Com a chuva caindo, após mais uma noite em que fui dormir tarde, por conta do trabalho é bom lembrar, torna-se incontornável enxergar o mundo por um prisma um tantinho mais deprimente, senão realista, e começar a pensar um pouco na contra mão. A conclusão de tais elucubrações é que o atual circuito do tênis feminino é o naufrágio das idéias de Adam Smith e o ressurgimentos das teorias do velho Marx.
Não quero menosprezar ninguém, mas se até as próprias mulheres levantam a duvida!? As mulheres devem receber a mesma premiação do que os homens? Se olharmos pelo lado de que o que elas ganham não afeta em nada o que os homens ganham, então tudo bem. Porém, se olharmos pelo lado de uma comparação não deveriam.
Primeiro porque os homens jogam cinco e as mulheres jogam três sets. As horas masculinas de trabalho são mais longas e as condições mais inóspitas. Se isso não é argumento – e a WTA prefere discutir o sexo dos anjos e ouvir a missa em latim do que discutir esse ponto – então se poderia apelar para a “oferta e demanda”, a sábia regra que regula o mercado. Mas isso também é total heresia no ambiente da WTA, suas fundadoras e, óbvio, suas atuais atletas.
Poderíamos trazer à discussão o fator qualidade, sempre um diferencial no mercado onde impera o laissez-faire, e algo totalmente ignorado, ou melhor, desprezado, nos ambientes mais socialistas.
Considerando as partidas que temos acompanhado das melhores tenistas do mundo – e como toda regra, com suas excepcionais exceções – derretendo técnica e mentalmente em quadras, como se fossem meras tenistas 2ª classes (sem ofensas Maysa), cometendo um sem números de duplas-faltas, por conta de óbvia carências, física e emocional e, consequentemente, oferecendo um espetáculo de menor valor para o público, nos faz pensar como as idéias da “Mais Valia” do barbudo se encaixariam nessa discussão.
Existem momentos mágicos em nossa história que, não raro, só realizamos sua importância e magia mais tarde. Durante onze anos seguidos fui a Wimbledon, escrevendo para o Jornal da Tarde e O Estadão onde contava minhas aventuras e desventuras no torneio e na cidade de Londres.
Com o tempo consegui algo que, infelizmente, com o tempo decidi abrir mão; uma cadeira cativa na Quadra Central, o palco mais restrito e famoso do mundo esportivo. Posso garantir que essa cadeira, que tem um número limitado, é imensamente difícil de merecer e conseguir e que todo mês de Julho tenho saudades dela.
Em 2001, Pete Sampras, então com 30 anos incompletos, defendia seu título do ano anterior, assim como os sete conquistados anteriormente no All England. Nas oitavas de final, quis o destino que ele enfrentasse Roger Federer, 20 anos incompletos, dono de um único título no ATP Tour, em Milão, em Fevereiro daquele ano.
Eu já tivera a oportunidade de ver o suíço jogar, como juvenil e como profissional, em algumas oportunidades anteriores. Conhecia seu talento natural, suas habilidades e tinha curiosidade em ver aonde suas qualidades poderiam levá-lo. Achei que assisti-lo enfrentar o hepta-campeão na Quadra Central seria um bom programa.
Fiz um lanche rápido, escrevi minha coluna do dia e fui ao templo sagrado do tênis completar o programão do dia – acompanhar o jogo que começou no meio da tarde. O que presenciei naquele dia foi História.
A partida, vencida por Federer por 7/6 5/7 6/4 6/7 7/5, foi a única entre esses dois tenistas que marcaram a história do tênis. Até ontem, com a vitória de Federer em Paris, havia a dúvida sobre o “Melhor da História”. Talvez ainda exista. Mas se o leitor quiser um tira-teima, um divisor de águas, um símbolo, esse é o confronto.
De um lado da quadra, onde conquistara o mais reconhecido sucesso de sua magistral carreira, o experiente Sampras começava a contemplar o crepúsculo de sua carreira – só venceria mais um Grand Slam, em Nova York no ano seguinte. Do outro lado da rede, um jovem talentoso, habilidoso e desinibido como poucos em palco tão exigente, no qual pisava pela primeira vez, só conquistaria seu 1º GS naquela mesma quadra dois anos depois.
Sampras era, claramente, o favorito – do jogo e do público. Federer a auspiciosa promessa. O confronto foi inesquecível, pela qualidade, pela surpresa, pela circunstância. Como uma premonição do por vir, Federer saiu vitorioso, na que foi a melhor partida do torneio, derrotando um campeão que estava a 31 partidas consecutivas invicto no torneio. Naquele dia, Roger mostrou todas as qualidades, técnicas, emocionais e mentais, que o levaram a bater o então campeão e o levariam a um dia desbancar o então melhor da história.
O jogo foi um dos últimos e inesquecíveis confrontos do mais purista e clássico saque-voleio do tênis. Uma exibição para fazer sonhar todos aqueles que cresceram admirando o tênis original praticado sobre a grama e que hoje, por N razões, começa a pertencer a um passado tão distante quanto o das cartas de amor e viagens de trem. E, com certeza, são as essas imagens, das quais apresento breve amostra no vídeo abaixo, mais uma das razões pela qual o mundo se curva e cede, com tranqüilo desprendimento, aos encantos do tênis praticado por esse terrivelmente “cool” tenista dos Alpes.
Como curiosidade, coloco abaixo trechos pinçados da minha coluna do Jornal da Tarde da época, onde menciono o garoto Roger Federer. Eles estão exatamente como foram escritos, pouco mais do que oito anos atrás.
“ Na segunda semana de Wimbledon as partidas concentra-se nas quadras principais. As secundárias passam a ser usadas pelos juvenis e os veteranos. O evento juvenil, que é disputado desde 1947, é oficial e tem suas inscrições por mérito. O dos veteranos é um evento por convites. Entre as garotas tivemos uma semi-finalista na figura de Vera Lúcia Cleto em 1968. Entre os garotos já tivemos dois finalistas. O paranaense Ivo Ribeiro em 1957 e o carioca Ronald Barnes – brasileiro com o tênis mais bonito e vistoso que já pegou numa raquete – em 1959. Quem me lembra o seu estilo é o suíço Roger Federer, tenista que é um prazer assistir.”
“O suiço Roger Federer, de 19 anos, é, junto com o russo Marat Safin, o maior talento da nova geração. O seu, além de ser um tênis de resultados, é também o mais vistoso das quadras. Elegante, do instante em que entra na quadra, ao momento que cumprimenta o adversário, é um “gentleman” também fora delas. Durante as partidas mantém uma postura raramente vista em tenistas da sua idade. Às vezes parece carecer uma pitada de garra. Talvez o tênis lhe seja tão fácil que nos parece sem esforço. Sua vitória sobre Pete Sampras veio como uma surpresa somente para aqueles que não tem tido a oportunidade de acompanhar a sua breve carreira.”
“ Somente as agruras de Sampras não seriam o suficiente para causar sua derrota em Wimbledon. Ele precisaria encontrar um adversário a altura. E foi isso que aconteceu ao enfrentar o maravilhoso tenista Roger Federer. O amigo leitor pode ficar sossegado. Ainda vai ver muito esse “young gentleman” suíço. Isso porque, insisto, o rapaz tem o tênis mais bonito que freqüenta as quadras do tênis profissional.”
Confesso, sem maiores inibições, uma pitada de orgulho em ter escrito essas linhas, assim como uma alegria interior em ter presenciado essa premonição da história oito anos atrás.
Este video é para os fãs do Rafael Nadal, fanáticos como o Matteoni e Cia. Já que o espanhol chegou lá muito pela força mental e bastante pela força física, vale dar uma olhadinha o que ele fica fazendo no terraço de casa só para dar uma aquecidinha.
Lembro que quando eu treinava juvenis era mandatório carregar cordas na mala. Tá sem o que fazer? Tá ansioso? Tá com energia? Tá começando a encher o saco? Vai pular corda! Fui no Banana Bowl não vi uma alma o fazendo. Talvez até o façam. Mas deveriam fazer muuuuuito mais.
Quem sou eu para colocar pressão em alguém, mas o Thomaz Bellucci deve estar sentindo uma certa ansiedade com a 1ª rodada de Roma. São várias derrotas inesperadas, ou pelo menos não bem vinda, em rodadas iniciais. Teoricamente, ou pelo menos na sua experiência, ele está jogando em seu piso favorito, apesar de que, como já escrevi, eu aposto nas duras para ele no médio prazo. A pressão é por conta dos 300 pontos que caem nas próximas semanas, a Copa Davis no meio da temporada de saibro e a ânsia por melhores resultados.
Ele executou bem a primeira parte da tarefa em Roma ao passar pela qualificação; nunca algo simples. Agora, pega na 1ª rodada o espanhol Feliciano Lopez, que no saibro está mais para Jose Feliciano. O cara é sacador, bom voleador, tem uma direita decente e uma esquerda que só não é cega porque ele usa bem o elice, sempre uma arma na terra. Mas é vulnerável e não muito confiante nesse piso.
O jogo do Thomaz não é muito distinto do adversário, mas seu revés é melhor, além de ser sacador também e ter uma direita mais agressiva. A pergunta, ainda sem resposta, é se ele já conseguiu colocar todas as peças no lugar.
A primeira rodada é sempre tensa. Para os dois tenistas.
Com a realização do Banana Bowl de 14 e 16 anos, foi difícil para os sócios jogarem nas quadras do Clube Pinheiros na semana passada. Algumas quadras eram reservadas para os sócios, sempre com a marcação cerrada da garotada, ávida por entrar em quadra.
Mesmo assim, mantive meus compromissos anteriores e fui para a alegria. Mais para o fim da semana, estava sentado na lanchonete do clube mexendo em meu novo celular, o qual está dando de 10 x 0 em mim, quando fui abordado por um rapaz de uns trinta e poucos anos, com as inconfundíveis e marcantes feições andinas.
Ele perguntou se eu era Paulo Cleto e explicou que tinha acompanhado meu trabalho como capitão da Copa Davis, especialmente contra o Perú, seu país. Fernando, esse é o seu nome, perguntou se podia interromper por uns instantes e agradeceria se eu dissesse algumas palavras a sua irmã que pudessem ajudar em sua carreira.
Por um instante achei interessante que fosse abordado justamente por um estrangeiro para opinar. Coloquei o celular de lado e concordei. O rapaz então acenou à distância e uma menina, ainda franzina, de pele morena e os olhos atentos se aproximou. Fernando nos introduziu – esta é minha irmã Patricia.
Conversamos durante uns 15 a 20 minutos, onde eles perguntaram algumas coisas, eu coloquei outras, investindo sobre questões, dúvidas e alternativas no tênis feminino. Ela mostrou-se um pouco alarmada sobre o fato de eu mencionar que teria que investir no preparo físico e encorpar, considerando o tênis feminino atual. Perguntou se era “muy flaca” e respondi, diplomaticamente, que não para a idade – ela tem 15 anos, mas sim para o futuro. A conversa correu fácil e ao final os dois agradeceram e partiram para o mar de jovens atletas que habitava a lanchonete.
Enquanto tentava mudar o toque do meu celular, lembrei quando anos atrás uma de nossas maiores revelações femininas me procurou dizendo que seu pai a tinha orientado a conversar comigo sobre sua carreira. Em respeito a seu pai, um conhecido, respondi a verdade – algo que nem sempre se deve dizer a um tenista ou a uma moça.
Àquela altura já havia uma expectativa sobre o futuro da tenista. Ela era bem patrocinada e mais bem amparada do que qualquer outra tenista no país. Seus golpes eram razoáveis, nenhuma brastemp, mas com boa margem de melhoras. Seu físico era trabalhado, boas pernas, forte na parte superior e, assim como os golpes, com espaço para melhoras. Ela tinha então um ou dois anos mais do que a morena peruana.
No entanto, algo me intrigava e importunava no seu jogo. Apesar do esforço nos golpes, e dos gemidos que o acompanhava, sua bola “não andava”. Caiam quase todas no meio e no centro da quadra. A moça não matava um ponto e dependia do erro alheio. Tentei explicar isso a ela e o quanto era vital que ela mudasse isso de imediato, ao risco de ver seu tênis estacionar.
Percebi que não era bem isso que a moça queria ouvir e descobri, com os anos, que ela nunca investiu em mudar essa característica. Hoje, anos mais tarde, está por ali, no mesmo padrão que estava então.
A peruana Patricia Ku venceu o Banana Bowl até 16 anos batendo a argentina Florencia de Biasi na final. Algumas coisas me chamaram a atenção em seu jogo. A menina bate na bola sem medo dos dois lados. Apesar de ser “mas flaca” do que a finalista, e outras adversárias, a bola dela anda que é uma beleza. Além disso, pelo o que vi, que foi pouco, e pelo o que ouvi de outros treinadores, que foi bem mais, Patricia é lutadora e encardida. Em outras palavras, uma vencedora.
Não sei, nunca se sabe, qual será seu futuro. Para mim será interessante acompanhar à distância o progresso dessa tenista, pelo talento e até porque seu irmão e técnico foi o único a vestir as sandália da humildade e procurar, com quem ele imaginou poderia acrescentar, alternativas ao trabalho que está executando.
Dentro do complexo de Indian Wells existe um gramado onde os tenistas gostam de se alongar, dar suas corridinhas, se aquecer, tomar um sol, uma certeza diária no deserto da Califórnia. Esse é um cenário diferenciado de boa parte dos eventos, como por exemplo, Miami ou U.S Open, onde tudo é cimentado ou totalmente “no friendely outdoors” para os tenistas.
Abaixo coloco duas pequenas curiosidades ou quizzes para vocês.
Primeiro, concorrendo ao grande prêmio, quem é a tenista na foto se alongando e fazendo o dia de seu treinador?
Segundo, esqueçam, se possível, da Aninha mostrando que tem ou mãos de manteiga ou total falta de coordenação nas mesmas, e descubram uma das coisas inexplicáveis no tênis brasileiro.
Copa Davis; para mim o momento mais dramático e emocionante do circuito. As emoções são tantas, dentro e fora das quadras, que extraem atitudes e façanhas tão inesperadas quanto fascinantes dos tenistas.
A Argentina, após perder a chance de décadas, tenta, e não sei se conseguirá, se reagrupar para novas tentativas, especialmente por atravessar aquele momento mágico em que dois grandes tenistas convivem em um mesmo time. Se a liderança do time conseguir unir o time, grandes coisas podem acontecer. Se não, novas tragédias serão inevitáveis.
Para tentar realizar isso, a federação chamou Tito Vasquez para ser o capitão no lugar de Mancini. Conheço Tito desde os tempos em que jogávamos torneios juvenis. Estudamos na mesma época nos EUA, ele foi tenista profissional por mais de uma década, técnico de Victor Pecci quando este atingiu seu melhor momento, trabalhou alguns anos na federação inglesa, está de volta a Buenos Aires há algum tempo, onde segue escrevendo poesias nas horas vagas, além de ter “roubado” a mulher de Alain Delon nos anos setenta.
Duvido que Tito fosse a primeira escolha dos tenistas atuais, mas foi a escolha da federação para colocar ordem no time. Após a derrota para a Espanha na final sobraram acusações, veladas e diretas, entre Nalbandian e Del Potro. Os argentinos, apesar do que alguns tolos afirmam por aqui, raramente são grandes amigos fora das quadras. As feridas continuam.
No primeiro confronto desta temporada a Argentina fica sem Nalbandian, doente, e Del Potro, que alega estar focado em jogar em quadras duras e não quis voltar para jogar no saibro portenho. Nalbandian havia aceitado a convocação, mas um vírus o fez se afastar. Del Potro já havia avisado que não jogaria a primeira rodada, mas aceitaria jogar a partir da segunda rodada.
Os argentinos partem do princípio que a primeira rodada contra a Holanda, atualmente sem tenistas entre os 100 melhores, será uma baba. Não deixam de ter razão. Mas conforme Tito foi sondando seus tenistas, vários pularam fora, oferecendo uma gama de razões pessoais; entre eles Calleri, Canas e Acasuso.
Como na Argentina sobra tenista, ainda deu para montar um time formado por Juan Monaco, Juan Chela, Lucas Arnold e, agora, no apagar das luzes, Martin Vassalo Arguello. Monaco contundiu o tornozelo na final de Buenos Aires, mas não quer nem cogitar ficar fora do time – é jovem, quer mostrar serviço e passa pelo momento de confirmação na carreira.
Mesmo sem suas estrelas o time de Tito Vasquez deve vencer sem maiores dificuldades. Mas o capitão terá que trabalhar diplomaticamente para montar o seu melhor time para a próxima rodada, quando jogará de visitante contra a França ou Rep. Checa.
Como declarou Lucas Arnold, o mais veterano do time; “é necessário mais transparência, não podemos mais jogar a sujeira para debaixo do tapete. Não temos que ser amigos, mas temos que nos unir para um objetivo maior”. Se Tito conseguir convencer os principais interessados que esse é o espírito que deve prevalecer, de fato, terá realizado uma das principais e mais difíceis tarefas de um capitão de Copa Davis.
Jan. de 1967: Coffe Cup, Costa Rica – PC, Felipe Tavares e Tito Vasquez.
Não apareceram grandes surpresas na chave feminina. Das quatro tenistas que tinham chance de terminar o evento como líderes do ranking mundial, duas estarão na final no sábado e uma perdeu nas semifinais.
Serena Williams continua sendo a mais perigosa de todas. No dia que ela está decidida jogar é praticamente imbatível. Especialmente pela capacidade de levantar seu padrão nos momentos em que a adversária vai tomar conta do jogo ou mesmo vencer. Uma qualidade rara e valiosa. Se a americana vencer será o seu 10º título de Grand Slam, muito mais do que tinham as outras três semifinalistas; zero.
No início do torneio escrevi que Dinara seria uma das favoritas ao título. Não sou adivinho, mas me mantenho informado e gosta de analisar variáveis para fazer projeções. Para ela, vencer na Austrália, como seu irmão, faz muito sentido. No entanto, acredito que a russa teria mais chances de sair com o título se fosse qualquer outra a adversária. Ainda acho Serena mentalmente mais forte. A irmã de Marat terá que jogar ainda mais do que jogou até agora para intimidar e acuar a adversária. Porque só assim que se bate Serena em uma final. É possível; vocês já viram o tamanho dos braços e da “asa” da moça?
Com o tamanho atual das tenistas, fico imaginando como a Juju Henin se colocava mentalmente para enfrentar essas moças? Será que em dez anos as tenistas serão ainda mais parecidas com as moças do handebol? Habilidades voltarão a falar mais alto, ou tão alto, quanto a força física?
Alertado pelo leitor Jefferson Guimarães tomei conhecimento das declarações do Chico Costa, glorioso capitão da Copa Davis. Ele critica, com ênfase, a decisão do jovem Henrique Cunha em aceitar o convite de uma universidade nos EUA. Chico considera a decisão como um plano B para quem quer se tornar profissional no tênis. Diz que isso acaba com o sonho do rapaz em ter sucesso no circuito e que a escolha seria mais por insegurança do que por convicção e que alguém o teria influenciado, vendendo gato por lebre e pedindo para desistir de seu sonho.
As declarações de Costa parecem ser também influenciadas por razões e preocupações pessoais. Ele treinou o rapaz no passado e em 2009 Cunha faria parte do Instituto Brasil onde Costa trabalha. Não sei os detalhes da decisão de Cunha, mas ele deve ter suas razões. Soube que a escola seria a UCLA, uma boa universidade e um dos melhores programas de tênis entre as escolas americanas.
Em parte Costa tem razão. Atualmente esse não é o caminho escolhido pelos jovens que tem como prioridade o profissionalismo no tênis. O que no passado era praxe hoje é cada vez mais raro. Em uma universidade de ponta os estudos têm tanta importância quanto o esporte. O outro lado da moeda é que o pessoal que abandona os estudos e vive de jogar Futures e Challengers mal sabe escrever, pensar fora do assunto tênis e fazer contas. Perdão, contas de somar até que fazem sim, mas vocês pegaram a idéia.
Mas, também não é inviável, nem sei se esse é o plano de Henrique, passar uma ou duas temporadas em uma boa escola em Los Angeles, com bons treinos e ótima infra-estrutura, jogar o circuito americano universitário que é tão competitivo quanto um bom Future, aproveitar as férias para jogar o circuito de verão americano e descobrir como o seu tênis e sua cabeça estão caminhando. Ter uma boa educação nunca fez mal a ninguém e voltar ao circuito internacional aos 19, 20 anos não é o fim do mundo. O brasileiro Luiz Mattar só entrou no circuito profissional aos 22 anos depois de cursar engenharia. Fez excelente carreira, chegou a 29 do mundo, ganhou 7 títulos na ATP e hoje, liderando seu próprio negócio, possui um patrimônio maior do que Gustavo Kuerten sonhou ter.
Como questiona Chico Costa, a decisão deveria ser feita por convicção e não pelo receio de enfrentar o incerto que o circuito profissional oferece para a esmagadora maioria que o adentra. Porém, com suas declarações, o treinador levanta a hipótese de que o jovem não tem o necessário para ser um competidor de fato, enquanto ignora as incertezas normais que atravessam a mente dos jovens nessa idade. Tenho minhas dúvidas se trazer assunto a público, com a ênfase nas críticas, foi a melhor idéia ou se foi a maneira que o capitão da Davis encontrou para mostrar sua frustração e, usando da força de seu cargo, pressionar publicamente o jovem tenista.
Como eu mencionei a semana passada o Orange Bowl, nada mais justo do que atualizá-los com os resultados do torneio que terminou este fim de semana.
Entre os meninos até 18 anos o título ficou com o indiano Yuri Bhambri, que bateu na final o americano Jarmere Jenkins. Entre as meninas, a WC Julia Boserup correu por fora e ficou com o título após bater outra WC americana, Christina McHale. Parece que eles estão escolhendo bem as convidadas.
Uma questão interessante que aparece no final da temporada dos juvenis é: será que os investimentos no tênis asiático finalmente vão começar a dar frutos? Não deixa de ser curioso descobrir que dois asiáticos fecham o ano como os melhores juvenis do mundo. Entre as mulheres, Noppawan Lertcheewakarn – imaginem eu ter que falar o nome da moça na TV – foi à final de Wimbledon e venceu 4 torneios na Ásia para ficar com o título.
Entre os rapazes, Tsung-HuaYang ficou com o cedro após vencer RG e ir à final do AO, além de vencer as duplas no AO e Wimbledon. Aliás, bom sinal um tenista que jogue bem simples e duplas. O indiano Bambri ficou em segundo lugar e o brasileiro Jose Pereira, que investiu no circuito juvenil ficou em 9º, e Henrique Cunha em 18º. Entre as meninas brasileiras nenhuma entre as 25 primeiras.
Com a palavra a Confederação Brasileira de Tênis. Ou alguma asiática.
E, só para confirmar, junto com os juvenis, a FIT obedeceu o ranking e indicou formalmente Rafael Nadal e Jelena Janjovic como os Campeões do Mundo.
Foi técnico de jogadores como Luiz Mattar, Jaime Oncins, Carlos Kirmayr e Cássio Motta. Dirigiu a equipe brasileira na Taça Davis durante 17 anos e a equipe olímpica em Seul, Barcelona e Atlanta. Foi chefe da equipe no Panamericano de Winnipeg e técnico de equipes juvenis brasileiras campeãs Sul-Americanos e Mundiais.