Uma prata e um bronze
Estava dando uma olhada no meu Post do início do Pan. Havia, pelo menos da minha parte, uma expectativa de bons resultados, ao menos no masculino, que acabou não se concretizando.
Feijão Souza e Ricardo Mello perderam mais cedo do que eu esperava e para quem ninguém esperava. Com a falta de notícias que reinou no tênis fica difícil de avaliar corretamente. A CBT ignorou o evento, para minha surpresa – não enviou nada para a imprensa, ao contrário do que normalmente faz, e seu site foi protocolar e defasado.
Os resultados das nossas mulheres foram inexistentes, mesmo com as chaves também sendo escassas.
O único que se salvou – e por que isso não chega a ser uma surpresa? – foi Rogerio Silva. Ele ficou com o bronze nas duplas mistas com Ana Clara Duarte e com a prata nas simples. O paulista nunca chegou a jogar bem no torneio. Vale lembrar que, apesar dele ter vencido Campos do Jordão em condições semelhante de altitude, como eu já havia escrito, Rogério não fica à vontade nessas circunstâncias. Seu estilo exige um pouco mais de tempo, já que precisa fugir do revés com constância, o que as quadras duras e a altitude não oferecem.
Mas Rogério não foi a passeio – ele nunca vai. Fez o que deu para fazer e se mais não fez foi porque não conseguiu, o que está de bom tamanho.
Tenho a certeza que Feijão gostaria de ter feito bem melhor do que fez. O caso de Ricardo foi o mais inexplicável. Lemos as reclamações dele sobre o amadorismo da competição e ter descoberto no ultimo instante o horário de seu jogo, algo para o qual a CBT deveria ter um plano de contingência. É sabido que Panamericanos são terra de ninguém em termos de organização, pelo menos no tênis, especialmente para quem está acostumado com eventos profissionais, onde os vários erros relatados não acontecem.
Fui, como chefe-de-equipe, ao Pan de Winnipeg, algo que não planejei e para o qual acabei sendo convidado. O torneio estava mais competitivo, mas ainda saímos de lá com duas medalhas de ouro que não eram nem um pouco esperadas. Lembro que entre as mulheres estava a Alexandra Stevensson, que dois meses antes fora semifinalista de Wimbledon e o Nalbandian, que no ano anterior fora #1 do mundo como juvenil. Mas, mesmo na Canadá a organização era no nível de Futures – precária.
Mas trouxemos duas medalhas de ouro – nas duplas masculinas e femininas (então foram quatro!) – que é o que conta nesses eventos. A conta diária é pelo ouro, sendo um número que está constantemente na cabeça de todos os atletas, sendo postado nas paredes dos dormitórios e lembrado em todas as conversas dos atletas. Quem traz o ouro tem um status diferenciado no ambiente.
Panamericanos e Olimpíadas são duas competições muito distintas do circuito profissional de tênis. Se o tenista não conhece os caminhos das pedras, pode se perder com as inúmeras distrações, o que é padrão quando se coloca centenas de atletas dos mais diversos esportes juntos, uma realidade inexistente no circuito do tênis e que, por vezes, pode expicar certas surpresas nos resultados.



