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sexta-feira, 4 de maio de 2012 Grand Slam, História, Masters 1000, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:09

Saibro Smurf

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Receio que a quadra azul do Aberto de Madrid, que começa este fim de semana, está se tornando mais importante do que o evento em si. Não duvido que isso seja bem vindo pelo dono do torneio, o romeno Ion “o Ogro” Tiriac, que, entre outras novidades, trouxe modelos para pegarem bolas, algo que muitos também reclamaram no início e para o que alguns ainda fazem cara feia. A única duvida que tenho a respeito é se algum tenista já perdeu a concentração durante o jogo com aqueles excessos femininos lhes dando bola. Mas, lembro que a maioria também achou um absurdo quando começaram a usar camisas coloridas em quadra e mais ainda quando Andre Agassi começou a usar as camisas espalhafatosas com desenhos horríveis que a Nike fazia para encaixar a sua personalidade.

Não deixa de ser interessante o fato de que a cor azul, em um tom bem semelhante, é a cor do principal patrocinador do evento, o que fica difícil de ignorar na questão. Os organizadores lembram que vários torneios usam cores diferentes durante a temporada e Slams como o U.S. Open o fez no passado e recentemente o Aberto da Austrália, também mudaram a cor do piso. Quanto à questão do contraste do amarelo da bola com o azul da quadra, a razão alegada para a mudança, nós vamos ver o quanto Tiriac tem razão assim que o televisionamento começar.

Rafa Nadal lidera o bloco dos que odeiam mesmo sem experimentar, algo que crianças fazem quando se veem à frente de um prato de miúdos. Em um malabarismo lógico, Nadal diz que entende e não culpa os organizadores e sim a ATP por permitir – algo na linha de não culpar o bandido que o assalta e recriminar a polícia que permitiu. Com isso, ele quer, como se fosse possível, preservar o evento espanhol e ao mesmo tempo seguir na sua cruzada de criticar a ATP por tudo e mais um pouco por não fazer as coisas exatamente como ele quer. A postura não é de hoje, piorou quando não conseguiu que as coisas fossem como queria, quando vice-presidente do Conselho da ATP, e a única coisa que mudou de anos atrás é que antes seu tio era o porta-voz de todas as reclamações. Em suas declarações Nadal diz que não há vantagens para os tenistas e para mais ninguém – só para o dono do torneio, se referindo a Tiriac, sem mencionar seu nome.

Deve ser um pouco constrangedor para ambos que um dos que defende a quadra azul é seu amigo, vizinho e mentor Carlos Moya. Este diz que não há nada errado com a quadra e que acha tudo muito bom com ela. Não sei se seria exatamente essa sua posição se ainda competisse no circuito profissional, mas não acredito que dissesse se não acreditasse. Além dele, o ex-número 1 do mundo e maior ícone do tênis espanhol, Manuel Santana, é o diretor do torneio, avalista do piso e tem recebido os principais tenistas na Quadra Central.

Novak Djokovic não gostou que mudassem a quadra sem o aval dos tenistas, uma questão atualmente nos vestiários. Ele diz que uma decisão como essa não pode ficar nas mãos de um executivo, no caso o presidente da ATP, e não passar pelos tenistas. Após seu primeiro bate bola, disse o quique da bola é um pouco diferente, especialmente no slice.

Andy Murray, antes de abandonar o torneio por conta de uma contusão nas costas, afirmou não ter maiores restrições à quadra azul, antes de jogar nela, do que o fato de o evento ser tão próximo a Roland Garros. Ele concorda que às vezes é difícil assistir jogos no saibro na TV e que entende a mudança.

A posição do diplomata Federer é expressa em poucas palavras. “É uma história bem longa, mas acho triste que o evento seja disputado em uma quadra que os tenistas não aceitam e que Nadal seja obrigado a jogar em uma quadra que não aceita em seu próprio país.”

Fernando Verdasco disse que gostou da quadra, o “deslizar” e que permite ótima movimentação. As marcas deixadas pelas bolas são bem claras Ele salienta que Madrid é sempre complicada pela altitude.

Milos Raonic deixou a coisa mais simples e cômica ao chamar a quadra de “saibro smurf”, lembrando os personagens azuis das histórias em quadrinhos e filmes.

O atual presidente da ATP, no cargo desde Novembro último, não foi o que aprovou o piso, mas decidiu manter a decisão, pelo menos para este evento. Após o torneio a ATP fará uma revisão do assunto e decidirá se a quadra continua azul ou voltará à cor laranja/vermelho, o que deixará a questão em aberto mesmo após o torneio.

Lembrando que o evento reúne homens e mulheres na mesma semana e estas tiveram ainda menos input sobre o assunto do que os homens. No entanto as moças tem mantido um “low profile” sobre o assunto.

Serena segiu na sua linha rebeldo declarando ser ridiculo o saibro azul e que o seu veto à cor foi simplesmente ignorado. Maria Sharapova treinou, achou interessante e “diferente”, sem passar qualquer julgamento negativo. Cirstea, romena como Tiriac, adorou a novidade, que diz ser boa para o tênis. Venus Williams diz que a quadra é uma declaração fashionista, o que faz bem o seu gênero e com o que Maria concorda, ao dizer que “é bem legal para o espetáculo e o entretenimento, dois fatores importantes no esporte”. Pelo menos por enquanto as mulheres parecem ter um olhar mais feminino e de menos conflito sobre o assunto. Mas acredito que muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte nos próximos dias.

Quadra azul e bola amerela – visual melhor?

Saibro Smurf ?



Notas relacionadas:

  1. Charutos não
  2. Tudo azul
  3. Tudo azul
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quarta-feira, 2 de maio de 2012 Grand Slam, Tênis Masculino | 10:58

Pragmático

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Definitivamente a formação cultural de uma pessoa se traduz nas suas ações. Enquanto o espanhol Rafael Nadal pegou suas raquetes e abandonou o Conselho da ATP no início da temporada, deixando claro sua insatisfação em como as coisas caminhavam, Roger Federer declara esta semana que a certa altura também pensou em recolher seus relógios e abandonar o Conselho. Pensou melhor e concluiu que se você desiste aí que as coisas não mudam mesmo. Mais pragmático.

A ATP sempre foi um saco de gato e de interesses. O que acontece hoje não diverge em nada do que já aconteceu no passado. Não tenho receio em dizer que é até bem mais tranquilo.

Hoje se discute muito o calendário, a premiação oferecida, especialmente pelos Grand Slams, e a voz dos tenistas em decisões táticas e técnicas, novamente em especial nestes torneios.

Na semana passada, Roland Garros e Wimbledon abriram um pouquinho a mão das fabulosas quantias que arrecadam a cada evento. É um passo na direção do que os tenistas pleiteiam, mas não chega lá.

Federer não aprova algumas dessas demandas e menos ainda a maneira que alguns tenistas escolheram verbalizá-las (ouch!). Como bom suíço, ele acha que a paciência é uma virtude que os tenistas devem cultivar. Ele afirma ter conversado com alguns tenistas em Miami e informado como andavam as conversas com os GS – Federer é presidente do Conselho dos Tenistas. Insistiu para que se aguardasse uma manifestação dos mesmos, algo prometido em Indian Wells.

“Bem, eles mudaram algumas coisas”, diz o suíço lembrando sobre o aumento da premiação, em especial na 1ª rodada divulgado na semana passada. Como está fora do circuito desde então, ele diz que não sabe onde está a cabeça dos tenistas, algo que descobrirá em Madrid. Ele sabe que o perigo de uma greve dos tenistas contra os Grand Slams não está totalmente fora de cogitação. “Wimbledon e Roland Garros fizeram as decisões certas, vamos ver o US Open”, diz ele. Se for por conta disso, a paz está no horizonte. Os americanos, apesar de cabeça dura com certas coisas, como aconteceu no US Open do ano passado e que iniciou a revolta dos jogadores, gostam de pensar ser o mais politicamente correto dos GS. Eles seguirão os outros dois e, não duvido, até um pouco mais. Mas suspeito que as demandas dos atletas não acabarão por aí. Só tenho minhas duvidas sobre qual maneira eles optarão por agir. Se a diplomacia suíça, a indignação espanhola ou alguma outra liderança que surja nos vestiários.

O diplomata Federer.

Notas relacionadas:

  1. Escada abaixo
  2. Federer x Nadal
  3. Pimenta
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segunda-feira, 30 de abril de 2012 Grand Slam, História, Tênis Masculino | 21:38

Administrador

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Vejo que alguns leitores gostam de levar a discussão sobre o tênis de Rafael Nadal para a altura de seus golpes, o incomodo de seus ganchos, a estética de seus golpes etc.

A cada vez que acompanho as partidas do Nadal a mesma percepção se evidencia. O diferencial do espanhol é o seu lado emocional, independente da consideração de seu arsenal técnico. Como eu já escrevi, e ele e seu técnico são os primeiros a admitir, esse arsenal é inferior ao de alguns tenistas do circuito; só que ganhar dele continua sendo o inferno na terra para os adversários.

O adversário da final de Barcelona foi o compadre David Ferrer, a quem Nadal, em declaração antes do jogo, disse que o cara mais do que merecia a vitória no confronto. Sim, merecia, mas isso não quer dizer que o Animal iria doá-la. Se quiser que a arranque. Ferrer jogou para ganhar, acreditando na possibilidade, talvez até mais do que em outras oportunidades, mas fracassou como sempre, batendo de frente na impressionante determinação do oponente.

Ferrer, que é um tenista que consegue tirar leite de pedra, considerando seu arsenal, traz para a quadra o fator luta como poucos. Só que ele sabe, porque descobriu há algum tempo, que do outro lado da quadra o adversário é mais, se é que isso é possível, casca de ferida do que ele. Dessa maneira, o que lhe resta?

Não é o caso de analisar o aspecto técnico da partida e de um ou do outro tenista, até porque já o fiz em outras ocasiões. O confronto teve alguns detalhes técnicos interessantes, mas foi o fator emocional, mais uma vez, que definiu o resultado final, claramente demonstrado pelo placar de 7/6 7/5. Nadal teve 5 sets points contra no 1º set, além de alguns break-points contra. Encontrou uma maneira de escapar e levar, pela sétima vez – mais um recorde em sua carreira.

Rafa é o melhor administrado de crises que já vi em quadra. Como já escrevi antes, no mesmo patamar só mesmo Borg. Uma partida entre os dois, em uma final de Roland Garros, seria a apoteose do tênis sobre o saibro. Mas isso só é possível no imaginário, onde, pelo menos no meu, não há um vencedor. Para quem não sabe, os dois tenistas têm 6 títulos no saibro de Paris, um recorde que pode ser desempatado esta temporada.

Rafa e o tradicional Trofeo Conde de Godó – ele sempre dá um jeito.

Notas relacionadas:

  1. No quarto
  2. Larga!
  3. Susto.
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quinta-feira, 26 de abril de 2012 Grand Slam, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 10:39

Aumento nos prêmios

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Todos lembram que no fim da temporada passada surgiram rumores sobre uma greve dos tenistas profissionais. As razões alegadas eram uma falta de comunicação dos torneios, especialmente os Grand Slams, com os tenistas, em assuntos que estes achavam que deveriam ser consultados, e sobre uma melhor distribuição de valores através dos prêmios, que os tenistas afirmavam não refletir os lucros que os eventos arrecadavam. Andy Murray chegou a falar sobre reuniões dos tenistas sobre o assunto do boicote, enquanto Roger Federer colocava panos quentes no assunto. Com o tempo os rumores sumiram.

O fato é que houve muita conversa nos bastidores, tanto sobre uma como a outra questão. A última delas em Indian Wells, entre os Fab4 e os senhores Philp Brock e Mick Desdmond, o diretor e o homem da grana de Wimbledon.

Da conversa saiu a decisão que os GS aumentariam em cerca de 20% o total dos prêmios, focando em aumentar o ganho dos tenistas que perdem na 1ª rodada, sem esquecer um carinho àqueles que atingem o paraíso financeiro nos GS.

Este semana, Wimbledon e Roland Garros divulgaram essas mudanças que, pelo o que se sabe, foram bem recebidas pelos envolvidos. É mais uma vitória dos tenistas, conseguida pela pressão daqueles que estão no topo do ranking, o que deve transformar o Torneio de Madrid em um interessante cabo de guerra por conta do piso azul.

O total de prêmios em Wimbledon ficará este ano em aproximadamente U$26 milhões, dependendo do cambio US/Libra, sendo U$1.863m para os campeões, um aumento de 4.5%. Os perdedores de 1ª rodada, metade dos tenistas envolvidos, receberão U$23.500, um aumento de 26%. Um aumento de 21% para todas s rodadas dos qualy (sim, eles também ganham), assim como um aumento de 17% na diária dos tenistas, que passam a receber U$324 por dia para cobrir as despesas de hospedagem enquanto estiverem nas chaves, sendo que a organização já consegue descontos de mais de 50% nas tarifas de hotéis parceiros e subsidia as refeições no local do evento.

Os franceses divulgaram um aumento de 7% no total, que passa a ser de U$24.6m. Os vencedores ficam com U$1.64m, um aumento de 5%, enquanto os perdedores de 1ª rodada tem uma majoração de 20%, para um total de U$23.670,00.

Mesmo com esses valores, que devem, suponho, acalmar os ânimos por algum tempo, os GS lucram valores bem encorpados, valores que são repassados para as federações locais. Só em Wimbledon o lucro é dividido entre a federação e o clube. Nos outros é tudo da federação, o que faz com que esses países vivam em uma realidade sem paralelo em termos de valores que são – teoricamente, há divergências – na formação de novos valores. Mesmo com os espanhóis provando que isso não é a solução de todos os problemas, pode-se ter uma ideia de quanto atrás saem os tenistas brasileiros para enfrentar as agruras do circuito, e por isso é bem vinda a participação da CBT na realização de um evento, como deve ser o caso do torneio da WTA no próximo ano.

Os dirigentes de Wimbledon fazem o anuncio do aumentos dos prêmios. Cade o sorriso?

Notas relacionadas:

  1. Wimbledon em 3D
  2. A relva
  3. Os cabeças de Wimbledon
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quinta-feira, 29 de março de 2012 Grand Slam, Light, Masters 1000, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:34

Desafio aos burocratas

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Não é de hoje que escrevo, e especialmente comento nas transmissões de TV, sobre o momento da arbitragem do tênis.

Não há duvidas de que o Desafio foi um progresso para o jogo, tenistas e especialmente o publico, que adora, participa e vibra com cada desafio. Na verdade, o publico é o que parece melhor ter entendido o seu papel no assunto.

O caso é que tenistas e juízes não sabem exatamente como proceder. Os jogadores demoram, reclamam, usam na hora e pelas razões erradas, fazem uma salada infernal.

Mas os juízes são os que pior lidam com o tema. Tornaram-se acomodados e medrosos. Mais o segundo do que o primeiro. Se acostumaram a terem a ultima palavra sempre, sem poderem ser desafiados, e agora que o Sistema pode provar que estão errados, preferem ser omissos e deixarem os outros envolvidos – juízes de linha e tenistas – se queimarem. Se tornaram burocratas da cadeira e não existe raça pior do que burocrata acomodado e, por consequência, com a fachada de arrogância.

Mas os tenistas também tem sua parcela de culpa. Não só em quadra, onde desafiam em algumas situações ridículas, só para encherem o saco, e se omitem, também, em outras, provavelmente pela insegurança que surge pela omissão dos juízes. Ontem, no primeiro ponto do 5×4, 3º set, quando Tsonga precisava quebrar Nadal para sobreviver, o francês executou uma devolução longa que caiu na linha, o juiz de linha cantou fora, o juizão fez cara de paisagem e Tsonga, que já estava às pesadas turras com o burrocrata não desafiou, até porque era na linha de fundo oposta. Esse 1º ponto era crucial e o Tsonga dançou.

Mas a maior omissão dos tenistas é não enquadrarem os responsáveis pela arbitragem em conversa formais e oficiais. Não seria algo tão difícil se houvesse a preocupação da ATP e WTA, organizadores dos circuitos e sindicatos dos tenistas, com o esporte em si e não só com as prioridades financeiras. Existe aí um corporativismo, já que os juízes fazem parte dos quadros destas entidades e da FIT, quando nos GS.

Se os tenistas agissem, não teríamos situações como a presenciada a poucos metros do banheiro da cabine de TV no estádio de Miami, onde o técnico da Azarenka e outros faziam uma inquisição com a mulher que administra o sistema do desafio. Não sei tudo que falavam, até porque as necessidades físicas imperavam, mas o clima não era amigável e definitivamente questionavam a maneira como o software funciona – no que, insisto, não coloco um dólar como avalista. O certo seria uma conversa formal, oficial, envolvendo os responsáveis – tenistas, entidades e árbitros – com uma pauta que qualquer dos meus melhores leitores é capaz de realizar.

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Masculino | 12:40

Titãs

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Já percebi que nas grandes finais, quando estou trabalhando como comentarista na TV, tenho minhas dificuldades em colocar minhas emoções no papel – no caso o monitor. Quando não estou na TV parece mais fácil, as emoções parecem clamar por sair. Quando passou 6 hs comentando um jogo parece que o que eu tinha para dizer/escrever já foi feito.

Confesso que fiquei surpreso com os comentários dos leitores. Bastante da “ignorância” de torcedor foi deixado de lado, dando espaço a uma apreciação do tênis como esporte, o que me deixe muito feliz, além de uma justa reverencia pelos tenistas e o por eles apresentado. Confesso que fiquei orgulhoso.

O que vier abaixo dificilmente se afastará do lugar comum – todos foram emocionados pela final, e pelas semis, e em dias de internet parece que todos tem sua oportunidade de apresentar as suas emoções e ideias.

Assim sendo, ao invés de fazer um Post linear, hoje será mais um jorro de ideias e emoções.

Djokovic e Nadal mostraram ao mundo o que o esporte pode ser. Uma aventura de entrega, doação, força de vontade, garra, emoção, dramaticidade, coragem, onde não há espaço para omissão, desculpas, fraquezas, covardias. Esses dois homens fizeram com que o tênis, e com ele todos os tenistas, fosse visto de uma maneira distinta e com um respeito ímpar. Eles colocaram a integridade do esporte em outro patamar. Poucas vezes na história dois esportistas mostraram o valor do esporte com tanta dignidade, em um palco de tal distinção e, muito importante, para uma plateia tão ampla. Importante – não foi nem a primeira nem a centésima vez que testemunhei tal entrega, mas respaldada por tal exuberância física deu outra dimensão à luta.

A partida confirmou algo que já vem provando ser um padrão; a importância do físico e do mental no tênis competitivo. Um dia acreditaram, e eu nunca fui um deles, que a técnica era o mais importante no arsenal de um tenista. A parte emocional e mental era considerada algo que o tenista tinha ou não. E o físico algo que o tenista podia, ou não, adquirir. Não mais. Um tenista com um físico ou mental fraco não é um grande tenista. Isso ficará cada vez mais consolidado daqui para frente.

Já escrevi, mais de uma vez, como uma bola pode mudar o rumo da partida. Seria imprudente jogar toda essa responsabilidade em uma única bola em uma partida de quase 6hs. Mas me pergunto por quanto tempo Rafael será assombrado por aquela passada de revés na paralela, no 30×15, 4×2, 5º set. Eu, que não tenho nada com isso, me sinto incomodado até agora – até porque tenho certeza do resultado se aquela bola tivesse entrado.

No entanto, nada mais sem sentido do que dissecar esta partida atrás de uma falha. Esta é uma partida histórica que será lembrada pelo prisma de todas as qualidades que foram apresentadas, por dois atletas em busca de uma perfeição que faria com que os deuses, acostumados às nossas por vezes ridículas tentativas, tremessem com o que os dois ousaram.

O mesmo raciocínio vale em tentar mostrar o porque da vitória. O título ficou com Novak Djokovic, mas a vitória foi de ambos, o sucesso foi do tênis e o triunfo foi do esporte.

Djokovic não é mais o mesmo jogador da temporada passada quando ganhou tudo. É melhor. Sua habilidade de manter a calma através de todas as tormentas é algo impressionante. Ontem, com a cobra fumando para tudo quanto era lado, eu olhava seu semblante e o cara estava lúcido, mais tranquilo do que seu oponente, um rapaz que transparece a intensidade que o direciona em quadra. Djoko também é super-intenso, mas aprendeu a relaxar. Fora que vem diminuindo as caras e caretas e milongas mil. Seu foco é o tênis e ganhar jogo e não em tentar ganhar mentes e corações como se fosse o Joker e não o Djoko. Aquele serviu para ele ganhar a fama de gozado na internet, este é grande o bastante para que ele fique com o título de campeão, o que fala por si.

Ficou claro que apesar da incrível temporada passada, os inúmeros títulos e o seu esforço em agradar Novak ainda não tem o amor das arquibancadas como seus maiores rivais. Mas, suspeito, após ontem isso começará mudar. Existe agora um respeito impar por ele e sua nova postura em quadra, que ainda não é a melhor, mas é bem melhor. Além disso, estou aprendendo que deve existir muito pouco que Novak queira que ele não conquiste.

Rafael Nadal mostrou que uma das maiores qualidades que um esportista pode ter é a vergonha na cara. Indignado com as seis derrotas seguidas para o adversário, mostrou que não está nem um pouco encolhido, resignado e pronto para abandonar a luta. Ser campeão é um estado de espírito e não só o fato de se levantar o troféu. E nesse quesito esse garoto é um homem como poucos foram na história.

Alguma coisa, ou mais de uma, este Aberto da Austrália mostrou que estão mudando no tênis. Talvez seja cedo para escrever com clareza e isenção, mas, com certeza, elas ficarão mais claras nos meses adiante.

Notas relacionadas:

  1. Engano?
  2. Grande jogador
  3. Engoliu
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sábado, 28 de janeiro de 2012 Curtinhas, Grand Slam, Tênis Masculino | 21:30

Final do AO – Nadal x Djokovic

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Uma das minhas leitoras – a Sonia – sugeriu e decidi fazer um Post para vcs acompanharem pela ESPN e comentarem a partida por aqui. Assim deixam os outros Posts em paz!

As regras são as conhecidas. Ofensas e palavras de baixo calão só demonstram a falta de educação de quem as escreve. Se alguem conseguir sair do óbvio, melhor – o ganho será de todos.

O bolão continua sendo só no local previamente definido.

Divirtam-se, que a farra vai acabar…

Notas relacionadas:

  1. Nadal volta aos treinos
  2. Danton Djokovic
  3. Fundação Nadal x Federer
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Grand Slam, Tênis Feminino | 11:29

Forja

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Quem acompanhou meus comentários na TV, internet e aqui nas ultimas duas temporadas ouviu e leu, mais de uma vez, meus comentários sobre a inevitável subida ao topo do ranking da intensa Azarenka. Veja um deles em: http://colunistas.ig.com.br/paulocleto/2011/04/02/as-pernas-da-vitoria/

Era uma questão de tempo e amadurecimento – ela invadia a área da ansiedade extrema em momentos importantes. Aos poucos foi administrando o problema, crescendo dentro do circuito e chegou à Melbourne, após conquistar Sidney, respaldada pelo #3 no ranking mundial.

Victoria deu um cacete na Sharapova. Sem piedade nem dó. A russa deve ter sentido vergonha, especialmente no 2º set, quando levou um banho de realidade que poucas vezes deve ter levado na carreira. Ambas possuem, razoavelmente, o mesmo estilo, com a diferença de a garota ser muito bem mais veloz, o que faz diferença na velocidade que a bola feminina está andando, e ter um pouco mais de margem de erro (spin) nos golpes.

A questão era se Azarenka manteria as emoções sob controle, já que se perdesse a precisão dos golpes seu jogo iria para a cucuia. E, convenhamos, a moça não sabe, e não ganha de ninguém, se tiver que “empurrar” a bola.

A bielorrussa tem qualidades e personalidade para brigar pelo topo do ranking e conquistar outros GS carreira afora. Vai ter a companhia de Kvitova, outro talento que já ganhou seu Slam, mas ainda está longe de ter chegado ao seu melhor tênis. Se os deuses ajudar terão a companhia de novos valores e, eventualmente, de alguma das várias tenistas que, em dado momento, podem surpreender qualquer outra.

O tênis feminino atravessa um momento interessante, rico e, principalmente, com profundidade de valores. Victoria Azarenka é um desses nomes, que hoje mostrou uma maravilhosa capacidade de aliar intensidade, força, velocidade, técnica, postura e coragem, uma aliança que forja campeões.

Notas relacionadas:

  1. O anjo da Victoria
  2. As pernas da vitória
  3. A estratégia turca
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Masculino | 22:56

Por que?

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Uma grande partida deve ser jogada em um grande cenário, sob circunstâncias excepcionais, com participantes de qualidade, ser repleta de drama, emoção, entrega, técnica, um publico participativo e interessado e ter consequências de toda espécie. Essa foi a partida entre Djokovic e Murray, a melhor de todas no atual Aberto da Austrália.

A presença de Lendl no camarote de Murray fez uma diferença? Fez. Murray lutou, como muitas vezes fez, mas deixou de lado o negativismo e a choradeira, que eram seu maior calcanhar de Aquiles. Teve uma ou outra vez que quis escorregar, mas logo se recompôs e voltou a focar na tarefa. Seu técnico era um verdadeiro “poker face”.

Murray bobeou? Sim, e não foi pouco. Mas uma partida de quase 5h exige um esforço mental impossível de manter o foco em tempo integral. Até mesmo esse leão Djokovic deus suas escorregadas e quase virou a vaquinha do brejo. Mas deu um jeito de ganhar!

Quem viu, viu, e eu não vou dissecar tudo o que aconteceu, especialmente com quase 700 comentários, mesmo que a maioria não sirva para nada. Se alguém for esperto, pesque o que presta.

Se até gente que, teoricamente, deveria entender do assunto e senta no sofá, porque não meus caros e queridos leitores?!

Bate-Prontos

O Murray e o Djoko vão sonhar com aquela direita paralela no BP do 5×5 no 5º set. Só que o Murray vai acordar e pular da cama. O Djoko vai virar de lado e continuar a dormir o sono da paz.

Por que Murray não saca bem do começo ao fim jogo? Por que só na hora que está com o pé na jaca?

Onde o sérvio vai buscar aquela força interior? Até onde a sua confiança vai seguir lhe tirando de apertos e lhe dando vitórias quase impossíveis?

Por que o Murray faz só uma coisa ou outra? Se movimentar muito bem ou soltar o braço e ir para as bolas vencedoras. Não dá para fazer as duas ao mesmo tempo e ganhar o jogo?!

O Djoko é um dos tenistas que melhor troca a direção da bola que já vi jogar, Graças à qualidade técnica de seus golpes e a disposição para aceitar a correria que tal estratégia exige.

Por que Murray sacou o serviço mais rápido a 215km/h, e Djoko e 195, enquanto a média de 1º serviço do escocês foi 184(2º=139) e do sérvio 190(157)?

Vamos explicar para quem não entendeu: o numero, teoricamente anormal de “erros não forçados” dos dois tenistas tem uma razão e uma explicação muito clara – (Murray 86, Novak 69). E não é por conta de deficiência técnica dos dois tenistas.

Segundo os parâmetros utilizados, mesmo que os caras troquem 20 bolas, se a 21ª for um erro será contabilizado como não forçado. Quem não passou a vida no sofá não sabe que após umas 10 trocas de bola o negócio vira um martírio, físico e mental indescritível. E isso foi um padrão nessa partida. Considerar tais erros como “não forçados” é dar às estatísticas uma leitura que elas não têm. Isso sem falar que ficaram quase 5h em quadra disputando pontos longos.

Sabem quantas vezes foi executado um “saque/voleio” na partida? Uma única, em quase 5h. Não é a toa que o Djoko se desculpou com o mestre Laver. Este só sorriu. E não chorou.

Notas relacionadas:

  1. As semifinais.
  2. Chave de Miami
  3. Final de Cincinnati
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Masculino | 16:50

O rival

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Não sei se tem a ver com o cansaço do horário do trabalho, mas o fato é que às vezes me pego quase cochilando após o almoço, algo que odeio e me recuso a fazer, talvez ainda por conta de alguma culpa que não me permite tal conforto. Mas ali naquela hora, quando a pálpebra fica mais pesada, hoje um pensamento me invadiu.

Como é que vou explicar para os meus netinhos, e para meus leitores, que o melhor tenista da história tornou-se um freguezaço de carteirinha, com direito a carimbo e fotografia, de outro tenista? E olhem que não estou falando sobre uma ou outra derrota.

Trata-se de uma das maiores rivalidades da história, com certeza a maior da atual década. São 18 vitórias para Nadal e somente 9 para Federer. Após a partida de hoje, o espanhol Nadal pode, intimamente se não publicamente, dizer – o maior da história é meu filhote.

Se trava, se acomoda, se medra, se facilita, não importa. O fato é que a história se repete com uma frequência assombrosa, especialmente nos grandes palcos – os Grand Slams. 8×2 para o espanhol!

A partida foi repleta de ocasiões que Federer soube criar, graças a seu indiscutível talento e volume de jogo, assim como foi tão repleta de vezes que o suíço não soube aproveitá-las e transformá-las em vantagens contundentes e irrecuperáveis. Essa liberalidade por parte de Federer pode funcionar com a maioria dos adversários, mas não com o espanhol. E a cada vez que deixava uma delas fugir, mais distante lhe parecia e ficava a vitória.

Desconcentração é algo que acontece e já custa caro. As viagens de Federer são mais do que manjadas, mas é uma fraqueza que o espanhol aprendeu a farejar, conhecer, aguardar e explorar. E, pior ainda, para Federer, transformá-las em vitória. Um tenista que abre uma quebra de vantagem em três sets seguidos, se permite perder as tais, quase que imediatamente, perdendo dois desses três sets, e no decisivo quarto set, não consegue cacifar os break-points, não merece e não vai vencer. E se permite seu recorde contra seu maior rival tornar-se tão negativo, permite também que se questione a ambiguidade de, por um lado, ser o maior da história, e do outro ser tão decisivamente dominado pelo seu maior rival.

Nadal – batendo e aplaudindo o rival.

Notas relacionadas:

  1. Atitude
  2. Delírio
  3. Federer x Nadal
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  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. 20
  9. Última