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Arquivo da Categoria Copa Davis

quinta-feira, 7 de maio de 2009 Copa Davis, Tênis Brasileiro | 14:03

Lendas urbanas

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quadra central em MaceioNão é a primeira vez que leitores do blog mencionam acontecimentos nos confrontos de Copa Davis contra a Alemanha no Rio de Janeiro e Itália em Maceió, pedindo detalhes sobre certos fatos. Os confrontos aconteceram em 1992, quando o Brasil conquistou a mais longa série de vitória da sua história na competição com seis vitórias consecutivas. Um dia darei mais detalhes dessa campanha, hoje escrevo sobre o incidente que o leitor Walt menciona no post “Mundo da Lua” (à direita, imagem da quadra central em Maceió).

A escolha de Maceió foi controvertida, como são muitas as decisões das confederações na Copa Davis. A diferença é que na minha época eles tinham a ultima palavra comercialmente, que não podiam, nunca, contrariar os critérios técnicos ditados pela equipe. Bem diferente do que acontece hoje, quando o capitão é pau mandado e bate continência com falso orgulho e ardor, porque tem medo de cara feia e de perder o cargo.

Tínhamos batido a Alemanha no Rio de Janeiro e agora enfrentaríamos a Itália, que tinha três bons singlistas; Camporese, Cane e Pescosolido, e um especialista em duplas, Nargiso. Nossos singlistas eram Oncins e Mattar e a dupla Motta e Roese. Tínhamos confiança que se jogássemos no saibro, também especialidade dos italianos, a altura do mar e o calor seriam o diferencial.

A CBT foi atrás de suas opções e voltou com Maceió, já que quem estava por detrás da proposta era Pedro Collor, irmão do então Presidente da República e dono de jornais e TV na cidade e a oferta foi, no todo, a melhor. Para encurtar uma história longa, eles nos receberam bem, com muita boa vontade e a mesma medida de falta de estrutura.

As quadras foram construídas na praia, inclusive uma enorme Quadra Central. Só que, para variar em nosso país, tudo feito em cima da hora. O piso foi feito pela atual presidente da FPT, Paulo Campos, por minha exigência, já que pelo menos ele devia saber o que estava fazendo.

Vale dizer que os hotéis da cidade estavam lotados, já que as expectativas com o confronto eram enormes no país, após batermos a Alemanha de Becker e Cia, e cinco vitórias consecutivas. Todas as TVs e jornais do país estavam presentes, assim como fãs de todo o Brasil e autoridades do tênis internacional.

No entanto, na terça-feira da semana do confronto, segundo dia de treino na Quadra Central, o árbitro, o americano Ken Farrah, me chama de lado e pediu para acompanhá-lo. Dirigiu-se ao centro da quadra, parou ao lado de um dos ferros de sustentação da rede e acenou com a cabeça. Eu olhei na direção da rede e percebi que a linha formada pela rede até o outro ferro estava torta. Ligeiramente, mas com certeza torta.

Para quem não sabe, o ferro da rede é chumbado no chão. Geralmente a sapata de concreto tem um metro de profundidade em uns 40×40 cm de largura. Lá eles são meio exagerados e a sapata era maior. Para quebrar aquilo, e fazer de novo, os treinos teriam que ser interrompidos sabe-se lá por quanto tempo. Chamamos o Paulo, que chamou sei lá quem, que deveriam ser os responsáveis pela aquela obra de engenharia, para avaliarmos o fato.

Só que logo depois caiu uma chuva que inundou a cidade. Um verdadeiro temporal. No dia seguinte, logo cedo, após a chuva, fui até o local e a Quadra Central estava mais de um metro abaixo d’água. O pânico era geral. Com o passar das horas a água abaixou e o piso feito pelo Paulo Campos provou que estava pronto para esse teste climático.

Após avaliarmos os prós e contras da situação o supervisor virou para mim e disse: você vive com isso? Eu vivo, respondi. Eu também, disse ele. Virei as costas e fui.

Chamei meus tenistas, fiz um desenho da quadra com os ferros da rede desalinhados e mesmo aqueles que não estudaram engenharia, como o Luiz Mattar, entenderam a nova geometria da quadra. E assim foi. Naquele confronto da Davis o meu time teve a orientação de sacar, com mais freqüência do que o normal, fechado no lado da vantagem e aberto no lado do iguais. Só que na hora H, os rapazes sacavam mesmo onde tinham confiança e o instinto e as táticas de seus estilos de jogo mandavam. O resto são lendas urbanas. Pelo menos boa parte.

A pedidos, o desenho, feito à mão, da quadra central. Acho que não me expressei bem ao escrever que os postes estavam desalinhados. Lá estão, no lado do iguais o maior espaço para o saque aberto, e no lado da vantagem, o espaço maior no saque fechado.

Notas relacionadas:

  1. Orange Bowl 2
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terça-feira, 5 de maio de 2009 Copa Davis, Minhas aventuras, Tênis Masculino | 00:22

Garfos no mundo da lua

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Hoje, como acontece quase todas as segundas-feiras na hora do almoço e meu parceiro/adversário não me dá o cano, fui jogar. Ele é leitor participativo deste blog, então é melhor não ficar cutucando a onça. De qualquer maneira, eu estava um tantinho no mundo da lua; e nada por conta de Nadal e seus colegas ou mesmo a intempestiva e bem vinda subida da bolsa de hoje.

Talvez estivesse um pouco mais avoado/concentrado por conta de problemas/soluções da vida que corre fora das quadras, como acontece com todos nós. Quadra de tênis não é lugar para pensar, muito menos em assuntos mais penetrantes do que o saque adversário ou mais profundos do que suas direitas. Mas às vezes escapa.

Fui lutando para quebrar e não ser quebrado, correndo o possível, lidando com os erros e vibrando com os acertos. Confesso que são duas horas de emoções altíssimas, um dos pontos altos do dia. Não sei se estava pensando na morte da bezerra ou na caída do dólar, o fato é que a certa altura, depois de confirmar meu serviço, em game tenso e difícil, já que sacava para fechar o set em 7/5, dirigi-me à cadeira para o descanso merecido.

Percebi que meu adversário ficou meu olhando com aquela cara que os tenistas lançam quando vêem seus oponentes dando uma de milongueiro tentando aprontar alguma. Caminhei para a troca de lado e percebi que o adversário não tinha a menor intenção de fazer o mesmo. Devo ter feito uma cara de bobo bem convincente quando afirmei/indagando; “set, não é?” De bate-pronto ele respondeu: “não, 2×2″. Tremi. – “E o primeiro?” “Você ganhou 6/4″. Rapidamente recuperei minha confiança, pois já estava a prever o pior. Após algumas contas e replays mentais, chegamos juntos à convicção que ele estava certo e eu vencendo. Fiquei tentando lembrar como fechei o set. Fiquei pensando o quanto me havia estressado com um reles 1×2. Fui para o fundo da quadra para receber quando algo me bateu como se fosse um Serviço/Roddick. Levantei o braço e gritei para o adversário do outro lado da rede. “Frustrei. Nem pude gozar quando fechei o set!”

O incidente me lembrou de uma história que meu pupilo Cassio Motta adorava contar. Certa vez, ainda garoto, foi jogar o “Noturno do Tietê”. Quem dos meus leitores jogou esse tradicionalíssimo evento? Cássio jogaria contra um dos maiores catimbeiros do tênis de então, um tenista bem mais velho, cheio das manhas, “paparra” de primeira e conhecido por ser um bom garfo dentro da quadra.

Antes de sair, Milton Motta, pai e presidente da FPT, chamou o filho. “Fique de olho aberto, pois o fulano tem a fama de roubar bolas!” Cássio foi para o jogo atento para o que viesse. O jogo foi acontecendo e Cássio, como era seu costume, enfiando a mão no que aparecia pela frente. O adversário, que gostava de bolas altas e lentas, só podia assistir as bolas passando ao seu lado. Cássio confiante, já nem lembrava a advertência do pai, já que o oponente não havia puxado nem um coringa da manga e nem tentado uma garfada até o momento. E o momento era próximo do fim do jogo.

Motta vencera o primeiro set e liderava o segundo por 4×3. Foi então que, pela primeira vez, na virada, cantou a contagem: 4×3! O adversário então se virou para ele e disse: “Não; 5×2″! Cássio ficou confuso por um instante, pensando se sua vantagem era mesmo mais ampla, mas disse: “não, você se enganado, está 4×3 para mim”. O outro então vai até ele, olho no olho e diz: “acorda garoto, eu ganhei o primeiro e está 5×2 para mim. E dá as bolinhas que eu vou fechar o jogo”!

Garfão, um problema em jogos sem juiz.

Notas relacionadas:

  1. PELICA E FERRO
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domingo, 3 de maio de 2009 Copa Davis, Light, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 22:58

Fim de semana

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Monte Carlo mais lento, Roma mais rápido. Madrid mais rápido, Paris nem tanto. Para Nadal, pouca ou nenhuma diferença faz. Hoje ele é o homem a se bater, e não parece haver adversário para ele. Muito menos no saibro. Alguma coisa teria que mudar, drasticamente, na sua cabeça, ou na de alguém, para seus adversários enxergarem alguma luz.

Com a vitória em Roma o espanhol, de 22 anos, arregimenta 15 títulos nos Masters 1000. Mais dois iguala Agassi, que se aposentou aos 32 anos. Agora são 30 vitórias consecutivas no saibro. E em Roma não perdeu um set. E o mar de pontos que o separa de Federer continua em maré alta.

O Djokovic que, como eu já escrevi, tem a mente muito forte, consegue levar o samba até o ponto onde é obrigado a encarar a besta de frente. A cabeça do sérvio é ótima, mas ainda não tão ótima quanto a do Animal Nadal. Pelo menos nas horas da onça beber água. Algo que o vice-campeão teve a humildade de reconhecer após a derrota; para sua agonia.

A pressão sobre Djoko era grande. Lutava não só pelo título, mas para fechar a porta por onde acabou entrando o escocês bagaceiro. Ao invés de passar Federer – ele teve três oportunidades nos últimos meses – Novak será passado para trás no ranking por um adversário que ainda não se encontrou na temporada de saibro. C’est la vie.

Gaston Gaudio, que a esta altura eu pensava estava se dedicando a pesca nas águas gélidas da Patagônia, voltou a vencer lá pelos lados do Saara. Um torneio pequeno, mas para ele uma vitória gigantesca. A cabeça desse rapaz consumiria vários charutos de Freud. O que será que ainda o leva a insistir se cada vez que chega lá joga tudo fora? Será que é tão difícil parar? Podia pedir umas dicas para o Coria, já que esse o ajudou mais do que se fosse seu pai.

Freud pediria uma linha de crédito em Havana ou queimaria seu divã se tivesse que percorrer o circuito de tênis por uma única temporada. Ou alguém sabe explicar, de uma maneira que eu e vocês entendamos, o que se passa pela cabeça do quase, quaaaaase, melhor da história, Roger Federer?

E provavelmente Sigmund colocaria sua barba de molho tentando entender o tênis feminino. No primeiro torneio, em Stuttgart, como número 1 do mundo, Dinara Safina foi derrotada na final pela freguesa Svetlana Kusnetsova. Dinara havia vencido os últimos quatro confrontos entre as conterrâneas. Foi só virar numero 1 do mundo que o encanto acabou.

Um só Freud seria pouco no circuito.

Notas relacionadas:

  1. Flamenco
  2. Semis táticas
  3. Correrias
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sábado, 25 de abril de 2009 Copa Davis, Sem uma categoria | 14:34

Bom para a tosse

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Vai mal! Pela segunda vez na temporada a Copa Davis é manchada por cores políticas. Primeiro, foi a Suécia fechando as portas do estádio para o confronto contra Israel. Ruim, mas até entendo. Na avaliação deles, não distante da realidade, a emenda seria pior do que o soneto. Os protestos dentro dos estádios poderiam interromper os jogos de vez.

Agora os australianos esnobam os indianos, afirmando que a cidade de Chennai não oferece segurança para o confronto, por ser época de eleições e a existência do receio de confrontos.

Se fosse assim, o Brasil não poderia ter ido à Buenos Aires nos anos setenta. Não tinha eleições, mas tinha Tupamaros, metralhadoras no hall do hotel e no clube e uma eterna paranóia no ar. Não teria ido ao Peru, onde o governo local nos obrigou a andar, para cima e para baixo, com cinco seguranças armados de metrancas, inclusive nas portas dos quartos, para evitar assédios inesperados dos Senderos. Sempre soubemos dessas realidades, riscos e encaramos com tranqüilidade. Mesmo quando bombas explodiam em um baque surdo perto das quadras e o silêncio momentâneo que vinha das arquibancadas era maior do que o de qualquer quadra central mundo afora.

Os países do chamado primeiro mundo sempre tiveram uma posição arrogante com países em desenvolvimento, inclusive nos esportes. A cada vez que um deles vinha por aqui começavam as pressões e acusações veladas. Os casos são muito numerosos para começar enumerar. E não eram só com o Brasil. O que a Austrália fez, e está fazendo, é isso, além de uma ofensa à Índia.

Os australianos decidiram que não vão a Chennai e a FIT está prometendo multa e suspensão, já que analisaram e concluíram que as condições de segurança são as necessárias. Os que mais pressionaram foram os tenistas, especialmente Lleyton Hewitt – e isso deve ter contado muito na decisão da federação australiana de dar o default.

Só que já falam em suspensão de 12 meses, o que é pouco, por ser só uma temporada. Tinha logo que suspender uns dois anos e mandá-los para a terceira divisão da Oceania, onde da próxima vez teriam que ir jogar lá pelos lados da Indonésia para ver o que é bom para a tosse.


Chennai:lá como cá, uma terra de contrastes.

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quarta-feira, 22 de abril de 2009 Copa Davis | 00:34

Mais uma vez

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Não sei se é má fé, má leitura, mau raciocínio ou seja lá o que for. As pessoas insistem em crucificar e ofender o Marcos Daniel por conta da postura dele. E não estou me referindo só a leitores de blogs. Podem até fazê-lo; ele não precisa de mim para defendê-lo, se complicar, ganhar ou perder jogos e eu não estou a seu serviço. Mas quando eu escrevo algo aqui – ou se preferirem é só acessar outros sites para maiores informações – é um tanto desapontador perceber que as pessoas não entendem o que lêem ou mudam o que lêem para encaixar seus raciocínios.

Vamos tentar, mais uma vez:

O Marcos Daniel não se recusou a jogar a Copa Davis, até pelo contrário. O que ele se recusou foi assinar um contrato de patrocínio com o “Correios”, patrocinador da CBT, para usar um selo na manga de sua camisa. Como não assinou o presidente Jorge Rosa não o deixou jogar.

Não assinou porque não concordou em ganhar menos do que os outros três titulares, por conta da confusão do ranking da ATP. Como a confusão foi causada pela mudança de critérios do ranking da ATP, a CBT podia ter sido flexível, para manter o time escalado originalmente pelo capitão Chico Costa.

Para quem não lembra ou não sabe, o ranking da ATP mudou seus critérios em 1º de Janeiro e o ranking de Daniel foi de #87, no último dia de 2008, para #102 no 1º dia de 2009, e de volta a #90 em 02 de fevereiro. Só que estar entre os 100 no 1º de janeiro valia o dobro de estar fora. Com um pouco de compreensão dava para se acertar com o jogador. Faltou compreensão e vontade.

Daniel e Costa afirmam que o tenista tentou negociar. Daniel afirma que Rosa se negou sequer a conversar. Costa afirma que o contrato com o Correio “está acima do tenista, do Presidente, acima da Copa Davis”. Com uma afirmação dessas, a inflexibilidade impera. Assim como fica difícil entender as prioridades atuais da gerencia do time.

Talvez por isso fique mais fácil entender porque tenistas como Ricardo Mello, Thiago Alves, João “Feijão” Souza e Ricardo Hocevar alegaram “outras prioridades” e recusaram a convocação do atual capitão.

Para terminar. Não deixo, por um instante, de entender as dificuldades que existam em manter um contrato do porte que a CBT assinou com Correios. São cerca de R$400 mil por mês! É muito dinheiro, de longe o maior já conquistado pela confederação e algo a ser aplaudido. No entanto, tenho a certeza que se houvesse a vontade política do presidente Rosa, o dirigente maior do tênis brasileiro, um acerto seria atingido e toda essa bagunça teria sido evitada, assim como mais esse um péssimo capítulo para nosso tênis. Assim como se tivesse muita vontade de jogar, Marcos Daniel estaria no time.

Notas relacionadas:

  1. PEGADINHA?
  2. Faltou vontade.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009 Copa Davis, Sem uma categoria | 12:55

Faltou vontade.

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Quando Fernando Collor negociou o seu vice-presidente com aliados, o critério principal que passou a assessores foi que não deveria ser ninguém com uma personalidade forte o bastante para lhe ofuscar e nem de longe contrariar. Voltaram com o nome de Itamar Franco, que ninguém ouvira falar antes e que muito se ouviu falar depois. Especialmente em bailes carnavalescos.

O presidente da CBT, Jorge Rosa, seguiu o mesmo raciocínio na indicação do mais importante cargo da confederação. Na primeira tentativa, com Fernando Meligeni, acertou o palpite, mas errou a mão. Meligeni engoliu no começo, mas depois fez bico e decidiu que não queria mais. Com Chico Costa a parceria tem andado do jeito que ele pediu a Deus.

Essa confusão e bate-boca na convocação da Copa Davis só teve o desfecho que teve porque temos um presidente autoritário e um capitão que aceita bem o que vem de cima. Até aonde se sabe, Marcos Daniel é não só um conterrâneo, como um protegido e amigo pessoal de Chico Costa. Assim, tudo levaria a crer que Costa faria o necessário fosse para ter o rapaz no time, até porque já deixou claro, no passado e ao convocá-lo, que acredita no seu tênis, como pelo fato de Daniel ser o brasileiro de maior sucesso recente nas quadras colombianas, palco de nosso próximo confronto na Copa Davis.

As discussões e posições, de ambos os lados, são conhecidas e não necessitam de maiores análises deste blogista. O presidente se apega à rigidez da regra e assim evita ser criticado por fazê-lo.

Uma questão é se o tenista deve ser obrigado a jogar com um patrocinador da confederação na manga, sendo que não houve um acerto financeiro a respeito. Em esportes coletivos é quase uma obrigação, mas sempre se busca e encontra um acerto entre as partes.

No esporte individual muda um pouco a força da imposição. Houve foi uma proposta da CBT não aceita pelo tenista. Quando esse fato aconteceu anteriormente, tanto no Brasil, como em outros países, até onde eu sei, as partes envolvidas sentaram até se acertar. E quando não houve acerto o jogador não foi obrigado a endossar o patrocinador.

Já vi esse mesmo conflito em outras ocasiões inclusive quando fui capitão. Nessas ocasiões o capitão deve usar da musculatura de seu cargo para encontrar um acordo, o que geralmente o coloca em rota de conflito com o dirigente e mais raramente com os atletas. Mas sempre houve um acordo, até porque a melhor opção técnica é sempre a prioridade inatacável.

Para os muitos leitores fãs da “Era Pós Kuerten”, houve o famoso caso das Olimpíadas de Sidney, quando Gustavo se recusava a usar o uniforme que o COB dizia ser obrigatório. Houve uma queda de braço, que chegou a ser publica, e o COB acabou cedendo.

O fato é que se Daniel realmente quisesse, engolia essa, que não é das piores, e jogava. Assim como se Rosa realmente quisesse o gaúcho em quadra, usaria o ranking de 31 de dezembro e não o de 1º de janeiro, e o time iria completo para a Colômbia. Faltou vontade de ambos para que a personalidade de cada um dos envolvidos não se sobrepor à vontade de o Brasil vencer.

O que fica um pouco difícil de entender é a postura pouco condizente com o cargo, do Presidente da Confederação acusar o tenista de ter medo e fugir da raia sempre que o assunto é Davis, explicitando covardia por parte do gaúcho. Talvez seja um fato, talvez seja só a opinião de Jorge Rosa. Mas é um tanto fora do padrão que se espera do ocupante do cargo máximo do tênis nacional, ao falar do segundo mais importante tenista do país.

E o capitão Chico Costa, que convocou Marcos Daniel e ouviu o “chega pra lá” do dirigente, segue agarradinho ao cargo, enquanto o amigo naufraga na injuria e o time capenga no desfalque.

Notas relacionadas:

  1. PEGADINHA?
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quarta-feira, 15 de abril de 2009 Copa Davis | 13:52

A dupla

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O leitor Martin H coloca, à luz dos recentes resultados decepcionates da dupla Sá e Mello e os melhores resultados do Bruno Soares, se, como técnico da Davis, eu manteria a dupla ou traria o Bruno e no lugar de quem?

Como não sou o capitão, respondo o que eu teria que considerar para tomar essa decisão.

A primeira decisão é se o capitão quer ter dois singlistas e uma dupla, ou se quer ter três singlistas (tanto para se proteger de uma possível contusão como o uso de uma tática de mudança de jogador) e um especialista em duplas.

No primeiro caso, ficaria com a dupla Sá e Mello, já que é uma dupla formada, a não ser que exista algum problema, que desconheço, com um ou outro. Na segunda hipótese, verificaria se há a possibilidade de trazer um tenista que possa tanto entrar nas simples se necessário for, como para jogar duplas com Bruno.

Vale lembrar que, levando a dupla Sá e Mello, no caso de uma contusão inesperada de um dos singlistas, um deles teria que jogar simples, o que compromete pelo menos um dos pontos do confronto. Assim como colocar um tenista que não forme uma dupla com o Bruno também compromete esse ponto.

Nas duplas o bom entendimento é uma necessidade.

Notas relacionadas:

  1. Espanha 1×1, não tão fácil
  2. As duplas, e o Nadal?
  3. A sorte argentina começa mudar
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terça-feira, 10 de março de 2009 Copa Davis, Tênis Masculino | 19:28

PEGADINHA?

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Os colombianos escolheram enfrentar o Brasil pela Copa Davis, em maio, no saibro de Tunja, a 2.775 metros de altura. Talvez surpreenda o saibro, mas não surpreende, em nada, a cidade. Para quem já jogou em Bogotá, um pouco mais baixa, sabe o inferno que é tentar colocar a bola em quadra – a bolinha voa mais do que a galinha do Cidade de Deus – descontroladamente.

Se não gostaram da cidade, os brasileiros devem ter adorado a escolha do saibro. Marcos Daniel, os colombianos praticamente o escalaram, está sempre se dando bem na altitude colombiana. Talvez até por isso os adversários tenham saído de Bogotá – Daniel reina por lá. Bellucci também deverá fazer a festa com seu saque naquela altitude. Vocês têm idéia do quanto o saque do rapaz vai andar? Além disso, os nossos Mello e Sá adoram o jogo/força nas duplas.

O melhor tenista deles, Alejandro Falla, bateu Bellucci no ano passado sobre uma quadra dura – em Indianápolis e perdeu de Daniel no saibro. O segundo deles, Santiago Giraldo, é um tremendo freguês do Daniel – 8×1, sempre no saibro. Contra Bellucci ele tem 2×1 também no saibro.

É lógico que alguma pegadinha deve ter na escolha pelo saibro dos colombianos – eles podem ser loucos, mas não tanto. Mas eu ainda estou procurando.

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domingo, 8 de março de 2009 Copa Davis | 23:55

Dramas

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Nos confrontos de Copa Davis sempre acontece coisas do outro mundo e lances dramáticos que eu adoraria acompanhar ou mesmo saber mais detalhes. Este fim de semana não foi diferente.

Será necessário escrever sobre todos os confrontos? Acredito que não, mas para não deixar nenhum leitor na saudade, no fim do texto coloco os resultados. Mas o que agarrou minha atenção?

O drama do Giles Simon, aposta do capitão Forget, que fracassou redondamente. Era a estréia do “paparra” de Nice e não podia ter sido pior. Poderia; se tivesse sido em casa. Giles perdeu as duas partidas de simples que jogou: para Berdich em 4 sets e Stepanek em três. Como a dupla escalada por Forget – Gasquet-Llodra – também apanhou dos checos, o fim de semana de Simon só não foi pior do que o de Forget, que tem três “top ten” no time e perdeu o jogo no piso favorito deles.

O outro lado da moeda foi Dudi Sela, que teve um excelente fim de semana e vai se sentir nas nuvens nas próximas semanas. O israelense, #63 do ranking, venceu duas partidas no quinto set contra os suecos. O contraponto no confronto foi Andrea Vinciguerra, que perdeu duas partidas dramáticas: uma 8/6 e outra 11/9, ambas no quinto. Como é que o rapaz vai dormir nos próximos dias?

Para não destoar, Mats Wilander é que arriscou e não petiscou. Ao colocar Vinciguerra para jogar, colocou em quadra um tenista que não tem ranking porque não joga um torneio da ATP desde Outubro de 2006 – são 2 ½ anos! O que mostra que, tirando o Soderling, que não jogou, a Suécia está pior do que o Brasil no tênis. Este é o país de Borg, Wilander, Edberg e muitos outros. Lá o pessoal da federação deve estar tendo que explicar barbaridades como o tênis nacional foi parar nesse brejo.

Quem deveria estar triste, mas não está, é Roger Federer, que deixou o amigo Wawrinka segurando o rabo de foguete. Wawrinka até tentou, batendo Blake na primeira partida. Mas não tem companheiros para bater os EUA de Roddick. Se Federer não estivesse tão ocupado treinado no Dubai, ou curando “aquela” dor nas costas, a Suiça teria passado por cima dos americanos, lá no EUA.

Enquanto isso Nadal colocou o dele na reta, e no saibro, e quando ele não coloca? Porque a Suíça jogou no mesmo piso que ambos vão jogar em Indian Wells a partir da próxima quinta-feira, já Nadal vai ter que fez a transição das duras para o saibro, vai para as duras de novo e, após dois torneios, volta ao saibro.

Não preciso escrever de Espanha x Sérvia porque não aconteceu nada de excepcional por lá a não ser a tempestade de sexta-feira. Quem deve estar contente também é o “mala” Nicolas Kiefer que ficou de fora no 1º dia, entrou nas duplas e na terceira simples e venceu ambas as partidas para aajudar a Alemanha contra a Áustria.

Mas nenhuma fantasmaria foi maior do que a vitória de Danai Udomchoke, #145 do ranking, sobre Lleyton Hewitt, na quarta partida, após estar perdendo por 0×2 sets. A Austrália venceu no quinto jogo.

Seguramente vários outros dramas aconteceram e Copa Davis continua seno um momento singular e maravilhoso no circuito.

Os confrontos:
Argentina 5 x 0 Holanda
Rep. Checa 3 x 2 França
USA 3 x 1 Suíça
Croácia 5 x 0 Chile
Suécia 2 x 3 Israel
Romênia 1 x 4 Rússia
Alemanha 3 x 2 Austria
Espanha 4 x 1 Sérvia

Sela fez a festa na vitória de Israel sobre a Suécia.

E olhem o tamanho GG do Amir Hadad, duplista israelense.

Simon, a raquete e a pressão.

Tito Vasquez lembrando dos bons tempos em BA.

Este fantasmão bateu Lleyton Hewitt!!

Notas relacionadas:

  1. Espanha 1×1, não tão fácil
  2. Flamenco
  3. Idéia de jerico
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Copa Davis | 18:55

Abaixando o calção

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Daqui a alguns momentos tenho que ir para a ESPN fazer a final feminina do Torneio de Monterey, entre Na Li e Marion Bartoli. Como acabei de ver o Ronaldo – o original – fazer valer as expectativas e marcar seu gol no clássico paulista, vou escrever após a TV. Por isso, meus comentários sobre a Davis só vão aparecer mais tarde, assim como os sobre as táticas e instintos devem aparecer amanhã.

Enquanto isso, publico, para o seu entretenimento, um novo momento Djokovic. O rapaz deve ter ficado tão doido com sua ida à Espanha, onde já sabia iria passar um fim de semana horrível, que chegou a baixar as calças em um lance de sorte do Nadal. Não sei bem a razão do desespero porque, pelo menos no saibro, o sérvio não pode ter lá grandes expectativas nem irritações tão graves quando enfrentando o rival. Até em um ato tão prosaico como descabido para uma quadra de tênis, o Marat tinha mais carisma.

 

Notas relacionadas:

  1. O sorte io
  2. As duplas, e o Nadal?
  3. Flamenco
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  1. Primeira
  2. 8
  3. 9
  4. 10
  5. 11
  6. 12
  7. Última