Enquanto a bola apanha na Califórnia de gente grande, lá pelos lados de Sta Catarina ela apanha de gente não tão grande, ainda.
O Banana Bowl, que um dia foi um dos maiores torneios juvenis do mundo, já não o é há alguns anos, começa a ser disputado pelos melhores do Brasil e alguns dos melhores do exterior.
Já escrevi inúmeras vezes sobre o torneio, um evento que merece a maior das atenções dos dirigentes, como parece estar sendo novamente o caso após anos de desleixo que custaram seu status. Hoje vou aproveitar o gancho de um dos leitores, que não parece ser um sofasista e postou uma lista, incompleta, de campeões do Banana e ficou surpreso em não conhecer uma boa parte.
Até 1975 só sul-americanos participavam. Já a partir de 1977 tenistas de todo o mundo estavam presentes. Este foi o ano mágico em que as semifinais, jogadas no Tenis Clube de Santos, reuniram Ivan Lendl, John McEnroe, Yannick Noah e Cássio Motta, que chegou a ser o #2 do mundo juvenil e #3 de duplas profissional, algo que a maioria dos sofasistas desconhece. Quatro meses depois McEnroe passaria o qualy de Wimbledon e ira à semifinal, perdendo para Connors.
Em 1981 foi a ultima vez que um brasileiro, Eduardo Oncins venceu – na época o evento reunia os melhores do mundo e era comparável a um Grand Slam. O técnico de Eduardo era este que lhes escreve.
Vou comentar a lista, a partir de 1976, focando naqueles que devem estar fora do radar dos meus leitores e foram vencedores das chaves de 18 anos, feminina e masculina. Estou tendoa esperança que os leitores conheçam os mais óbvios, esqueçam os que foram irrelevantes e perdoem que alguns eu não tenho ideia do que lhes aconteceu.
1969 – Roberto Graentz (ARG) e Marlene Flues (BRA)
1970 – Joaquim R. Filho (BRA) e Beatrice Chrystman (BRA)
1971 – Roger Guedes (BRA) e Andrea C. Menezes (BRA)
1972 – Victor Pecci (PAR) e Elza Rodrigues (COL)
1973 – Flávio Arezon (BRA) e Patrícia Medrado (BRA)
1974 – Eddie Pinto (BRA) e Adriana Villagran (ARG)
1975 – Fernando D. Fontana (ARG) e Emilse Raponi (ARG)
1976 – Jose Luis Clerc (ARG) e Viviane Locicero (ARG)
1977 – John McEnroe (EUA) e Claudia Casablanca (ARG)
1978 – Alexandro Gonzabal (ARG) e Claudia Casablanca (ARG)
1979 – Raul Viver (EQU) e Claudia Monteiro (BRA)
1980 – Roberto Arguello (ARG) e Graziela Perez (ARG)
1981 – Eduardo Oncins (BRA) e Helena Sukova (TCH)
1982 – Martin Jaite (ARG) e Helena Olsson (SUE)
1983 – Bill Stanley (EUA) e Silvana Campos (BRA)
1985 – Franco Davin (ARG) e Patricia Tarabini (ARG)
1986 – Gilbert Schaller (AUT) e Gisele Miró (BRA)
1987 – Alejandro Aramburu (PER) e Maren Kemper (ALE)
1988 – Patricio Arnold (ARG) e Andréa Vieira (BRA)
1989 – Fernando Meligeni (ARG) e Florencia Labat (ARG)
1990 – David Witt (EUA) e P. Kukov (TCH)
1991 – Johannes Unterberger (AUT) e Roberta Burzagli (BRA)
1992 – Erik Casa (MEX) e Larissa Schaerer (PAR)
1994 – Federico Browne (ARG) e Meilen Tu (EUA)
1995 – Mariano Zabaleta (ARG) e Lilia Osterloch (EUA)
1996 – Petr Kralert (TCH) e Lilia Osterloch (EUA)
1997 – Luis Horna (PER) e Sarah Taylor (EUA)
1998 – Fernando Gonzalez (CHI) e Milagros Sequera (VEN)
1999 – Paul Henri Mathieu (FRA) e Aniko Kapros (HUN)
2000 – Andy Roddick (EUA) e Maria Emilia Salerni (ARG)
2001 – Gilles Muller (LUX) e Svetlana Kuznetsova (RUS)
2002 – Marcos Baghdatis (CHP) e Myirian Casanova (SUI)
2003 – David Brewer (ING) e Alisa Kleybanova (RUS)
2004 – Eduardo Schwank (ARG) e Alisa Kleybanova (RUS)
2005 – Leonardo Mayer(ARG) e Sharon Fichman (CAN)
2006 – Albert Ramos (ESP) e Alize Cornet (FRA)
2007 – Ricardo Urzua-Rivera (CHI) e Tamaryn Hendler (BEL)
2008 – Juan Vasquez Valenzuela (ARG) e Ana Bogdan (ROM)
2009 – Yannik Reuter (BEL) e Camila Silva (CHI)
2010 – Juan Sebastian Gomez (COL) e Beatrice Capra (EUA)
2011 – Mathias Bourgue (FRA) e Yuliana Lizarazo (COL)
Rasgado foi estudar nos EUA e ficou por lá, trabalhando inclusive da federação local.
A Bea Chrystman continua faturando todos os eventos veteranos Brasil e mundo afora e ainda ontem a vi batendo um paredão no Pinheiros com um fone de ouvido.
Roger Guedes, que foi pro durante anos, segue em Bauru e ganhando todos os torneios de veteranos que joga. A carioca Andrea Menezes, que não foi pro e tinha um lindo par de pernas eu nunca mais vi.
Será que alguém aqui não conhece o Victor Pecci – o pior é que não. O paraguaio, dono de um tênis vistoso foi top 10 durante anos e finalista de RG contra Borg. Grande figura.
O Flávio Arenzon eu vi no Aberto de São Paulo e ainda joga tênis no Clube Paulistano. A Medrado todos conhecem.
O Eddie Pinto foi o ultimo grande tenista de Pernambuco. O canhoto tinha uma bomba na mão esquerda, muita habilidade e bolas venenosas. Não foi ao profissionalismo.
Clerc foi #3 do mundo, semifinalista em RG e um dos melhores jogador de saibro de sua época, hoje comenta para a ESPN.
Claudia Casablanca foi uma das melhores juvenis da história e não conseguiu decolar a carreira profissional.
Raul Viver ganhou o Orange Bowl, jogou muitos anos como profissional na zona mediana e hoje é capitão da Davis de seu país. Claudinha Monteiro, contemporânea de Patricia Medrado, vive há muitos anos nos EUA.
Roberto Arguello, foi #1 do mundo como juvenil, ganhou também o Orange e teve a carreira interrompida pela Guerra das Malvinas, quando foi convocado. Morou até poucos anos atrás aqui no Brasil sem ninguém saber. Um verdadeiro gentleman argentino.
Eduardo, irmão de Jaime, teve até pouco tempo uma academia em São Paulo junto com os irmãos. Helena Sukova foi uma das melhores tchecas da história, com vários títulos de duplas em GS. Sua mãe é um ícone como técnica na Rep. Tcheca.
Jaite foi top 10 durante anos e jogou bastante no Brasil em uma época que o país tinha muitos bons torneios. Um tenista que tirava leite de pedra com seu tênis.
Silvana Campos foi a melhor brasileira de sua época, como infanto-juvenil, mas não decolou como pro. Foi casada com o saudoso Sócrates e é irmã do atual presidente da FPT, Paulo Campos.
Franco Davin, tenista canhoto, rápido e brigador, teve uma boa carreira como pro e é o técnico de Del Potro.
Aramburu, peruano com uma direita monstro e uma esquerda nula, arrasou como juvenil e sucesso bem restrito com pro.
Patricio Arnold, argentino, e Andrea Vieira ganharam no mesmo ano – 88. Casaram, tiveram uma menina e se separaram. Ela trabalha com tênis em São Paulo e ele coordena o infanto-juvenil da CBT.
David Witt chegou a ter algum sucesso como duplista no circuito.
Robertinha Burzagli foi a última brasileira a vencer o torneio – em 91 – e trabalha com tênis no Brasil. Às vezes viaja acompanhando jovens pela FIT.
Federico Browne foi uma grande promessa argentina com carreira bem mediana nos pros.
Zabaleta jogou até pouco tempo, incomodou bastante no saibro e na 2ª parte de sua carreira perdeu a motivação. Foi contemporâneo de Kuerten.
Luiz Horna foi um dos caras que mais deu na bolinha que já apareceu nas quadras. Nem sempre sabia onde elas iam. Teve algum sucesso como pro. Quando Federer estreou em RG foi derrotado pelo peruano.
Os mais recentes, a partir de 1999, qualquer sofasista que acompanha o tênis conhece. Tirando aqueles que não conseguiram nenhum sucesso como pros e/ou abandonaram a carreira. Ex: Casanova, Brewer, Fichman, Urzua Rivera, Hendler, Valenzuela, Reuter etc, provando que sucesso como juvenil não é garantia de sucesso como pro, ao contrário do que muitos, especialmente os pais, acreditam.
Roberta Burzagli