Porque O Tênis. | Paulo Cleto

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domingo, 12 de maio de 2013 História, Masters 1000, Porque o Tênis., Roland Garros, Tênis Masculino | 19:33

Imaginação

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É um privilégio. Entre tantos na minha vida, ter visto os dois maiores tenistas sobre a terra vermelha, distantes uns 30 anos à parte, é um dos privilégios tenisticos que me fazem sorrir. Assisti inúmeras vitórias borguianas em Roland Garros, assim como em outros cenários do tom vermelho, como assisti inúmeras peripécias naldanianas sobre o barro, ao vivo e pela telinha da TV, outro privilégio que os anos recentes nos ofereceram.

É difícil, se não impossível, comparar tenistas de épocas distintas. Tenho acompanhado no utube, outro privilégio, algumas partidas do passado. Uma delas a final de Wimbledon de 1960, quando o australiano Neale Fraser, que nem 1% dos meus leitores conhece, bateu na final um jovem Laver, já com 22 anos, em sua 2ª final de GS (a 1ª foi a vitória no AO do mesmo ano, sobre o mesmo Fraser). O jogo era muito diferente, impossível de comparar com a época atual. A cabeça da raquete era muito menor – aproximadamente 65 polegadas contra uma média de 100 polegadas atuais – além de feitas de madeira laminadas contra as de elementos compostos atualmente. Cordas eram de tripas de gato, que seguem sendo uma excelente, porém caríssima opção,  enquanto os encordoamentos atuais são sintéticos com muito mais alternativas – vocês tem alguma ideia de como são ou viram a corda de Rafael Nadal? Além disso, as bolas são mais leves, as quadras quase que pasteurizadas – e por conta disso vocês viram a reação do Nadal quando mudaram o saibro de Madrid – aliás hoje ele deu, em seu discurso, uma bela cutucada no Manolo Santana, na verdade direcionada ao Tiriac, por conta disso.

Do lado do tenista as mudanças são ainda mais radicais. Atualmente são mais fortes e bem preparados fisicamente, além de serem melhores preparados tecnicamente – os golpes de fundo de quadra são imensuravelmente melhores, quase ridiculamente melhores. Contanto que não falemos sobre os quase defuntos voleios, onde os tenistas de então eram, na mesma proporção, melhores do que os de hoje!

Assisti, pelo menos um pouco, todos os torneios de Rafael Nadal nesta temporada. Agradecemos aos deuses pela TV fechada e o fato de ter jogado em São Paulo. Acompanhei um pouco de Madrid e a contundente vitória na final sobre o Wawrinka, um tenista de encher os olhos de qualquer fã do tênis, aí não inclusos os simples sofasistas, que adoram criticar aquilo que não entendem e desconhecem, ao meter o pau no suíço por conta da contundente vitória espanhola. Entendo a crítica à final, não ao tenista. Os meus sais, por favor.

A partida de hoje não me inspira maiores análises do que a de que foi decidida ainda no primeiro game, quando Wawrinka, a pedido do espanhol, sacou e perdeu o game, após ter salvado 6 break points. Dalí para frente foi só pro forma.

O que me veio à mente foi uma comparação, algo que, como já disse, perigoso. Me fica cada vez mais claro que os dois tenistas mais fortes emocionalmente que já vi em quadra foram Bjorn Borg e Rafael Nadal e os dois maiores jogadores sobre o saibro na história. Ambos com arsenais excepcionais para suas épocas, grandes vencedores no saibro que conseguiram estender o mesmo sucesso para outros pisos. Borg é o único do passado que poderia fazer frente a Nadal com o arsenal que tinha só atualizando o equipamento. Excepcional velocidade, excelente revés com as duas mãos, que não seria incomodado pelo “ganchão”, como não o era pelo de Vilas, e um sangue frio de arrepiar. Se tem uma partida do túnel do tempo que não seria um massacre por conta das diferenças técnicas e físicas, pelo contrário, seria entre esses dois monstros do esporte. Mas é algo para ser visto unicamente na minha, e na de quem mais tiver, imaginação.

Nadal – alguma segunda interpretação com o Troféu Ion Tiriac?

Borg e sua maravilhosa esquerda com as duas mãos.

Os dois ícones com a mão no mesmo troféu de Roland Garros.

Notas relacionadas:

  1. Os bons.
  2. Federer x Nadal
  3. Administrador
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segunda-feira, 1 de abril de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 12:30

Espelho meu

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Desde jovem tenho essa coisa de torcer pelo mais fraco, algo que faz parte da natureza humana, pelo menos parte dela. Puxei dos meus pais, apesar de cada um ter contribuído de maneira distinta e opostas para a característica. É o meu lado sofasista.

Não por outra razão, abracei a causa operária na final de ontem em Miami. Afinal não existe fã do tênis, por mais duro que tenha o coração, que não reserve um cantinho para esse espanhol que nunca ganhou um GS e venceu só um Master Series (Paris 2012), e caracteriza tão bem o homem que enfrenta todas as dificuldades por um lugar ao sol.

Já tive o meu momento Romy Isetta, quando era o único por aqui que afirmava que Andy Murray ainda seria um dos melhores tenistas do mundo, enquanto hangares de sofasistas destilavam seus conhecimentos do Tênis afirmando que o rapaz jamais seria um tenista top – hoje fazem parte da síndrome de São Pedro não precisando de nenhum galo para renegar a crença – aliás, sequer mencionam o fato. O fato concreto é que o escocês é novamente o #2 do mundo, desta vez com um título de GS na bagagem.

Assim como muitos outros no passado, David Ferrer vai perder algumas noites de sono assistindo o vídeo tape mental do match point que teve contra Murray, quando decidiu, em fração de momento, que poderia ganhar um Master Series no “Olho de Gavião” – o popular desafio. Marditahora, resmunga o espanhol a cada menção do fato.

O que prova que o tal Desafio veio para ficar, já que agrega muito em termos de dramaticidade e justiça em uma partida de tênis. Dramas sempre tivemos, justiça até que faltou em inúmeras ocasiões. Imaginem o Gustavo Kuerten desafiando a torto e a direito na mesma quadra central de Miami, enquanto os americanos lhe surrupiaram várias bolas na dramática final contra Pete Sampras, quando três dos quatro sets foram decididos em TB e várias bolas foram cantadas “erradas”, sempre a favor do da casa. Por outro lado, imagino o sono dos justos do juizão de linha que NÃO cantou a bola fora, já que ela raspou a linha. O que prova também que os tenistas em ação não deveriam ter a ultima palavra sobre as mudanças nas regras do tênis, já que são contra todas elas. Lembram-se do Federer dizendo que o Desafio era um absurdo e que se recusaria a usar? Hoje usa, e erra, tanto quanto os outros.

Apesar de estar ganhando cada vez mais, não está ficando mais fácil torcer pelo Murray. Carisma zero. Fora a postura em quadra, algo que melhorou bastante, mas longe de ser a de alguém por quem se quer torcer. O cara é complicado. Ontem se arrastava em quadra e dava a impressão que iria morrer no próximo ponto, só para correr como sempre, uma característica sobre a qual Haas falou alto e grosso.

Aliás, neste Domingo, o jornal The Times tem uma matéria longa sobre o escocês, onde ele conta, entre outras confidências, sobre um momento privado na final do US Open que bateu El Djoko. Entre o 4º e o 5º set, Murray abandonou a quadra por nenhuma outra razão além de querer ter um momento particular longe dos olhos do mundo e se recompor emocionalmente. Ali, em um cubículo a poucos passos da quadra, o rapaz confessa ter tido uma séria conversa com um ser de cabelos e idéias emaranhadas que via no espelho. “Espelho, espelho meu, tem alguém mais maluco do que eu”, teria pensado, mas não confessa. O que diz ter pensado é porque chegava ali (era sua quarta final de GS e até então só vencera um set) e não ganhava o maldito título de Grand Slam? Chegara a liderar a partida por 2×0, só para deixar as minhocas invadirem sua cabeça e ver o Djoko crescer para cima dele.

“Eu andava pelo mundo com a cabeça enfiada nos ombros e olhando o chão e pensando que eu só seria um campeão se vencesse um GS”. Diz ter ficado tão negativo que tinha certeza que se voltasse à quadra da mesma maneira era derrota na certa. A solução que encontrou foi começar um dialogo com o espelho, em voz alta, algo que confessa saber que é o primeiro passo rumo ao hospício. Tudo por uma boa causa. Aos berros, começou a perguntar o que lhe faltava, como podia ter perdido uma vantagem de dois sets.

Decidiu que desta vez seria diferente. “Você não vai perder este jogo!” repetia. Este se tornou o mantra que deve ter levado os seguranças a se entreolharem do lado de fora. “Não vai deixar escapar!” “De tudo o que tem!” E assim, com este jactância de motivação o escocês confessa que de fato se sentiu melhor e mais confiante e voltou à quadra para fazer história.

Ontem não precisou do espelho. O espanhol deu o tiro no próprio pé. Após o tal desafio, no match point, Ferrer perdeu 10 dos 11 pontos jogados. Mas que não passe sem menção; no match point contra, Murray foi agressivo em cada bola que bateu, e foram várias, inclusive, a penúltima, quando teve a perspicácia de mudar a altura e o ritmo, “cavando” a bola curta que lhe possibilitou o ataque que limpou a linha e iludiu o operário.

Notas relacionadas:

  1. Começa em Londres
  2. Aulinha
  3. Tocha Olimpica em Wimbledon
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sábado, 30 de março de 2013 Masters, Porque o Tênis., Tênis Masculino | 00:37

A tática

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BINGO!!!! Eu sei lá quem é esse Zaca Zaca Mulungu, que de vez em quando por aqui aparece, só espero que nao seja nome dele, porque aí é sacanagem, mas o cara mostrou que conhece.

Bolas direcionadas ao centro da quadra, tirando o angulo do Berdich era a estratégia principal do Gasquet. O tcheco é um tenista que precisa atacar o tempo inteiro e não lhe é interessante pontos longos. Com bolas no centro, alternando alturas e velocidades, o francês o obrigava criar angulos e aumentar o risco, fazendo com errasse precocemente ao exagerar os angulos.

O resto, como contra atacar de revés na paralela, como elemento de surpresa, e sacar praticamente 100% dos primeiros serviços, no lado da vantagem, em direção ao centro, e devolver longa e alta ou slice e rasante no centro, também alternando alturas e velocidades, era o início da estratégia.

Notas relacionadas:

  1. Valeu
  2. Tática
  3. Abílios
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quarta-feira, 27 de março de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 10:39

Dodô

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Foi uma das melhores e mais interessantes apresentações no tênis profissional dos últimos tempos – e coloquem tempo nisso. Tommy Haas, que um dia foi #2 do mundo, antes de enfrentar alguns problemas que derrubariam os menos fortes, nos brindou com um espetáculo onde não seria uma sacanagem se na saída cobrassem outro ingresso. Se cobram um ingresso para assistirmos certa mesmice com pitadas de desinteresse de alguns tenistas – e Tsonga ontem foi um exemplo disso – mais do que aceitável cobrarem dois para assistirmos o que o Haas nos brindou.

Posso ficar aqui tecendo elogios mil sobre a classe, categoria, finesse, variações, precisão, criatividade, imprevisibilidade do jogo do alemão, mas a esta altura estaria sendo redundante e repetindo comentários já feitos.

Poderia também me estender sobre porque um tenista de 34 anos de repente faz come back como o de Haas. Ou, mais intrigante, os porquês de Haas não ter sido mais consistente na carreira – até para apaziguar os desejos sofasistas que acham que um tem que ganhar todas senão passa a ser um nada – na sua carreira. Óbvio, consistente em vitórias, e vitórias nos grandes e nos importantes momentos que são os que marcam a carreira de um atleta. E, nestes, Haas não foi o campeão que ele poderia e gostaria de ter sido.

No entanto, esse mero, e crucial, detalhe não apaga o enorme talento e tudo mais que ele já fez em quadra e menos ainda é o foco deste Post.

O que eu quero salientar é que a apresentação do alemão tem a tênue possibilidade de criar um novo interesse por um Tênis que caiu no esquecimento e, infelizmente, está mais para ter o destino do Dodô do que se tornar padrão nas academias mundo afora. Até porque muita coisa que Haas faz não se ensina e sim se burila e se aprimora. Mas, seria deveras interessante mais tenistas capazes de “sair da caixa” e fazer o que esse alemão sabe fazer.

Ontem, Tommy nos ofereceu um flashback de mais de uma coisa que foi para o ralo da história. Um slice bem dado, para tirar o ritmo do adversário e da zona de conforto. Idas à rede, como variação, como ameaça, como tática. A arte de se jogar em cima da linha, tirando o tempo do adversário e, mais importante, sempre o ameaçando com idas à rede e assim forçando erros precoces, algo que um dia Federer soube fazer e esqueceu, talvez pelo medo das passadas. Além do que o suíço não tem nem metade do slice do alemão e quem acha que seu slice é mais do que razoável cresceu assistindo futebol ou ainda não cresceu.

Haas nos lembrou, e com sorte talvez tenha ensinado seus colegas, como se posiciona na rede, sem falar de como se voleia, especialmente de revés. É só ver o posicionamento de um Djokovic quando na rede para se ter vontade de chorar. Clássico exemplo foi no ultimo game, quando o alemão invadiu a rede com golpe de direita na paralela, chegou na zona do agrião e fechou o ângulo na diagonal, voleando quase em cima da rede, ao invés de ficar parado três metros atrás da rede, tentando advinhar o lado e terminar passando vergonha.

Haas esteve à vontade do começo ao fim. Se Djokovic não jogou o seu melhor foi porque o alemão não deixou. “Quer ficar ai no fundo correndo atrás de tudo e contra atacando e quando quiser tomar conta da quadra e me colocar pra correr? Nananinanão”. Hass se impôs, tirou o outro de sua zona de conforto, com variações e ameaças e deu de chicote – 6/2 6/4. Alouuuu Federer, bom preparo tático ganha jogo – e ainda acham o Anaconne um bom técnico; não o viram jogar. Pelo menos, sabia volear, e muito.

Dois fatos complementam o Post. A elegância, com pitada de resignação, de Djokovic ao reconhecer a derrota e apertar a mão do adversário como se deve. Campeões também são campeões quando perdem.

Aa cameras bem que poderiam ter completado o espetáculo com mais imagens de Sara Foster, esposa de Haas e um exagero de mulher. Além de ser, de longe, a mais bonita é a melhor esposa/torcedora do circuito, longe de ser uma estrela apagada/retraída ou de ser uma mera viciada em sms. A mulher sabe aplaudir, incentivar e, se necessário, se descabelar e cobrar o maridão. Ontem deve ter feito a festa. Na arquibancada e, espero, depois.

Dodô – ja extinto.

Sara, nas arquibancadas.

Notas relacionadas:

  1. Duas bolas
  2. Caça e caçador
  3. Desolado
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quinta-feira, 14 de março de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 10:17

Game, set e match

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Assisti a mais um derretimento mental de Wawrinka, na hora da onça beber água, frente a seu algoz e parceiro El Roger, acompanhado da minha querida mulher, enteado, trancinhas de mel e um pote de sorvete La Basque.

Patricia passou o jogo torcendo pelo suíço errado e falando sobre seu sentimento ambíguo com Federer – coisas de amor e ódio femininos. É lógico que, sempre propenso em ver o circo pegar fogo, eu também torcia pelo Wawrinka. Primeiro porque existe o tema de torcer pelo mais fraco, segundo variações são bem vindas, depois há a minha quase incondicional parceria com a parceira, aliás atenta leitora deste Blog.

Wawrinka jogou como quase nunca e perdeu como quase sempre frente a Federer. O pior é que durante uma boa parte da partida foi disciplinado táticamente, colocando seu maravilhoso revés no revés adversário – literalmente fugindo da direita alheia. Não todo o tempo, e quando não o foi eu aproveitava para apontar o deslize mental à tenista ao meu lado.

O ultimo game foi uma piada – antes disso tenho que dizer que a qualidade do jogo foi altíssima, com dois tenistas de muito talento encantando os admiradores do tênis-arte, algo valioso em dias de Conans armados de raquetes.

Depois de muita briga e bolas maravilhosas (veja o 1o video abaixo), Federer não conseguiu fechar a partida sacando em 5×4 no 2º set. Após uma série de mágicas e vencer o 2º set no TB, Wawrinka tinha que fazer seu serviço, o que vinha fazendo com certa facilidade, e levar a partida para o TB do 3º set. Começou com 0×30 e flertando com erros táticos. No 13×30 deu uma encolhida no braço que me constrangeu a milhares de quilômetros do estádio. No 15×40 pirou. Espera aí, não acabou o jogo e você tá sacando – lute! O rapaz deu uma bola no meio da quadra, quase no centro e na direita do topetudo e foi à rede – imagino que para apertar a mão do Roger! Este ficou tão surpreso com que devolveu na mão, só para Wawrinka volear de volta na direita do bonitão – aí dançou mesmo. Crau, game, set e match!

Mas foi um ponto solto no início do 3º set que causou a polêmica e a irritação do melhor do mundo. Federer sacou aberto no iguais e, raridade, foi à rede, quando foi assaltado pela duvida se o serviço havia sido bom, apesar de nada ter sido chamado.

Com certa displicência voleou a bola na rede, virou para o juiz de cadeira e pediu o desafio de seu próprio saque, algo permitido – desde que dentro dos parâmetros do Desafio. O juizão negou, alegando que ele não interrompera o ponto, fazendo o voleio. Federer alegou que foi tudo muito rápido e o voleio instintivo. O juiz insistiu que fora um golpe a mais do que o permitido. Federer pediu o Supervisor, que só pode regular sobre regras, nunca sobre fatos.

Federer ainda tentou pegar o Supervisor em um contra pé verbal (veja o 20 video abaixo). Ao ser informado que a decisão era de fato e não de regra. Roger disse: quer dizer que você concorda com a decisão?

O Supervisor, com tremenda categoria, respondeu seco que ele não havia dito aquilo que o tenista insinuava, virou as costas e partiu, já que nada mais tinha a fazer por ali e não fica bem em atrasar o jogo. Ponto e jogo para os dois oficiais e quem não entendeu se perdeu.

Notas relacionadas:

  1. Duas bolas
  2. Duplinha
  3. Não tem preço
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 11:02

Bem vindo

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Eu tinha cá outras pautas, que terão que esperar sua hora; mas a pauta que salta aos olhos é o retorno de Rafa Nadal ao circuito. Afinal, o tenista está afastado do circuito desde julho do ano passado, mais do que uma boa razão para a depressão de seus milhões de fãs. Aliás, minha mulher me chama a atenção para o fato de que no Facebook Roger Federer tem mais 12 milhões de fãs, Rafa mais de 11 e Djokovic menos de 3 e Murray menos de 1 milhão. Acho que isso fala alto sobre a realidade dos Fabs4, sobre a grande rivalidade da década e sobre a ausência de VamosRafa.

Nadal atualmente viu seu ranking cair para #5, pela ausencia das competições e será um alvo precioso para todos que o enfrentarem. O vestiário inteiro enxerga sua volta imediata como uma oportunidade de ouro para conseguir uma vitória dos sonhos.

Os problemas crônicos do espanhol foi uma bola cantada desde os primórdios de sua carreira por cronistas, fãs e críticos. Imagino que ele tinha consciência dos riscos. Não contemporizou, o que só me fez aumentar o respeito que tenho pelo atleta. Poderia ter feito como uns e outros, fugidos das quadras que lhe mais machucam, onde tinha dificuldades naturais e abreviar a carreira. Seguiu firme. Tentou, de tímida maneira, fazer modificações técnicas e estratégicas para minimizar. Mas não abriu mão de sua mais marcante característica – a entrega. Nunca antes um tenista se entregou à luta em quadra como esse cara – e por isso é adorado, respeitado, temido.

Talvez em sua volta ao circuito tente agregar mais algumas modificações visando o mesmo problema. Encurtar os pontos é uma possibilidade para quem tem seu estilo? O cruzadinha wozniacki tentou mudar o seu e vem se dando mal – mas ela não é Nadal. Quanto mais forte pode ele sacar e conseguir pontos gratuitos? Logo ele que não é um bom sacador. Quantas paralelas de direita irá dar em uma partida no saibro para surpreender o oponente, ele que gosta de ângulos e bolas mais altas? Talvez agora jogue menos em certos pisos.

Para nossa sorte, poderemos checar, no Brasil Open, a quanto anda o mito Nadal a partir da semana que vem, logo após o carnaval, possivelmente após quarta-feira de cinzas, o que dará tempo para os paulistanos voltarem à sua cidade.

Ontem ele fez sua rentrée sem maiores dramas ou estresses. Pegou um panga argentino (Delbonis) e fez um bom treino oficial (3 e 2). Também está jogando duplas em Vina del Mar, algo que ganhou uma importância especial para os envolvidos com a derrota prematura de seu parceiro Monaco, logo de cara, para um panga francês.

Mas a notícia é Rafa e aqui deixo os meus mais sinceros votos de boas vindas, excelente recuperação, felicidades e muito sucesso. Se ele precisa, não tenho receio de dizer que o Tênis precisa mais ainda.

Rafa em Vina del Mar

Notas relacionadas:

  1. Fala e faz
  2. No quarto
  3. Weenies
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013 Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:33

O desafio

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Foi-se o Aberto da Austrália e ficaram os números do evento. Alguns interessantes e indicativos de como anda o tênis como um todo. Como o desafio é a grande novidade no mundo do tênis…

Os jogadores aprenderam a usar o desafio. Ou não; só aprenderam a pedir o desafio, algo bem diferente. Sempre achei que um tenista consegue dizer se uma bola é fora ou boa, com razoável segurança, especialmente do seu lado. E também, intuitivamente, logo após o impacto em sua raquete.

Foram pedidos 943 desafios no AO. Somente em 29% dos casos os tenistas estavam certos. Os juízes de linha devem se sentir vingados! Foi uma média de 8.51 por jogo masculino e 4.58 no feminino. Só tem cego ou é algo mais?

Entre os homens – e só vou consideram quem fez mais de 10 desafios no torneio – o que teve a pior porcentagem de acerto foi o Baghdatis. Em 16 desafios só acertou uma vez. O Simon teve 16 e dois acertos. Dois fanfarrões.

O melhor foi James Duckworth, que em 12 desafios acertou 6 – 50%!!! De novo, foi o melhor com mais de 10 desafios. O Tsonga acertou 5 de 21. O Murray 8 de 34. Federer 7 de 16. Djoko 11 de 29.

Entre as mulheres, as brincalhonas foram a Jankovic com um acerto em 16 desafios. É melhor não falar nada! A Azarenka 3 em 17! Ivanovic 3 em 15. As melhores foram Sharapova com 7 em 13 e Radwanska 5 em 10. A Na Li até que desafia pouco – 8 vezes e foi à final. Deve saber que é cegueta, pois só acertou duas. A russa Valeria Savinikh só desafiou seis vezes, em três partidas, mas acertou cinco, um fenomeno. Vale o prêmio de consolação.

Notas relacionadas:

  1. Rápidas
  2. 1000!! e sem surpresas
  3. Piazza San Pietro
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013 Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:58

Expectativas

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Início de temporada é interessante para ver se alguém voltou ao circuito com uma motivação diferenciada, uma confiança exacerbada, um preparo físico mais pungente, um golpe menos atávico, algo que nos acene com maiores alegrias e possíveis delírios sofasisticos.

O Davydenko dar uma aula ao Ferrer no Quatar e ainda contar prosa não é exatamente o que eu esperava. Mas, o russo afirmar que o espanhol, #5 do ranking, nunca o incomodou, por mudar pouco o ritmo e a forma de jogar, nos oferece uma mensagem sublimar sobre a mesmice que por vezes o tênis atravessa em termos de criatividade e estilo – o que explica o sucesso Federer.

Quando vi o resultado do jovem Harrison, batendo facilmente o Isner, pensei das duas uma: o garoto aprendeu e vai deslanchar, ou o Isner, de quem tenho maiores expectativas que a maioria dos fãs do tênis (em 2012 já ficou uns 4 meses no Top10), vai esvaziar a minha bola. Logo em seguida o Harrison toma um cascudo do Benneteau e o Isner diz que vai se afastar das quadras por conta de uma contusão no joelho, uma má notícia para qualquer um, pior para um tenista de 2m. Tudo se explica, caí do horse e sorte de Bellucci e companheiros.

O tal do australiano Bernard Tomic, outro talento com um jeito Rios de ser – não sei alguns desses talentosos pensam que devem, ou podem, como padrão, serem grandes babacas – começou bem o ano. Ganhou do Djoko em uma exibição – uma exibição sim, mas é melhor do que perder – e agora está na semi em Sidney. O rapaz anda mais sujo que pau de galinheiro em seu país e vem perdendo o respeito no circuito. Levou uma chamada elegante do Federer sobre seu comprometimento, o que mostra que o suíço sabe que ele pode jogar, mas não está jogando.

Esta semana Patrick Rafter, capitão da Davis da Austrália, e sempre visto como bom moço, avisou que o rapaz Tomic está fora de seus planos no curto prazo, por conta das babaquices que vem aprontando, dentro e fora das quadras, inclusive “largando” jogos, na Davis e no circuito. O papelão de Tomic, que largou o jogo em Hamburgo, na Davis, contra Mayer, (se borrou total) jogou a Austrália fora do Grupo Mundial e originou uma grande briga entre ambos – aliás, conheço bem esse fime.

Ninguém se bica com o rapaz, lembram que uma vez ele se recusou a treinar com o malahewitt em Wimbledon, uma roupa suja que acabou sendo lavada em publico, teve problemas com a polícia australiana por conta de suas aventuras automobilísticas, vive em guerra com a federação local e em Miami 2012 pediu ao juiz que expulsasse seu pai, o mala-mór, das arquibancadas.

Levar porrada de tudo quanto é lado mexe com qualquer um. Um tenista pode abaixar a cabeça e entrar mais no buraco ou pode usar o fato para se motivar. Com o perfil de Tomic, a minha expectativa que ele enxergue o mundo todo como errado e habitado por gente da pior espécie e que ele, coitadinho, é um incompreendido e perseguido, e por isso vai assumir missão de provar que é o cara e o resto um bando de idiotas que se exploda. Pode dar certo, afinal o mundo não é politicamente correto e, como dizia o filosofo, o inferno são os outros.

Tomic – por enquanto,  talento sem comprometimento.

Tomic e Rafter – comunicação ruim.

Notas relacionadas:

  1. Dez horas!!
  2. Hooning
  3. Dupla perfeita
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 14:00

Densos

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Este é mais um daqueles textos pescados do passado, sendo este do Natal de 2006. Poucas alterações foram feitas para adaptá-lo ao presente.

Outro dia me perguntaram se alguma vez  lidei profissionalmente com algum tenista problemático emocionalmente. Dei uma olhada para os lados, coloquei as mãos nos bolsos e tentei me esquivar perguntando o que seria problemático. De bate pronto todos me pareceram, vamos dizer, densos emocionalmente. Senão, teriam escolhido o futebol ou volei, onde teriam companheiros para se apoiar ou culpar. Por um instante pensei sinceramente em excluir Gustavo Kuerten da galeria, mas abandonei a idéia ao considerar os últimos anos de sua carreira. Até considerei que uma contusão pode levar um esportista à loucura. Ou perto dela. Imaginemos como anda o Rafa Nadal atualmente.

Ao contrário de alguns esportes, o tênis não perdoa e é massacrante emocionalmente. Consideremos uma comparação, meio forçada, com o volei, que está na moda. No último mundial (de 2006), os brasileiros perderam uma das primeiras partidas, se recomporam e venceram o campeonato. No tênis, tal derrota na estréia mandaria o atleta para casa pensar na vida, nos erros e em tudo que perdeu. Mais tarde, a uma certa altura do torneio, alguns jogadores tiveram um momento tenso. O levantador Ricardinho, considerado pelo técnico Bernadinho, e alguns de seus colegas, o mais importante jogador do time, teve seu momento de estresse, desentendeu-se com companheiros e ficou no banco o resto da partida. Porém, nos próximos jogos estava de volta à quadra liderando seus companheiros. Um percalço emocional desses seria o bastante para acabar com um time de um homem só como o tenista – o cara que levanta a bola e corre para cortar.

Esse é um dos preços de ser um tenista. Além disso, e não só, deve ser bom nos mais diferentes aspectos técnicos, e ainda melhor emocionalmente. Sua autoestima deve beirar a arrogância, já que deve ter a mais absoluta convicção que é melhor do que o oponente do outro lado da rede. Qualquer dúvida nesse quesito é certeza de derrota.

Deve saber se cobrar tão bem quanto se perdoar. Se não estiver sempre disposto a ampliar seus limites, em treinos e competições, assim como saber lidar com tranquilidade e equilíbrio com suas dúvidas, ansiedades e inseguranças, estará fadado ao inferno esportivo. Deverá, absolutamente, lidar com o triunfo e o desastre, esses dois impostores, da mesma forma – como bem lembra a placa com o poema de Kipling, colocada estratégicamente acima da entrada dos jogadores na Quadra Central de Wimbledon.

Estas são só algumas das exigências emocionais de um tenista, um esportista que conhece a solidão melhor do que qualquer outro. O leitor poderá lembrar o nadador. Ora, este é mais do que nada um administrador do tédio. Não se ve obrigado a lidar com um oponente tentando incessantemente arrasar sua confiança, o fazendo correr de um lado para o outro e a cometer enervantes erros. Em um esporte coletivo, a solidão enfrentada pelo tenista, no momento de jogar a bolinha para efetuar o segundo serviço no break-point, talvez só encontre rival na hora do batedor de penalti colocar a bola na marca do cal, com a obrigação de decidir a partida a favor, ou contra, o seu time. E isso acontece uma vez a cada muitas luas, enquanto no tênis é um estresse constante.

Enquanto curtimos nossos dias de festas, os tenistas enfrentam o estresse dos terríveis dias de treinamento preparatórios para o início da temporada. É o momento quando tem que calibrar golpes, acertar o físico e retomar a motivação, ingredientes básicos para o sucesso da temporada. Isso sem contar com as duvidas que assaltam a todos nesses momentos de reflexões. Depois ainda querem recriminar o atleta por não querer pensar demais. Como se fosse necessário pensar muito para ser denso emocionalmente.

Rodin e o tenista no fim de ano.

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012 História, Porque o Tênis., Tênis Masculino | 23:42

Elegância que se vai

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Termina a temporada e os tenistas têm as férias para repensar a carreira e o futuro. Não é muito diferente do resto de nós, que aproveita o final do ano para repensar os erros, sonhar com melhoras, planejar o que vai nos levar às próximas metas.

Apesar das férias e a oportunidade relaxar junto à família e amigos é uma época mais difícil do que se imagina para os tenistas. A maioria engata uma quarta na temporada, e corre atrás dos torneios e faz aquilo para o qual se esforçaram e se prepararam por tanto tempo. Não se iluda, um tenista que chegou a qualquer nível de profissionalismo vem agindo como tal desde seus 8 a 10 anos, enquanto maioria de vocês não tinha grandes exigências de responsabilidades, a maior situação de estresse que enfrentava era saber se professor tinha visto você colando do nerd ao lado e se sua mãe ia lhe passar uma graninha a mais do que seu velho lhe dava.

No fim da temporada o tenista pesa, mais uma vez, se vale a pena continuar a seguir vivendo como um acrobata de circo, sem saber em que país está acordando a cada manhã, tendo que lutar diariamente com alguém que tem sérias intenções em enfiar a mão no seu bolso tirando valores que serviriam para pagar as contas anuais de muitas famílias. Não que muitos cheguem à conclusão que é melhor abandonar tudo e ir trabalhar no Banco do Brasil, como sugeriu o Felipão logo na primeira vez que deu uma coletiva na sua volta à seleção para logo depois se desculpar – se pegar o costume vai fazer um rosário de desculpas porque sempre falou o que lhe vem à cabeça como se fosse sempre uma pérola de brilhantismo e, convenhamos, isso é mais distante do que a mais longínqua das nebulosas.

A maioria só descobre a maravilha que era sua carreira, tempos depois de abandoná-la e ter que encarar a realidade do dia a dia e as frustrações de ganhar em seis meses de muito trabalho e estresse o bastante para lhe tirar o sono várias noites e, pior, sem ninguém lhe bater palmas, aquilo que poderia ter ganhado, várias vezes, em um dia de mais esforço do que colocou em treinos que não se esforçou e partidas que preferiu reclamar a se esforçar.

Alguns vêm planejando as mudanças há meses, outros deixam todo o pensar para quando se recuperarem da ressaca das férias e a cabeça ficar mais leve após mais um ano de labuta. O fato é que o que pensam e decidem agora terá consequências e reverberações no próximo ano e na próxima temporada de suas carreiras. Se fizerem mais boas decisões do que ruins, as vitórias podem continuar lhes sorrindo e não existe nada mais afrodisíaco e entusiasmante do que bater adversários e passar ás próximas rodadas – são essas emoções que os vem motivando desde a mais tenra idade e essa é uma das mais cruciais respostas que eles vão procurar em suas almas nesta época do ano. Eu ainda quero isso a bastante para encarar os sacrifícios e na hora da onça beber água ser melhor do que meu oponente.

Hoje mais um deles anunciou que para ele deu. O argentino Juan Chela, 33 anos, 15 como profissional, ex top 15, um tenista de estilo elegante que não batia na bola e sim a sugeria aonde ir. E quem por acaso pense que não foi lá grande coisa, como vários sofasistas já pecaram por aqui, informo que conquistou seis títulos de simples, o dobro que Bellucci ganhou até agora ou Fernando Meligeni ganhou em toda carreira.

Chela foi o melhor dos tuiteros a carregar uma raquete mundo afora, levando essa recente arte a um novo nível, anunciou através de alguns tuiters sua decisão: “não há mal que dure 100 anos”, “El Gran Torino fundiu o motor”, “play no more”, “em toda minha carreira tive só um erro não forçado – ser tenista”.

Autor: paulocleto Tags: ,

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