz o melhor da profissão. Como ele sempre foi competitivo não deve ser fácil para ele administra esse sentimento.

Seu ultimo título foi exatamente no mesmo evento, em 2007 – sempre fui um “believer” que os tenistas abraçam certos eventos em sua carreira, onde eles acreditam pelas razões que forem, que ali eles podem conseguir coisas que não conseguem em outros eventos/lugares.

Thiago ficou longe das quadras boa parte de 2011 por conta de uma contusão nas costas – algo que, infelizmente, sei como é. Pensou em parar de jogar, insistiu e voltou. Aos 29 anos ainda pode jogar bem, dois ou três anos, se quiser e conseguir. Será interessante ver se decidirá por fazer/conquistar algo diferente no crepúsculo de sua carreira.

Imagino que Jaime Oncins, técnico do finalsita Gaston Elias, que tantos títulos conquistou jogando em casa, vá festejar a sua semana em casa com a família. Ele vive a uma hora de São Paulo e vem viajando bem mais do que um pai de três crianças gostaria – mas esses são os ossos do ofício.

Ele poderia estar festejando bem mais se seu pupilo ficasse com o título. Mas chegar a uma final de um Challenger, logo na primeira semana da temporada, tem que ser considerado uma vitória e um bom prenuncio. Agora, assim como com Thiago, é administrar a confiança e no embalo realizar uma temporada que faça a diferença.

Alves – a diferença, para ele, é a direitaça.

Autor: paulocleto Tags: ,

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:02

Cobras no Ibirapuera

Compartilhe: Twitter

A organização do Aberto do Brasil, que este ano será realizado em quadras de saibro construídas no complexo Ibirapuera em São Paulo, para a alegria de muitos e a tristeza de alguns, divulgou a lista do inscritos no evento.

Essa lista fecha 42 dias antes do início dos jogos. São os tenistas que fazem a inscrição – a maioria usa seus agentes para realizá-la. A ATP coleciona as inscrições e divulga a lista. Ela deixa espaço para convidados do evento e para os tenistas que veem da qualificação, que é um evento per si.

A vinda do evento coloca de volta a cidade de São Paulo no mapa do tênis oficial mundial, e que frequentou com galhardia nos anos setenta, com o WCT, no mesmo Ibirapuera, nos anos oitenta, com o evento na CPT (o qual fui o promotor junto com meu sócio Paulo Ferreira) e nos anos 90 com eventos nos jardins do Parque do Ibirapuera, no Hotel Transamérica e no Clube Pinheiros. Fico imaginando quantos dos meus leitores frequentaram parte ou todos esses?

A lista é a mais forte do evento desde os tempos áureos de Gustavo Kuerten. Têm Nalbandian, sempre uma força e um talento, Simon, o “king paparra” e o melhor rankeado (#12), Verdasco, que viu seu ranking despencar para #24 em dois meses, a farra deve estar grossa, o elegante dorminhoco Chela, o operático e por vezes quase aposentado Tommy Robredo, o ex- #1 e melhor direita do circuito, e eterno quase aposentado JC Ferreiro, e outros não tão estrelas como Potito Starace, Montanes, o interessante Giraldo e outros. Isso sem mencionar os dois brasileiros direto na chave, Ricardo Mello e Thomaz Bellucci, que alguns já afirmam ser o favorito. Até poderia ser, se imbuído do espírito correto e necessário para se vencer em casa. Tênis para tal ele tem, veremos o resto. Torcida ele terá, inclusive a minha, para o desespero de alguns que frequentam este Blog.

A presença dessas estrelas deve ter custado alguma$ coisas para os organizadores. Só espero que com a proximidade do torneio não aconteçam desistências. Os convites (4) devem ser distribuídos entre tenistas brasileiros – mas a organização deverá esperar para anunciar os últimos na bacia das almas, na esperança de que algum não inscrito arrependido peça um convite, e que poderá ser atendido, desde que seja um nome relevante.

Conhecendo a organização da Koch-Tavares, o torneio deverá ter um bom padrão no quesito de organização e atendimento ao público, até porque, com Copa do Mundo e Olimpíadas, o padrão dos nossos eventos deverá ser de acordo com o que já acontece nos melhores eventos internacionais.

Notas relacionadas:

  1. Lista baiana
  2. E agora?
  3. Duvida
Autor: paulocleto Tags: , ,

terça-feira, 20 de dezembro de 2011 Light, Minhas aventuras, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:54

Karma tenístico

Compartilhe: Twitter

Outro dia, aproveitando uma dessas tardes maravilhosas que vem se repetindo, nestes tempos em que o verão ameaça, ainda sem sucesso, se instalar, me alojei em uma cadeira, à mesa, debaixo da jaqueira que orna e sombreia a seção de tênis do melhor clube do país – E.C. Pinheiros.

Estava a ter uma conversa um pouco mais séria do que o cenário exigia quando fui interrompido por um amigo, ansioso por me contar uma história. História que é a alma deste Post, história que o meu leitor que não seja um sofasista de almofada cheia conhece várias e que, com a mais absoluta certeza, viveu e sentiu na pele. De um jeito e do outro.

Estava o amigo a enfrentar um de seus maiores rivais – e atentem, são tenistas de categoria, 2ª classes, na pior das hipóteses, dos mais encardidos. O adversário abriu, no set decisivo, um 5×1 que, para quase todos os efeitos, davam as favas como contadas. Como todos, incluindo os amigos do sofá, sabem, o jogo só acaba quando termina. Mas 5×1 é 5×1, pelo amor dos meus filhinhos, como diria o endiabrado Silvio.

A essa altura, o amigo – deixarei os nomes de fora, até porque, como já disse, a história é universal – começou a desviar o assunto pelas mudanças táticas que executou, lembrando; nada acontece de graça. Mas as suas táticas não são o ponto da história, por conta disso privarei os leitores de uma aulinha tática. Só vale lembrar que a não mudança de uma tática claramente perdedora só é uma alternativa para os mais teimosos, burros, ou se preferirem sem imaginação; ou se seu nome for Roger Federer, que não cai em nenhuma das alternativas anteriores, seria o que me faltava, mas tem uma só sua.

Pois é. O amigo foi lá, mudou o jogo e começou a cacifar. Esqueci de dizer; era 5×1 40×0, o que não é mole não. E, no game seguinte, 2×5, 15×40. Pois é. O amigo escapou de ambas sinucas. E aos poucos, que nem a galinha enche o papo, foi vencendos os pontos, adquirindo a água benta dos tenistas, a santa confiança, e virou o jogo. Sim, 7×5.

O amigo babava enquanto nos contava seu feito nos mínimos detalhes. Dava para ver o prazer saltando de seus olhos, sorvido como saliva pré churrasco em reunião de peão. Como é linda a vitória, especialmente uma tão arduamente conquistada, uma tão improvável.

O amigo se despediu, sem muita vontade, é fato, já que a conversa lhe era prazerosa nas últimas, com um sorriso nos lábios evidenciando que o karma tenistico o acompanharia por mais alguns dias, pelo menos até que um novo infortúnio o atropelasse em quadra, como sempre, mesmo para os Djokovics, acontece.

E não é que não deu 5 minutos, nem dando tempo para eu embalar a conversa interrompida, chega o amigo protagonista, ou seria coadjuvante, da história acima.

O rapaz chegou com aquela cara de quem não sabe ao certo se cumprimenta e passa reto ou se arrisca uma estadia mais prolongada. Pois é, Kurosawa já nos mostrava que os dois lados de uma história quase sempre nos apresenta uma terceira tão ou mais interessante.

Sem nenhuma intenção masoquista, não pude deixar de mencionar o fatídico. E aí, como foi? Ele me contou o seu lado da história, onde ele era muito mais o vilão do que o amigo mútuo o herói. Não importa, até porque não é essa a questão também. Naquele dia, com o céu azul, o conforto do calor aliado às delicias da sombra de uma frondosa árvore, complementados pelo prazer de uma bebida refrescante, a minha mente tinha uma única curiosidade, que não vi porque não a satisfazer.

De sopetão, sem o menor perdão ou cerimônia, perguntei. Quando você pirou?

Sem pestanejar, até porque não se trata de safasista ou mesmo panga, ele voleou de volta – “no 5×3!!”. Alí já comecei pensar muita merda.

Pensei com meus botões – “um pouco cedo, talvez”. Mas lembrei de 40×0, do 15×40 e aquiesci com a cabeça sabendo que nesses affairs melhor se passa sem o julgamento alheio. São cruéis esses percalços mentais. Como lidar com eles? Como os cachorrões conseguem escapar delas – se é que escapam?

Já no fim de sua história, o segundo amigo menciona que um terceiro – adversário de ambos – estava sentado na cadeira do juiz, por conta de uma daquelas recorrentes e danosas contusões, nada mais podendo fazer em uma quadra. Os três saíram da quadra ao mesmo tempo e caminharam para aquela mesma jaqueira que eu então aproveitava. Chegando à mesa, já pedindo e pensando nos prazeres de uma Norteña gelada, o terceiro vira para o segundo e diz: “agora que você nunca mais meta o pau no Bellucci quando ele fizer das dele”. Quanta verdade dita em frase tão curta. E não somente por conta do nosso melhor tenista.

Notas relacionadas:

  1. Plano B
  2. 13 de sucesso.
  3. Talvez
Autor: paulocleto Tags: ,

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011 Copa Davis, Minhas aventuras, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 13:36

Métodos, estilos e personalidades

Compartilhe: Twitter

O leitor Edu, ele não oferece mais informação do que isso, me pergunta como um técnico de Copa Davis consegue implementar uma metodologia ou estilo para um jogador que já possui um técnico, onde muitas vezes este possui um estilo distinto do seu? Uma pergunta interessante, cuja resposta daria um livro. Sendo assim, vamos a uma mais breve.

Antes, uma informação. Esta semana os dois capitães dos times finalistas da Davis saíram de seus times. Por razões distintas. Tito Vasquez saiu porque a federação argentina quer um rodízio e, principalmente, porque seu relacionamento com os tenistas não é totalmente harmonioso. Vamos deixar algo claro: dificilmente é totalmente harmonioso esse relacionamento. Ele sobrevive se uma série de variáveis funcionarem.

Se o relacionamento entre as partes for de respeito mutuo e, principalmente, de respeito à hierarquia, se os tenistas forem comprometidos com o evento acima de seus interesses pessoais, as chances são maiores. No caso dos argentinos, eles têm uma situação entre os dois principais tenistas e não é de hoje. Além disso, Nalbandian é um personagem de personalidade muito forte e não necessariamente um agregador. Tito Vasquez declarou que ele é um líder negativo, o que é um problemaço.

No entanto, Nalbandian tem o espírito da competição, enquanto que Del Potro ainda está devendo mostrá-lo, para o time e para ele mesmo. Alguém aqui no Blog disse que Delpo foi o protagonista do confronto. Acho que foi mais no de coadjuvante de luxo. Na Davis, ou no tênis, a diferença está em vencer e não em jogar bem. Uma coisa é lutar, jogar bem, fazer um bom papel, perder no quarto ou quinto set e voltar para o vestiário, que fica pior do que velório nessa hora, com cara de bunda. O pessoal pensa – “é fo.., a coisa vai mal e vai ficar pior porque sobrou pra mim”.

Outra coisa é o cara que encontra um jeito de vencer em quadra, contra adversários melhores ou piores, o que nunca é fácil, volta para o vestiário, olha todo mundo na cara e diz – “pessoal, eu fiz o meu ponto, bola pra frente!”  Os carinhas olham pra ele e pensam – “ele é o cara, a nossa inspiração, vamos atrás!” O Delpo já é um jogadorzasso e ainda vai aprender a lidar com a pressão sobre o cachorrão, que é diferente da sobre o tenista mediano que não tem a responsa de decidir. O duro mesmo é o cara que não ganha um jogo que faça a diferença, só dá menos desculpas do que entrevistas se auto-elogiando, quando não está jogando a culpa de seus fracassos em outros.

A saída de Carlos Costa tem outro perfil. Uma dica foi a imediata recusa de Carlos Moya sobre a possibilidade de aceitar um convite. A razão fica escancarada com a notícia de que Nadal, Ferrer, Verdasco e Feliciano não jogarão a Davis em 2012 – a razão alegada é o desgaste e por ser um ano de Olimpíadas. Esse time é um dos mais fortes da história porque tem liderança. E essa liderança chama-se Rafael Nadal, esteja em quadra ou não. O cara é uma inspiração e não tem o menor receio de abraçar a responsabilidade de ser o líder. Ele foi o primeiro a avisar que estaria fora. Os outros seguiram.

O que me lembra uma história pessoal na Davis. Em um momento pontual de transição o time estava sem um #1 contundente e, consequentemente, sem um líder. Como o próximo confronto seria em casa contra um grande time e estávamos a uma década sem perder em casa, tive uma conversa com o então #1 brasileiro no ranking sobre a necessidade de termos um líder que pudesse inspirar. O cara quase morreu. Pirou! Começou a falar pelos cotovelos, balançando os braços e arrumando os cabelos e a dar todo tipo de desculpa, culminando com a que estava ali para ser mais um e não para ser responsável por nada. Foi a primeira e única vez que vi um tenista agindo daquela maneira, até porque das outras vezes não tive a urgência de fazer uma escolha vergonhosa como aquela. Foi um dos maiores banhos de água fria que tomei na carreira. O tenista, óbvio, fixou-se no papel de coadjuvante, mas sempre tentando se vender como protagonista.

Quanto aos espanhóis, o cargo de capitão/técnico torna-se agora a maior batata quente do país. Quem vai querer herdar um cargo que do time campeão ninguém vai aparecer para jogar? Costa pediu para sair; óbvio que não oferecendo estas razões.

Um técnico de Copa Davis não traz, ou não deveria trazer, uma metodologia de estilo para cada tenista para a Davis. Não há tempo para isso e nem é a exigência. O que é necessário é o técnico trazer uma filosofia de trabalho, responsabilidades e comprometimentos com o esforço coletivo que deve ser abraçada por todos. Vale lembrar que tenista é um ser extremamente individualista e, às vezes, com certa dificuldade para se adaptar ao coletivismo.

Talvez uma das melhores coisas que deixei no time brasileiro foi a cultura do time acima do individuo, algo que sempre foi regra enquanto estive lá e que, mesmo depois de minha saída, continuaram mantendo a tradição, segundo tenistas que permaneceram no time se apressaram em me dizer. A coisa foi sendo passada de geração para geração e, pelo menos até onde sei, segue sendo uma verdade, talvez diluída pelo tempo.

No entanto, o cargo exige uma personalidade que lidere os tenistas fora das quadras – que é bem distinta da liderança dentro da quadra, que é sempre exercida por um ou mais dos atletas – e que, por vezes, demanda também bater de frente com atletas que atentam mais para seus interesses pessoais do que para os do time.

O trabalho final do técnico é saber, e conseguir, inspirar os atletas a apresentarem um desempenho acima de seu padrão, por conta de tudo que está envolvido – a oportunidade, única no tênis, de competir por um grupo e o país. Essa responsabilidade é a verdadeira diferença entre a Copa Davis e as outras competições do tênis, a razão da emoção e da pressão que toca os atletas. Sob essa luz, uns crescem, outros encolhem. C’est la vie.

O ESPÍRITO DA COPA DAVIS


Notas relacionadas:

  1. Credenciais.
  2. Bauru
  3. Até daria
Autor: paulocleto Tags:

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. 20
  9. Última