Publicidade

Arquivo da Categoria Juvenis

quarta-feira, 28 de setembro de 2011 História, Juvenis, Tênis Feminino | 14:09

Acerto de contas

Compartilhe: Twitter

A esta altura todos conhecem a história de Jelena Dokic e seu pai – eu mesmo já escrevi mais de uma vez sobre esse drama. Ambos caracterizaram a reincidente história do muitas vezes doentio relacionamento pai/filha no tênis que tantas vítimas já produziu. E isso porque ficamos sabendo somente dos casos quando a filha conseguiu algum sucesso, apesar do infernal relacionamento; imaginem quantos nunca vingaram tenisticamente e tiveram o lado perverso martirizando a família.

Lembrando – o “daddy from hell”, como os jornais ingleses o chamavam, além de espancar frequentemente a garota, roubou todo o seu dinheiro enquanto esteve por perto. Uma ex-tenista chegou a chamar a segurança do hotel por conta dos gritos da menina apanhando. O maluco teve ataques no US Open, quando atirou comida no chão protestando contra a qualidade e os preços do servido aos atletas – no que tinha certa razão, mas não era para tanto. Atualmente os tenistas recebem um valor para as refeições, que continuam sendo no estilo bandejão americano. Em Wimbledon fez uma cena com uma jornalista exatamente na frente, atirando o celular dela no chão e a ameaçando de pancada. Foi carregado para fora do Clube e proibido de voltar. No Aberto da Austrália acusou os organizadores de manipular o sorteio. E isso é só uma amostra do que o doido aprontou mundo afora, terminando por ser proibido de frequentar os eventos.

Esta semana Jelena divulgou que conversou com o pai pela primeira vez em oito anos – ela tem 28. Ela, residente da Austrália, pegou um avião, foi a Belgrado vê-lo e “colocar um fim ao desentendimento”, conforme suas palavras. Jelena foi acompanhada do namorado Tin Bikic, irmão de seu ex-técnico, que não era até então aceito pelo pai – assim como todos os namorados e técnicos anteriores.  Ela assegura que foi bem recebida pelo pai, que tinha passado uma temporada na cadeia após ameaçar colocar uma bomba na embaixada australiana e por ter armas ilegais em casa.

Ela diz estar em uma boa fase da vida e acredita que reatar relações será o melhor para ela e a família. O pai proibia a mãe e o irmão caçula de falar com Jelena. O pai foi receptivo à visita e, diz a moça, mudou sua atitude frente à filha, que hoje é uma mulher de 28 anos. Apesar de garantir que continuará a trabalhar com sua técnica atual, Louise Pleming, bancada pela federação australiana, as fotos que chegam de Belgrado mostra ela em quadra com seu pai.

Os relacionamentos pais/filhos é um mosaico de emoções e podem ser repleto de dramas, assim como catalisador de conquistas e/ou perdas. O ser humano, atletas incluídos, depende de motivações – e existem poucas tão fortes como aquelas exercidas pelos pais, conscientes ou não. Quando as cobranças e exigências produzem um saldo muito maior do que o afeto, só Deus sabe no que pode dar. Na maior parte das vezes boa coisa não é. Mas, em muitas, produzem aberrações que se tornam excelências em seus campos de atividade, até porque a força interior é fortemente alimentada permanentemente por uma demanda e contenda interior não resolvida e mal equacionada com o afeto esperado.

Ao que parece, e assim espero, Jelena foi à Belgrado acertar as contas, tentar reequilibrar aquilo que lhe foi dado com o que lhe foi tirado, aquilo que é seu por direito e lhe tem sido negado. Reencontrar o que nunca foi substituído pela carreira de tenista – o que pode ser confirmado pelo insucesso pós-período de menina-prodígio. Algo que lhe foi usurpado pelo delírio de um fracassado que achou que os talentos e esforços de sua filha poderiam lhe assegurar o gozo e o sucesso financeiro que ele foi incapaz de criar para si. É uma tarefa da qual não se foge, e, quanto mais cedo a enfrentamos, melhor para abrir nossos novos e incontornáveis caminhos. O fato é que às vezes a conta tem bom fim, às vezes não. Nenhuma novidade para uma tenista – ou qualquer outro.

Jelena e Damir em Belgrado.

Notas relacionadas:

  1. Vai ou racha.
Autor: paulocleto Tags: ,

sexta-feira, 2 de setembro de 2011 Grand Slam, Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:45

Hoje

Compartilhe: Twitter

Devo começar comentando, às 15h na ESPN, a partida entre Sharapova e Penetta. Duas das mais interessantes tenistas do circuito, por razões e gostos distintos. Sugiro que assistam se querem saber mais. Ou mesmo abaixem o som e se deliciem.

Depois entram na quadra Rafa Nadal e Mahut. O francês, que bateu o espanhol na grama, deve ter plano de jogo semelhante. O espanhol ainda está inseguro, na medida em que Rafa Nadal fica inseguro.

A última partida da seção noturna será Roddick, que está sendo paparicado pela organização, e o jovem americano Jack Sock – esse nome tem um som estranho! Zé Meia! Será um daqueles jogos para a galera se divertir – não sei se o garoto tem personalidade para desafiar o ícone americano da década.

Tem também clássico de Tandil: Del Potro x Junqueira. Como disse o Delpo, os amigos de ambos é que vão se divertir.

O Ferrer vai matar o Blake.

O Wawrinka deveria matar o Young.

Eu torço para que o Rogério mate o Bogomolov.

Nalbandian x Ljubicic – exibição de veteranos.

Garcia-Lopez x Simon. Só vejo amarrado. E amordaçado.

Chela x Darcis. Nem amarrado.

Melzer x Kunitsin. Veria fácil. Torcendo pelo mala austríaco.

Gulbis x Muller. Gulbis na próxima rodada. Se ele quiser. O que eu não aposto, mas torço.

Bea Maia jogando 1ª rodada do qualy de juvenis. Eu torcendo.

Muitas duplas e jogos juvenis. Um bom dia para passear nas quadras secundárias, que ficam mais vazias, boas de circular e sentar e melhor ainda de asistir. Mas eu vou estar no estúdio da ESPN. Não dá para ter tudo na vida.

Notas relacionadas:

  1. Irene
  2. Brilhou
  3. Ontem
Autor: paulocleto Tags:

terça-feira, 26 de abril de 2011 Juvenis, Tênis Masculino | 13:45

Tuiteiro

Compartilhe: Twitter

Quem pensa que isso só acontece em países não-desenvolvidos ficará surpreso com a notícia. Eu não fiquei.

O Diretor de Desenvolvimento da USTA, a Federação Americana de Tênis, Patrick McEnroe entrou em lavação de roupa publica com o jovem tenista Donald Young. Isso porque o tenista publicou uma série de ofensas à Federação no Twitter. Coisas do tipo “F… a USTA, eles são cheios de M… Eles me f…. pela última vez” tudo acompanhado pela versão sem censura do sucesso de Cee Lo. Fino o rapaz!

Tudo por conta do convite que a USTA tem para distribuir em Roland Garros. Os americanos têm a tradição de realizar um torneio para determinar o escolhido. Young achou que deveria ter ido para ele, mas aceitou jogar o torneio e, após perder para Tim Smiczek na final o rapaz pirou e foi se expressar na internet.

Donald, #95 no ranking e 21 anos, já recebeu 13 convites para diferentes chaves no Aberto dos EUA, o que deve ser um recorde, além de dinheiro para despesas com viagens e treinamentos patrocinados desde 2005. Mas o rapaz acredita que “eles” só o f…..

A USTA e os pais (sempre os pais!) do rapaz têm uma história de conflitos. Isso é quase padrão em qualquer lugar. Os pais só vêem o próprio umbigo, por mais que sejam ajudados. Imaginou o Donald por aqui?

McEnroe diz que as ofensas no Twitter são só a ponta do iceberg das posições do rapaz e família com a USTA e por isso demanda desculpas publicas do rapaz, o que seria o mínimo. O fato é que se fez uma enorme expectativa em cima de Young – que seria a próxima grande estrela do tênis americano, a família sonhou com a grana, a federação com os títulos, o tenista com todas as benesses do sucesso e por aí afora.

Donald venceu o Aberto da Austrália aos 15 anos, foi #1 do mundo como juvenil, mas não decolou no profissional. Seus melhores resultados são nos Futures e Challengers e não entre os big dogs, onde seu tênis não aparece. Recentemente venceu um torneio menor em Tallahassee, sua especialidade, que, junto com a vitória sobre Murray em Indian Wells o levaram a acreditar que a USTA ignoraria os outros tenistas que disputam o torneio pelo convite. Se deu mal, fora e dentro da quadra.

Abaixo Donald e seu vídeo favorito.


Notas relacionadas:

  1. No gringos
Autor: paulocleto Tags: , ,

terça-feira, 7 de dezembro de 2010 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 17:26

Os melhores da CBT e da Revista Tênis

Compartilhe: Twitter

A CBT e a Revista Tênis premiaram ontem “Os melhores de 2010″ em uma premiação que não foi tão ampla quanto em 2009, mas que serve o seu maior propósito que é salientar os melhores do mundo tenistico brasileiro.

Como “jornalista” – essa tarja nunca me caiu de maneira tranquila – fui convidado a votar. Fiquei contente em descobrir que a quase totalidade de meus votos foram espelhados pelos outros convidados.

Abaixo a lista dos premiados:

Sênior Feminina:Simone Vasconcellos
Sênior Masculino: Roger Guedes
Juvenil Feminino: Bia Haddad Maia

Juvenil Masculino: Tiago Fernandes
Cadeirante Feminino: Rejane Cândida
Cadeirante Masculino: Carlos Jordan dos Santos
Treinador: João Zwetsch
Torneio Infantojuvenil nacional: Brasileirão
Torneio Infantojuvenil internacional: Copa Gerdau
Torneio Future: Clube Paineiras
Torneio Challenger: Etapa de São Paulo da Copa Petrobras
Jogo-exibição: Gustavo Kuerten vs. Yevgeny Kafelnikov
Torneio Sênior: Grand Champions
Torneio brasileiro da ATP: Aberto do Brasil – ATP 250 da Costa do Sauípe
Duplista Feminino: Maria Fernanda Alves
Duplista Masculino: Bruno Soares
Melhor Tenista: Ana Clara Duarte
Melhor Tenista: Thomaz Bellucci
Melhor Tenista Geral: Thomaz Bellucci

Não vejo nenhuma injustiça e nenhuma surpresa na lista. Minto; talvez a premiação de João Swetsch. Não por alguma falta de Joãozinho, mas pela ausência de Larri Passos que, por mais de uma razão, é considerado, e reconhecido, o nosso melhor treinador.

Se for olhar com uma lupa, vi meu voto contrariado uma única vez, sendo que deixei de votar em três ocasiões por não me sentir com o necessário conhecimento para fazê-lo.

Um setor que poderia ser polêmico, pelo equilíbrio de forças e resultados – duplas profissionais masculinas – me deixou também feliz com o resultado. O mineiro Bruno Soares levou o prêmio.

Fiquei feliz com a premiação do Bruno porque há tenistas e tenistas. Homens e homens. Caráter e caráter. Bruno Soares pode estar tranquilo, porque está onde todos os homens gostariam de estar. Entre os melhores de seus ofícios e com um caráter e uma personalidade no par com seu ofício.

Infelizmente, neste segundo ano de premiação, a CBT e a Revista Tênis tiveram que ceder e não premiar os melhores da imprensa. O prêmio que recebi em 2009 ficou um pouco triste sem seu par.

Bruno Soares – um exemplo no mundo do tênis.

Notas relacionadas:

  1. Troféu Brasil
  2. 110 anos.
  3. De beca
Autor: paulocleto Tags: ,

terça-feira, 2 de novembro de 2010 Juvenis, O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:57

A Suécia é aqui?

Compartilhe: Twitter

Talvez tenha sido o angst causado pela faca. Mas acabei por esquecer uma ferramenta que eu mesmo inventei e que, no caso, cai como uma luva, até porque o cara já começa a exportar a idéia.

Por isso, publico abaixo o comentário do “Matts – The Producer”, que parece querer voltar a sua forma original e mais brilhante, ao colocar uma faceta inédita da questão levantada pelo “sucesso” do carioca/sueco Cristhian Lindell na Copa Petrobras de São Paulo. Já coloquei, bem “em passant”, o meu pensamento a respeito, que reproduzo após o texto do leitor.

E-Cletico e demais Blo-Cléticos,
.
Gostaria de levantar aqui um fato para ser pensado e discutido, sem paixões ou preconceitos, apenas pensando-se no que é melhor para o jogador e para o país.
.
O lance é que ultimamente, o até então “desconhecido” da mídia Cristhian Lindell, virou objeto de desejo da CBT, e obviamente da mídia brasileira, já que o carioca joga pela Suécia, alegando ele, uma melhor estrutura e apoio que lá recebe (ou recebeu até o momento).
.
Mas vamos aos fatos, e de antemão, já adianto que não conheço nem de perto, nem de longe e muito menos de ouvir falar, como é a rotina de treinamento dele, tanto lá como cá, já que ele treina grande parte do ano com o Aciolly no Rio de Janeiro.
.
Com a semi em São Paulo, Lindell deu um salto de quase 90 posições e passou a ocupar hoje o 365º lugar no ranking.
.
Pois eis que com isso ele JÁ, repito, JÁ é o atual 4º melhor tenista ranqueado da Suécia.
.
Ranking – Nome – Pontos – Torneios Jogados
5 – Soderling, Robin (SWE) 4.780 – 24
283 – Prpic, Filip (SWE) 156 – 20
349 – Ryderstedt, Michael (SWE) 120 – 21
365 – Lindell, Christian (SWE) 111 – 23
395 – Eleskovic, Ervin (SWE) 99 – 19
.
Ora bolas, com este ranking, ele seria apenas o 10º tenista do Brasil no momento:
.
Ranking – Nome – Pontos – Torneios Jogados

28 Bellucci, Thomaz (BRA) 1.355 – 26
78 Mello, Ricardo (BRA) 642- 21
101 Souza, Joao (BRA) 549 – 26
123 Daniel, Marcos (BRA) 457 – 24
148 Alves, Thiago (BRA) 369 – 25
165 Dutra Da Silva, Rogerio (BRA) 322 – 23
187 Silva, Julio (BRA) 278 – 26
221 Hocevar, Ricardo (BRA) 223 – 29
228 Zampieri, Caio (BRA) 218 – 26
368 Ribeiro Neto, Eladio (BRA) 110 – 17
388 Silva, Daniel (BRA) 103 – 19
394 Guidolin, Rodrigo (BRA) 100 – 18
398 Miele, Andre (BRA) 98 – 26
.

Se olharmos bem, tirando o Robin Soderling, o 2º melhor ranqueado deles é apenas o Nº 283 do mundo.
.
Enquanto o Brasil tem 2 no Top 100 e 9 no Top 200.
.
Então ficam as questões:
.
1- Quem está formando mais e melhores tenistas atualmente, o Brasil ou a Suécia?
.
2- E mesmo estando o Lindell jogando pela Suécia, quem é o maior responsável pelo seu desenvolvimento até o momento, seu técnico brasileiro ou o sueco?
.
Alguém pode até alegar que a Suécia já teve este ou aquele jogador, mas nós também já tivemos o Guga, e ponto final.
.
A mim, a distância, me parece mais o seguinte: é mais fácil o Lindell, dada a fraca concorrência lá, se tornar rapidamente o 2º melhor sueco do ranking, e assim, ao lado do Soderling, virarem o centro das atenções e detentores de todo o apoio de sua Federação, do que aqui no Brasil, onde sequer já tem o prestígio do Thiago Fernandes, então Nº 555 do mundo.
.
É como o jogador de futebol que se naturaliza português ou espanhol para ter chance de jogar uma copa do mundo, pois aqui sequer era chamado pra seleção.
.
Pode ou não pode ser?

E a situação Sueca piora muito no Ranking Juvenil:
.
Top 100 Juvenil – Suécia

75 BLOMGREN, Tobias SWE 346,5
94 LINDMARK, Stefan SWE 312,5
.
Top 100 Juvenil – Brasil

3 Tiago Fernandes BRA 837,5
49 Guilherme Clezar BRA 417,5
84 Vitor Galvão BRA 318,75
87 Augusto Laranja BRA 315
97 Karue Sell BRA 303,75
.
É lógico que não dá para se fazer um exercício de futurologia, onde o Lindell vai chegar como profissional. E é lógico também que mais vale um cara Top 1 como o Guga, Federer, Nadal, etc, do que 20 Top 200, mas o fato é que me parece que a Suécia “depende” hoje e para seu futuro muito mais do Lindell, do que o Brasil.
.
A não ser que ele vire Top 1, aí vamos chorar…

 

Comentário do Blogueiro.

Não é de hoje que existe uma tendência “cachorro vira-lata” de achar que tudo que é de fora é melhor. Especialmente quanto a técnicos. Lembro que no início dos anos oitenta tive uma discussão nessa mesma linha com um presidente da CBT que achava que a resposta para os males do tênis brasileiro seriam técnicos estrangeiros – sendo que ele também era estrangeiro. Nossas relações ficaram extremamente estremecidas quando eu insisti no contraponto que a origem de nossos problemas seriam os dirigentes, e que devíamos primeiro importar bons dirigentes, o qual talvez tenha ficado implícito que não o incluí, e depois, talvez, bons técnicos.
 

 

Notas relacionadas:

  1. Ao vivo é melhor.
  2. Castigo
  3. Chove!
Autor: paulocleto Tags: ,

quarta-feira, 18 de agosto de 2010 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 16:43

Porta-bandeira

Compartilhe: Twitter

O jovem tenista brasileiro Tiago Fernandes teve o privilégio de carregar a bandeira brasileira na abertura dos Jogos da Juventude em Cingapura e junto com a bandeira veio o peso da responsabilidade de se dar bem em torneio onde era, como cabeça de chave #3, um dos favoritos.

Logo na estréia teve dificuldades, vencendo apertado no terceiro set. Passou em dois sets para a terceira, quando acabou sendo derrotado pelo jovem russo Victor Baluda nas quartas de final. Todos os competidores têm entre 14 e 18 anos, o que dá ao evento o perfil de um torneio juvenil.

O técnico Larry Passos tem “protegido” o rapaz, chegando ao ponto de não aceitar convite para o Brasil Open para não o expor. Aos poucos Tiago começa a jogar os torneios Challengers, assim como vinha jogando os Futures, ainda misturados com alguns eventos juvenis de porte. Essa mistura é positiva e ninguém melhor do que o técnico para decidir o que é melhor para o seu pupilo.

Mas confesso que fiquei apreensivo ao escolherem, e permitirem, que Tiago portasse a bandeira na abertura, o que o colocou novamente sob os holofotes e aumentou a pressão por um bom resultado. A derrota prematura sinaliza que talvez o rapaz tenha sentido.

Tiago – muito futuro pela frente.

Notas relacionadas:

  1. Final brasileira
  2. Pauta
  3. Adeus tabu?
Autor: paulocleto Tags:

quarta-feira, 21 de julho de 2010 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 17:20

Uma realidade.

Compartilhe: Twitter

O amigo Felipe Fonseca, que mencionei no post anterior, se entregou, junto com sua equipe, liderada por Daniel Gildin, ao trabalho de levantar alguns dados sobre um aspecto do tênis profissional. Tem muito a ver com seu trabalho, mas não deixa de ser interessante como um todo, em especial para os tenistas mais jovens e os pais destes.

 O objetivo do levantamento era identificar padrões de resultados entre tenistas de 18 anos que possam indicar suas chances de chegar ao top 100 do ranking da ATP. O método utilizado foi a pesquisa de resultados que tenistas que alcançaram o top 100 tiveram até 18 anos de idade. A análise foi feita com os 100 melhores tenistas do ranking da ATP em duas datas diferentes: Janeiro de 2008 e Janeiro de 2010, utilizando datas da ATP e a FIT

 Resultados:

 1. 75% dos top 100, quando tinham 18 anos, estavam pelo menos entre os 500 melhores do ranking da ATP e/ou entre os 30 melhores do ranking juvenil da ITF.

 Além disso:

27% deles ganharam pelo menos um jogo na chave principal no Circuito ATP

34% deles chegaram a pelo menos uma semifinal de torneio Challenger

23% deles foram campeões de pelo menos um torneio Challenger

 2. Outros resultados que os tenistas do top 100 alcançaram até 18 anos:

20% deles ganharam no mínimo uma rodada na chave principal de um torneio ATP

17% foram campeões de no mínimo um Challenger.

25% alcançaram no mínimo uma semifinal de Challenger.

 3. 7% dos top 100, quando tinham 18 anos, não tinham os chamados “resultados expressivos”, então “arriscaram” ao entrar no circuito, pois seus resultados até os 18 anos não eram convincentes. Estes resultados que chamamos de “não expressivos” eram:

Estavam ranqueados acima de 800 no ranking da ATP ou acima de 200 no ranking juvenil da ITF

Estes mesmos tenistas precisaram em média 5 anos para alcançar o top 200 do ranking da ATP aos 23 anos de idade, e em média 6 anos para alcançar o top 100 do ranking da ATP aos 24 anos de idade.

 4. 6% dos top 100, quando tinham 18 anos, optaram pelo tênis universitário nos EUA.

Estes tenistas precisaram em média 4 anos para alcançar o top 200 do ranking da ATP, aos 22 anos de idade, e em média 6 anos para alcançar o top 100 do ranking da ATP, aos 23 anos de idade, geralmente com um diploma debaixo do braço.

 5. Comparativo entre tenistas que “arriscaram muito” e os que optaram pelo tênis universitário.

 Tenistas que arriscaram muito:

 Nome                      Ranking ITF aos 18 - Idade entrada no top 200 ATP-Melhor ranking ATP 

Igor Andreev              116                                             19                                                    18

Potito Starace            530                                              20                                                    27

Simon Greul               545                                                23                                                    55

Ivo Karlovic              417                                               23                                                     14

Santiago Ventura      390                                               23                                                    65

Florent Serra             432                                                 24                                                    36

Paolo Lorenzi        Sem ranking                                    24                                                    83

 Tenistas que optaram pelo tênis universitário nos EUA

 Nome                  Ranking ITF aos 18 -Idade que entrou no top 200 ATP-Melhor ranking ATP

Rajeev Ram             37                                             20                                              78

John Isner                93                                             21                                              19

James Blake             92                                             21                                                4

Michael Russel        36                                              21                                              60

Peter Luczak          318                                            22                                                 64

Benjamin Becker   199                                            24                                                 38

 Os “Universitários” chegaram ao top 200 antes que “arriscadores” e atingiram melhores rankings ATP que estes. E todos os primeiros têm diplomas de universidades entre as 50 melhores dos EUA.

 Conclusões do pessoal da “Daquiprafora”.

 1. 75% dos jogadores no top 100 da ATP, aos 18 anos, alcançaram pelo menos os seguintes resultados:

Top 500 do ranking ATP

Top 30 do ranking ITF

Pelo menos uma semifinal de torneio Challenger

 2. Entre os tenistas presentes no top 100 do ranking ATP nas datas pesquisadas, apenas 7% estavam fora do top 800 ATP e do top 200 ITF aos 18 anos. Eles demoraram, em média, cinco anos para chegar ao top 200 após concluir a carreira juvenil.

 3. 6% dos jogadores no top 100 da ATP jogaram tênis universitário. Todos estiveram pelo menos entre os 10 melhores tenistas universitários da NCAA. Chegaram ao top 200 da ATP com 22 anos em média, exatamente 4 anos após iniciar a carreira universitária, o que coincide com o término do curso.

 4. De um modo geral, se com 18 anos o tenista não tem resultados expressivos (top 500 ATP / Top 30 ITF / 1 semifinal de Challenger), ele precisa de pelo menos 4 ou 5 anos para chegar ao top 200.

5. Se o período de desenvolvimento necessário para um tenista que não é um expoente chegar ao top 200 é 4 ou 5 anos, e no top 100 da ATP há 6% de “não expoentes” e 7% de “ex-universitários”, é razoável concluir-se que tanto o caminho “arriscado” quanto o tênis universitário oferecem as mesmas chances de levar o tenista ao top 100.

6. Se tanto o caminho “arriscado” quanto o tênis universitário podem levar ao top 100, porque então não escolher o caminho que:

Garante um diploma, afinal de contas, não são todos os tenistas que chegarão ao top 100

Custa muito menos, pois é a universidade que faz o investimento no desenvolvimento do tenista (técnicos, treinamentos, uniformes, equipamentos, competições).

7. Todos que optaram pelo tênis universitário ficaram entre os 20 melhores da 1ª divisão da NCAA.

Portanto, se um tenista não alcança o top 20 do ranking da NCAA, as chances de chegar ao top 100 são mais remotas.

Finalmente um olhar sobre os tenistas brasileiros que alcançaram o top 100 no ranking da ATP em 2010 para fins de comparação com as estatísticas mencionadas na pesquisa:

                                 Ranking FIT aos 18-               Idade entrada no top 100 ATP-               Melhor ranking ATP

Thomaz Bellucci       15                                                  20                                                                  26

Marcos Daniel           20                                                  27                                                                   56

Thiago Alves             11                                                    27                                                                   88

Ricardo Mello           15                                                       24                                                                50

 Como se vê, todos os brasileiros acima estiveram entre os 20 melhores juvenis do mundo aos 18 anos.

 À parte das conclusões do pessoal do “Daquiprafora”, tomo o levantamento como resposta para aquele sem numero de delirantes que acreditam que ter sucesso no circuito profissional seja de alguma forma fácil e, em especial, como exemplo para os inúmeros pais e jovens que me perguntam quais as chances de seus filhos terem sucesso entre os profissionais, mesmo não se encaixando entre os chamados “expoentes” ou apresentando os chamados “resultados expressivos aos 18 anos”, época em que os jovens geralmente fazem suas opções quanto ao estudo ou profissionalismo no tênis.

 Como escrevi no post anterior, a tênis é um grande “abridor de portas”. No entanto, é uma das responsabilidades do tenista, e seus pais enquanto jovem, reconhecer, priorizar e escolher quais portas irá atravessar vida afora.

Notas relacionadas:

  1. Tigres, e tigresas, asiáticas.
  2. Vantagens
Autor: paulocleto Tags: ,

terça-feira, 20 de julho de 2010 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:14

Vantagens

Compartilhe: Twitter

Sempre fui um firme crente que um trabalho bem feito, seja qual for, realizado com entrega e permanente busca pela melhora, trará ao executor satisfação pessoal e financeira, duas boas razões para se levantar da cama e ir à luta.

Por isso, sempre me encantei com trabalhos em empreendimentos que fogem ao padrão e criam algo que acrescente ao indivíduo e, sempre que possível, à coletividade.

Um amigo meu, Felipe Fonseca, foi estudar em Winthrop nos EUA e jogando tênis pela universidade nos campeonatos universitários pagou por seus estudos graças a uma bolsa. Para quem gosta de tênis, assim como de estudar e abrir horizontes em sua vida, um casamento perfeito. Voltou e fundou um negócio que possibilita outros brasileiros com as mesmas paixões, talentos e força de vontade realizar seus sonhos.

Desde 2001, quando fundou a empresa “Daquiprafora”, conseguiu um total de U$45 milhões em bolsas universitárias para cerca de 800 atletas/estudantes brasileiros, sendo $23 milhões e 530 delas para o tênis, sua paixão original. Além do tênis, trabalha com esportes como natação, golfe, futebol, vôlei, atletismo e basquete em universidades como Harvard, Duke, South Carolina, Purdue, Columbia, Cornell, UCLA, Rice, South Florida, Auburn, entre as quase 300 escolas onde tem atletas. Só em 2009 a “Daquiprafora” enviou184 estudantes para os EUA, sendo 92 tenistas. Entre os tenistas brasileiros nos EUA atualmente estão Henrique Cunha, Bruno Rosa, Diego Cubas, Rafael Garcia, Jennifer Widjadja, Nicole Herzog e outros. Os bolsistas recebem – dependendo de seus históricos e das escolas – de 40 a 100% do custo das universidades, que vão das anuidades a moradias e alimentação, além do material esportivo necessário para ser competitivo.

Como fui técnico da Copa Davis por quase duas décadas, além de técnico de inúmeros tenistas e equipes juvenis e profissionais, ouvi, com enorme frequência, perguntas vindas de pais curiosos, ansiosos, aflitos e, não tão raro, delirantes a respeito do futuro tenistico de seus filhos. Apesar de minha história pública estar ligada ao tênis competitivo, só fui nele parar porque minha paixão e história é mais ampla.

Jogo desde os seis anos, minhas quatro irmãs foram campeãs juvenis brasileiras, minha mãe está com 83 anos, joga diariamente desde que se aposentou e era assídua antes disso. Tenho certeza que seu ótimo astral e excelente saúde, física e mental, passam por essa prática. Meu pai madrugava diariamente para estar em quadra às 6h, antes de ir para o trabalho. Jogou até morrer, vítima de câncer, nunca teve um quilo a mais do que deveria e divirtiu-se maravilhas com o tênis, assim como divertiu e ensinou a muitos outros.

Para mim o tênis é muito mais do que a competição esportiva que se acompanha pela mídia, recheada de ídolos e super atletas. Sempre foi “o esporte”, parâmetro de minha formação, bálsamo das atribulações diárias, motivador para a prática esportiva, assim como de uma eterna razão para a incessante busca da auto-melhora e a auto-estima.

Mas, tão importante e marcante, é um “abridor de portas” social na sua melhor concepção. No dia a dia me possibilitou abrir inúmeras, inclusive a da possibilidade de estudar nos EUA, bem antes do Felipe e sua empresa – que veio facilitar a vida de centenas em algo que antes era restrito a poucos – possibilitando a divina simbiose da paixão com a necessidade de “ganhar a vida”. E, por mais que eu me enfiasse mundo afora, sempre encontrei uma quadra e mais de um novo amigo para jogar. E quando estou por aqui, graças ao tênis-social fui criando e mantendo um rol de amigos com os quais muito me divirto.

Por isso, quando perguntado sobre as chances de um jovem se tornar um “campeão profissional”, prefiro oferecer as histórias acima. Muitas vezes não é exatamente o que querem ouvir, mas sempre elegi obedecer às minhas verdades do que ceder a de outros para manter aparências e “amigos”.

Essas “vantagens” do tênis são infinitamente mais reais do que as de um jovem qualquer ter sucesso como profissional. Para deixar isso mais claro em números, que nunca mentem, amanhã publico um post sobre levantamento feito pela “Daquiprafora que considero um “must” de leitura para todo jovem tenista e seus pais.

Se a maioria dos pais fizesse questão de que seus filhos aprendessem o tênis pelas razões outras que mencionei neste post, e outras similares, e não pelo do longínquo e árduo sonho de ver seus filhos se tornarem novos Gugas, algo viável porém com um caminho muito mais sofrido e frustrante que qualquer um deles possa imaginar, a esmagadora maioria desses jovens asseguraria um canal mais viável para a felicidade para o resto de suas vidas, além de criarem oportunidades de crescerem, pessoal, social e profissionalmente. É isso que o Felipe escolheu para si e hoje tenta tornar possível para centenas de outros jovens que souberam escolher suas prioridades e realizar suas opções.

Notas relacionadas:

  1. Tigres, e tigresas, asiáticas.
Autor: paulocleto Tags: ,

sexta-feira, 16 de abril de 2010 Juvenis, Light, Tênis Brasileiro | 23:20

1ª Classe

Compartilhe: Twitter

Eu já tinha ouvido falar do Marcus Vinícius Jaszczerski em uma ocasião que fui acompanhar, se não me engano, a Copa São Paulo, no Clube Pinheiros. Não sei ele jogou o evento e de qualquer maneira não o vi jogar.

Ainda estou curioso para poder fazê-lo, isso porque Marcos Vinicius é portador de deficiência física nos membros superiores, de tal maneira que a primeira vista o tênis seria algo descartado para o garoto.

No entanto, a deficiência do Marcos é só nos membros superiores, não atingindo seu cérebro, coração e sua vontade, que fazem muito mais diferença se um garoto vai ou não se transformar em homem que valha a pena. Marcos decidiu que a sua limitação não o impediria de jogar, como tenho a certeza que não o impedirá de fazer o que escolha para o resto de sua vida.

A mãe, Deise, como não podia deixar de ser, é a grande incentivadora do garoto, que foi homenageado com o Troféu Superação na Copa Itaú de Tênis Escolar e Universitário, onde joga a categoria de 14 anos. Deise diz que o garoto motivará outros com deficiências ter a confiança de pegar uma raquete e ir à luta, no que está coberta de razão. Isso sem falar no o que tal confiança pode fazer pelas outras áreas da vida desses meninos.

Marcos não é o primeiro, nem será o ultimo, tenista a jogar com alguma forma de deficiência física, como se pode ver entre os cadeirantes. Assisti algumas partidas desses no U.S. Open. São assustadoras, ei quase cai da cadeira, pela maneira que conseguem bater na bolinha e pelo o que eles conseguem fazer em quadra. Assim como já vi pelo menos três pessoas jogando tênis com um único braço – lançando a bolinha para sacar com a própria raquete, algo que as regras oficiais do tênis amparam.

Não sei o quanto Marcos, que como podem ver na foto abaixo é um garoto bonitão, consegue realizar em quadra e o quanto ainda poderá fazer. Mas ao decidir, de vontade própria, enfrentar esse desafio, no meu caderno ele já é 1ª classe.

Marcos Vinicius – aos 14 anos já 1a classe.

Autor: paulocleto Tags:

segunda-feira, 15 de março de 2010 Juvenis, Tênis Brasileiro | 10:35

Os campeões do Banana Bowl

Compartilhe: Twitter

Se alguns anos atrás o Brasil perdeu o status do Banana Bowl, como um dos melhores torneios juvenis do mundo, pelo menos à distância o evento parece encontrar novamente seu caminho. Como já escrevi, não pude comparecer, apesar do convite da CBT, mas dentro do possível o acompanhei à distância. Será ainda mais interessante se encontrar o caminho de volta a São Paulo, onde foi criado pela federação local e onde atingiu seu ápice. Para tal, as forças locais deverão reviver seus esforços.

Infelizmente, mais uma vez o Brasil não ficou com os títulos dos 18 anos, a principal categoria. Foi melhor nas outras idades, até porque a presença estrangeira não é tão marcante.

Chamou a atenção dois brasileiros na final dos 16 anos. Será interessante acompanhar a carreira desses dois, assim como está sendo acompanhar Tiago Fernandes e Guilherme Clezar, que, infelizmente, não tiveram sucesso em Blumenau.

Vale mencionar a presença da filha de Flávio e Paula Alves, esta irmã de Fernando Meligeni, na final dos 14 anos, assim como a vitória desse interessantíssimo jovem baiano Silas Cerqueira, que venceu os 14 anos do Banana, assim como de tudo que vem jogando.

Os vencedores e finalistas foram:

18 Fem: Beatrice Capra EUA vc Ulrikke Eikeri (Nor)

18 Masc: Juan Sebastian Gomez (Col) vc Renzo Olivo (Arg)

16 Fem:Francesca Rescaldini (Arg) vc Maria P. Deheza (Bol)

16 Masc: Thiago Monteiro (Bra) vc Gustavo Castro (Bra)

14 Fem: Sara Gimenez (Par) vc Carolina Alves (Bra)

14 Masc: Silas Cerqueira (Bra) vc Matias Zukas (Arg)

Houve também eventos não oficiais dos 10 e 12 anos.

Abaixo algumas fotos da garotada.

 


 

Notas relacionadas:

  1. Sandálias da humildade
  2. Adeus tabu?
  3. O tabu permanece
Autor: paulocleto Tags:

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. Última