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Arquivo da Categoria História

domingo, 28 de fevereiro de 2010 Copa Davis, História, Tênis Masculino | 13:48

Tremeu

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Apesar das finais de alguns torneios – Acapulco, Dubai, Delray Beach e Kuala Lampur – me sinto propenso a falar sobre o drama chileno.

Se é para fazer um link com o tênis da tragédia que aturde os hermanos, e que me deixa triste e passado, lembro do confronto da Copa Davis entre a Suécia e o Chile que era para acontecer a partir do dia 8 de Março de 1985, no Estádio Nacional de Santiago. Os suecos, liderados por Mats Wilander, e os então campeões, chegaram no sábado anterior e no Domingo a terra tremeu feio no Chile.

Os vikings subiram no 1º avião indo para algum lugar e abandonaram a competição. Lembro que a fugida deles causou o maior furor, já que os chilenos queriam jogo, que aconteceria no fim de semana seguinte.

Depois de muita, muita mesmo, confusão e negociações, uma nova partida foi marcada, cerca de um mês depois, lá mesmo em Santiago.

Desta vez, Wilander ficou de fora e os suecos foram de Edberg, um dos tenistas mais elegantes da história, que foi volear na altitude de Santiago, e Henrik Sundstrom, um maluco que foi campeão mundial juvenil, chegou a #6 do mundo e foi um dos heróis do título da Davis em 1984, ao bater Lendl na semis e McEnroe na final. Do dia para noite começou a perder partidas incríveis, pirou e desapareceu do circuito aos 25 anos. O encontrei pelas ruas de Paris 15 anos mais tarde em Paris, tomamos um drink e conversamos brevemente. Morava na Suíça e trabalhava como corretor de imóveis.

Os suecos venceram aquele confronto por 4×1, após Hans Guildmeister bater Edberg na 1ª partida. Mas Sundstrom bateu Pedro Rebolledo e Guildmeister e acabou com as esperanças andinas. Foi um dos poucos a bater Hans em Santiago.

No próximo fim de semana os chilenos devem receber os israelenses em Coquimbo, no norte do país. Por enquanto confirmam a competição. Não acredito que os israelenses vão criar muitas dificuldades, até porque em devem estar acostumados com a terra tremer, mesmo que por razões distintas.

Davis_Cup_1984s

Henrik Sundstrom, o primeiro a direita.

Notas relacionadas:

  1. Dramas
  2. Um problemão, para eles.
  3. Primeiro dia da Davis
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 História, Light, Tênis Masculino | 18:31

Choro

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É cada dia mais raro assistir bons tenistas executando o saque/voleio com maestria. Uma consequência disso é a falta dos confrontos entre os agressores e os contra-atacadores, um dos confrontos mais interessantes do tênis.

Nas mulheres, nos tempos de Sharapovas e outras do tipo é quase uma nulidade. Allez la Justine e bem vida de volta.

Ainda hoje pude acompanhar, no torneio de Dubai, um pouco do contra-atacador Marcus Baghdatis lidando, com certa facilidade, com o alemão Michael Barrer, que se não tem um tênis lá muito bonito adora uma rede. O outro lado da moeda foi o jogo, que deve ter sido interessante, entre o grandão Cilic, que executa seu estilo do fundo da quadra, derrotado pelo habilidoso e excelente voleador Jurgen Melzer, um tenista que adoro assistir.

Tudo isso um mero devaneio para ofertar os meus leitores com um vídeo de uma partida entre um dos melhores saque/voleio de todos os tempos, Boris Becker, contra um dos melhores contra/atacadores da história, Ivan Lendl. O ponto mostra tudo que há para se empolgar quando dois tenistas de estilos antagônicos se enfrentam. Choro na rampa.

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 História, Tênis Masculino | 17:47

Ponto de vista

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Como os motores da temporada 2010 estão ainda se aquecendo – ou alguém realmente acredita que torneios-exibições valem alguma coisa? – tenho ainda uma ou outra história para contar. Estou lendo os livros do Agassi e do Sampras concomitantemente, o que é mais interessante, já que foram os maiores rivais de suas épocas, algo como Federer e Nadal agora. É interessante ler pontos de vistas diferentes sobre os mesmos acontecimentos.

Tentei também ler o livro biográfico do Nadal, escrito por um britânico, que é uma verdadeira brincadeira. Tipo do livro caça-níquel, já que não passa de um resumo de entrevistas já publicadas e reportagens de jornais, sem nada acrescentar. Mas voltarei em breve a me alongar sobre as duas biografias – Agassi e Sampras – que é o que interessa. Enquanto isso, pinço uma historinha que reflete bem sobre a mentalidade dos atletas, especialmente a mentalidade americana face ao tênis. Se isso mudou e quanto mudou é outra história.

O técnico de Sampras, Tim Gullikson, vinha sofrendo desmaios sem explicações. O diagnóstico final só apareceu em exame feito de emergência no início do Aberto da Austrália 1995. O técnico manteve o tenista no escuro, para sua própria proteção emocional, mas, obedecendo os médicos, teve que abandonar o evento e voltar para casa. Nos vestiários Sampras ouvia rumores que seu técnico tinha mesmo um tumor no cérebro. Entrou em parafuso no meio do torneio.

Nas quartas de final enfrentou seu arqui rival Jim Courier. O adversário venceu os dois primeiros sets. Sampras, brigando contra sua cabeça, seu emocional e o adversário, conseguiu igualar em sets, tudo isso sob alto clima de dramaticidade, já que as 16 mil pessoas na Rod Laver Arena haviam lido as manchetes daquele dia berrando sobre a repentina partida do técnico e sua suposta razão.

De qualquer maneira, após a virada do 1×0 no 5º set, Sampras levantou e sentiu o seu mundo interior desabar. Começou a chorar. Reza a lenda que um gaiato berrou “Vamos Sampras, esta (vitória) é pelo seu técnico. O americano insiste que é lenda e que se alguém berrou, ele não ouviu. Pete perdeu o game seguinte, jogou mais um ponto em seu saque e teve outro colapso emocional, interrompendo o jogo por instantes.
 
É aí que chega o assunto em questão. A lenda sempre foi, inclusive o Agassi assim a conta, que Courier, em um gesto de cavalheirismo, até pela amizade existente, apesar da rivalidade, (os dois, mais alguns outros poucos haviam jantado juntos com Gullikson na noite anterior, em uma espécie de despedida/força. Alem disso, naquela altura, Courier tinha 4 GS e Sampras 5, o que aumentava a rivalidade) chegou perto da rede e disse: “e aí Pete, tudo bem, se você quiser podemos parar e voltar amanhã”.

No livro, Sampras tem uma versão bem distinta. As palavras foram as mesmas, no entanto  Pete as entendeu de maneira bem diferente. Ele entendeu que o adversário sendo sarcástico, o estava desafiando e questionando, tipo, e a “tradução” é minha; “como é cara, vai ficar com essa viadagem, interrompendo o jogo toda hora e tentando me tirar de jogo ou vamos jogar?” (Dois pontos depois dá para ouvir no video Courier resmungando que agora ele começava a sentir mal.)

O fato é que Sampras ficou muito irritado, o bastante para afastar as nuvens das incertezas de seu coração e instalar em sua mente uma ferrenha vontade de vencer, apesar de tudo que remava contra. Ou seja, se tentando ser gentil ou verdadeiramente enchendo o saco, Jim colocou na fornalha a lenha que faltava para o outro levar o negócio até o fim e conquistar uma vitória – 7/6 6/7 6/3 6/4 6/3 – que se tornou histórica dentro do tênis. (É como sempre escrevo, o esporte é bem mais rico do que a atual rivalidade entre Federer e Nadal).

Sampras diz que nunca interpelou Courie a respeito e que nem pretende fazê-lo. Em sua visão, eram “somente dois bons rapazes, altamente competitivos, e as vezes bons rapazes jogam pesado”. Para mim, além de me lembrar de um dos meus filmes favoritos – Rashomon, do mestre Kurosawa – distintas verdades sobre o mesmo acontecimento – nos lembra que os grandes atletas e campeões encontrar motivações nos mais sutis detalhes, especialmente quando desafiados. Mesmo que só em suas imaginações.

Acompanhem no video acima como Sampras muda a tática – abandonando as insistentes esquerdas cruzadas para, de vez em quando, ir para paralelas que tiram o adversário da zona de conforto.


Neste video as emoções de Sampras aparecem, e o incidente a partir dos 7:30 minutos.

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010 Grand Slam, História, Light, Tênis Masculino | 21:52

O gentleman

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Por sorte do nosso esporte, o homem considerado o maior tenista da história, o esportista da década, é também um gentleman. Vocês podem imaginar se o título fosse parar nas mãos de alguns dos “malas” que o tênis já teve a infelicidade de ter?

Além do tênis clássico, poético, plástico, ao mesmo tempo que eficaz e vencedor, Roger Federer fez questão de trazer para a quadra um respeito às tradições, à história, à ética, ao cavalheirismo que eram tradicionalmente ligados ao esporte branco.
O suíço não resumiu sua postura, categoria e educação aos momentos que está dentro da quadra. O rapaz leva ao seu cotidiano essa mesma áurea. Mencionei, tempos atrás, uma pequena estória quando da visita de sua mãe a São Paulo e de lá para cá sou cobrado para contá-la.

Não devo ter me animado a escrevê-la porque era um tanto pessoal e contada, ou entendida, fora do contexto perde sua força. No entanto, aqueles que estão acostumados a conviver com tenistas, pessoas extremamente individualistas, saberão valorizá-la. Vou além, o acontecido – um pequeno gesto, o bastante para contar muito sobre uma pessoa – é, infelizmente, atualmente raro entre as pessoas, independentes de serem jovens ou não e se jogam ou não tênis.

Animei-me a contar após ver um vídeo que um dos leitores postou dias atrás mostrando a derrota de Federer em Roland Garros, na 1ª rodada, quando tinha 17 anos, onde fica claro ainda ser um tenista em formação e com atitudes e jogadas que refletem sua idade. No entanto..

Durante esse evento, uma noite minha ex-mulher chegou ao quarto com um sorriso no rosto e ansiosa por me contar algo. Atravessava o hall do hotel em direção ao elevador quando as portas deste começaram a se fechar. Em movimento ágil e rápido, saiu de dentro um jovem que ao mesmo tempo em que segura uma das portas com um braço, prevenindo que ambas se fechem, com o outro braço mostra a passagem para a senhora. Ela apressou o passo, agradeceu a gentileza e ouviu um “you are welcome” de volta acompanhado de um leve sorriso. O elevador parou uma vez antes de seu andar, quando o garoto saiu, não sem antes se despedir.

Sheila, como já disse, entrou eufórica surpresa pelo quarto com a atitude. Não que tenistas sejam mal educados ou verdadeiros homens da caverna. Mas a maioria simplesmente se omitiria ou, no máximo, apertariam um botão tentando parar as portas. Se desse certo bem, se não.. Sair do elevador, segurar a porta e mostrar o caminho mostrou uma disposição, um cavalheirismo e uma educação singulares.
 
Naquele dia ela não soube me dizer quem era o tenista. Mas dias depois descobrimos e a partir de então as razões pela admiração só aumentaram. O tênis tinha um campeão digno do título.

roger

O penteado era duvidoso, mas as maneiras já diziam tudo.

Notas relacionadas:

  1. Blasé
  2. Coisa de louco
  3. Almoço familiar
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domingo, 27 de dezembro de 2009 Grand Slam, História, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 23:48

Destaques de 2009

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Posso até confessar minha preguiça, mas não fujo aos meus deveres. Abaixo os destaques de 2009. Se alguém quiser acrescentar…

O MELHOR
Roger Federer conseguiu sair do feitiço do espanhol Rafael Nadal – graça aos seus inúmeros talentos, alguns erros estratégicos do espanhol e a ajudinha de um sueco – virou a mesa e conseguiu aquilo que alguns começavam a duvidar. Dono de inúmeros recordes, se solidificou como o melhor da história, segundo muita gente que entende do riscado.

Wimbledon 2008

A MELHOR
Pelo menos tecnicamente, Serena Williams mostrou que não tem adversárias a sua altura. Sempre que a coisa aperta, ela sobe o padrão, na mesma proporção que suas principais adversárias descem. E no fim do dia é isso que distingue os campeões.

O MOMENTO – A vitória de Robin Soderling sobre Rafael Nadal em Roland Garros, escancarando algumas raras fragilidades do espanhol, mudando o curso da temporada, tirando o espanhol do topo do ranking a abrindo as portas para o suíço deitar e rolar.

A SURPRESA – A volta de Kim Cljisters. E não adianta pensar que foi só porque as adversárias amarelam. Ela bateu também, em partida memorável, Serena Williams. E não adiante dizer que foi com a ajuda daquela juíza de linha fantasma, porque ela iria ganhar de qualquer jeito.

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O GATO – O tenista que melhor deu o pulo do gato foi o argentino Del Potro. Comendo pelas beiradas foi subindo de produção e ganhando confiança, culminando no U. S. Open, em especial naquela inesquecível final contra Federer. O que ele deu de pancada aquele dia levou o padrão do tênis a um novo patamar. Uma pena que ele tenha desperdiçado o momento e jogado o resto da temporada fora.

del potro us open

PARA VER DE NOVO – A final de Wimbledon, deixou claro, mais uma vez, que o tênis está, pelo menos para aqueles que entendem um mínimo do riscado, um degrau acima dos outros esportes em termos da simbiose qualidade/emoção. Aliás, os ingleses devem estar estáticos. A final, que raramente é um momento de alto padrão técnico em um torneio, foi o momento máximo da temporada dois anos seguidos. E ambas partidas entre as melhores da história.

TENNIS-WIMBLEDON/

A FAÇANHA – A vitória de Rafael Nadal no Aberto da Austrália. Bater o conterrâneo Verdasco naquela partidaça pela semifinal e depois encontrar forças, físicas e mentais, para bater um Federer babando por uma vitória, em um piso onde este era franco favorito, é um feito que não pode ser menosprezado em sua magnitude. Que o digam as lágrimas de Federer.

SAUDADES – Marat Safin, Fabrice Santoro e Amelie Mauresmo, três tenistas extremamente talentosos, não competem mais profissionalmente. Os três vão fazer falta. Safin ameaça de jogar os torneios de veteranos, o que não deixaria de ser uma surpresa. Se é para competir que vá jogar com os melhores.

BRASILEIROS – O destaque fica restrito a Thomaz Bellucci, que sentiu o bafo no cangote, soube controlar os nervos e mudar o rumo de sua temporada. Entrou e deve se consolidar entre os 40 melhores do mundo. A partir daí é um novo desafio e ele também é novo. Marcos Daniel teve o seu melhor ano e não deixa de ser legal ver um tenista veterano mostrando amor pelo esporte e vontade de melhorar.

Tennis - Allianz Suisse Open Gstaad 2009

ASSUSTADOR – A maneira como as tenistas tops continuam amarelando emocionalmente nos momentos importantes das partidas e dos torneios. Onde estão as Grafs da vida?

PARA ESQUECER – Vocês podem escolher. A derrota do time “comandado” por Chico Costa ou a cafajestada de Serena no U.S. Open. A primeira pela incrível oportunidade perdida dentro de casa contra um time bem ganhável e a segunda pelo fato, pelo palco, pela violência e pela cara de pau de se fazer de boba quando confrontada.

serena eats

Notas relacionadas:

  1. Alpha dogs 2009
  2. Rotterdam
  3. A Partida Mais Importante do Ano
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009 História, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 19:09

Capitão Kuerten

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Já que não devemos rasgar dinheiro não podemos perder as pautas que nos dá Gustavo Kuerten em uma de suas raras entrevistas.

O Mané sempre dominou intuitivamente a arte do marketing e, ao contrário dos tolos, tem uma boa idéia da ressonância de suas declarações. Até por isso, como tenista não saia muito da esfera das declarações óbvias e positivas. Esta semana deu um passo à frente.

Posso lhes assegurar que o catarinense não é nenhum tolo – muito distante disso. É uma das pessoas mais inteligentes intuitiva e emocionalmente que conheci. À parte de uma capacidade de assimilação e raciocínio excelentes, e muito acima do padão, que utilizou nos limites de uma quadra de tênis, poderia, se quisesse – como sugeriu ao hesitar entre estudar matemática e artes cênicas – investir em outras paragens. Boa parte da razão de seu sucesso provém dessa rara convivência de inteligência emocional, inteligência intuitiva e inteligência para exatas.

Por isso não se deve tomar suas declarações como a de outros que estão por aí, implorando por atenção, gesticulando como birutas e falando muito porque é de graça e sempre há tolos que babam com asneiras.

Acho que Gustavo está, aos poucos, chegando a termos com uma nova fase de sua vida e que, aparentemente, não está ainda claro qual, quando e como será esse novo ato.

O que começa a ficar claro é que hoje ele se vê, eventualmente, atuando dentro do tênis. Sua recente presença na festa da Fundação Agassi, a quem criticou duramente pelo livro publicado, na comitiva do Brasil que brigava pela sede olímpica, na exibição da Sharapova e as entrevistas à Globo e ao Correio Braziliense dizem que ele está pronto para uma exposição maior. Como será sua participação de fato o tempo dirá ou, mais provável, ele decidirá.

Na entrevista ao Correio ele diz, de uma forma não muito clara, que se vê um dia fazendo mais parte da Copa Davis. Afirma não se ver como técnico de tenistas e sua participação na equipe será “de qualquer forma, até mesmo como capitão”. Kuerten completa o assunto dizendo que ainda “não é o momento, pois não tenho a capacidade, maturidade e disponibilidade para isso”.

Pode ser; eu pensaria ser a terceira alternativa a mais forte em seu raciocínio. Suspeito que a provável momento do Capitão Kuerten na equipe chegará com a maturidade tenística de Thomaz Bellucci e o despontamento de jogadores como os juvenis Guilherme Clezar e Thiago Fernandes, este treinado por seu ex-técnico Larri Passos, ambos com futuros promissores e, talvez, os potencialmente melhores profissionais que surgiram nos últimos tempos. A cabeça de Gustavo Kuerten, o pragmático, nunca foi só para usar boné.

gugamao Kuerten e suas opções.

Notas relacionadas:

  1. A volta da Era Guga?
  2. Em Las Vegas
  3. Manézinho em Brasília
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009 Grand Slam, História, Tênis Masculino | 00:55

A Partida Mais Importante do Ano

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Como eu esperava, a lista de grandes partidas em 2009 apresentada pelos leitores foi mais ampla do que eu lembrava. Mas há que se escolher uma e por isso há que se escolher alguns critérios.

Percebi que os leitores oscilaram entre grandes confrontos, grandes rivalidades, grandes partidas de seus ídolos e partidas importantes, coisas que se parecem mas são distintas. Como ignorar a final de Wimbledon, para mim a mais emocionante do ano, quando Federer tornou-se o “maior jogador da história” segundo seus pares? A batalha entre Nadal x Djoko em Madrid? A emoção de Nadal x Verdasco e o drama de Nadal x Federer na Austrália? O inusitado de Dent x Navarro? A gama de opções de qualidade reflete o momento do esporte.

Considerei emoção, drama, qualidade, momento, importância, circunstância, palco e atores.

Por conta de tudo isso, escolhi como a partida “Mais Importante de 2009” o confronto entre Rafael Nadal e Robin Soderling pelas oitavas de final de Roland Garros.

Àquela altura, Rafa Nadal era o 1º tenista do mundo, o maior tenista sobre o saibro da história junto com Bjorn Borg, dono do recorde de invencibilidade em Roland Garros com 31 partidas e levava seus rivais – incluindo Federer, que chegara às lágrimas após a derrota em Melbourne e começava a se duvidar de sua possibilidade de bater o recorde de Sampras – à loucura com sua capacidade de vencer sobre todas as superfícies e em todas as circunstâncias.

Três semanas antes, Nadal aplicara uma humilhante derrota a Soderling no saibro de Roma. Os dois tenistas nunca se bicaram e Nadal disse publicamente que o sueco é o tenista que menos gosta no circuito. Um ano antes tiveram um conflito desagradável na Quadra Central de Wimbledon, já mostrado aqui no blog, onde o espanhol vencera no 5º set. Tal rivalidade definitivamente acrescentou uma pimenta ao confronto.

Até o jogo começar Nadal era o franco favorito. Acredito que nem a mãe do Soderling entrara na internet para fazer uma fezinha no filho. Lembro que comentei a partida na TV ESPN e sugeri que o jogo poderia engrossar porque o estilo Soderling encaixa com o estilo Nadal. Nem nos meus maiores delírios imaginei o que viria.

Uma das razões da minha escolha é que essa vitória é o mais forte exemplo da força da arquitetura tática em um jogo de tênis, algo tremendamente subestimado pelos tenistas, mesmo os profissionais. Soderling, junto com seu técnico Magnus Norman, e não sei se o dedo de mais alguém – lembrando, os suecos não são os melhores amigos de Nadal – fizeram um desenho memorável da estratégia a ser utilizada.

Eu acredito, conhecendo os tenistas, que Robin só conseguiu ser tão aplicado por conta da raiva que sente pelo adversário. Geralmente há um limite, nem tão extenso, que o tenista se permite ouvir, captar, aplicar e manter, durante toda a extensão de uma partida, especialmente em 5 sets, uma estratégia pré-determinada. A vingança, um tremendo motivador, é um prato que se come frio.

Tal estratégia teve um tremendo e inesperado impacto no circuito, oferecendo a outros jogadores uma luz em como enfrentar Nadal, acabando com a áurea de invencibilidade do tenista espanhol que, àquela altura, parecia incontestável.

A partir daquela derrota o circuito tomou uma direção diametralmente oposta a que vinha apresentando. Nadal não foi mais foi o mesmo; seu corpo deu sinais de fadiga, a confiança foi abalada e a somatória precipitou o fim do absurdo respeito que tinha por parte dos adversários.

Federer, vendo seu maior algoz fora do caminho, em Roland Garros e depois em Wimbledon, soube aproveitar a oportunidade, vencer ambos eventos, realizar seus maiores objetivos e se estabelecer como “The Greatest” – a partir dali tudo foi lucro para o suíço, nada foi como dantes para o espanhol e até o sueco mudou de categoria. Aquela partida na Quadra Philippe Chartrier mudou a história da temporada, e mais.

rafael-nadal-robin-soderling

Não encontrei nenhum video que preste do jogo, mas a foto fala alto.

Notas relacionadas:

  1. Rápidas.
  2. Acachapante
  3. Nem o pão-com-manteiga?
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009 História | 01:49

Blefando?

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A desavença entre a Federação Francesa, a prefeitura de Paris e os vizinhos do Estádio de Roland Garros é antiga. Nos anos 20 a FFT conseguiu da prefeitura o terreno para construir o Estádio Roland Garros – maiores detalhes vocês encontram no meu livro Gustavo Kuerten e Roland Garros – Uma história de Amor. Alguns anos atrás, após muita discussão, a FFT conseguiu que a prefeitura cedesse mais um terreno para a ampliação, já contra a vontade dos vizinhos, onde foram construídas as Quadra Suzanne Lenglen e todas as atuais quadras de treino.

Agora, a FFT quer mais um terreno, para construir a Quadra Coberta. A prefeitura atual disse que não, após um acerto entre o antigo presidente da FFT e o ex-prefeito.

Há muita gente querendo melar o acordo. A nova quadra seria há 500m da atual Quadra Central, já nas margens do Bois de Boulogne, o maior parque da cidade. O pessoal do meio-ambiente da Assembléia local não quer nem ouvir falar no assunto. Os vizinhos, e são muitos, também não. A vida deles vira um inferno durante o evento.

Uma das coisas que a FFT quer fazer também é acabar com evento em Bercy – jogado a semana que vem no Maracanazinho de Paris – e passá-lo para a futura quadra coberta em RG. Seria ótimo para o evento, que o último dos Masters 1000 da temporada.
A FFT se vê contra a parede, contra o relógio e decidiu agora partir para as ameaças, chantagens e blefe. Diz que se o terreno não for entregue há chances de abandonarem o local por outro, que teria que ser obrigatoriamente fora de Paris, o que eles esperam sensibilize a opinião pública – o evento é adorado em Paris.

Há a última opção, que não é a que eles gostariam, de cobrir a atual Quadra Central. A questão é que eles injetaram milhões há menos de 10 anos, construindo (vejam o livro) novas arquibancadas, vestiários, locais para TV etc e “esqueceram” a cobertura de fora. A novela está longe de terminada.

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O projeto de Marc Mimram para a nova quadra coberta de Roland Garros.

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009 História, Tênis Masculino | 14:00

U$29,99

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Os jornais começam a publicar as reações dos tenistas sobre a declaração de Andre Agassi e suas “bolinhas” da alegria.

Federer diz estar surpreso e decepcionado e que espera que casos como esse não se repitam. Fiquei na dúvida se não quer que neguinho fique doidão ou se neguinho conte a verdade muito tempo depois. Federer prefere dar ênfase em tudo que Agassi fez de positivo para o tênis, o que é um fato incontestável.

Nadal foi mais claro. Que história é essa de cuspir no prato? Não falou então e agora vem falar e danificar o esporte/tênis? E coloca o dedo na ferida ao apontar que a ATP pisou na bola total acobertando para o americano e que isso é um desrespeito com o resto dos esportistas. Aquelas conversas do Agassi ficar cutucando o espanhol teve volta.

Roddick insiste em dizer que Andre é seu maior ídolo e nada muda isso. Ele diz que só o julga por como ele sempre o tratou e como Agassi mudou o mundo para melhor. Gosto da transparência do Andy.

Boris Becker, que está ali com o Caetano, que tem uma opinião sobre tudo, diz que ainda está tentando descobrir qual a razão por detrás das revelações do rival. Atente que a dúvida não é sobre a razão do cara tomar drogas. Ele concorda que ajudará o americano vender livros. Mas pergunta por que, já que Andre é um homem rico.

Serena diz que sequer sabe o que é “crystal meth” e não tem nada a declarar, a não ser que ela também está lançando um livro. Será que ela vai contar sobre o relacionamento familiar, questões com racismo e o que ela disse para juíza de linha, ou vai falar sobre moda?

Martina Navratilova, a rainha do politicamente correto – ela andava pelo circuito e nas entrevistas com um cachorro de três pernas, coitadinho, para deixar isso bem claro – diz que Agassi é um mentiroso que se livrou da punição. Ele bateu alguns tenistas enquanto deveria estar suspenso – como fica isso? Arrancam os títulos dele? A senhora não alisou.

Até agora não há repercussões de Pete Sampras, o seu maior rival e sempre low profile, e de John McEnroe, o homem que tem a boca do tamanho do mundo. Os dois devem estar pensando bem o que falar.

O comentário mais crú veio de um jornalista; aprecia a honestidade, mesmo que tardia, mas preferia que ela não viesse com a etiqueta de U$29,99, o preço do livro.

andre-agassi-open

Notas relacionadas:

  1. Todo Março
  2. Agassi conta
  3. Em Las Vegas
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009 História, Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:52

O casal 20.

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Um leitor pergunta qual a melhor esquerda da história do tênis. Outro menciona que comentaristas devem ser capazes de determinar momentos-chaves do esporte, lembrando um comentário televisivo meu, sobre a semifinal de RG 2000 entre Kuerten x Ferrero, um dos melhores combates que já vi, e que anunciou uma nova era no tênis. Às vezes fico surpreso com a lembrança por parte de meus leitores/ouvintes de algo que escrevi/falei.

Mencionam que a esquerda de Ken Rosewall foi eleita a melhor da história em alguma eleição em algum lugar. Cresci sob a impressão geral que o australiano tinha a melhor esquerda do mundo. Era batida com uma única mão, como a maioria então. Eram raríssimas as esquerdas com duas mãos. Nessa época, a mais conhecida, quase única, era a do sul-africano Clif Drysdale, hoje o principal comentarista da ESPN americana. Era boa, mas não tão boa como a maioria das de hoje.

O mesmo pode ser dito sobre a esquerda de Rosewall. Era muito boa, mas não tão boa como várias que estão por aí. Ken batia na bola flat e quando necessário envenenava com um leve slice – mas nunca usava top spin. Tinha absoluto controle do golpe, sua maior qualidade. Trocava a direção da bola como quem troca de canal no controle remoto. Batia de qualquer canto para qualquer canto da quadra. Quando atacado, dava tanto no pé do voleador, a maioria então, como acelerava. Ali, ninguém fazia festa, pelo contrário. Como era baixinho, tinha o centro de gravidade baixo e se movia muito bem. Além disso, era forte para a época, seu apelido no circuito era “Músculos”, e muito ligeiro. Como qualquer tenista, mesmo o de fim de semana, pode atestar, uma coisa é bater na bola quando bem posicionado, outra é estar, mesmo que levemente, atrasado.

Ken teve seus algozes – Gonzalez e Laver entre outros, mas ninguém que fizesse festa para cima dele. Seu pior pesadelo foi enfrentar, aos 40 anos, o jovem Jimmy Connors nas finais do U.S Open e Wimbledon, quando tomou um chocolate que talvez o tenha feito se arrepender, por um segundo, de alongar tanto sua carreira – um feito e tanto, nunca mais imitado por ninguém e, duvido, um dia igualado.

O revés com as duas mãos de Connors, junto com o de sua namoradinha de juventude Chris Evert, veio para mudar o “status quo” do jogo, Os dois colocaram a segunda mão na raquete e o esporte nunca mais foi o mesmo. Dali para frente virou padrão entre as mulheres e, com um pouco mais de tempo, se estabeleceu de tal maneira no tênis masculino, que criou uma dúvida na cabeça de todos os responsáveis pela formação de jovens tenistas. Hoje, dá para se dizer que as melhores esquerdas – numa visão mais ampla – são as batidas com duas maõs.

Isso tudo só foi possível por conta do enorme e estrondoso sucesso que tanto Evert como Connors atingiram em suas respectivas carreiras, graças tanto às suas personalidades e instintos vencedores, como por suas principais armas. Ambos eram excelentes contra-atacadores com seus reveses. Chris era maravilhosamente cirúrgica com seu revés, assim como seu namoradinho.

Porém, ao contrário do que acontece hoje, Connors, que era extremamente agressivo, de temperamento e jogo, usava a esquerda para atacar também. Com qualquer bola mais curta, o americano movia os pés como um caranguejo, pegava a bola na subida, tirava o tempo do adversário e ia para o ataque sem pudores. Depois de Chris e Jimbo, o tênis nunca mais foi o mesmo. 

evert conors

Connors e Evert, duas esquerdas e duas personalidades que marcaram o tênis.

Notas relacionadas:

  1. O mano.
  2. Brainstorm
  3. Bom dia
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  1. Primeira
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5
  6. 6
  7. Última