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Arquivo da Categoria Pan 2011

domingo, 23 de outubro de 2011 Pan 2011, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 21:41

Uma prata e um bronze

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Estava dando uma olhada no meu Post do início do Pan. Havia, pelo menos da minha parte, uma expectativa de bons resultados, ao menos no masculino, que acabou não se concretizando.

Feijão Souza e Ricardo Mello perderam mais cedo do que eu esperava e para quem ninguém esperava. Com a falta de notícias que reinou no tênis fica difícil de avaliar corretamente. A CBT ignorou o evento, para minha surpresa – não enviou nada para a imprensa, ao contrário do que normalmente faz, e seu site foi protocolar e defasado.

Os resultados das nossas mulheres foram inexistentes, mesmo com as chaves também sendo escassas.

O único que se salvou – e por que isso não chega a ser uma surpresa? – foi Rogerio Silva. Ele ficou com o bronze nas duplas mistas com Ana Clara Duarte e com a prata nas simples. O paulista nunca chegou a jogar bem no torneio. Vale lembrar que, apesar dele ter vencido Campos do Jordão em condições semelhante de altitude, como eu já havia escrito, Rogério não fica à vontade nessas circunstâncias. Seu estilo exige um pouco mais de tempo, já que precisa fugir do revés com constância, o que as quadras duras e a altitude não oferecem.

Mas Rogério não foi a passeio – ele nunca vai. Fez o que deu para fazer e se mais não fez foi porque não conseguiu, o que está de bom tamanho.

Tenho a certeza que Feijão gostaria de ter feito bem melhor do que fez. O caso de Ricardo foi o mais inexplicável. Lemos as reclamações dele sobre o amadorismo da competição e ter descoberto no ultimo instante o horário de seu jogo, algo para o qual a CBT deveria ter um plano de contingência. É sabido que Panamericanos são terra de ninguém em termos de organização, pelo menos no tênis, especialmente para quem está acostumado com eventos profissionais, onde os vários erros relatados não acontecem.

Fui, como chefe-de-equipe, ao Pan de Winnipeg, algo que não planejei e para o qual acabei sendo convidado. O torneio estava mais competitivo, mas ainda saímos de lá com duas medalhas de ouro que não eram nem um pouco esperadas. Lembro que entre as mulheres estava a Alexandra Stevensson, que dois meses antes fora semifinalista de Wimbledon e o Nalbandian, que no ano anterior fora #1 do mundo como juvenil. Mas, mesmo na Canadá a organização era no nível de Futures – precária.

Mas trouxemos duas medalhas de ouro – nas duplas masculinas e femininas (então foram quatro!) – que é o que conta nesses eventos. A conta diária é pelo ouro, sendo um número que está constantemente na cabeça de todos os atletas, sendo postado nas paredes dos dormitórios e lembrado em todas as conversas dos atletas. Quem traz o ouro tem um status diferenciado no ambiente.

Panamericanos e Olimpíadas são duas competições muito distintas do circuito profissional de tênis. Se o tenista não conhece os caminhos das pedras, pode se perder com as inúmeras distrações, o que é padrão quando se coloca centenas de atletas dos mais diversos esportes juntos, uma realidade inexistente no circuito do tênis e que, por vezes, pode expicar certas surpresas nos resultados.

Rogério Silva – duas vezes no pódio pelo Brasil.

Autor: paulocleto Tags:

terça-feira, 18 de outubro de 2011 Pan 2011, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:34

Começou o Pan

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O tênis masculino e feminino brasileiro devem viver realidades bem distintas no PanAmericano de Guadalajara. Os homens devem botar para quebrar e as meninas sequer passaram da primeira rodada.

O Brasil levou homens em um padrão acima do restante dos países participantes – isso se considerarmos os tenistas disponíveis em cada um deles. Consequentemente, três dos primeiros quatro cabeças-de-chave são brasileiros: João Feijão Souza, Ricardo Mello e Rogério Dutra. A exceção é o 1º cabeça-de-chave, o argentino Horácio Zeballos, um tenista que deve fazer bom uso da altitude. O resto da chave está no padrão de um Future, o que demonstra a falta de importância do PanAmericanos para os tenistas profissionais.

Já os brasileiros, ao contrário de argentinos, uruguaios, colombianos etc, vão porque há uma certa tradição onde os tenistas do segundo e terceiro escalão vêem no evento uma ótima oportunidade de defender o Brasil, aparecer na mídia e agradar patrocinadores. Um probleminha é que a transmissão na Recorde não dá a mesma reverberação que dá a Globo.

Com certeza os homens podem trazer mais de uma medalha nas simples e também uma nas duplas masculinas e outra nas mistas. Resta ver qual dos nossos vai utilizar melhor a oportunidade e as condições de altitude com quadra dura. Feijão é sacador, Mello é experiente e gosta mais de dura do que de saibro e Rogério venceu recentemente em Campos do Jordão, em condições muito semelhantes. Imagino que Feijão e Ricardo joguem a dupla masculina, onde eu arriscaria dizer devem ficar com o ouro.

Já as meninas vão ter que se esforçar para trazer alguma coisa nas duplas para ficar no padrão dos últimos Pans. As moças não venceram nenhum set contra tenistas que não eram nenhuma Sharapova, o que deixa o nosso tênis feminino na mesma situação desconfortável de há algum tempo. Teliana e Segnini jogam em uma chave de apenas nove duplas. Nas mistas jogam Rogério e Ana Clara. Ainda existem boas chances de medalhas.

PS: João Feijão Souza foi eliminado, surpreendentemente, logo na 1a rodada, pelo desconhecido equatoriano Julio Campozano, #399 do ranking, em dois sets!

Ricardo Mello – um dos favoritos ao ouro no Pan

Notas relacionadas:

  1. Probabilidade
  2. Tá pronto o Feijão?
  3. Nas alturas de Guadalajara
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011 Pan 2011, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:18

Nas alturas de Guadalajara

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A delegação brasileira de tênis que jogará o Pan-Americano em Guadalajara embarcou ontem à noite, via Dallas. Aquele aluguel aéreo de sempre.

A expectativa da CBT são cinco medalhas, o que não me parece tão ambicioso, já que mandamos um time forte, especialmente o masculino. Ainda não consegui ver quem serão os adversários, mas geralmente não são lá tão fortes. Os nossos estão em um padrão bem competitivo para os Jogos.

As informações disponíveis são poucas, mas os jogos serão no Centro Telcel e lá as quadras, até onde sei, são duras, o que Ricardo Melo deve adorar e o Feijão Sousa nem tanto.

Um detalhe que, espero, tenha sido atentado por todos é que Guadalajara está a 1650 m de altura. É como jogar em Campos do Jordão – a bolinha anda bem. Fato que deve fazer uma diferença em vários esportes. Entre os tenistas, a primeira mudança é na tensão das cordas das raquetes – mais duras – para assegurar o controle das peludinhas. Além disso, o estilo de alguns se adapta melhor do que o de outros. Por exemplo; o sauqe do Feijão deve andar barbaridades. Mas todos tem que fazer alguma adaptação se não o bicho pega.

Os jogos começam na 2ª feira, o que deve dar tempo de todos se aclimatizarem.

Quadra Central em Guadalajara

Notas relacionadas:

  1. Feijão e Bogotá
  2. Domingo de oportunidades
  3. Faltou pouco
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011 Pan 2011, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 23:38

O meu primeiro Pan

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O meu primeiro Pan Americano foi o de São Paulo em 1963, onde o tênis foi disputado nas quadras do Clube Pinheiros. Com 15 anos, fui convidado para ser juiz de linha, o que me assegurava os melhores lugares do torneio. Além disso, pude conviver durante quase uma quinzena com os melhores tenistas das Américas – e obviamente do Brasil. Foi uma experiência inesquecível da qual tenho uma série de boas lembranças.

Era uma época onde o esporte branco atraia ótimos tenistas, para não dizer os melhores de cada país. Época também do tênis “amador”, pelo menos cinco anos antes da chamada Era do Tenis Aberto. Até por isso o Brasil conseguiu reunir os seus melhores jogadores, algo que nunca mais aconteceu, por mais de uma razão – a maior sendo que a competição, com o “Tênis Aberto”, foi perdendo o prestígio necessário para reunir a elite do tênis. E assim é até os dias de hoje.

Em São Paulo reinaram no tênis os melhores de nosso país. Maria Ester Bueno, já com três títulos de simples nos Grand Slams e a quatro meses de vencer o seu próximo em Nova York, venceu as simples, batendo a mexicana Yolanda Ramirez na final. Vocês podem imaginar a emoção de estar na linha de um jogo de uma bicampeã de Wimbledon, em uma época onde não existia tênis em TV?

O site da CBT, erroneamente, afirma que os melhores brasileiros nesse Pan foram Maria Esther e Thomaz Koch. Nos homens o vencedor foi o talvez mais talentoso dos tenistas brasileiros – Ronald Barnes. Pensem no estilo Roger Federer e imaginem Barnes. O carioca venceu as simples batendo o mexicano Mario Llamas. Nas duplas masculinas o carioca emparceirou com o paulista Carlos Fernandes para ficar com o segundo ouro. Com o bronze ficaram os gaúchos Thomaz Koch e Yarte Adams.

Maria Ester ficou com a prata, jogando com a cearense Maureen Schwartz. Nas duplas mistas Esther ficou com a prata ao lado de Koch. Foi o Pan com os melhores resultados do Brasil conquistados pelo melhor time que o país já reuniu. Simples.

Notas relacionadas:

  1. Orange Bowl -1
  2. O Dândi
  3. Aritmética
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