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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Masculino | 12:40

Titãs

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Já percebi que nas grandes finais, quando estou trabalhando como comentarista na TV, tenho minhas dificuldades em colocar minhas emoções no papel – no caso o monitor. Quando não estou na TV parece mais fácil, as emoções parecem clamar por sair. Quando passou 6 hs comentando um jogo parece que o que eu tinha para dizer/escrever já foi feito.

Confesso que fiquei surpreso com os comentários dos leitores. Bastante da “ignorância” de torcedor foi deixado de lado, dando espaço a uma apreciação do tênis como esporte, o que me deixe muito feliz, além de uma justa reverencia pelos tenistas e o por eles apresentado. Confesso que fiquei orgulhoso.

O que vier abaixo dificilmente se afastará do lugar comum – todos foram emocionados pela final, e pelas semis, e em dias de internet parece que todos tem sua oportunidade de apresentar as suas emoções e ideias.

Assim sendo, ao invés de fazer um Post linear, hoje será mais um jorro de ideias e emoções.

Djokovic e Nadal mostraram ao mundo o que o esporte pode ser. Uma aventura de entrega, doação, força de vontade, garra, emoção, dramaticidade, coragem, onde não há espaço para omissão, desculpas, fraquezas, covardias. Esses dois homens fizeram com que o tênis, e com ele todos os tenistas, fosse visto de uma maneira distinta e com um respeito ímpar. Eles colocaram a integridade do esporte em outro patamar. Poucas vezes na história dois esportistas mostraram o valor do esporte com tanta dignidade, em um palco de tal distinção e, muito importante, para uma plateia tão ampla. Importante – não foi nem a primeira nem a centésima vez que testemunhei tal entrega, mas respaldada por tal exuberância física deu outra dimensão à luta.

A partida confirmou algo que já vem provando ser um padrão; a importância do físico e do mental no tênis competitivo. Um dia acreditaram, e eu nunca fui um deles, que a técnica era o mais importante no arsenal de um tenista. A parte emocional e mental era considerada algo que o tenista tinha ou não. E o físico algo que o tenista podia, ou não, adquirir. Não mais. Um tenista com um físico ou mental fraco não é um grande tenista. Isso ficará cada vez mais consolidado daqui para frente.

Já escrevi, mais de uma vez, como uma bola pode mudar o rumo da partida. Seria imprudente jogar toda essa responsabilidade em uma única bola em uma partida de quase 6hs. Mas me pergunto por quanto tempo Rafael será assombrado por aquela passada de revés na paralela, no 30×15, 4×2, 5º set. Eu, que não tenho nada com isso, me sinto incomodado até agora – até porque tenho certeza do resultado se aquela bola tivesse entrado.

No entanto, nada mais sem sentido do que dissecar esta partida atrás de uma falha. Esta é uma partida histórica que será lembrada pelo prisma de todas as qualidades que foram apresentadas, por dois atletas em busca de uma perfeição que faria com que os deuses, acostumados às nossas por vezes ridículas tentativas, tremessem com o que os dois ousaram.

O mesmo raciocínio vale em tentar mostrar o porque da vitória. O título ficou com Novak Djokovic, mas a vitória foi de ambos, o sucesso foi do tênis e o triunfo foi do esporte.

Djokovic não é mais o mesmo jogador da temporada passada quando ganhou tudo. É melhor. Sua habilidade de manter a calma através de todas as tormentas é algo impressionante. Ontem, com a cobra fumando para tudo quanto era lado, eu olhava seu semblante e o cara estava lúcido, mais tranquilo do que seu oponente, um rapaz que transparece a intensidade que o direciona em quadra. Djoko também é super-intenso, mas aprendeu a relaxar. Fora que vem diminuindo as caras e caretas e milongas mil. Seu foco é o tênis e ganhar jogo e não em tentar ganhar mentes e corações como se fosse o Joker e não o Djoko. Aquele serviu para ele ganhar a fama de gozado na internet, este é grande o bastante para que ele fique com o título de campeão, o que fala por si.

Ficou claro que apesar da incrível temporada passada, os inúmeros títulos e o seu esforço em agradar Novak ainda não tem o amor das arquibancadas como seus maiores rivais. Mas, suspeito, após ontem isso começará mudar. Existe agora um respeito impar por ele e sua nova postura em quadra, que ainda não é a melhor, mas é bem melhor. Além disso, estou aprendendo que deve existir muito pouco que Novak queira que ele não conquiste.

Rafael Nadal mostrou que uma das maiores qualidades que um esportista pode ter é a vergonha na cara. Indignado com as seis derrotas seguidas para o adversário, mostrou que não está nem um pouco encolhido, resignado e pronto para abandonar a luta. Ser campeão é um estado de espírito e não só o fato de se levantar o troféu. E nesse quesito esse garoto é um homem como poucos foram na história.

Alguma coisa, ou mais de uma, este Aberto da Austrália mostrou que estão mudando no tênis. Talvez seja cedo para escrever com clareza e isenção, mas, com certeza, elas ficarão mais claras nos meses adiante.

Notas relacionadas:

  1. Engano?
  2. Grande jogador
  3. Engoliu
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sábado, 28 de janeiro de 2012 Curtinhas, Grand Slam, Tênis Masculino | 21:30

Final do AO – Nadal x Djokovic

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Uma das minhas leitoras – a Sonia – sugeriu e decidi fazer um Post para vcs acompanharem pela ESPN e comentarem a partida por aqui. Assim deixam os outros Posts em paz!

As regras são as conhecidas. Ofensas e palavras de baixo calão só demonstram a falta de educação de quem as escreve. Se alguem conseguir sair do óbvio, melhor – o ganho será de todos.

O bolão continua sendo só no local previamente definido.

Divirtam-se, que a farra vai acabar…

Notas relacionadas:

  1. Nadal volta aos treinos
  2. Danton Djokovic
  3. Fundação Nadal x Federer
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Grand Slam, Tênis Feminino | 11:29

Forja

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Quem acompanhou meus comentários na TV, internet e aqui nas ultimas duas temporadas ouviu e leu, mais de uma vez, meus comentários sobre a inevitável subida ao topo do ranking da intensa Azarenka. Veja um deles em: http://colunistas.ig.com.br/paulocleto/2011/04/02/as-pernas-da-vitoria/

Era uma questão de tempo e amadurecimento – ela invadia a área da ansiedade extrema em momentos importantes. Aos poucos foi administrando o problema, crescendo dentro do circuito e chegou à Melbourne, após conquistar Sidney, respaldada pelo #3 no ranking mundial.

Victoria deu um cacete na Sharapova. Sem piedade nem dó. A russa deve ter sentido vergonha, especialmente no 2º set, quando levou um banho de realidade que poucas vezes deve ter levado na carreira. Ambas possuem, razoavelmente, o mesmo estilo, com a diferença de a garota ser muito bem mais veloz, o que faz diferença na velocidade que a bola feminina está andando, e ter um pouco mais de margem de erro (spin) nos golpes.

A questão era se Azarenka manteria as emoções sob controle, já que se perdesse a precisão dos golpes seu jogo iria para a cucuia. E, convenhamos, a moça não sabe, e não ganha de ninguém, se tiver que “empurrar” a bola.

A bielorrussa tem qualidades e personalidade para brigar pelo topo do ranking e conquistar outros GS carreira afora. Vai ter a companhia de Kvitova, outro talento que já ganhou seu Slam, mas ainda está longe de ter chegado ao seu melhor tênis. Se os deuses ajudar terão a companhia de novos valores e, eventualmente, de alguma das várias tenistas que, em dado momento, podem surpreender qualquer outra.

O tênis feminino atravessa um momento interessante, rico e, principalmente, com profundidade de valores. Victoria Azarenka é um desses nomes, que hoje mostrou uma maravilhosa capacidade de aliar intensidade, força, velocidade, técnica, postura e coragem, uma aliança que forja campeões.

Notas relacionadas:

  1. O anjo da Victoria
  2. As pernas da vitória
  3. A estratégia turca
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Masculino | 22:56

Por que?

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Uma grande partida deve ser jogada em um grande cenário, sob circunstâncias excepcionais, com participantes de qualidade, ser repleta de drama, emoção, entrega, técnica, um publico participativo e interessado e ter consequências de toda espécie. Essa foi a partida entre Djokovic e Murray, a melhor de todas no atual Aberto da Austrália.

A presença de Lendl no camarote de Murray fez uma diferença? Fez. Murray lutou, como muitas vezes fez, mas deixou de lado o negativismo e a choradeira, que eram seu maior calcanhar de Aquiles. Teve uma ou outra vez que quis escorregar, mas logo se recompôs e voltou a focar na tarefa. Seu técnico era um verdadeiro “poker face”.

Murray bobeou? Sim, e não foi pouco. Mas uma partida de quase 5h exige um esforço mental impossível de manter o foco em tempo integral. Até mesmo esse leão Djokovic deus suas escorregadas e quase virou a vaquinha do brejo. Mas deu um jeito de ganhar!

Quem viu, viu, e eu não vou dissecar tudo o que aconteceu, especialmente com quase 700 comentários, mesmo que a maioria não sirva para nada. Se alguém for esperto, pesque o que presta.

Se até gente que, teoricamente, deveria entender do assunto e senta no sofá, porque não meus caros e queridos leitores?!

Bate-Prontos

O Murray e o Djoko vão sonhar com aquela direita paralela no BP do 5×5 no 5º set. Só que o Murray vai acordar e pular da cama. O Djoko vai virar de lado e continuar a dormir o sono da paz.

Por que Murray não saca bem do começo ao fim jogo? Por que só na hora que está com o pé na jaca?

Onde o sérvio vai buscar aquela força interior? Até onde a sua confiança vai seguir lhe tirando de apertos e lhe dando vitórias quase impossíveis?

Por que o Murray faz só uma coisa ou outra? Se movimentar muito bem ou soltar o braço e ir para as bolas vencedoras. Não dá para fazer as duas ao mesmo tempo e ganhar o jogo?!

O Djoko é um dos tenistas que melhor troca a direção da bola que já vi jogar, Graças à qualidade técnica de seus golpes e a disposição para aceitar a correria que tal estratégia exige.

Por que Murray sacou o serviço mais rápido a 215km/h, e Djoko e 195, enquanto a média de 1º serviço do escocês foi 184(2º=139) e do sérvio 190(157)?

Vamos explicar para quem não entendeu: o numero, teoricamente anormal de “erros não forçados” dos dois tenistas tem uma razão e uma explicação muito clara – (Murray 86, Novak 69). E não é por conta de deficiência técnica dos dois tenistas.

Segundo os parâmetros utilizados, mesmo que os caras troquem 20 bolas, se a 21ª for um erro será contabilizado como não forçado. Quem não passou a vida no sofá não sabe que após umas 10 trocas de bola o negócio vira um martírio, físico e mental indescritível. E isso foi um padrão nessa partida. Considerar tais erros como “não forçados” é dar às estatísticas uma leitura que elas não têm. Isso sem falar que ficaram quase 5h em quadra disputando pontos longos.

Sabem quantas vezes foi executado um “saque/voleio” na partida? Uma única, em quase 5h. Não é a toa que o Djoko se desculpou com o mestre Laver. Este só sorriu. E não chorou.

Notas relacionadas:

  1. As semifinais.
  2. Chave de Miami
  3. Final de Cincinnati
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Masculino | 16:50

O rival

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Não sei se tem a ver com o cansaço do horário do trabalho, mas o fato é que às vezes me pego quase cochilando após o almoço, algo que odeio e me recuso a fazer, talvez ainda por conta de alguma culpa que não me permite tal conforto. Mas ali naquela hora, quando a pálpebra fica mais pesada, hoje um pensamento me invadiu.

Como é que vou explicar para os meus netinhos, e para meus leitores, que o melhor tenista da história tornou-se um freguezaço de carteirinha, com direito a carimbo e fotografia, de outro tenista? E olhem que não estou falando sobre uma ou outra derrota.

Trata-se de uma das maiores rivalidades da história, com certeza a maior da atual década. São 18 vitórias para Nadal e somente 9 para Federer. Após a partida de hoje, o espanhol Nadal pode, intimamente se não publicamente, dizer – o maior da história é meu filhote.

Se trava, se acomoda, se medra, se facilita, não importa. O fato é que a história se repete com uma frequência assombrosa, especialmente nos grandes palcos – os Grand Slams. 8×2 para o espanhol!

A partida foi repleta de ocasiões que Federer soube criar, graças a seu indiscutível talento e volume de jogo, assim como foi tão repleta de vezes que o suíço não soube aproveitá-las e transformá-las em vantagens contundentes e irrecuperáveis. Essa liberalidade por parte de Federer pode funcionar com a maioria dos adversários, mas não com o espanhol. E a cada vez que deixava uma delas fugir, mais distante lhe parecia e ficava a vitória.

Desconcentração é algo que acontece e já custa caro. As viagens de Federer são mais do que manjadas, mas é uma fraqueza que o espanhol aprendeu a farejar, conhecer, aguardar e explorar. E, pior ainda, para Federer, transformá-las em vitória. Um tenista que abre uma quebra de vantagem em três sets seguidos, se permite perder as tais, quase que imediatamente, perdendo dois desses três sets, e no decisivo quarto set, não consegue cacifar os break-points, não merece e não vai vencer. E se permite seu recorde contra seu maior rival tornar-se tão negativo, permite também que se questione a ambiguidade de, por um lado, ser o maior da história, e do outro ser tão decisivamente dominado pelo seu maior rival.

Nadal – batendo e aplaudindo o rival.

Notas relacionadas:

  1. Atitude
  2. Delírio
  3. Federer x Nadal
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:27

1000!! e sem surpresas

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Os meus leitores são um capítulo à parte no meu Blog. Logo que resumo meu trabalho na ESPN e ligo para minha mulher, ela me avisa que o Blog está bombando e que o pessoal está excitado com a aproximação dos 1000 comentários.

Como marquei hora com meu colega Romeu para bater umas bolinhas no Clube, mesmo debaixo do sol que ferve São Paulo, mesmo que só para tirar a inhaca, não vou poder postergar muito este meu post, que não será o definitivo do dia – adivinhem qual será o tema deste!? Será que será antes do milésimo – eu e o Federer flertando com esse numero redondo!

O fato é que o tema de outro recente post – “Fabulous Four” – acabou sendo profético sobre o Aberto da Austrália. Os quatro melhores do mundo chegam às semifinais, provando que eles estão um degrau acima do resto.

Um colega meu de ESPN me pergunta se isso não mostra um momento menor do circuito. É a história do meio copo d´água. Eu vejo como um momento diferenciado, só que pelo melhor. São quatro excelentes tenistas e qualquer um deles pode ficar com o título que não seria nenhuma surpresa.

Desses quatro, Djoko, Nadal, Federer e Murray, só este não tem um título. Por isso, e só por isso, a minha “torcida” pelo Mala. Aí nos próximos, incluindo as Olimpíadas, teríamos realmente quatro tenistas em igualdade de condições. MalaMurray precisa de um título para tirar esse urubu dos ombros e poder explorar seus limites.

Na chave das mulheres uma interessante ambiguidade. Três tenistas – Kvitova, Sharapova e Azarenka – com chances de terminar a quinzena como #1 do mundo, algo muito difícil de acontecer e que acrescenta no drama do torneio – CruzadinhaWozniacki não poderá, pelo menos por enquanto, levantar seu dedinho indicador mundo afora.

No entanto, a favorita ao título, o que também não quer dizer muito, ainda é Kim Clijsters, que, e aí a ambiguidade, está fora dessa corrida. Ela tem jogado menos e seus pontos não são o suficiente para a colocar na “briga”. A belga de 28 anos tem mais experiência do que todas e quatro títulos de GS. Ela e Sharapova já foram #1 do mundo e ambas já venceram em Melbourne. Kvitova nunca foi #1, mas ganhou Wimbledon. Por fora, a intensa Azarenka, que nunca foi #1 nem ganhou um GS. Mas aí também a vitória de qualquer uma delas não será uma surpresa.

Uma homenagem aos leitores deste Blog. Abss

Notas relacionadas:

  1. Clareza
  2. As semifinais.
  3. Surpresas
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domingo, 22 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:49

Campanha

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O meu colega de transmissões, Ari Aguiar, lança a campanha, “Dá um slice, Wozniacki!”, campanha que só teria menos resultados do que seu eu lançasse a campanha “Um saque e voleio, please, Caroline”.

A moça, dona de um tênis unidimensional, seria um porre de assistir se não fosse por um quesito. Ela é extremamente disciplinada, o que é, e sempre será, uma qualidade, dentro e fora das quadras. Imagino que os fãs da escandinava sejam os mesmos do ibérico Nadal. Será que a minha mulher também acha ela uma “fofa”?

Após as partidas de hoje, Ari me perguntou se eu não acho que o arsenal de habilidades de um tenista como o do australiano “Neymar Atômico” não lhe confunde a cabeça. Um bom ponto e uma pena que ele não tenha perguntado durante a partida – eu adoro essas pautas durante a transmissão.

É um fato que, especialmente no início das carreiras, os mais talentosos e habilidosos se confundam com a variedade até estabelecer o seu “modus operandis” e mesmo assim há controversas – Murray acha que estabeleceu o seu MO, enquanto seus críticos acham que deveria continuar procurando. Até mesmo o Federer passou por esse momento, não vejo porque com o australiano seria diferente. Que ele vai jogar muito é um fato – ele tem o espírito competidor, além da “mão”. Resta ver o quanto de espírito estamos falando.

Hoje, Tomic tentou enrolar o suíço Federer com seus slices. Federer não se apertou – não lhe falta arsenal para enfrentar quem quer que seja. Mas, depois de uma dupla falta no 30×30, 4×4, 1º set, Tomic abriu as pernas. É verdade que houveram também várias bolas espetaculares do campeão para lhe ajudar na decisão – mas isso não é novidade, especialmente quando o suíço começa a viajar na confiança. Aliás, até com ele se pode lançar uma campanha – “Aposentar pra que, Federer?”.

Caroline – tentando sair da caixa.

Roger – já fora da caixa.

Notas relacionadas:

  1. As portas do inferno
  2. E a chuva chegou
  3. Turkish delights
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Masculino | 17:53

Out of the box

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Hoje tive uma discussão com um amigo. Adoro discutir com amigos; podemos falar o que quisermos sem maiores preocupações – pelo menos enquanto a discussão for teórica e não pessoal.

Discutíamos tênis, o que mais seria em semanas de Grand Slam? Discutíamos a partida entre Dog Dog e o Garoto Atômico. Ele odiou. E como todo passional, odiou muito. Eu adorei, e como todo admirador do talento natural e das habilidades impares, adorei muito.

Infelizmente, só quem tem a ESPNHD pode acompanhar a partida. Quem viu, viu, que não viu vai ter que esperar uma próxima oportunidade.

Os dois tenistas tem habilidades que fogem do padrão, especialmente o padrão que domina e assola o tênis atual. É só passear pelos torneios infanto-juvenis e constatar que a única coisa que o sabem e querem fazer é dar na bolinha como se ela fosse a culpada de todos os pecados do mundo. Entre os profissionais essa realidade não fica muito distante.

DogDog quase deixou Novak Djokovic louco no Aberto dos EUA quando abriu a lata de lixo e a entornou na quadra central. Atrofiou o Djoko. Ele é capaz de dar esquerdas slices que mudam mais de trajetória que um chute do Nelinho.

Tomic é a nova e grande esperança dos australianos. À parte do talento e das habilidades, Tomic tem a personalidade de um jogador. Me lembra muito o Neymar, no jeito e no talento. Mas tem uma personalidade “problemática” – deu uma “garfada” no Dog em uma questão sobre desafio que pegou muuuito mal.

O australiano é também capaz de cortas salames por horas. Pode também, em um piscar dos olhos, passar para uma bola flat e acelerar a bichinha. Sabe mudar o ritmo como outros mudam de meias e não se aperta junto à rede. É maravilhoso assistir um tenista que pode tirar o peso e em seguida acelerar. Todas essas qualidades fazem tambem parte do arsenal do ucraniano. O que os dois jogaram de “quadradinho” deu mais tempo e bolas do que somado todas as outras partidas de ambas as chaves, do começo ao fim do torneio.

Os dois nos ofereceram um espetáculo inusitado, repleto de bolas alternativas, golpes inesperados – um tênis “out of the box” e multi dimensional que só encontra espelho no de outro maluco, o MalaMurray.

Meu amigo não gostou, assim como iamagino que muitos leitores também não. Felizmente, os comentaristas do video abaixo – dois ex-tenistas, tambem adoraram.

Só tenho uma coisa para lhes dizer. Eu estou cheio de comer feijão como se fosse caviar, assistir blockbuster americano como se fosse “cinema”, ouvir “bate estaca” como se fosse musica e acompanhar neguinho dando porrada na bolinha como se fosse tênis. Quero ver tenista em quadra pensando no que vai fazer, montando, mudando e adaptando estratégias, buscando e explorando alternativas para o que virou padrão.

Notas relacionadas:

  1. Correndo
  2. Domingo de oportunidades
  3. Acrobacias
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Grand Slam, Tênis Masculino | 17:14

Não tem preço

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Algum tempo atrás escrevi um Post sobre o fato de que uma bola pode definir o rumo e o resultado de uma partida, algo que alguns sofasistas atacaram com veemência. Hoje, na partida de Federer x Karlovic teve uma dessas.

Karlovic sacando em 6×5 no tie-break do 1º set – set point. Federer devolve de slice nos pés do croata, que devolve no meio da quadra, o suíço lhe enfia uma direita pesada também no centro, devolvida com um voleio e sai uma curtinha dos mais fantasmas.

Federer corre para frente e a de cerca de 40 cm da rede, sem ângulo e com o outro babando no seu cangote, inventa um lob. Karlão, que dera dois pulos à frente para fechar o ângulo, sai quase 1 milímetro do chão e taca o aro da raquete na bolinha que espirra para cima. Tudo isso magnífico e de se tirar o chapéu. Mas o que não tem preço é a carinha de um fulaninho que acompanhou o ponto no Box do Karlão, mostrado pelo vídeo abaixo.

Notas relacionadas:

  1. Tudo tem seu preço.
  2. O sacador
  3. Encontrando
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:09

Delírios?

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Hoje está mais difícil. Com esse assunto de acordar 5h da manhã – bem antes do meu habitual – fica a óbvia obrigação de ir dormir bem antes também. Ou a a casa cai. E de vez em quando cai mesmo, já que tem noite, como ontem, que devo ter passado da hora e aí a próxima hora não chegava. Um inferno.

É como jogo de tênis, você vai ficando confiante que a coisa está sob controle e pisa no tomate. Quarta-feira e eu me sentindo confiante, achando que o assunto estava dominado. Dancei.

Além disso, logo cedo jogo do Thomaz Bellucci. Jogo de brasileiro é diferente de jogo de estrangeiro. Tem o envolvimento emocional. Lembro que na época do Kuerten eu “me preparava” desde café da manhã – e o jogo era à tarde!

Por isso, hoje vou inovar. Adoro inovar – e inovo pouco. Bem menos do que deveria.

Dois comentários dos meus leitores chamaram a minha atenção. Como ambos são relevantes e interessantes, uso-os como raiz. Um deles de um leitor que diz ser antigo, no entanto não me lembro de tê-lo lido antes. O outro, o Bruxo, alguém que começa a aparecer com maior frequência por aqui.

Primeiro, o do Bruxo, falando sobre o jogo do Ricardo Mello:

“Só vi o jogo do Ricardo Mello essa noite. Ele fez o que pode. A única coisa que poderia ser melhor foi o saque. Quando você joga contra um animal como o Tsonga, se você começa a precisar muito de segundo saque, você basicamente está morto, porque ele vai te furar com o drive. O que falta pro Ricardo Mello começar a ter chance contra alguns cachorros maiores é um saque mais confiável (não precisamos ir longe, um saque como o do Falla, regular, com alta porcentagem de acerto no primeiro saque faria o Ricardo subir de nível).
Nos ralis achei o Ricardo taticamente esperto. Todas as vezes em que ele fez o Tsonga correr pra direita, ele anulou o potencial de ataque do Tsonga daquele lado e colheu alguns erros não forçados. Fica a dica para os próximos adversários do Tsonga: mudanças de direção são o caminho (ele voltou pesadão da pré-temporada e tem algumas dificuldades em jogar na corrida, e ele gosta de ter liberdade de movimentação pra fugir da esquerda). A partir do momento em que você consegue fazê-lo de limpador de para-brisa (correndo de um lado a outro e tirando a liberdade de movimentação dele), ele é extremamente vulnerável. Foi fazendo isso que o Ricardo embaçou os três sets.
O Tsonga por sua vez mostrou uma capacidade absurda de sair dos buracos. Não me lembro de nenhum break-point pro Ricardo onde ele tenha dado bobeira. Pelo contrário, o Tsonga vinha com um torpedo no saque, com um bom voleio, ou com uma patada troglodita de direita. Foi 3×0 pro Tsonga muito por mérito dele também.
O Tsonga tem bola demais pro Ricardo, mas ele fez um belo jogo. Foi a melhor derrota possível.”

O segundo, do LF, como ele se identifica, apesar de utilizar um email válido:

“Não acho que o Bellucci tenha jogado tão mal assim: falta personalidade e convicção nos pontos importantes. Ele teve inúmeras chances de quebrar o saque do Monfils, mas não cacifou. Ele continua pecando no mental, baixando a cabeça quando perde pontos que estavam sob seu controle.
Falta mais movimentação lateral e vertical: chegando frações de segundo atrasado em algumas bolas com a empunhadura que tem fica mais difícil ainda.

Pontos positivos: melhora sensível no slice (tanto cruzado quanto paralelo), ganhando alguns pontos com sua utilização. Instinto matador mais aguçado, indo para a rede volear (e bem!) quando sente que desequilibrou o adversário. Posicionamento mais aberto no saque: tirou a força e acrescentou efeito no serviço; fez menos aces, mas trabalhou bem com o saque aberto; fez menos dupla-falta também.

No mais, quero dizer que acompanho o blog há algum tempo e acho que seja o melhor do ramo no país. Acompanho o patrão na ESPN e aprecio muito seus comentários. Curto bastante a maioria dos blogueiros, todos contribuem bastante em termos de diversão e discussão.
Abraço a todos.”

Ambos, é óbvio, são tenistas. Suas colocações o evidenciam. Não assisti a partida do Ricardo, mas acompanho o raciocínio do Bruxo. Suas ponderações sobre o Tsonga são interessantes e reais. Suas colocações sobre o Ricardo também são boas, o que me lembra da máxima americana: o tenista é tão bom quanto seu 2º saque. Da mesma maneira que os cachorrões se distinguem dos outros pela sua capacidade de “fechar a porta” nos pontos importantes, como os BP.

LF – será Luiz Felipe? – foi na veia quanto a Thomaz. Ele não jogou mal – lhe falta personalidade e convicção. Na mosca e só com uma outra forma de dizer o que tanto insisto. Alias, disponibilizo abaixo um link para uma entrevista feita pelo jornalista Julio Gomes da ESPN com o tenista brasileiro, logo após entregar a rapadura em terra de canguru. Nela, questionado diretamente pelo Julio, Thomaz admite algumas coisas pela primeira vez – um passo na direção correta.

A percepção de LF de como e quando Thomaz “abaixa a cabeça” é correta. Assim como a deficiência na movimentação lateral – gritante quando dividindo a quadra com Monfils.

Sua análise dos pontos positivos também é de quem entende e sabe “ler” o jogo. Os slices, que Thomaz tanto relutava em usar (aqui a influencia do técnico que, também canhoto, utilizava bastante o golpe). Não sei sobre o “instinto matador”, mas concordo com as idas – necessárias – à rede para fechar o ponto. A mudança conceitual no serviço é um dado, apesar de que Bellucci é sacador e não pode abrir mão de umas duas vezes por game ir para o ace, nem que seja para intimidar – hoje ele foi quebrado em demasia.

Vi também um terceiro Comentário, onde alguém delira sobre se tivéssemos um tenista com a técnica de Bellucci e a cabeça de Ricardo Mello. Já li também sobre a mesma mistura com a entrega de Meligeni. É isso que dá quando se ouve pessoas que só começaram acompanhar tênis após Gustavo Kuerten e não tem Luiz Mattar ou Jaime Oncins, que seriam melhores exemplos. Vou dormir! – mas antes vou bater uma bolinha.

http://espn.estadao.com.br/australianopen/noticia/236194_VIDEO+EXCLUSIVO+BELLUCCI+CULPA+ERROS+BOBOS+POR+VIRADA+E+ADMITE+QUE+PRECISA+MELHORAR+ATITUDES

Notas relacionadas:

  1. Perto
  2. Probabilidade
  3. Virada
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  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. 20
  9. Última