Nao é a primeira vez que uso um texto do Dumont aqui no Blog. Sempre bons, sempre surpreendentes. Estou em viagem e só poderei escrever e postar mais tarde. Enquanto isso brindo meus leitores com o texto de um de vcs, alguém que sempre eleva o padrão. Curtam. Se inspirem!
Emocionante.
Vou ficando velho – sendo ainda muito jovem – e me percebo mais choroso por tudo. Existe algo no tênis que me faz chorar mais do que outras coisas. De fato, diria que é o esporte mais envolvente no aspecto emocional. Chorei, homem não mente. Tal como choro ao ouvir o hino nacional brasileiro, chorei junto com Nadal e Ferrer ao ouvir a Marcha Real. Lindo hino, sem letras, como assim são as marchas reais. Compassada e silenciosa emoção, tal qual a descida das lágrimas. Ah…as trombetas e a flâmula espanhola – misturada ao olhar marejado de alegria por parte de Nadal, e marejado de contentamento por parte de Ferrer-, embargaram minha voz. Queria ter eu a possibilidade de ser espanhol naquele momento. Mesmo não sendo, me fiz um.
Quis a possibilidade de ter visto um brasileiro mais uma vez em um momento daquele. Minha alegria dobraria se fosses dois em uma final. Orgulho e mão no peito esquerdo. Choro, com certeza. Mas a cegueira e o recalque só me permitem ver defeitos. Ao olhar para o céu, só vejo balões. Esqueço que existem as lindas estrelas e o brilho da lua. Existe sempre algo a mais. Cego que sou. Só quero enxergar o que me agrada: obra dessa lente borrada de egoísmo. Sei mais que os outros, aliás, sei tudo de tênis. Pobre que sou, simplesmente nunca entrei em quadra. Sofá desgraçado. Mas nada como ficar velho, onde as lágrimas tornam-se o melhor veículo de limpeza das lentes. Olhos limpos, alma lavada, que fazem olhar além do alcance de um mero palmo, ignorante e egoísta, adiante.
Fico com os aplausos do público ao tênis espanhol. Aplaudo junto, ainda que tenha um vencedor e um perdedor, se é que tenha. Animais e pedreiros muitas vezes não são agradáveis. Deve ser porque estão sempre correndo atrás da sobrevivência. Muitas vezes, são feios. Tem que sujar as mãos, correr mais que os demais; tem que suar. Mas, queria eu, hoje, ter chorado um choro brasileiro; de animais e pedreiros, de gente desagradável aos olhos, mas de batalhadores. Seria um choro bom, ganho com honestidade. Mas não tem problema não, emoção não tem nacionalidade. Se não tive como apertar mãos brasileiras, calejadas e enfeiadas pela luta e pelo labor, trato de apertar a de animais e pedreiros espanhóis. Estão na história, estão de parabéns.
Grande abraço