Na Alemanha
O Brasil vai enfrentar a Alemanha, fora de casa, pela repescagem do Grupo Mundial. O adversário não é dos piores para se enfrentar, mas a combinação de jogar fora de casa, com um time capenga, contra um adversário que se não é dos mais perigosos seguramente é um time redondo com Florian Meyer, P. Kohlschreiber, B. Becker, Petzschner, Kamke e a possibilidade, remota, de Tommy Haas, não é das mais interessantes.
O piso favorito dos alemães é o saibro, mas como crescem jogando metade do ano indoors não tem dificuldades com a mudança. A partida será em Setembro, quando ainda poderiam facilmente jogar outdoors na terra. Mas considerando a derrota que sofreram no saibro do Rio de Janeiro em 1992 e o histórico de Bellucci, duvido que alguém lá sugira isso. Devem ir mesmo para indoors; dura ou carpete.
O Brasil já enfrentou os alemães em cinco oportunidades, sendo que nas ultimas três eu era o técnico/capitão; as primeiras duas (1952 e 59) na Alemanha, quando o então presidente da CBT abria mão de jogar em casa por conveniência, dele e dos tenistas. Perdemos uma e ganhamos a outra. Na derrota tivemos o recem falecido Armando Vieira vencendo as duas simples, uma delas sobre o famoso Barão Von Cramm, então com 43 anos, vencedor de Roland Garros duas vezes e finalista de Wimbledon em três ocasiões e o US Open em uma, dono de uma história riquissima envolvendo cavalheirismo, era o tenista mais admirado pelos adversários, prisão pelos nazistas por se recusar a fazer o jogo deles em propaganda, proibição de jogar, luta e condecoração nos campos de batalha da 2a guerra, casamentos milionários e casos homossexuais – não se faz mais tenistas como antigamente.
Em 1981 jogamos no tapete, na quadra coberta do pequeno Ibirapuera. Para a escolha eu contava com o estilo agressivo de Thomaz Koch e Carlos Kirmayr. Kirmayr ganhou as duas simples, mas Koch perdeu as suas duas. O marcante foi a vitória de Kirmayr sobre Pinner, que batera Koch em 3 sets no primeiro dia. Kirmayr venceu o 3o set por 21/19, um dos mais longos da história.
O confronto foi decidido nas duplas, quando Kirmayr e Hocevar foram derrotados por dois especialistas em duplas; Beutel e Zipf. Outro fato marcante foi que tivemos o serviço quebrado no 11×11, graças a chamada de um foot-fault de um juiz de linha brasileiro(nissei) no break-point, que acabou decidindo o confronto. Sim, aqui não se roubava a favor, se roubava contra.
O confronto seguinte foi em Essen e quem organizava o evento era o Ion Tiriac, então manager de Boris Becker. Desde lá, o romeno, dono do Torneio de Madrid, gostava de aprontar com quadras. Colocaram as partidas em um tapete de escritório que era mais rápido do que gelo. Trataram-nos como país do 4º mundo em diversos aspectos e itens, (tenho altíssimas suspeitas que o árbitro, um italiano dos mais sem vergonha e que eventualmente foi expulso da FIT, nos roubou já no sorteio) sempre privilegiando os da casa, o que é compreensível, mas insistentemente nos prejudicando, o que é inaceitável. Tomamos um cacete. A vingança viria quatro anos mais tarde no Rio de Janeiro, com Boris Becker (então #3 do mundo e #1 três meses antes) e tudo; mas isso é uma outra história que contarei outro dia. Agora, em Setembro, é lá.
Carlos Kirmayr
Armando Vieira
O Barão Von Cramm e seu grande rival, Don Budge, um dos pouquissimos que venceu os quatro GS no mesmo ano.
Notas relacionadas:
Autor: paulocleto Tags: Alemanha, Carlos Kirmayr, ion tiriac, thomaz koch


