Delírio
Não sei bem por que fico com uma sensação de que hoje pode ser o dia em que Rafael Nada vai aprontar para cima de seu rival, e pai, Novak Djokovic. Sensação um tanto sem fundamento, porque os números são mais favoráveis ao sérvio.
Uma coisa que aprendia a respeitar em uma quadra de tênis é a tal da “freguesia”. Se no total de confrontos Nadal impera, com 16 vitórias e 12 derrotas, não se pode ignorar os detalhes. Nas ultimas cinco, todas este ano, Djoko venceu. Tão grave – das ultimas 10 ele venceu 8. O espanhol está na caderneta do sérvio com um sério destaque.
Não vou nem me estender na temporada do sérvio – são 63 vitória e 2 derrotas. Nadal é o segundo desse ranking: 59/10. A importância desses números não pode ser subestimada. Como eu já escrevi anteriormente, o maior patrimônio de um tenista é a sua autoconfiança. Vitórias agregam um valor tão subjetivo quanto mágico ao jogo de um tenista. Atualmente Novak acredita que pode andar sobre as águas.
A maneira como derrotou Federer só acrescenta a esse misticismo tenistico. Agora, além da certeza que tem em seus golpes e em seu jogo como um todo, deve acreditar que está com o corpo fechado e imune a vitórias de oponentes.
Na parte técnica também não vou me alongar. Ficou claro, desde a vitória de Soderling em Paris, a maneira que o pessoal com duas mãos pode incomodar Nadal. Djoko intercepta os ganchos de forehand do espanhol antes que ele se tornem um incomodo pela altura e apura Nadal – tanto de volta na cruzada como, mais grave, indo para a paralela, no ponto frágil do oponente.
Além disso, se o espanhol mudar para a direita do adversário, algo que nem Federer estava muito à vontade em fazer, Djoko irá enfiar a mão cruzando no revés do Nadal. Este será obrigado a jogar reto e agressivo, aumentando sua faixa de risco – bolas altas desse lado não é algo que ele domine com a qualidade necessária.
Como eu disse, não sei bem porque essa minha sensação. Só posso lembrar de duas variáveis que podem mudar o traçado dos últimos confrontos entre os dois.
Primeiro porque o espanhol deve estar cheio dessa freguesia. Considerando que o rapaz tem um dos melhores, ou seria melhor descrever como pior?!, temperamento da história do tênis. Se existe um grande brigador com uma raquete de tênis na mão é ele. Eu nunca apostaria contra Nadal.
Segundo, pelo o que eu vi na partida do Djoko contra o Dolgopolov. Se existe alguém cara de pau o bastante para fazer qualquer coisa para vencer uma final é o rapaz de Mallorca e seu tio catimbeiro. Porque a maior surpresa deste U.S. Open, cheio delas, seria ver Rafael Nadal bater o numero 1 do mundo e ficar com o título, usando uma variação do seu golpe mais fraco – o slice de esquerda. Isso se aplicado sem peso, o que nem faz muito parte de seu repertório.
Devo estar delirando. Mas um pouco de delírio, na dose e na hora certa, pode surpreender.
Notas relacionadas:
331 comentários | Comentar
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11 Matteoni 12/09/2011 13:52
Deliremos, deliremos!!!
Karo 12/09/2011 15:18
Na verdade esse ano também, 2 sets o Suíço não jogou, rs.
Gustavo dos Anjos 12/09/2011 14:55
Então, a confiança faz toda a diferença nesse caso. E, lógico, sabemos que os jogadores são os mesmos, portanto, é a confiança é o fator que mudou.
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Por exemplo, a semi contra o Federer teve o mesmo resultado que do ano passado, entretanto, achei a desse ano com um nível bem maior. Federer teve que jogar ainda melhor, mesmo assim não conseguiu. Irônicamente, o federer estava melhor esse ano. Ano passo foi uma semi muito estranha. Altos e baixos o tempo todo.
Karo 12/09/2011 14:39
O Djokovic que jogou aquela final do ano passado não está muito diferente desse Super Djokovic não. A maior diferença é a confiança, que faz com que ele erre menos do que antes fazia. Mas se analisarmos e vermos o jogo do ano passado, veremos que o nível técnico é sim bem parecido. Djokovic jogou demais naquela final do ano passado, mas pego um Nadal endemoniado e com a confiança que, agora, o Sérvio tem.
Gustavo dos Anjos 12/09/2011 14:20
A diferença é que o Djoko desse ano não é o mesmo do ano passado.
Matteoni 12/09/2011 14:00
Um adendo ao post do Cleto:
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Nadal declarou que assistiu umas 100 vezes a final do ano passado, e sabe como derrotar Djokovic, embora não saiba se conseguirá por em prática.
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Ano passado ele não usou esa tática do slice de esquerda.
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Aí pergunto:
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Será que ele vai usar ou vai jogar como no ano passado?
10 Valfredo Novais 12/09/2011 14:00
Djokovic é o Nadal do Nadal, assim como Nadal foi para Federer.
9 Pedro B 12/09/2011 14:14
O problema, Matts, é saber se aquele saque do ano passado volta e, principalmente, o backhand, que este ano foi uma avenida pro Djoko. Na final do ano passado, tava com o golpe regular e conseguindo ir para as paralelas. Fora o forehand na paralela monstro. Além disso, a parte mental tava em alta pós títulos em RG e Wimbledon.
O problema desse confronto é que o Djoko leva vantagem nas bolas cruzadas, e o Nadal tem que arriscar paralelas muitas vezes. Se acertas, beleza.
No fundo, acho que o primeiro set é fundamental pro espanhol. A parte mental vai falar alto, como nas últimas derrotas, em que perdeu o saque no último game do set várias vezes.
Exemplo: Madrid, mesmo com Djoko muito melhor, Nadal perdeu na hora H, sacando em 4/5 e 5/6. Se isso acontece de novo no primeiro set, sei não. Medo!
8 chris 12/09/2011 14:19
Eu não tenho muito visão de estratégia de tênis, mas observei umas coisas. Quando Nadal jogou com Murray ganhou os dois primeiros sets jogando dentro da quadra. Não esperava o saque tão longe da linha de base, e seus ataques eram quase dentro da quadra. O terceiro set, ele já jogou mais atrás, não sei se pq o Murray obrigou mas se ele optou, perdeu. O quarto continuou jogando atrás porém, com mais vontade de ganhar. Sem falar que o slice baixinho icomoda demais qualquer jogador, inclusive o djoko. Eu tmb Cleto jamais apostaria contra o Nadal independentemente de quem esteja do outro lado, e tmb tenho o delirio de que hj ele leva!!!!!
7 Karo 12/09/2011 14:31
Nadal usou sim ano passado o Slice por diversas vezes. Mas a diferença pro que o Dolgopolov faz, por exemplo, é que o Dolgo faz um slice e depois enfia a mão com forehand. Rafa não. Ele usa Slice umas 3 ou 4 vezes até acelerar, coisa que incomodaria mais o Sérvio se a aceleração fosse na segunda bola.
E o backhand está bem, Murray tentou insistentemente miná-lo no revés no jogo passado. Mas claro que os golpes do Murray não têm a mesma potência dos de Djokovic.
O problema então se torna o saque, bem distante do de ano passado. Se Nadal estivesse no padrão do ano passado, duvido se perderia.
6 Karo 12/09/2011 14:31
Nadal usou sim ano passado o Slice por diversas vezes. Mas a diferença pro que o Dolgopolov faz, por exemplo, é que o Dolgo faz um slice e depois enfia a mão com forehand. Rafa não. Ele usa Slice umas 3 ou 4 vezes até acelerar, coisa que incomodaria mais o Sérvio se a aceleração fosse na segunda bola.
E o backhand está bem, Murray tentou insistentemente miná-lo no revés no jogo passado. Mas claro que os golpes do Murray não têm a mesma potência dos de Djokovic.
O problema então se torna o saque, bem distante do de ano passado. Se Nadal estivesse no padrão do ano passado, duvido se perderia.
5 Karo 12/09/2011 14:31
Nadal usou sim ano passado o Slice por diversas vezes. Mas a diferença pro que o Dolgopolov faz, por exemplo, é que o Dolgo faz um slice e depois enfia a mão com forehand. Rafa não. Ele usa Slice umas 3 ou 4 vezes até acelerar, coisa que incomodaria mais o Sérvio se a aceleração fosse na segunda bola.
E o backhand está bem, Murray tentou insistentemente miná-lo no revés no jogo passado. Mas claro que os golpes do Murray não têm a mesma potência dos de Djokovic.
O problema então se torna o saque, bem distante do de ano passado. Se Nadal estivesse no padrão do ano passado, duvido se perderia.
4 Karo 12/09/2011 14:31
Nadal usou sim ano passado o Slice por diversas vezes. Mas a diferença pro que o Dolgopolov faz, por exemplo, é que o Dolgo faz um slice e depois enfia a mão com forehand. Rafa não. Ele usa Slice umas 3 ou 4 vezes até acelerar, coisa que incomodaria mais o Sérvio se a aceleração fosse na segunda bola.
E o backhand está bem, Murray tentou insistentemente miná-lo no revés no jogo passado. Mas claro que os golpes do Murray não têm a mesma potência dos de Djokovic.
O problema então se torna o saque, bem distante do de ano passado. Se Nadal estivesse no padrão do ano passado, duvido se perderia.
3 Karo 12/09/2011 14:31
Nadal usou sim ano passado o Slice por diversas vezes. Mas a diferença pro que o Dolgopolov faz, por exemplo, é que o Dolgo faz um slice e depois enfia a mão com forehand. Rafa não. Ele usa Slice umas 3 ou 4 vezes até acelerar, coisa que incomodaria mais o Sérvio se a aceleração fosse na segunda bola.
E o backhand está bem, Murray tentou insistentemente miná-lo no revés no jogo passado. Mas claro que os golpes do Murray não têm a mesma potência dos de Djokovic.
O problema então se torna o saque, bem distante do de ano passado. Se Nadal estivesse no padrão do ano passado, duvido se perderia.
2 Karo 12/09/2011 14:35
Internet de trabalho é uma piada. Se algum moderador puder apagar 3 destes 4 posts meus repetidos, ficaria grata.
1 Rodrigo P. 12/09/2011 14:50
Eu conversei com um amigão, que visitava minha cidade com a esposa, a respeito disso. Estávamos a tomar umas, comendo sushi e jogando conversa fora…
Apostei que o Nadal levava essa, sem dúvida… e também não sei porque… Talvez porque sei que o Nadal é daqueles que da um jeito de reverter situações la no fim… Porque é um cara encardido etc e tal… E esse é, de fato, o final… Aqui, no crepúsculo do ano, acho que o espanhol equilibra as coisas um pouco.
Mas coincidentemente, lendo o post agora, eu não soube explicar o porque, mas não conseguia ver o espanhol perdendo esse jogo. E continuo pensando assim.
Vejo o espanhol levantando esse troféu sem maiores dificuldades… Tipo quatro sets…
Da mesma forma, avisei categoricamente, que não via o suiço perder pro Djokovic em Roland Garros.
É a mesma sensação que tenho agora. Hoje o sérvio encontrará problemas sérios em quadra, tão sérios quanto encontrou em Rolnad Garros.
Fazer três GS em um único ano não é tarefa fácil… Ainda mais tendo que bater o espnahol em duas delas… Duvido que o touro permita.
Abs