Em um fim de semana onde Federer, Nadal e Djokovic foram as estrelas, vale a menção de outras figuras que também brilharam.
A russa Dinara Safina aguentou o rojão e honrou a recém conquistada posição de 1ª do mundo ao vencer o Torneio de Madrid. Nunca é fácil ter que se provar em quadra, especialmente quando todos os olhos e cobranças estão na sua direção. A moça talvez tenha menos talento natural que o irmão, mas vai provando que tem mais estabilidade emocional.
Safina ganhou o título batendo a jovem beldade dinamarquesa de origem polonesa, Caroline Wozniacki, de apenas 18 anos. Esta já está entre as top 10 e quem tiver boa memória lembrará que eu escrevi e comentei na TV sobre seu futuro promissor – ele chegou.
Outra menção honrosa do fim de semana é o gaucho Marcos Daniel que conquistou o Challenger de Zagreb. O rapaz pode não se dar bem nos ATP Tour, mas encara qualquer um nos Challengers. Interessante tambem como Daniel prefere ter seus melhores resultados no exterior, já que, teoricamente, isso é mais difícil. Ele volta a estar entre os top 100, único brasileiro por lá, já que o Bellucci despencou.
Outro gaúcho, Marcelo Demoliner, 20 anos, apareceu para o público ao vencer o Challenger de Blumenau, cacifando nas vantagens de jogar em casa. Vale mencionar que na final aplicou um contundente 6/1 6/0 no veterano Rogério Silva, e que ficou também com o título nas duplas. Até Blumenau, Marcelo, que é sacador, havia ganhado somente duas partidas em Challengers. A nossa torcida é que pegue gosto pela coisa.
Caroline já é top 10 Demoliner, a primeira vitória.
O que eu queria saber é o seguinte: será que o Federer está disposto a sujar a roupa, e o corpo, de terra para finalmente vencer Roland Garros, igualar o recorde de Pete Sampras e lutar para voltar ao topo do ranking??
Dinara Safina, #1 do mundo, testa o saibro de Roma.
Mais uma vez um leitor do blog comparece em um dos torneios internacionais e nos brinda com texto e fotos de sua aventura. E mais uma vez, em meu nome e dos leitores, agradeço a atenção, o esforço e o tempo. Parabens. Abaixo o Aberto de Roma de José e Tâmara Estelita:
Do Foro Romano ao Foro Itálico
Caro Paulo Cleto,
Como bem sabes, este final de semana estou em Roma com minha esposa Tâmara. Chegamos no sábado à tarde, e fomos logo descobrir a beleza e a história milenar do Coliseu, Palatino e Foro Romano. Ao anoitecer, fomos a Fontana de Trevi, onde joguei uma moeda e meu desejo foi conseguir ingressos no outro dia para a grande final do Master 1000 de Roma, pois já estavam esgotados pela internet há algum tempo.
No domingo pela manhã, abro o jornal e encontro a seguinte manchete: “Roger Federer non è pui il maestro del tennis mondiale”. Mais emblemática impossível, e a final seria entre Rafael Nadal e Novak Djokovic.
Após algumas visitas a outros monumentos históricos, pontualmente ao meio dia, estávamos na Praça de São Pedro, magnífica obra de Bernini, junto aos milhares de fiéis, esperando a benção do Papa. Bom, advinha qual foi um dos meus pedidos!?
De lá, foi só pegar um ônibus e chegar rapidinho ao Foro Itálico, onde se realizaria a grande final. Logo na bilheteria um cartaz quase tirou minhas esperanças: “Finale Masc. Sold Out”. Mas antes que eu pudesse pensar alguma coisa, uma senhora me ofereceu para comprar ao preço de custo, seus dois ingressos da Tribune Distinti Tevere, para a grande final. Milagres acontecem, ainda mais em Roma!
“Il primo piatto” a final masculina de duplas entre os Bryan brothers x Nestor/Zimonic e “il secondo piatto” a de simples entre Nadal x Djokovic. O interessante é que teve sérvio nas duas partidas. Dois jogos, duas histórias.
A quadra central é magnífica, com arquibancadas de mármore, que recebem o complemento das de alumínio especialmente para o torneio. Como os jogos de duplas não são televisionados, não estamos acostumados a vê-los no dia a dia, no nível top, e o jogo se tornou bastante interessante. Os pontos são extremamente rápidos, praticamente não há troca de bolas, e não existe vantagem na igualdade, o que torna o jogo bem mais rápido ainda. Acho que os caras nem suam. Bom, deu Nestor/Zimonic em 2 sets a 0. Bom sinal para a Sérvia?
Já na final de simples, a quadra estava completamente lotada. Rafa Nadal entrou ovacionado, mas Djokovic também teve muita torcida. Nadal começou com tudo, como sempre, conseguindo logo uma quebra, e sacou para fechar o set no 5×4 e no 6×5, mas incrivelmente falhou nas duas, e o 1o set foi para o tie-break, com vitória de Nadal por 7 x 6 (2). É incrível como apesar do set ter sido equilibrado, Nadal parecia sempre com o controle do jogo, e Dojokovic sempre correndo atrás.
Era nítido que quando os pontos se alongavam Nadal levava sempre vantagem, restando a Djokovic ser 100% agressivo, para tentar encurtar os pontos e neutralizar a superioridade do espanhol. O problema é que a bola dele é muito reta, sem ângulos, sempre no meio da quadra, bastando que Nadal dê um ou dois passos para o lado para bater na bola, sempre tentando angular, procurando as linhas, deslocando Djokovic, tal qual um pêndulo, para um lado e para o outro. E isso cansa o adversário.
E não deu outra, no 2 o set, com duas quebras, o número l do mundo vence pela 4a vez o Master 1000 de Roma, ultrapassa o número de Master 1000 de Federer e segue em busca de novos recordes. E nós saímos com um troféu de Roma!
Eu não sei como terminou a transmissão do jogo na TV, então para registrar, após a premiação a cerimonialista perguntou a Nadal duas coisas:
- Se você jogar uma moeda na Fontana de Trevi, qual seu pedido?
- Nadal: isto é segredo! (Eu pediria o GS em 2009!)
- Qual seu artista italiano preferido?
- Nadal: Bernini. (Uma escolha perfeita!)
E para Djokovic ela pediu que ele imitasse Rafa Nadal. Com a permissão do Rei de Roma, foi prontamente atendida.
Abraços Cleto e amigos do blog.
Até a próxima! Da Cidade Eterna,
José Estelita.
Abaixo, José e Tâmara com o troféu, no Coliseum e no Fora Itálico.
A maior razão do tremendo sucesso de Roger Federer com os tenistas – atenção, eu escrevi tenistas e não fãs do tênis – é a maneira clássica como ele joga o nosso esporte. Óbvio que não estou considerando a lista de títulos que o rapaz pode colocar na mesa a qualquer hora.
Existiu uma época que tenistas com esse estilo e plasticidade não eram tão raros como hoje. Isso foi antes do tal tênis-força tomar conta do circuito. Já que esta semana se joga em Roma e um dos leitores pediu, escrevo algumas linhas sobre Adriano Pannata, um dos dois maiores tenistas italianos da história – o outro sendo Pietrangeli, que não por acaso teve a ex-quadra principal do Foro Itálico renomeada com seu nome. Os italianos não têm um bom olho para a beleza só em moda e arte.
E se fosse para escrever só sobre estilo e plasticidade, Pietrangeli apareceria antes do que Panatta.
Adriano era filho do homem que tomava conta das quadras de um clube em Roma, aprendeu olhando e aos 14 anos foi para um centro de treinamento da confederação italiana perto de Nápoli. Isso nos anos sessenta, o que nos coloca 50 anos atrás deles, já que não temos um até hoje.
Além do enorme talento e habilidade, era alto para a época e tinha bastante força e agilidade. Seu jogo era de saque e rede, mesmo no saibro, piso que, ironia, se dava melhor do que nas rápidas. Seus confrontos com tenistas contra-atacadores como Borg e Connors se tornaram históricos e marcantes. Com Borg jogou 15 e venceu 6. As mais memoráveis foram a final de Roma em 78, com o sueco vencendo no quinto set e nas quartas de Roland Garros em 76, ano que o italiano venceu o torneio.
A final de Roma foi épica, com Borg ameaçando se retirar da quadra se o publico não parece de jogar as moedas de 100 Liras na sua cabeça. Ele me disse que cada uma ardia como uma picada de abelha. O sueco foi até o juiz e lhe disse: repita exatamente o que eu lhe falar; “se jogarem mais uma eu vou embora”. Mas foi só depois que Adriano sinalizou que o público parou – com as moedas, porque os apupos, barulhos, xingamentos e roubalheiras continuaram. Borg me disse que ganhou só de marra.
Com Connors a conta foi pior. Sete vitórias do americano contra duas derrotas. A grande partida foi uma terceira rodada no U.S Open, onde Connors jogava muito e Panatta queria muito uma vitória. A partida foi decidida em 7/5 no quinto set para o americano e deixou o italiano famoso nos EUA já que televisionada na integra.
Panatta ainda levou a Itália quatro vezes à final da Copa Davis, o que conta mais para os italianos que qualquer título de Roland Garros. Infelizmente, para ele, só venceu a primeira, em 1976, contra o chilenos, infelizmente para estes.
Panatta abandonou o circuito em 1983. Como ícone do tênis italiano foi capitão da Davis durante 15 anos. Ele era o capitão quando o time por mim capitaneado bateu a Itália em Maceió, uma boa memória. Foi também técnico geral da federação italiana e diretor do Aberto da Itália. Hoje gosta de correr em speedboats e foi campeão mundial da categoria em 2004.
Fora da quadra sempre era muito arrogante e talvez por isso não tenha sido ainda maior – chegou a 4º do mundo, em uma época cheia de Borgs, Connors, Vilas, Nastase etc. Teve lá seus podres na vida, andou com gente errada e só não sujou seu nome de vez porque a Itália, ao contrário de alguns países, sabe cuidar de sua história e ídolos. Mas esse não é o assunto, até porque senão isto ficará longo demais.
Vale dizer que sempre valeu a pena interromper treinos e refeições quando eu estava no circuito para assisti-lo jogar. Tinha uma das esquerdas mais bonitas e eficientes do tênis. Batia flat e com slice – não usava o topspin, e mandava muito com ambas. Sua bola andava barbaridades e ainda usava raquetes de madeira Maxply Dunlop. Na rede era um gato e executava voleios como poucos; tanto com força, como colocados, angulados e acariciados. A ATP devia tornar mandatório à molecada assistir os antigos vídeos de tenistas como ele para ver se os caras de hoje aprendem. É isso.
Vocês já se perguntaram o que os tenistas e seu staff fazem quando não estão em quadra ou sentados jogando cartas e falando de mulheres? – por favor, não se esqueçam que a testosterona corre solta no sangue de atletas em seus auges!
Bem as opções não são muitas, já que a vida deles é regrada e focada. E como o staff acaba sendo as pessoas mais próximas, pelo menos quando as mulheres não estão por perto, a vida é compartilhada em detalhes.
Vai mal! Pela segunda vez na temporada a Copa Davis é manchada por cores políticas. Primeiro, foi a Suécia fechando as portas do estádio para o confronto contra Israel. Ruim, mas até entendo. Na avaliação deles, não distante da realidade, a emenda seria pior do que o soneto. Os protestos dentro dos estádios poderiam interromper os jogos de vez.
Agora os australianos esnobam os indianos, afirmando que a cidade de Chennai não oferece segurança para o confronto, por ser época de eleições e a existência do receio de confrontos.
Se fosse assim, o Brasil não poderia ter ido à Buenos Aires nos anos setenta. Não tinha eleições, mas tinha Tupamaros, metralhadoras no hall do hotel e no clube e uma eterna paranóia no ar. Não teria ido ao Peru, onde o governo local nos obrigou a andar, para cima e para baixo, com cinco seguranças armados de metrancas, inclusive nas portas dos quartos, para evitar assédios inesperados dos Senderos. Sempre soubemos dessas realidades, riscos e encaramos com tranqüilidade. Mesmo quando bombas explodiam em um baque surdo perto das quadras e o silêncio momentâneo que vinha das arquibancadas era maior do que o de qualquer quadra central mundo afora.
Os países do chamado primeiro mundo sempre tiveram uma posição arrogante com países em desenvolvimento, inclusive nos esportes. A cada vez que um deles vinha por aqui começavam as pressões e acusações veladas. Os casos são muito numerosos para começar enumerar. E não eram só com o Brasil. O que a Austrália fez, e está fazendo, é isso, além de uma ofensa à Índia.
Os australianos decidiram que não vão a Chennai e a FIT está prometendo multa e suspensão, já que analisaram e concluíram que as condições de segurança são as necessárias. Os que mais pressionaram foram os tenistas, especialmente Lleyton Hewitt – e isso deve ter contado muito na decisão da federação australiana de dar o default.
Só que já falam em suspensão de 12 meses, o que é pouco, por ser só uma temporada. Tinha logo que suspender uns dois anos e mandá-los para a terceira divisão da Oceania, onde da próxima vez teriam que ir jogar lá pelos lados da Indonésia para ver o que é bom para a tosse.
Já que o pessoal é chegado um filminho – e quem não é? – ofereço dois filmes onde o tênis teve alguma participação e que tiveram um significado especial para mim. É óbvio que a lista de filmes onde o tênis é um personagem é mais extensa, mas esta é a minha lista de agora.
Blow Up. Um cult dos anos 60, dirigido por Antonioni, baseado em um conto de Julio Cortazar, com Vanessa Redgrave e Jane Birkin (que se vocês desconhecem preparem-se para cortar os pulsos e nunca mais falar mal da cultura de tenistas) tendo suas roupas arrancadas por David Hemmings, que fazia o personagem inspirado no fotografo David Bailey. Para quem gosta de música, uma cena em um bar londrino onde os Yardbyrds (Jimmy Page e Jeff Beck) tocam, Beck arrebenta a guitarra e a joga para o público. Clássico!
A cena do tênis, imperdível e inesquecível, foi filmada com Marcel Marceau, o maior dos mímicos (o mesmo raciocínio do parêntese acima) e sua trupe. Anos mais tarde eu ia Clube Harmonia e encontrava um famoso arquiteto paulistano “batendo” paredão sem raquete e sem bolinha e me lembrava de Marceau. Um prêmio para quem encontrar a cena no internet.
Annie Hall. Porque é um dos meus filmes favoritos e o melhor de Woody Allen. O casal se conhece jogando uma duplinha em um parque em Nova York. A melhor cena, que me lembro desde o lançamento em 1977, é a da cozinhando a lagosta na cozinha. Ela para sempre me marcou o que é imprescindível em um relacionamento. Além disso, nós precisamos dos ovos.
Woody armado e amando.
E para quem não conhece Marceau, uma introdução ao som de Carlos Gardel
Marcel Marceau, joga tênis, em Blow Up – cortesia do nosso Matteonni.
Os leitores, os que estão sempre sonhando em acompanhar um dos grandes torneios do circuito, podem imaginar em uma das noites darem uma escapadinha ao cinema e se descobrir ao lado de uma das estrelas do circuito?
Para que tal aconteça é bom vocês terem uma idéia do que eles preferem ver na tela. Para isso não escolham um filme cabeça, senão o único que encontrarão por lá será Ivan Ljiubicic. Nadal adora filmes em geral, especialmente os espanhois. Federer adora os de ação, tipo Rambo, James Bond e “Dirty Dancing”. Gonzalez confessa que pensar lhe dá sono. Murray curte o humor bagaceiro dos irmãos Farrelly. Roddick adora “Um sonho de liberdade”, o filme mais popular da história. Sam Querrey sabe todas as falas de “Um maluco no golfe”.
Boa parte prefere comédias. Mas o favorito mesmo é o Gladiador, o que nos diz bastante de como esses atletas se vêem. Acompanhem abaixo.
A Gillette lançou mais um de seus comerciais usando alguns de seus esportistas contratados. Desta vez Henri e Kaká estão fora. Permanecem Tiger Woods e Federer. Entra Derek Jater. Quem?
Para quem não conhece, é o capitão dos Yankees, time campeão do baseball americano e o macho-man das indóceis americanas. Assistam o vídeo abaixo e vejam se o cara merece a lista de “abatidas” que consta de seu portfólio: Scarlet Johansson, Jessica Biel, Jessica Alba, Mariah Carey entre várias outras, o que retoma as suspeitas sobre o que as mulheres procuram.
Antes que eu me esqueça, a razão do vídeo estar aqui. É só uma continuação da fase do grande Roger Federer ou há alguma coisa no video que eu não pesquei? O cara me entra de blazer para receber a taça em Wimbledon e me faz um personagem destes. Fala sério!
Como mencionei que faria, e fiz anteriormente, segue o email que recebi do leitor Andre Vinicius Tschumi que esteve in loco no Torneio de Monte Carlo. O email veio com a descrição do seu dia no torneio e as fotos para comprovar.
Olá pessoal!
Nesse domingo fui à Mônaco assistir a final do Masters 1000. Se algum dia tiverem vocês a oportunidade de visitar essa região, não deixem de fazer a linha de trem Nice-Mônaco. O passeio é curtinho, uns 25 minutos, mas proporciona belíssimas imagens. A linha de trem vai cortando os morros à beira-mar da Riviera Francesa e quando o trem faz suas rapidas paradas nos vilarejos, ganhamos uns segundos para admirar com calma um cenário fabuloso. Mônaco é a maior e mais luxuosa cidade da Rivera Francesa. As ruas e prédio absolutamente limpos e cuidados à perfeição, o cassino, os iates e os fabulosos carros esportivos inseridos numa paisagem privilegiada tornam Mônaco a mais perfeita conciliação entre luxo, charme e beleza natural que eu ja vi. E o Monte Carlo Country Club reproduz muito bem essa atmosfera. Se o jogo estivesse ruim(o que definitivamente não foi o caso dessa final), bastava erguer um pouco a cabeça para desviar os olhares da quadra e comtemplar o Mediterrâneo com seus belos iates e as colinas que entremeiam o mar. Enfim, entrar na quadra principal do Monte Carlo Country Club, independentemente da partida de tênis, ja é um espetáculo por si só.
Falando um pouco sobre a partida, o score de cada set não retrata o que foi o jogo. Apesar do placar indicar sets vencidos com boa margem de games, principalmente os dois sets vencidos pelo Nadal tiveram muitas variações. O primeiro foi um tanto bizarro: o Nadal saiu quebrando o Djoko logo no primeiro game. Em seguida o sérvio vence três games seguidos, incluindo duas quebras de saque. Depois o Nadal atropela o Djoko, vencendo 5 games consecutivos e fechando em 6/3. Tamanha irregularidade se explica (em parte) pelo clima. Choveu em Mônaco pelo final da manhã, o que tornou a quadra ainda mais pesada. Além disso ambos os jogadores estavam com um bom timing nas devoluções e falhando um pouco (Nadal) ou bastante (Djokovic) no saque. Por isso tivemos tantas quebras de saque. E no segundo set o Nadal saiu um pouco do jogo,c ometendo bem mais erros do que o de costume. Bem, parece que os dois jogadores guardaram o seu melhor para exibir no inicio do terceiro set.
Os três primeiros games do 3° set valeram o ingresso do jogo. O primeiro break-point salvo pelo Nadal no primeiro game desse set foi algo magnifico!!! Um dos pontos mais lindos do tênis que eu ja vi. Alguém conseguiu contar o numero de trocas de bola desse ponto? No final do ponto o Djoko da uma curtinha (que nenhum jogador normal conseguiria chegar) e depois fica meio perdido na rede, achando que o ponto ja estava ganho. Nadal responde com uma bola cruzada cuja reação do sérvio foi se ajoelhar sobre o saibro e levar a mão a cabeça em absoluto desespero, não acreditando no que acabava de ver.
No game seguinte, apos uns erros de Djoko e o placar no iguais, Nadal eleva o seu jogo e consegue uma passada brilhante e logo depois a quebra. No terceiro game ele ainda salva um break-point antes de ser quebrado por um Djoko muito agressivo e focado. Mas então, sacando em 1 x 2, o sérvio comete um erro mortal: depois de 3 games muito longos e intensos, Novak baixa um pouco o nível. Foi o suficiente para o espanhol conseguir nova quebra. Vendo o Nadal sacar com 3 x 1 no set decisivo, Djoko não conseguiu mais voltar a jogar em alto nivel, permitindo a Nadal vencer com relativa facilidade os ultimos games da partida.
A impressão que fica, após o jogo, é que o sérvio possui o arsenal necessario para jogar de igual para igual contra o Nadal no saibro e mesmo derrota-lo nesse piso. Entretanto, o Djokovic mostou o mesmo problema que o Federer quando esse perdeu a final de Monte Carlo no ano passado: simplesmente ainda não existe no circuito um jogador que reuna o conjunto “arsenal técnico” + “poder mental” durante o tempo minimo exigido para bater o Nadal numa quadra de saibro. Nesse piso, Djokovic, Federer e Murray conseguem incomodar o espanhol durante uma parte do jogo, mas não tem a consistência durante todo o tempo necessario para arrancar 2 sets (ou 3 no caso de RG) contra o Nadal. Será que um dia eles apresentarão tal consistência? Enquanto debatemos essa questão, Rafa caminha a passos largos para se tornar o maior jogador de saibro de todos os tempos.
Foto 1: Paisagem da Riviera Francesa, na linha de trem entre Nice e Mônaco.
Foto 2: Zona de “recreação” do Monto Carlo Country Club, do ladinho da quadra central.
Foto 3: Discurso do Nadal após receber o troféu de campeão das mãos do Príncipe Albert.
Foto 4: Eu, momentos antes do inicio da final.
“O titular do blog agradece a participação do André, assim como reintera o convite para futuras aventuras dele e de vcs.”
Foi técnico de jogadores como Luiz Mattar, Jaime Oncins, Carlos Kirmayr e Cássio Motta. Dirigiu a equipe brasileira na Taça Davis durante 17 anos e a equipe olímpica em Seul, Barcelona e Atlanta. Foi chefe da equipe no Panamericano de Winnipeg e técnico de equipes juvenis brasileiras campeãs Sul-Americanos e Mundiais.