Copa Davis | Paulo Cleto

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Arquivo da Categoria Copa Davis

quinta-feira, 11 de abril de 2013 Copa Davis, Tênis Masculino | 10:22

Na Alemanha

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O Brasil vai enfrentar a Alemanha, fora de casa, pela repescagem do Grupo Mundial. O adversário não é dos piores para se enfrentar, mas a combinação de jogar fora de casa, com um time capenga, contra um adversário que se não é dos mais perigosos seguramente é um time redondo com Florian Meyer, P. Kohlschreiber, B. Becker, Petzschner, Kamke e a possibilidade, remota, de Tommy Haas, não é das mais interessantes.

O piso favorito dos alemães é o saibro, mas como crescem jogando metade do ano indoors não tem dificuldades com a mudança. A partida será em Setembro, quando ainda poderiam facilmente jogar outdoors na terra. Mas considerando a derrota que sofreram no saibro do Rio de Janeiro em 1992 e o histórico de Bellucci, duvido que alguém lá sugira isso. Devem ir mesmo para indoors; dura ou carpete.

O Brasil já enfrentou os alemães em cinco oportunidades, sendo que nas ultimas três eu era o técnico/capitão; as primeiras duas (1952 e 59) na Alemanha, quando o então presidente da CBT abria mão de jogar em casa por conveniência, dele e dos tenistas. Perdemos uma e ganhamos a outra. Na derrota tivemos o recem falecido Armando Vieira vencendo as duas simples, uma delas sobre o famoso Barão Von Cramm, então com 43 anos, vencedor de Roland Garros duas vezes e finalista de Wimbledon em três ocasiões e o US Open em uma, dono de uma história riquissima envolvendo cavalheirismo, era o tenista mais admirado pelos adversários, prisão pelos nazistas por se recusar a fazer o jogo deles em propaganda, proibição de jogar, luta e condecoração nos campos de batalha da 2a guerra, casamentos milionários e casos homossexuais – não se faz mais tenistas como antigamente.

Em 1981 jogamos no tapete, na quadra coberta do pequeno Ibirapuera. Para a escolha eu contava com o estilo agressivo de Thomaz Koch e Carlos Kirmayr. Kirmayr ganhou as duas simples, mas Koch perdeu as suas duas. O marcante foi a vitória de Kirmayr sobre Pinner, que batera Koch em 3 sets no primeiro dia. Kirmayr venceu o 3o set por 21/19, um dos mais longos da história.

O confronto foi decidido nas duplas, quando Kirmayr e Hocevar foram derrotados por dois especialistas em duplas; Beutel e Zipf.  Outro fato marcante foi que tivemos o serviço quebrado no 11×11, graças a chamada de um foot-fault de um juiz de linha brasileiro(nissei) no break-point, que acabou decidindo o confronto. Sim, aqui não se roubava a favor, se roubava contra.

O confronto seguinte foi em Essen e quem organizava o evento era o Ion Tiriac, então manager de Boris Becker. Desde lá, o romeno, dono do Torneio de Madrid, gostava de aprontar com quadras. Colocaram as partidas em um tapete de escritório que era mais rápido do que gelo. Trataram-nos como país do 4º mundo em diversos aspectos e itens, (tenho altíssimas suspeitas que o árbitro, um italiano dos mais sem vergonha e que eventualmente foi expulso da FIT, nos roubou já no sorteio) sempre privilegiando os da casa, o que é compreensível, mas insistentemente nos prejudicando, o que é inaceitável. Tomamos um cacete. A vingança viria quatro anos mais tarde no Rio de Janeiro, com Boris Becker (então #3 do mundo e #1 três meses antes) e tudo; mas isso é uma outra história que contarei outro dia. Agora, em Setembro, é lá.

Carlos Kirmayr

Armando Vieira

O Barão Von Cramm e seu grande rival, Don Budge, um dos pouquissimos que venceu os quatro GS no mesmo ano.

Notas relacionadas:

  1. PELICA E FERRO
  2. Na primeira quadra.
  3. Brasil x EUA na Davis
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sexta-feira, 5 de abril de 2013 Copa Davis | 11:36

Gasquet

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Em mundo com tantas mudanças, certas coisas permanecem. Richard Gasquet ficou de fora dos jogos da Davis, fazendo cara de choro e alegando dores no tornozelo. Sei. Nesses casos se deve ser cuidadoso com o que escreve.

Mas o fato dos franceses convencerem um tenista #13 do mundo ir à Buenos Aires para sequer estar no time – seu status original – é porque algo muito convicente havia no ar. As reverberações do que o capitão anterior – Guy Forget – levantou anteriormente sobre as qualificações emocionais do Gasquet estão no ar.

Ao contrário de Gasquet, que mais uma vez se colocou nessa posição – algo que, já disse antes, como capitão vi mais de uma vez – Simon só teve boas coisas a dizer sobre sua escalação emcima da hora. E nenhuma delas foi charadeira do tipo “estão querendo me queimar porque estão me colocando pra jogar, que é o que vim fazer aqui na Argentina” como tabém vi e ouvi como capitão.

Aliás, as declarações do Simon, que enfrenta o Juan Monaco hoje, no Parque Roca, em Buenos Aires, tarefa nada agradável, foram do tipo; “estou pronto para o desafio”, “Monaco não é fraco, mas não está confiante”, “tenho que colocar pressão desde o começo (algo que quero ver o Simon fazer), “estou bem, o grupo é forte e temos um novo capitão (Clement). Agora é na quadra. Só que antes teremos Tsonga e Berlocq, já que o capitão argentino deixou Nalbandian de fora; pelo menos hoje (leiam o Post anterior).

Notas relacionadas:

  1. Tapete argentino
  2. Vão invadir.
  3. Os franceses em Buenos Aires
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quinta-feira, 4 de abril de 2013 Copa Davis, Tênis Masculino | 10:08

Sérvios em Boise, Idaho

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Ao que parece, no Brasil vamos acompanhar o confronto entre EUA x Sérvia pela Copa Davis na SporTV. Pode não ser o meu confronto preferido na data, mas acho ótimo poder acompanhar um confronto pela TV, uma grande mudança da época em que eu era o técnico do time brasileiro. Então era tudo escondido, podia e acontecia qualquer coisa, e eram raras as oportunidades que temos agora a cada data de confrontos. Viva o progresso – pelo menos em algumas áreas!

Novak Djokovic declarou, assim que chegou à simpática Boise, Idaho, que sozinho ele não ganha o confronto, colocando pressão em seus companheiros, especialmente Victor Troicki. É verdade, mas ajuda barbaridades. Mas, geralmente um tenista cresce e carrega o time a cada confronto. E Novak gosta de defender seu país. Ajuda ele terá, mesmo com a ausência do baixinho Tipsarevic. Victor joga a outra simples e Zimonjic e mais alguém joga a duplas.

Os americanos precisam ganhar os dois jogos contra Troicki e as duplas. Seu técnico tem a escalação definida e ela não aceita contusões ou improvisações. Os americanos vão com o mesmo time que quase fez um papelão contra os brasileiros, só que desta vez levaram os adversários para as cercanias do fim do mundo e em uma quadra dura que, dizem, não é tão rápida. Interessante a ver como será a torcida lá em Boise, local sem tradição alguma no tênis. Os americanos estarão com mais ritmo de jogo do que estavam contra o Brasil e jogarão como zebras em casa, uma posição bem mais confortável.

O capitão sérvio tem que decidir se arrisca colocar um de seus singlistas para jogar as duplas. Se Victor bater Querry no primeiro dia, de quem ganhou duas em três vezes, e Djoko bater Isner, de quem perdeu em Indian Wells, não precisará inventar, mas dá para ver que não é tão simples. O confronto é na quadra e as possibilidades prometem. Especialmente o primeiro dia.

Djoko – pressionando o parceiro.

Notas relacionadas:

  1. Caça e caçador
  2. O tal espírito.
  3. As duplas em IW
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quarta-feira, 3 de abril de 2013 Copa Davis, Tênis Masculino | 16:57

Os franceses em Buenos Aires

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O fim de semana terá as quartas de final da Copa Davis. Canadá x Itália, EUA x Sérvia, Argentina x França, Cazaquistão x Rep Checa. De todos, eu escolheria um para assistir – Argentina x França.

Não porque vale o passeio a Buenos Aires, o que talvez até valha, apesar de algumas histórias tenebrosas que ouço e do esforço que a senhoura de lá está fazendo para jogar o país no chão.

Os hermanos não terão Del Potro, por contusão (será que é só isso? O cara parace não gostar da Davis e sua pressão). Ele deve voltar às quadras em Monte Carlo, onde nunca venceu uma partida – percebe-se que o saibro não é sua praia. Mas é do resto dos argentinos que estarão de braços abertos para receber os franceses no saibro do Parque Roca.

De um lado, Nalbandian, Monaco, Berlocq e Zeballos. Do outro, Tsonga, Gasquet, Benneteau e Llodra – Simon também está em BA, mas só fazendo companhia, pode entrar no time até amanhã se necessário.

Tenho poucas duvidas que o capitão francês Arnaud Clement escalará Tsonga e Gasquet para as simples e os outros dois nas duplas. E os hermanos?

O capitão Martin Jaite é pragmático e tem um belo pepino nas mãos. Monaco é #19, Zeballos #39, Berlocq #71 e Nalba #128. Será que ele deixa o Pança para as duplas e como possível surpresa para o 3º dia? Será que tira também o Monaco, que não vem ganhando de ninguém e coloca o Zeballos, que ganhou Vina, batendo Nadal na final, e o Berlocq, que vem jogando bem? O Zeballos pode entrar, o Berlocq duvido. Mas com certeza com suas informações de coxeira o Jaite saberá o que será melhor fazer.

No papel temos dois cenários. Os argentinos jogando em casa, e no saibro, são os favoritos. Olhando o ranking e a tradição na Davis, os franceses levam vantagem. No entanto, os argentinos têm um Nalbandian em decadência e um resto de time ainda sem grandes históricos na competição, e os franceses são liderados por dois tenistas um tanto quanto frágeis na competição, especialmente o Gasquet.

Ambíguo? Sim, e também por isso um confronto interessante.

Notas relacionadas:

  1. Vão invadir.
  2. Um duplista, por favor.
  3. Abracadabra
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013 Copa Davis, Masters, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:41

O Ibirapuera

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Eu sou um que detesto pagar por um serviço e ser mal atendido. Reclamo e acho que é direito de quem paga se manifestar. E não sou de mandar mensagem, reclamo ao vivo e a cores. Assim sendo, entendo a revolta de alguns e reclamações de outros.

Vários pontos foram levantados e criticados no Brasil Open, que de muitas formas foi um sucesso. Não vou ficar defendendo a promotora do evento, como alguns leitores sugeriram que faço, até porque não tenho procuração, nem recebo, para isso; aliás não recebo para nada.

No entanto, os meus leitores comparecem para ler o que penso e escrevo. Vamos lá.

O fato de ter faltado assentos e as pessoas com ingressos nas mãos terminarem nas escadarias é algo que não devia acontecer. Na pior das hipóteses, deveriam ter um sistema que prevenisse o fato e o impedisse de acontecer. Na melhor, concordo com aqueles que afirmam que assentos numerados evitariam muitas dores de cabeça – talvez agora aprendam. No entanto, sugerir que a organizadora vendeu a mais, eu acredito ser bobagem – os que assim querem acreditar, que o façam. Esses “trocados” não farão uma diferença para o Sr. Tavares. Atentem que o problema focou-se no anel inferior, área de convidados e de utilização de pulserinhas. Para quem quer mais detalhes, leiam o relato, ou confissão, de um leitor nos comentários do Post anterior sobre a sua “entrada” no estádio de maneira irregular.

Outro leitor, acredito que o Giulianno, apontou que existem dois fatos distintos; erros de organização e carência de infraestrutura. Pelos primeiros a organizadora responde, pelo segundo o Estado de São Paulo, que no início do século XXI nos mantém no XIX em termos de locais públicos de entretenimento. O Ibirapuera é uma piada de mau gosto. Pior, não há planos de construir outro local na cidade. Uma caminhada do ginásio até as sofríveis quadras secundárias deixava a impressão de estarmos em um país pobre na África e em um paraíso de funcionários públicos sem função. O estacionamento do local é uma extorsão e o entorno do estádio é domínio de bandidos que nos extorquem como guardadores de carros, sob os olhos de guardas que só tem olhos para a caderneta de multas – somos roubados de todos os lados e com a conivência de, e pelo, poder público.

O piso poderia e deveria ser melhor. Mas quadras de saibro cobertas são problemáticas em qualquer lugar. Especialmente as temporárias. Quem lembrar dos confrontos de Copa Davis que a Espanha hospedou vai lembrar da reação dos adversários sob a qualidade do piso. Até a Suíça pecou contra os EUA. Ouvi dizer que desta vez o Estado exigiu uma proteção para o piso de cimento. Colocaram então, de lado a lado, a extensão do carpete que rodeava a quadra central e, por cima, um toque de gênio, um plástico preto daqueles de construção. Por fim, 5cm de saibro compactado. Talvez devessem ter posto mais saibro, dando mais peso e consistência à quadra, e talvez não devessem ter usado o plástico. Com um impacto de algumas deslizadas dos tenistas, o plástico por vezes escorregava, ouvi dizer, especialmente no início da semana, antes de assentar. As quadras secundárias estavam bem ruins – mas que fique claro; já vi piores até nos EUA. Mas o local é ainda mais triste do que o Ginásio.

No assunto das bolas foi falado muita bobagem. Teve gente que, se achando inteligente, reproduziu aqui a “acusação” do técnico espanhol Jose Perlas dizendo que são bolas de “supermercado”. É o mesmo tipo de asneira que afirmar que a bola da Copa na África do Sul era de mentirinha, ou uma droga, porque mais leve. A bola usada no Brasil Open foi a Wilson Championship Extra Duty, a mais vendida no país há 20 anos. Não há nada de errado com a bola, pelo contrário, a Wilson é líder de mercado mundo afora. No entanto, a Championship tem características de ser uma bola mais “esperta”, mais leve, o que está totalmente nos conformes. Em tempos de pasteurização do jogo (em pisos e bolas) pode ser um alento para o público pelas opções que apresenta ou uma dificuldade para o tenista que prefere a padronização. Aliado ao fato de se jogar a 600m de altitude, contra o fato de a esmagadora maioria dos eventos em terra ser jogado na altura do mar, é uma boa diferença na hora de controlar a bolinha. Foi sugerido que Thomaz Bellucci escolheu a bola, já que “cresceu” treinando com ela, além de que a tal aliança de peso, altitude e uso, teoricamente, o ajudaria bastante pelo estilo. Ele negou – de qualquer maneira não soube aproveitar a vantagem. Porém que fique muuuito claro, é condizente com as regras, com o que se faz mundo afora e a bola é opção dos organizadores.

Os espanhóis aprenderam que o negócio é bater forte, especialmente quando não têm razão, para forçar as coisas a serem do seu jeito. A chiadeira de Nadal por mais torneios no saibro e menos de duras, e contra a regra dos 25 segundos, seguem a mesma linha. Quanto ao Sr. Perlas, o fato de seu jogador ter eliminado Bellucci e Feijão nas duplas, e no dia seguinte pular fora do evento alegando contusão, e ir para Buenos Aires fala bem de sua ética. É um fanfarrão.

Quanto à infraestrutura, o Ibirapuera é carente para receber um público desse porte em um evento de quase 12h por dia, durante 10 dias. Não há banheiros dignos. A oferta de alimentação é uma piada. A área de hospitalidade e o conforto inexistentes. Em qualquer arena moderna são inúmeras as opções de oferta de alimentação; aliás, uma maneira de se faturar mais, além de acabar com aquela coisa ridícula e antiquada de vendedores passando com pipocas e água – não vi um bebedouro no local, o que é um absurdo. A organização também pecou – não sei ou entendo porque não há lugares onde se pudesse comer um bom lanche, tomar umas cervejas, conversar, a não ser os três lounges particulares. A não ser que seja até proibido ou proibitivo, pelas imposições, restrições e burocracia do Estado. Não vou nem mencionar a falta de ar condicionado. Na África tem coisa melhor, para não falar no Rio de Janeiro que tem, que eu saiba, dois, inclusive com ar condicionado.

Mais de 10 anos atrás, em 2000, perdemos a chance de hospedar o Masters, que foi para Lisboa e Kuerten ganhou, por conta da ausência de um local publico digno para recebermos eventos; esportivos e artísticos. Nem Prefeitura, nem Estado, nem Governo Federal mexem uma folha para mudar essa realidade, por ignorância, despreparo e desleixo. Uma bela arena em São Paulo, a maior cidade do país e do continente, estaria lotada o ano inteiro e traria milhões para a economia local, afora de ser uma excelente opção de laser e cultura que poderia receber mais de 3 milhões de pessoas/ano. Não escrevo nenhuma novidade, só o óbvio.

Notas relacionadas:

  1. Adaptação e alternativas
  2. Da cocheira
  3. Brasil Open em São Paulo
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:11

O sorriso

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Como estará a cabeça dos integrantes do time brasileiro na Davis? Contentes por terem feito uma boa participação na casa do poderoso adversário? Frustrados por terem, talvez um pouco tarde, descoberto que o bicho papão não era tão feio e que uma vitória, mesmo que uma zebra, era possível?

Lembro que eu ficava um tanto vazio após um confronto como capitão da Copa Davis. Mesmo quando vencíamos; pior quando perdíamos, porque somado à frustração e a pura desolação. Na época o estresse era bem maior. Bem menos pessoas envolvidas, o que acarretava em um acumulo maluco de funções. Hoje a CBT consegue arregimentar uma série de pessoas com diferentes cargos e tarefas, o que facilita bastante o trabalho de todos – e assim deve ser. Benefícios dos patrocínios disponíveis e conquistados que na minha época inexistiam, infelizmente.

Fazer uma avaliação precisa sobre as razões de derrotas/vitórias é um tanto ineficaz à distância. Primeiro porque muitos elementos e variáveis são desconhecidas de quem não está presente. Mesmo entre os presentes, a maioria não sabe de tudo o que se passa na semana da competição. Melhor tecer meras considerações, o que sempre tem as desvantagens e, porque não, os benefícios da distância.

Normalmente o melhor tenista do time é o líder e, muito importante, o motivador e inspirador, através de suas ações, em especial dentro da quadra. Fora delas não tão raro a motivação até vem de outros elementos. Infelizmente essa regra nem sempre é verdadeira. Tive jogador que temporariamente era foi o melhor rankeado do time e quando colocado sobre sua posição de líder, pelas circunstâncias de então, simplesmente amarelou, esperneou e exigiu que não lhe fosse dada essa responsabilidade. Como se fosse uma mala a ser carregada, quando a exigência é de atitude e personalidade.

Neste confronto, o time começou a tomar forma na atitude do Thiago, ainda na primeira partida quando foi derrotado pelo Isner. Muito positivo, se comunicando com seus companheiros, se motivando através de boa expressão corporal, tentando encontrar soluções, não se entregando. Atitudes que faltaram a Thomaz contra Querrey. Felizmente, no 3º dia Bellucci fez uma feliz autoanálise confessando seu extremo negativismo em quadra contra Querrey, mais um passo na direção de sanar seus problemas.

O time adquiriu, de vez, personalidade na maravilhosa vitória dos mineiros sobre os mascarados Bryans. Uma vitória de se tirar o chapéu por tudo que esteve envolvido. Fora de casa, contra adversários de muita qualidade, piso adverso, abalos emocionais durante a partida, exigência do placar do confronto. Tudo isso e mais eles souberam administrar e mostrar a todos que quiseram ver como se comporta em quadra quando em defesa de seu país.

Imagino que a conversa nos vestiários deve ter sido objetiva e direta. Antes dos jogos do 3º dia Bruno Soares, um líder nato, nos assegurava que a atitude de Thomaz seria diferente. Tinha certeza e razão. Foi.

Independente das condições –  de quadra, circunstâncias e adversário – a postura e a vitória de Bellucci foram o que esperávamos tão ansiosamente. Além do que já fez, tenho certeza que Thomaz poderia ter feito mais. Na verdade, acredito que era jogo que ele poderia ganhar em três, no máximo quatro sets, sempre pensando em suas qualidades técnicas. O problema é esse. Eu sei, ele ainda não.

Não vou nem me estender sobre, por exemplo, a ausência do uso extensivo de slices em partida que assim exigi – quantas vezes o usou, e essa quadra adora essa bola. Mas, para ficar mais claro: durante 3 ou 4 sets Thomaz insistiu em errar devoluções por tentar fazer demais contra um tenista que não tinha condições de jogar com ele do fundo da quadra. No fim chegou ao ponto de simplesmente cutucar a bola em quadra para assegurar a “entrada” no ponto, o que ficou bem melhor do que os erros. Não que só isso fosse adiantar, pelo contrário, mas não precisava de tanto como imaginou. Apesar de que teve algumas devoluções importantes com seu forehand no lado da vantagem.

Falta ainda Thomaz encontrar sua sintonia em quadra – a maneira de posicionar a mente para o jogo. O seu negativismo brocha a todos em especial a ele. Adorei ele ter dado um sorriso em direção ao banco dos brasileiros quando jogava aquele game estressante quando tinha inúmeras vantagens e não conseguia quebrar para abrir as portas da vitória no quinto set. Talvez tenha sido uma inspiração da sua psicóloga, sei lá. Só sei que perante a adversidade e o estresse, ele achou aquele sorriso desarmado, real, meigo, cativante eque lhe fez mil maravilhas. Naquele ponto, como por instinto ou inspiração, a decisão de escolher o slice de revés, que saiu longo e lento, quebrou o adversário e lhe abriu as portas da felicidade.

Thiago Alves fez o que sabe e mais um pouco na partida final, o que traduz, ao pé da letra, o tal “espírito da copa Davis”. Ontem não deu. Mas, uma série de atitudes e acontecimentos podem ter aberto as portas para que o Brasil volte a ter um time de Copa Davis que se não nos traz títulos, nos traga felicidade, orgulho e vontade de torcer.

Notas relacionadas:

  1. Pegada.
  2. Jack
  3. Vitória
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domingo, 3 de fevereiro de 2013 Copa Davis | 13:34

Oportunidade

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Convenhamos algo; e ruim para o Belo jogar em quadras rapidas, como a de hoje, por diferentes razoes tecnicas: grip forehand radical, falta de habito de ganhar pontos pela via rapida, falta de confianca junto a rede, fuga premeditada de eventos nesse piso, cada dia mais raros e a crena ate hj inabalavel de que se eh saibro eh bom, se eh rapida eh ruim.

Por outro lado, o Isner esta tt fora de jogo. Esta se mexendo pior do q eu em um mal dia, sem confianca nos golpes de fundo, sem ritmo, rezando para acabar os pontos e o jogo. Continua sacando muito, que eh o minimo q pode fazer e indo assombrar junto `a rede que eh o que lhe resta fazer. Mas, sem duvidas, eh uma excelente, e bota excelente nisso, oportunidade para o Belo virar a mesa e ganhar um pouco de respeito de companheiros e fas.

Alem disso, o brasileiro tem um dos melhores saque do circuito para esse tipo de quadra – so q parece nao saber e ninguem conta para ele. O saque aberto seco no iguais, o saque no corpo com slice no iguais, o no corpo e o aberto com slice na vantagem, tudo misturado com pitadas de porradas. Se usar essas WMD do comeco ao fim, usar seu forehand para mover o adversario de um lado ao outro, sem dar duas bolas do mesmo lado para evitar subidas `a rede e forcar erros, usar com calma e angulos o slice no rev’es, e mais calma ainda, so colocando, o seu reves chapado, entao ter’a bem mais do que uma simples chance – pode ganhar o jogo sem grandes dificuldades. O uso do slice colocado cruzado e curto paralelo vai mostrar a sua determinacao de ser estrategico. Se trouxer a caixa de ferramentas adequada para o confronto, e utiliza-la, saberemos que quer a vitoria e nao meramente participar.

‘Obvio que tao importante quanto a caixa de ferramentas eh a necessaire de emocoes e postura, que eh o primeiro passo para uma boa apresentacao na Copa Davis.

Bellucci x Isner `as 15h na SporTV

Para quem nao percebeu – diretamente do meu ipad.

Notas relacionadas:

  1. Espanha 1×1, não tão fácil
  2. Mental, mental.
  3. E agora?
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sábado, 2 de fevereiro de 2013 Copa Davis, Tênis Masculino | 21:57

Inspirador

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A arrogância sempre fez parte da cultura americana, especialmente nos esportes, em especial no tênis. E poucas coisas são tão gostosas como pegar um bocado dessa arrogância e colocá-la de volta goela abaixo dos donos, gostando ou não.

Os Bryanbros entraram de salto 10 em quadra, dando pulinhos, fazendo swing no ar em bolas, que iam fora abusando do show que adoram mostrar quando acham que vão deitar e rolar. E ainda acharam que podiam intimidar e literalmente ganhar no grito.

Pouco antes do incidente – quando um dos bonitões foi berrar na cara dos tenistas brasileiros, em virada no TB do 2º set, onde os brasileiros sacaram para abrir dois sets a zero – o repórter da SporTV, que alias gostei bastante de seu trabalho, assim como o de irem a Jacksonville, prestigiando o tênis nacional – arriscou dizendo que os irmãos eram gente finíssima e muito gostados no circuito. Pode ser – mais uma coisa é o marketing de “ser legal”, e o mundo está repleto desses, e outra é ser realmente “legal” ou no mínimo ético quando a situação não é favorável. O garotão lá partiu para a ignorância e iludiu o bom repórter e surpreendeu todos os brasileiros, que ficaram irados.

Os brasileiros também reclamaram bastante, mas o fato deu o 2º set para os americanos e inflamou a torcida brasileira presente que ajudou a botar fogo no jogo.

Bruno Soares e Marcelo Melo aguentaram o rojão, mesmo perdendo o 2º set, praticamente ganho, e 4º set. Ficaram tranquilos, continuaram fazendo o que fizeram em toda partida, permaneceram no jogo, administraram o emocional e derrubaram os Byansbros do incomodo e presunçoso salto alto, passaram pelo tamanco e acabaram descalços na frente de seu público. Que fiquem acordados a noite inteira, que é o que uma boa dose de humildade faz nessas horas.

O jogo foi emocionante, mesmo não sendo a dupla mais emocionante do dia – suíços e checos ficaram 7 horas em quadra para definir o jogo, que todos sabiam ser decisivo no confronto – por 24/22 no 5º set. Foi uma belíssima vitória da dupla brasileira que bem poderia inspirar o Bellucci para amanhã. Após o jogo Soares diz acreditar em uma boa performance do Thomaz amanhã, o que me pareceu um recado muito elegante.

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Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:47

A Davis é quente

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Não existe muito a escrever sobre o 1o dia da Davis Brasil x EUA. Thomaz Bellucci parece não ter empatia com a competição. A Davis é quente, ele é frio. Joga como se jogasse algum ATP250 aí pela temporada. Fica a impressão que tanto faz como tanto fez.

Espero que seja só impressão. Eu gosto de ter a certeza de que interiormente ele não se sente assim – deve até sofrer com o assunto. Mas está longe de mostrar que realmente entende o evento e as exigencias emocionais do mesmo. Thomaz conseguiu o sucesso que conseguiu jogando naquela frequencia, não parece ficar à vontade naquela que exige uma boa dose de sangue nos olhos.

Para um país com uma história com um bom numero de tenista que emprestaram a alma à Copa Davis para defender seu país, chega a ser triste vê-lo em quadra defendendo o Brasil. Mas como temos muitos fãs que não viram nossos melhores na Davis, e por isso também não devem conhecer o tal “espirito de Copa Davis”, não precisamos ir tão longe. É só ter assistido o 2o set do Thiago Alves. Pelo menos o cara lutou, tentou, buscou. A Davis exige sangue nos olhos e lava nas veias.

Notas relacionadas:

  1. Presentes
  2. Sem entender
  3. A Davis x EUA
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:50

A Davis x EUA

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Nesta sexta-feira mais um capítulo na saga do Brasil na Copa Davis. O país volta ao Grupo Mundial, de onde esteve afastado nas ultimas 10 temporadas e onde não vence um confronto desde 2001, contra o Marrocos, no Rio, na época Guga

Enfrentamos o EUA em Jacksonville, Florida, onde fica a sede da ATP e onde fiquei 6 meses nos meus 16 anos, na primeira vista ao país. Os americanos, que não são bestas nem nada, optaram por jogar em piso rápido indoors. Pelo que falam não está tão rápida, mas duvido que esteja ao gosto de Bellucci e companheiros.

O confronto abre com Bello enfrentando Sam Querrey e, em seguida, Thiago Alves encarando John Isner. Com um pouco mais de time e sorte seria um bom momento. Isner abandonou o AO por conta de dores no joelho e volta às quadras sem testar o joelhito em competição, muito diferente de o fazer em treinos. Querrey não joga bem há tempos. Porém, os dois são pirulões sacadores e dos bons. Belo precisa encontrar forças em algum lugar de seu íntimo, surpreender um pouco e vencer a 1ª partida, senão a coisa fica preta e pode acabar no Domingo. Não é fácil, mas não é tão difícil. O melhor cenário é o Belo vencer o Querrey, o Isner sentir o joelho, o Thiago vencer a partida de sua vida – pode até ser por desistência – e fecharmos em 2×0 – aí vou acreditar em papai-noel.

Tenho certeza que a nossa dupla deve ser o ponto mais confiante de nosso time em possível vitória. Afinal, venceram duas das três vezes que se enfrentaram. Deve ser um bom jogo contra os BrosBryan. Os mineiros tem cacife para ganhar, assim como sobra cacife para os gringos vencerem.

Notas relacionadas:

  1. Abismado.
  2. Merecendo
  3. Injeção
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  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. Última