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quarta-feira, 15 de outubro de 2008 Sem uma categoria | 19:47

Mais do que carisma.

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Bill Tilden tinha, Don Budge não. Andre Agassi tinha, Pete Sampras não. Gustavo Kuerten tinha, Juan C. Ferrero não. Marat Safin tem, Davidenko não. Federer e Nadal têm.

Carisma – um dom divino com que alguns são agraciados, oferecendo o poder de seduzir e encantar as pessoas. Não deixa de ser subjetivo, mas é difícil um erro ao se avaliar quem tem e quem não tem. Quando o atleta tem, e o associa com resultados e uma personalidade vencedora, o resultado é ainda mais interessante e enriquecedor para o esporte.

Este post, obedecendo a alguns pedidos, é sobre um dos tenistas que mais agregou essa qualidade à de ser um campeão – o alemão Boris Becker.

Seus inúmeros feitos, dentro e fora das quadras, e resultados estão na internet e de fácil acesso. Como este blog não é de reprodução de notícias e sim de colocar uma cor, um sabor, nas histórias do tênis, desta vez não será diferente.

Para ninguém interromper a leitura, ofereço neste parágrafo o abc da carreira do alemão. Foi número 1 do mundo, venceu Wimbledon (3), a primeira aos 17 anos, o U.S Open, o Australian (2), o Masters (3) e a Copa Davis(2). Ganhou 49 títulos de simples e 15 de duplas. Faturou U$25 milhões só em prêmios e muito, muito mais, em contratos e patrocínios. Mudou a história do esporte na Alemanha e soube aproveitar, sob a supervisão de Ion Tiriac, o dono do Torneio de Madrid, a ânsia dos alemães por um herói.

São tantas as histórias de Becker que um livro seria mais apropriado do que um post. Focarei onde o Brasil também foi personagem.

Nos anos oitenta os organizadores do Torneio de Itaparica ofereceram U$200 mil para ele jogar, mas não aceitou dizendo que era muito longe. Foi obrigado a vir em 1992 para jogar a primeira rodada do Grupo Mundial – bons tempos! – no Rio de Janeiro.

Fez uma partidaça, uma das mais eletrizantes que assisti, contra Luiz Mattar no primeiro dia. Esteve com 1×2 em sets abaixo, 2×5 no quarto e cinco matche-points contra. Em todos eles mostrou coragem e a personalidade indo para a bola ganhadora – em três deles acertou a linha, o que diz maravilhas sobre seu espírito vencedor e sobre nossos juízes de linha que sequer pestanejaram. Venceu o 4º set no tie-break e ganhou o quinto set, na que tenho certeza foi a mais dura derrota da carreira de Mattar.

No dia seguinte jogou as duplas, com Eric Jelen, enfrentando Fernando Roese e Cassio Motta, que no ano anterior tinha sido seu parceiro na final do Aberto de Miami. Os brasileiros, uma de nossas melhores parcerias na Davis, venceram em três sets. No último dia Becker não jogou – a extenuante partida com Mattar, o calor e a derrota nas duplas acabaram com o alemão que deixou a batata quente na mão do gigante Zoecke, a quem Jaime Oncis bateu em 7/5 no quinto set. Falando de emoção!

Com nossa vitória, sobre um time que recém havia sido bi-campeão da Copa Davis e contra um dos mais carismáticos tenistas da história, o estádio de 8mil pessoas quase veio abaixo. Houve invasão da quadra e os tenistas foram carregados pelo público. Depois de conseguirmos escapar da massa fomos para nossos vestiários onde a euforia era grande mais contida.

Enquanto arrumávamos nossas coisas para voltar ao hotel os seguranças bateram na porta, àquela altura fechada para todos, insisto, todos. Na soleira, atrás do “armário” estava Boris Becker, que, apesar de estar no mesmo hotel que nós, fez questão de vir cumprimentar cada membro da equipe, dos tenistas ao massagista, pela vitória.
Às vezes, não contentes com o talento e o carisma, os deuses, em um ímpeto de generosidade, colocam também o caráter, que é, infelizmente, a mais velada das qualidades de um campeão.

Autor: paulocleto Tags:

terça-feira, 14 de outubro de 2008 Sem uma categoria | 09:59

Traveling light

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Roger Federer chegou a Madrid com sua entourage técnica enxugada. Só Severin Luthi, seu amigo e técnico da Copa Davis, está presente. Severin tem estado presente bem mais do que se dá credito e vai constantemente a Dubai acompanhar os treinos do conterrâneo. Como tem low profile, encaixa no perfil Federer que não gosta muito de dividir os créditos.

Seguindo essa linha, ele e Jose Higueiras encerraram a ligação profissional. O espanhol foi oferecido um cargo técnico no programa da Federação Americana e checou com Federer qual eram as intenções do suíço quanto ao seu trabalho. Federer foi claro, dizendo que não tinha intenções em aumentar a carga combinada de 8-10 semanas ano.

Como Higueras recebeu a oferta de Patrick McEnroe, que encabeça o programa americano, para realizar um trabalho tempo integral, não foi difícil a escolha. Federer ofereceu a opção de Higueras fazer os dois, mas Higueras disse ser inviável por conta das exigências americanas. De qualquer maneira a decisão foi mútua e amigável.

O esquema Federer continuará sendo de um intenso trabalho físico com seu preparador Pierre Paganini, o eventual suporte em quadra de Séverin, o conforto emocional de mulher e abusando do seu enorme talento.


Severin, amigo e capitão da Davis

Autor: paulocleto Tags:

domingo, 12 de outubro de 2008 Sem uma categoria | 21:27

Mar del Plata e não Córdoba.

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Depois de muita confusão, foi escolhido o local para a final da Copa Davis na Argentina contra a Espanha. Apesar da vontade da Federação local para que o evento ficasse em Buenos Aires e a insistência de David Nalbandian, líder da equipe, para que a disputa acontecesse a Córdoba, sua cidade, Mar Del Plata foi a cidade escolhida.

A escolha aconteceu após muita politicagem com o pessoal da casa batendo cabeça do começo ao fim. Para variar jogadores e dirigentes não se entendiam. Políticos também tentaram influenciar, jornalistas intimidar, jogadores reclamar e dirigentes mandar.

A decisão final do local foi do comitê da Copa Davis. Quando a final é acima do Equador o dono da casa decide e fim de papo. Por aqui a gringada sempre tem que dar palpite. Mas vale lembrar que tanto Enrique Morea, presidente da FAT, como o espanhol Juan Margets, fazem parte do comitê – são cinco pessoas no total. Ambos ficaram de fora na votação, decidida por um australiano, um americano e um francês. A votação foi unânime.

O comitê acatou o parecer de representantes da FIT que estiveram em Córdoba e Mar Del Plata. O importante para os tenistas argentinos foi que o piso – “carpeta indoors” – foi mantido, apesar de que havia também a vantagem de Córdoba estar a 500 m. de altitude e Mar del Plata estar, óbvio, no mar, e, acho mais importante, Cordoba ter maior capacidade de público, o que faz uma diferença.

De qualquer maneira, Del Potro não se manifestou anteriormente e Canas já haviam adiantado que o importante era o piso e não a cidade.

Mas há a suspeita que a coisa foi arquitetada por Morea, que esteve em linha direta de confronto com Nalbandian. Este forçou a barra para tirar a final de BA e levar para Córdoba, politicamente um ultraje para Morea e a FAT, que conseguiram, após muitos anos, convencer a prefeitura de BA a colocar um dinheirão no maravilhoso e recém inaugurado estádio Parque Roca. Infelizmente o piso deste é de saibro, piso que todo tenista que enfrenta Rafa Nadal quer distância. Morea teria então contribuído, inclusive com o relatório preparado por sua federeção, para que a decisão do comitê fosse por Mar Del Plata. Mais um capitulo do eterno conflito entre jogadores e cartolas.


Estádio em Mar del Plata não foi a escolha dos tenistas.

Autor: paulocleto Tags:

Sem uma categoria | 19:33

FIM DE SEMANA LOTADO

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Volto ao Brasil no meio de um fim de semana lotado de tênis. A ESPN mostrou o Torneio de Moscou, aonde Marat Safin chegou à final com a chance de terminar seu longo jejum de títulos – desde o Aberto da Austrália 2005 -, mas teve suas intenções encurtadas pelo compatriota Igor Kunitsyn que, aos 27 anos, conquistou seu primeiro título.

E não vale dizer que Safin jogou mal – foi o outro que jogou bem, inclusive nos momentos importantes e perigosos. Aos 28 anos, o moscovita bem que vem tentando, mas ainda não encontrou a forma que um dia o levou ao topo do ranking e a ser considerado, inclusive por mim, como um tenista tanto talentoso como perigoso, com capital para ser o melhor do mundo.

Na final de Viena, o francês Gael Monfils, sobre quem escrevi recentemente, também deixou escapar uma oportunidade, a de melhorar o seu recorde em finais – agora está em 1×5 – que era ruim e ficou péssimo. De qualquer maneira, Monfils entra nos Top 20 pela primeira vez. O título ficou com o alemão Philipp Petzschner, um tenista de 24 anos que veio do qualy, o terceiro na temporada depois de Nishikori e Simon.

No terceiro torneio da semana, em Estocolmo, o título ficou com o argentino Nalbandian, motivado com a chance de jogar a final da Copa Davis em casa e conseguir o primeiro título na competição para seu país. Uma velha história – Nalbandian motivado é um tenista excelente que vive abaixo de seus limites técnicos. Bateu na final o homem da casa, o perigoso Soderling.

Uma curiosidade em Estocolmo foi a conquista do torneio de duplas pelo sueco Jonas Bjorkman, a 53ª de sua carreira, com 700 vitórias e 19 diferentes parceiros. Pode-se dizer que o duplista, um dos mais atléticos da história, é um excelente “carregador”. Talvez seja o caso de dizer “foi”, porque o bem humorado sueco de 36 anos encerra sua vitoriosa carreira no fim da temporada. Esse é outro que vai deixar saudades.

No fim de semana também começou Madrid, o penúltimo Master Series da temporada, que junta todos os melhores do mundo em mais um tira-teima da temporada. Além dos conflitos entre Nadal, Federer, Djokovic e Murray, tenistas já classificados para Shangai, o torneio é mais uma chance para os que estão lutando pelas últimas quatro vagas do Masters.

Autor: paulocleto Tags:

quinta-feira, 9 de outubro de 2008 Sem uma categoria | 19:34

Bellucci, fãs e torcedores.

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Não chega ser surpresa nem novidade alguns torcedores importarem aspectos da cultura do futebol para o tênis. Talvez fosse o caso de se enxergar certa diferença entre torcedores e fãs e aceitá-los como tais.

Alguns ficam indignados com as seguidas derrotas de Thomaz Bellucci e outros encaram e percebem nuanças no fato. O rapaz perdeu seis partidas seguidas em Torneios da ATP e 15 das 19 partidas disputadas nesse nível esta temporada. Com certeza ele mesmo esperava mais. Ele ter conseguido manter-se entre os 100 – está de 80 – o ajuda a manter a estratégia de mesclar Challengers e ATPs, algo positivo nesse momento da carreira.

Thomaz ainda é um tenista em formação e nessa hora não adianta colocar a carroça na frente dos burros nem entrar em desespero. Ele tem feito boas partidas com os tenistas que freqüentam os ATPs – fez uma partida equilibrada na sua última derrota, para o Niemenem, um tenista regular, experiente e difícil. Isso mostra que tem tênis e técnica, mais falta o diferencial emocional.

Agora Thomaz volta para os Challengers, onde a pressão é outra, até porque ela existia também nos ATPs. Agora sabe que deve conquistar algumas vitórias por torneio, por estar jogando “abaixo” de seu atual padrão. Não se enganem, o padrão técnico de Bellucci é ATP Tour, é estar entre os 50 melhores do ranking e é se preparar emocionalmente para morder uma semifinal e vencer um ATP na temporada que vem.

Thomaz tem ótima envergadura, excelente saque, uma direita que caminha para ser devastadora. Não é segredo que também alguns aspectos técnicos para trabalhar e evoluir. Além disso, ainda tem que acertar seu temperamento. Tornar-se mais “pegador”, mais guerreiro e arrancar, na marra, algumas vitórias onde têm acontecido derrotas.

Assim que isso acontecer, a confiança em seus golpes vai saltar a olhos vistos e a confiança em seu jogo como um todo crescerá a um nível que poderá se tornar um prazer acompanhar sua trajetória. Porque é isso que um verdadeiro fã do tênis deve fazer.

Autor: paulocleto Tags:

terça-feira, 7 de outubro de 2008 Sem uma categoria | 18:33

Encruzilhada

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Sentado na Encruzilhada, talvez o meu canto mais emocional em Paris, com a compreensível exceção da Quadra Central de Roland Garros, mesmo que por razões diversas, passei o fim da tarde realizando um dos meus programas favoritos na cidade. Usufruindo da hospitalidade de um café parisiense, tomando um Kir de vinho Sancerre, olhando o mundo, especialmente o feminino, passar à minha frente, numa alternância de pressa da parte delas e deslumbramento, de ambos, também por diferentes razões, em um lugar mágico e único.

A Encruzilhada é uma pequena intersecção de ruas charmosas no coração de St Germain, meu quartier favorito da cidade. Nele se encontram a ruas Buci, Mazarin, Dauphine, St Andrés dês Arts e L’Ancienne Comédie. Os carros não são bem vindos e a Buci é de fato vedada a eles, apesar de que vez em quando um deles se esgueira por entre os pedestres que invadem o asfalto.


Eu pensando na vida

Foi ali, de pé no meio desta rua, olhando o casaril centenário, maravilhado com flanar eterno das pessoas, inalando os encantadores odores da feira perene, da floricultura na calçada, dos restaurantes servindo seus filets com fritas, das padarias soltando seus pães quentes e as pâtisseries me tentando dia e noite, que eu decidi, muito tempo atrás, que um dia voltaria a esta cidade sem estar envolvido com algum tipo de trabalho.

Não se pode exigir que a vida nos entregue tudo exatamente como se quer ou planeja, mas quando um sonho se realiza é sempre uma satisfação, mesmo que uma fria pontinha de tristeza venha bater em no cangote por conta das imprevisibilidades da vida.

Aproveito para passar os olhos no jornal, onde leio que Roger Federer não perdeu tempo depois de pular fora do Torneio de Estocolmo esta semana. Fugiu do frio que começa a açoitar capital sueca, assim como a francesa, e foi se refugiar nas brisas quentes do Dubai, seu recanto favorito e aonde vem passando seus momentos de férias e de treinamento. A notícia do jornal pouco fala do tênis ou das razões que levaram o suíço a sair de um torneio onde estava escrito.

O jornal conta, com detalhes, a visita de Roger a um joalheiro local, acompanhado da namorada Miroslava, onde pediu para ver mais de um anel, inclusive um com um diamante de 60 quilates, o mais caro da loja, e outro, rosa e com 16 quilates, segundo informou o indiscreto dono da lojinha.

Será que o tenista é simplesmente um curioso ou o casal tem planos para levar o relacionamento ao próximo nível? Vi aqui na França um ótimo e extenso documentário com o suíço, onde ele diz, com todas as letras, que Miroslava é responsável por levá-lo pela mão pela passagem de garoto para homem, em todos os sentidos. Mais cedo ou mais tarde, de um jeito ou de outro, um homem tem que fazer o que ele tem que fazer. E o que, está sempre dentro de seu coração.


Ao contrário do que afirmava bond, diamantes não são eternos

Autor: paulocleto Tags:

domingo, 5 de outubro de 2008 Sem uma categoria | 11:42

Conflitante, porém é assim.

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Em um dos dias que fui jogar nas quadras do Centro de Treinamento de Roland Garros, estava por lá treinando Gael Monfils, jovem francês, de 22 anos, e talvez a maior esperança local para vencer Roland Garros. Porque o Simon ou o Mathieu é que não serão os que vão acabar com a secura do pessoal.

Alguns acham que o Gasquet ou o Tsonga possam levar. Desses todos, só acredito em Monfils ou Tsonga. O Gasquet tecnicamente até poderia, mas a cabecinha… – precisariam ressussitar o Lacan.
O Tsonga tem 23 anos e começou a se entender no circuito esta temporada, especialmente após sua participação no AO. Mas tem sofrido com contusões e inconstâncias e seu piso favorito não é o saibro. Mas eu não apostaria contra ele e até torço que venha a ser o cara.

Monfils seria a aposta – vamos deixar claro que não estou colocando um euro sequer no rapaz, especialmente depois do rapa aprontado pelos bancos americanos. O francês é um dos mais mascarados do circuito e quando um leitor me pediu para listar os tenistas arrogantes do circuito atual o nome dele foi um dos que me veio à mente.

Talvez ele tenha o necessário para vencer na sua própria casa. Porém, para realizar tal feito terá que comer o pão que o diabo amassou, fazer severas mudanças na sua mentalidade e colocar o tênis como sua maior e única prioridade. Além de buscar ajuda.

Quem poderia ajudá-lo seria Yannick Noah. Mas este está morando em Nova York e não quer saber de nada. Pelo background cultural e étnico poderia fazer uma boa e necessária influencia no Monfils, além de conhecer o caminho das pedras.

O jovem francês é daqueles que se acham reis da cocada preta e por isso continua jogando abaixo de suas capacidades reais, o que é o crucial para o assunto. À parte disso, sem necessariamente influir no assunto, tem, vamos dizer assim, certa ausência de caráter exemplar em quadra. Se pudesse expulsava os juízes e marcava as linhas ele mesmo. Ainda não descobriu que a maneira de se sobrepor e ser um campeão em quadra é outra – vide Nadal e Federer – e isso tem tudo a ver com o assunto.

Mas é extremamente atlético, no que me lembra o Noah. Infelizmente, para ele, as comparações param por aí, se esquecermos que os dois são negros. Tem bons golpes de fundo de quadra, sabe volear e definitivamente sabe sacar. Além disso, essa sua personalidade, esse seu jeito um tanto bagaceiro, lhe dá também ferramentas para ser um vencedor em quadra, quando não está tropeçando na própria personalidade. Pode parecer contraditório. De fato, e é exatamente assim que funciona.

Só teria que ser capaz de colocar em quadra seu melhor tênis, e todas as mudanças positivas necessárias, durante sete jogos e quinze dias de uma primavera parisiense nos próximos anos. No dia que o vi treinar com seu técnico, o australiano Roger Rashid – porque na França não tem ninguém bom os bastante!? – o banco de sua quadra estava repleto com um bando de “manos” – os amigos dele.

Após o treino, enquanto eu esperava a chuvinha impertinente dar uma folga, assisti ele e seu pessoal sair do centro de treinamento. Gael e seus manos saíram pela esquerda, com fones de ouvido, falando alto, em direção a um carrão. O técnico Rashid saiu pela direita, só, todo encolhido pela garoa.

Enquanto olhava o grupo indo pela esquerda e o técnico pela direita algo me pareceu claro na minha mente. Enquanto esse cara não der um pé na bunda dos manos e sair pela direita com o técnico, ele não vence aqui – nem que a Torre Eiffel crie pernas e saia caminhando.


Gael Monfils em Roland Garros – precisaria focar para ganhar

Autor: paulocleto Tags:

sexta-feira, 3 de outubro de 2008 Sem uma categoria | 19:03

Bate bola em Roland Garros

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Hoje fui novamente a Roland Garros bater umas bolinhas para me divertir e manter a forma – afinal, come-se bem por aqui e tenho sérios adversários a enfrentar na minha volta.

O meu parceiro de hoje foi o ex-tenista Patrice Dominguez. Como a maioria dos leitores é amadora no que se refere ao tênis, além de estarem mais familiarizados com o tênis atual, vale uma introdução.

Patrice tem 58 anos, dois a menos do que eu, jogou o circuito nos anos setenta e chegou a #36 do ranking mundial. É Diretor Técnico Nacional, principal cargo técnico da Federação Francesa, que é uma potência imensurável no nosso padrão, foi o diretor do Aberto de Monte Carlo durante anos, trabalha como comentarista de TV francesa há duas décadas e preside o tênis competitivo na França.

São cerca 80 mil partidas de diferentes classes infanto-juvenis por ano, aproximadamente 400 tenistas juvenis e 40 técnicos sob sua supervisão – os tenistas bancados e os técnicos assalariados – além de toda a estrutura de formação, assistência a tenistas em transição e a profissionais. Nestes últimos, os homens sob a supervisão de Cedric Pioline e as mulheres de Georges Goven. Goven também da minha idade e Pioline, 39 anos, foi #5 do mundo e, durante um tempo, treinado pelo meu pupilo Carlos Kirmayr.

Jogamos indoors, nas quadras subterrâneas de Roland Garros – a temperatura de 13º afugenta, além do que todo o pessoal em treinamento está no meio da temporada indoors. As quadras de saibro, onde se joga Roland Garros, estão praticamente abandonadas e “adormecendo”. Uma ou outra são usadas por amadores. As principais descansam – serão refeitas após o inverno.

Nosso bate-bola, tudo de bom, foi bem corrido, pelo menos para nossas velocidades. Como disse Pioline, que passou um tempo curtindo nosso joguinho, estamos muito mais no tempo de jogo dele – que joga uns poucos Masters por temporada – do que os nossos vizinhos que batem sem dó nas bolinhas.

Quem de fato nos fez companhia em quadra foi Patrick Proisy que, para quem não sabe, foi vice-campeão em Roland Garros em 1972, perdendo a final para o espanhol Andrés Gimeno. Conheço Proisy desde 1966, quando jogamos o Orange Bowl. Ele formava o time francês com Goven, outro amigo, que estava por aqui estes dias e foi ontem para o Japão com suas meninas. Fiquei sabendo que três dias atrás Amelie Mauresmo, 29 anos e ainda sofrendo as conseqüências de uma apendicite, se separou de seu técnico de seis anos, Loic Courteau.

Vou continuar pedalando bastante pela cidade, que é um programão, percebi, manteve a força das minhas pernas, e na próxima terça-feira volto para a minha derradeira partida nas quadras de Paris.
Coloquei isto tudo para dar uma perspectiva ao post anterior e seus comentários.

Nas breves conversas com Dominguez sobre a Federação, uma montanha de informação me é despejada. Alguns números eu lembro a maioria não – conforme ele vai falando a minha agonia e estresse atinge níveis incontroláveis e talvez eu prefira obstruir. A realidade entre a federação e, consequentemente, o tênis deles e o nosso é indescritível e frustrante.

Alguns números do ano passado: a federação realizou 2 milhões de partidas, em todos os níveis, em 10.449 torneios, tem 1 milhão e cem mil tenistas inscritos em 8.515 clubes com 33.400 quadras, 13 mil professores de iniciantes e 562 mil infanto-juvenis inscritos!
Nem sei quantos eventos profissionais – futures, challengers – fazem. Sei que são cinco grandes, entre eles um Masters Series um Grand Slam.

A principal, porém não única fonte de renda da Federação Francesa é Roland Garros, que fatura 150 milhões de Euros e deixa um lucro de 50 milhões a cada evento. Destes, 17 milhões vão para o departamento de Dominguez, que é bem amplo, não vou nem explicar, para formar novos valores. Eles têm 11 homens e sete mulheres entre os 100 melhores do ranking.

Nossa confederação é inexistente em termos de formação de jogadores e temos dois brasileiros entre os 100 – o Thiago está chegando lá. Quando mencionei a Patrice as maravilhas de ter tal orçamento, ele respondeu que existem metas e cobranças. Mas que a diferença para todos os envolvidos – o Grande Nirvana – seria um deles, mulher ou homem, vencer ali, e apontou com o queixo a Quadra Philippe Chatrier – eles não vencem desde Yannick Noah em 1983. Senti um sorriso amenizando minha face, que tentei esconder, e pensei; o Guga venceu três!


Quadra Central de Roland Garros descansando


Os três Ps – Proisy, Cleto e Dominguez

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008 Sem uma categoria | 19:19

Torneios fora de mão

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O leitor Gustavo quer saber minha opinião sobre os principais eventos tenisticos – Aberto do Brasil no Sauípe, e Copa Petrobras em Aracaju estarem longe dos olhos dos principais centros, onde está a maioria dos tenistas.

Acredito que o Brasil Open não deva acontecer na Bahia por muito mais tempo. Acredito até, que se a escolha fosse dos organizadores eles o realizariam em São Paulo ou Rio. Mas o principal patrocinador do primeiro, o Banco do Brasil, tinha interesses no Sauípe e Aracajú também é escolha do patrocinador.

Não é só aqui que eventos são realizados em resorts, como o Sauípe, e longe dos grandes centros. Itaparica já era assim. Indian Wells é um exemplo, apesar de que pela magnitude do torneio conseguem atrair o publico do sul da Califórnia. Eles são bancados pela prefeitura local, riquíssima. Kitzbuhl é outro. São vários. Como seus tenistas conhecidos disseram, para eles é confortável – fica tudo perto e à mão, é quase uma semana de lazer bem pago, apesar de estranharem a falta de público.

Talvez isso fosse diferente se quando os torneios acontecessem em São Paulo o público não deixasse de comparecer, como aconteceu anteriormente, por conta de acharem os ingressos caros. Mas que os promotores preferiam, e de certa maneira também os tenistas, não tenho dúvidas. Mas grandes torneios são eventos muito caros e alguém precisa pagar a conta. Se o paulistano, ou carioca ou outros, não pagam, o patrocinador, quando encontrado, o que não é nada fácil, paga e leva para onde quer.

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quarta-feira, 1 de outubro de 2008 Sem uma categoria | 16:21

Circuito sob medida

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Desde os tempos que escrevia no Jornal da Tarde e no O Estado de São Paulo aprendi uma coisa. Eu escrevo o que quero, mas muitos lêem ali o que querem. Traduzindo, eu posso escrever algo que alguns entendem seja lá o que for. Na verdade, aprendi que isso é um fato também em conversas. Já vi gente brigando, apesar de estarem dizendo a mesma coisa – se simplesmente “ouvissem” ao invés de “sentirem” em cima do que acham que os outros dizem, talvez tivéssemos menos confusões. Em italiano a palavra “sentire”, pode ser tanto “ouvir” como “sentir”, o que sempre me intrigou e talvez explique tanta confusão.

Como já disse em resposta a um comentário, a minha perspectiva sobre o tênis é longa e histórica. Não entrei no esporte em 1997, quando Kuerten venceu RG, nem o mês passado. Eu disputei meu primeiro Campeonato Brasileiro Infantil em 1959 – são quase 50 anos.

Há coisas no tênis que são padrões que se repetem e há fatos que são únicos. Estou aqui para passar meu ponto de vista que teoricamente é de alguma maneira abalizado. Se não eu não estaria aqui e nem vocês apareceriam. Leiam, comentem, acrescentem, criem se quiserem, mas não afirmem o que eu não afirmei.

O post anterior era uma introdução ao fato da Copa Petrobras, que é o maior circuito Challenger da América Latina, estar mais uma vez de volta ao Brasil. O evento, um remake de diferentes circuitos que a America Latina já teve – começando com a Copa Marlboro nos anos setenta e a Copa Ericsson uma década atrás. A Copa Petrobras é o amadurecimento de todos eles, levando em conta a realidade do continente, oferecendo a tenistas e ao público uma ótima opção de se jogar e assistir a bons torneios profissionais.

O único senão do circuito para mim, uma visão um tanto egoísta, mas realista, é que nenhum dos torneios aconteça em São Paulo. Eles acontecem em Bogotá, Aracaju, Assunção, Montevideo, Buenos Aires e Santiago. Todos jogados em saibro, o que também respeita a cultura tenistica local.

O circuito é excelente para os tenistas, aqui penso mais nos “locais”, adquirirem pontos, prêmios, experiência e confiança, tudo no cenário mais favorável pelas circunstâncias geográficas e culturais. Acreditem isso faz uma boa diferença.

Complementando o post anterior, a característica da Copa seria a de preparar o tenista para a próxima fase do circuito, a do circuito ATP, e não a de servir de berço esplendido. Uma legião de tenistas, argentinos especialmente, e brasileiros, como Kirmayr, Motta, Meligeni, Oncins, Mattar, Hocevar e Kuerten, entre outros brasileiros e sul americanos, o fizeram e alavancaram suas carreiras.

O jogador precisa de ambição e metas claras para encontrar dentro de si forças para trabalhar no nível durissimo que o progresso na profissão exige. Um circuito como a Copa Petrobras é excelente para colocar o tenista em face com a realidade e assim poder realizar, junto com seu técnico, o necessário para as melhorias necessárias que o levarão ao próximo nível. Quem ganha também é o público, com a oportunidade de acompanhar esse crescimento individual e o conflito que o confronto entre diferentes tenistas do mesmo nível oferece.

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