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Arquivo de setembro, 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009 Grand Slam, Light, Tênis Feminino | 18:43

Sem reserva

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Em Roland Garros ela perdeu na 1ª rodada do qualy por 6/0 6/1. Em Wimbledon venceu as três partidas do qualy e mais três da chave principal, inclusive surpreendendo Jelena Jankovic. No U. S. Open passou por quatro russas seguidas e chega às quartas de final, se transformando na presente história de Cinderela para os americanos, ávidos por uma boa noticia em seu tênis, feminino ou masculino.

Só que Melanie Oudin não colocava tanta fé no seu progresso no evento e fez a reserva no Hotel Marriott só para a 1ª semana do torneio. Ontem foi obrigada a abandonar seu quarto, que dividia com a mãe, porque o hotel não renovou a reserva. Seu manager a transferiu para o Intercontinental e já avisou que seus clientes não voltam ao Marriott. A moça diz que gostou da mudança, mas se for supersticiosa deve ter ficado com a pulga atrás da orelha.

Melanie – tá bom, eu saio do quarto!

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Grand Slam | 13:48

Boas rodadas

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Se eu fosse obrigado a escolher uns poucos dias para acompanhar um Grand Slam minha escolha seria pelas rodadas das oitavas e as quartas de final do torneio. É aí que se concentra a melhor relação de custo beneficio do evento.

Essas duas rodadas oferecem os melhores tenistas do evento após a depuração da primeira semana do torneio. Semifinal é muito legal, mas as opções já afinaram. A final nem sempre tem a mesma qualidade das rodadas anteriores.

Marin Cilic jogou em um padrão impressionante. Conseguiu manter a concentração e o padrão enquanto Murray ofereceu mais resistência – no 1º set – e mesmo quando o escocês abandonou a luta, a partir do 2º set. É incrível como um atleta com sua altura, 1.98m, consegue se movimentar daquela maneira. Especialmente para fugir da esquerda e agredir de direita. Parece um caranguejo correndo lateralmente, que é o estilo Nadal. Uma belíssima vitória orquestrada pelo técnico Bob Brett, um velho amigo de longa data.

O que o Fernando Gonzalez e o Jo Tsonga deram nas bolinhas não é real. Os dois batem muito forte sem perder acuidade. É outro tênis, muito distinto daquele jogado menos de 10 anos atrás. Olhem o vídeo da final entre Gustavo Kuerten x Sergi Brugera, parece em câmera lenta. Ou as dificuldades atuais dos ex-números 1 do mundo Leyton Hewitt e Juan C. Ferrero.

A partida de Rafael Nadal contra Gael Monfils foi o que o espanhol precisava para “voltar” ao circuito. Durante dois sets os dois jogaram um tênis de outro planeta, com correrias e pancadarias que poucos podem ou se arriscam realizar. Monfils tentou bater Nadal no jogo deste, com longas trocas de bolas, pouco se importando com táticas e apostando na correria. O garotão agüentou dois sets. Nadal, que tem a mesma idade, mas é feito de outro material, saiu da quadra inteiro.

Hoje tem mais e amanhã também.

Cilic – alto, rápido, forte e tranquilo.

Notas relacionadas:

  1. A realidade
  2. Tumbleweed
  3. Andys
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terça-feira, 8 de setembro de 2009 Tênis Masculino | 13:42

Ícone da TV

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Ontem ficou claro para mim como este blog pode funcionar como uma fábrica e um arquivo de informação do tênis com a participação dos leitores.

Os dias em que trabalho comentando na TV é sempre diferente do meu dia a dia, especialmente o meu contacto com o mundo. Ficar sentado horas com um headphone na cabeça se concentrando em partidas de tênis, estatísticas e todo tipo de informação que me chega, além de me concentrar para realizar minhas avaliações e repassá-las, de um modo satisfatório e conciso, faz com que o meu resto do dia seja investido em coisas diversas, sem perder o contacto com o que se passa pelo torneio.

Mas existem outras coisas acontecendo na minha vida tão ou mais importante e das quais não tenho intenções de abrir mão, como o fiz durante décadas. Sendo assim, ontem, após acordar, li um pouco em meu quarto e depois andei até o clube para encarar o meu parceiro de tênis, também leitor deste blog. Cheguei atrasado, o que não é nenhum pouco educado nem comum para mim.

Joguei cerca de uma hora e meia, debaixo do belo sol do meio dia, de bom tamanho para o exercício diário. Depois, almoço com a família e mais algumas coisas pessoais que precisavam ser colocadas em ordem, acompanhando, mesmo que de leve, as transmissões da ESPN . Antes de ir para a TV repassei as informações dos jogos que comentaria e entrei no carro.

Na TV mantenho cerca de 10 páginas da internet abertas no computador, uma delas a do meu blog. Por isso, comecei a ficar intrigado com algumas mensagens que mencionavam Rui Viotti de uma maneira estranha. Sem querer aceitar o fato, comecei a suspeitar que algo não estava bem com meu amigo. Com uma breve pesquisa descobri o que não queria. Rui tinha nos deixado.

Tive a oportunidade de fazer algumas transmissões com Viotti. A maioria comentando tênis, mas fizemos até o Super Bowl, na década de oitenta, na Manchete. Rui sempre foi um apaixonado pelo tênis e, mais do que nada, pelo que fazia – que era tudo que fosse conectado com esporte, tv e rádio. E por isso sempre fez tudo bem feito. Ele, uma eciclopédia ambulante, foi a primeira pessoa e me educar na arte de falar na TV.

Como em todo relacionamento, tenho meus momentos favoritos que me trazem as lembranças mais gostosas. As minhas com o Rui eram de jantares em um restaurante do Rio de Janeiro, aonde íamos quando obrigados a ir ao Rio para as transmissões. O lugar era super charmoso e acolhedor como poucos. Ficava ali no Leblon e talvez o Ruizinho, seu filho, possa me ajudar com o nome – já tentei localizá-lo mais de uma vez em viagens mais recentes à cidade.

Naquela mesa de sempre, o local nunca estava lotado, eu ouvia as histórias do jornalista com o mesmo interesse que emprestava ao meu professor favorito na universidade. Mais do que nossas experiências nos estúdios ou nos boxs à beira das quadras, foi ali no esquecido restaurante do Leblon que Rui ajudou-me a aprofundar nas minhas paixões. Como toda pessoa que fez uma diferença, Rui Viotti deixou sua marca nos mais diversos e inesperados lugares. Saudades.

Viotti com outro dos meus ícones na TV, Silvio Luiz

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domingo, 6 de setembro de 2009 Juvenis, Tênis Feminino | 15:43

Mais Valia

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Com a chuva caindo, após mais uma noite em que fui dormir tarde, por conta do trabalho é bom lembrar, torna-se incontornável enxergar o mundo por um prisma um tantinho mais deprimente, senão realista, e começar a pensar um pouco na contra mão. A conclusão de tais elucubrações é que o atual circuito do tênis feminino é o naufrágio das idéias de Adam Smith e o ressurgimentos das teorias do velho Marx.

Não quero menosprezar ninguém, mas se até as próprias mulheres levantam a duvida!? As mulheres devem receber a mesma premiação do que os homens? Se olharmos pelo lado de que o que elas ganham não afeta em nada o que os homens ganham, então tudo bem. Porém, se olharmos pelo lado de uma comparação não deveriam.

Primeiro porque os homens jogam cinco e as mulheres jogam três sets. As horas masculinas de trabalho são mais longas e as condições mais inóspitas. Se isso não é argumento – e a WTA prefere discutir o sexo dos anjos e ouvir a missa em latim do que discutir esse ponto – então se poderia apelar para a “oferta e demanda”, a sábia regra que regula o mercado. Mas isso também é total heresia no ambiente da WTA, suas fundadoras e, óbvio, suas atuais atletas.

Poderíamos trazer à discussão o fator qualidade, sempre um diferencial no mercado onde impera o laissez-faire, e algo totalmente ignorado, ou melhor, desprezado, nos ambientes mais socialistas.

Considerando as partidas que temos acompanhado das melhores tenistas do mundo – e como toda regra, com suas excepcionais exceções – derretendo técnica e mentalmente em quadras, como se fossem meras tenistas 2ª classes (sem ofensas Maysa), cometendo um sem números de duplas-faltas, por conta de óbvia carências, física e emocional e, consequentemente, oferecendo um espetáculo de menor valor para o público, nos faz pensar como as idéias da “Mais Valia” do barbudo se encaixariam nessa discussão.

Notas relacionadas:

  1. Favoritos?
  2. A final feminina
  3. Lógica feminina
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sexta-feira, 4 de setembro de 2009 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 17:32

Pegada.

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Um desapontamento a derrota de Thomaz Bellucci para Giles Simon na 2ª rodada do U.S.Open. O paulista poderia ter brigado bem mais pela vitória. Apesar de top 10, o francês não atravessa sua melhor fase e tem um estilo que “deixa” jogar. Talvez eu ainda acredite mais no potencial do rapaz do que ele próprio.

Thomaz começou mal e fez alguns erros não forçados que minaram sua confiança. Até aí, normal. Mas no meio do segundo, quando ainda estava dentro do jogo, teve seu serviço quebrado no 2×3, em um game que poderia ter brigado mais. Dali para frente sua participação tornou-se, no máximo, burocrática, o que é pouco para quem está jogando um GS, querendo se consolidar no circuito e tem a idade a seu favor.

Thomaz foi bem no qualy e na primeira rodada, quando jogou com tenistas do seu padrão para baixo. O que é bom, mas deixa o gosto de “quero mais”. Ao enfrentar um top 10, com chances de deslanchar, – porque, insisto, ele tem potencial para tal – faltou pegada para o brasileiro.

Notas relacionadas:

  1. Coelhos
  2. Um novo e bem vindo Bellucci
  3. Cacife
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Tênis Feminino | 16:41

Talentosa e frágil

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Aninha Ivanovic vai tirar férias. A moça, de apenas 21 anos, é quase uma veterana no circuito. Lembro de vê-la no lounge em Roland Garros, já crescidinha para seus 16 anos e, no entanto, deixando transparecer sua timidez e fragilidade. Essas mesmas características, que fazem dela uma das tenistas mais queridas do circuito, por colegas e mídia, são também o seu calcanhar de Aquiles. A moça é frágil emocionalmente, apesar da vivencia e do exuberante talento. Enquanto Maria e Serena falam com desenvoltura e confiança, Aninha parece uma virgem inibida quando lida com a mídia e o público.

Como quase sempre acontece quando a maionese começa a desandar, Ana mudou algumas pessoas de seu time no início desta temporada, inclusive técnico, ao encontrar dificuldades no fim do ano passado. Ela diz que as coisas não estavam funcionando, por isso as mudanças – mas agora elas funcionam menos ainda. Fico imaginando se uma das pessoas que ela dispensou é quem a convenceu a colocar tanto foco em ser modelete e capa de revistas em detrimento de uma concentração maior nas quadras. Tem pessoas que lidam melhor com essas distrações, como Serena e Maria, – outras sofrem mais.

Como muitas vezes acontece, o serviço é um dos primeiros e mais claros golpes a transparecer os problemas. Aninha tentou mudar o serviço para ver se consertava algo que é, claramente, emocional. Encurtou o movimento, assim como o fez Maria Sharapova. De vez em quando aparecem essas soluções salvadoras no circuito – e assim que uma das tenistas a aplica, as outras começam a pensar que acharam a cura do câncer. Acho que o buraco é mais embaixo.

Aninha disse que vai se afastar totalmente das quadras, após mais uma derrota precoce, para voltar mais “fresca” na próxima temporada. É possível que funcione – é possível que não. Mostra que as opções de soluções estreitaram. Uma coisa que aprendi, no circuito e na vida, é que algumas coisas não voltam. Uma delas é uma boa oportunidade. Ivanovic tem talento de sobra. Assim como sabe ser uma vencedora – vencer RG e chegar ao topo do ranking o prova. Mas administrar o dia a dia da carreira, assim como saber olhar a “big picture”,  são partes essenciais de atingir, e manter, o sucesso onde tem sempre alguém querendo te derrubar.

Aninha – talento, beleza, fragilidade e choro em quadra.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009 Tênis Feminino | 12:51

Empurradinho

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Elena Dementieva, Maria Sharapova, Ana Ivanovic, Venus Williams, Jelena Jankovic e Dinara Safina – o que elas têm em comum? À parte de serem metade da lista das Top 10 do ranking mundial, o fato de possuírem uma tremenda e inacreditável dificuldade em sacar.

O saque é o único momento em que o tenista tem a bolinha na mão e há muito pouco que o adversário possa fazer para atrapalhar a execução do golpe. Assim sendo, teoricamente é o golpe mais simples do tênis. Agora vá explicar isso para as moças acima e uma série de outras no ranking da WTA; eu arriscaria dizer a maioria.

Não vou dissecar o movimento e a técnica de cada uma delas, até porque não é o tema do post. Mas adianto que, estranhamente, quase todas tem graves defeitos técnicos no saque, ao contrário do resto dos golpes. Mas o que me assombra é a dificuldade emocional de lidarem com esse golpe, dificuldade que parece restrita às mulheres. Até porque se algum homem trouxer essa dificuldade emocional para o circuito será arrasado por implacáveis adversários e desaparecerá.

Podemos até dizer que alguns homens têm dificuldades técnicas – como é evidente e mais reconhecida em Rafa Nadal. Mas o espanhol, que tem a maior força mental do circuito, além de um espírito inquebrantável, não desmorona emocionalmente pelas dificuldades que tem em sacar. Senão não seria quem é.

Mas as mulheres sofrem barbaridades com isso. Por que? Só posso especular. São mais frágeis emocionalmente, como parece ser o caso de Dementieva e Ivanovic? Porque tem sérios problemas técnicos, como Safina e Venus, além das outras? Ou porque, mais uma das contradições do circuito, as mulheres são muito melhores (na verdade, excelentes) devolvedoras do que sacadoras? De tudo um pouco – ou muito.

As mulheres crescem treinando contra rapazes e técnicos que sacam forte, o que é um bom treino. Mas ninguém pode sacar por elas. As mulheres que se sobressaem no circuito são, em sua maioria, extremamente sólidas e fortes em seus golpes, incluindo a devolução, o que castiga as sacadoras, especialmente as que não conseguem gerar força e velocidade nas bolas.

Acho que tem muito a ver com isso porque até poucos anos atrás – quando as mulheres não eram tão fortes, e consequentemente não tinham devoluções tão devastadoras – elas sacavam bem mais fraquinho. Tinham dificuldades em manter o saque, mas não desmoronavam tão drasticamente como agora. Imagino porque quando davam aquele “empurradinho” não vinha uma tremenda pancada.

Não acredito que seja uma questão de carência de força física feminina. Primeiro porque já vi mulheres sacando bem forte. Inclusive algumas das mesmas tenistas da lista acima, em especial Sharapova e Venus – quando não estão encafifando mentalmente tem uma bela pedrada no saque. O desmoronamento é emocional.

Um pouco deve vir da tradição do tênis onde o sacador tem a obrigação de vencer seus games. A partir do momento em que uma tenista começa ter seu serviço desrespeitado e quebrado, como se fosse uma terceira classe qualquer, altera-se toda a estrutura emocional da moça.

Uma coisa eu posso garantir: a partir do momento em que o tenista começa a pensar para sacar a maionese desanda. As minhas duplas faltas só aparecem, e raramente, quando por alguma razão o pensamento ruim – o da duvida – invade. Duvidei é batata; dupla falta. Fora isso a dupla falta só aparece quando conscientemente vou para um pouco mais no segundo saque. Nessas ocasiões não estou nem aí com a DF. Fico até contente por ter feito o que fiz.

Se você joga tênis sabe como é. Se não joga vai continuar pensando que isso é uma grande frescura. No entanto é a mais pura verdade. Como dizia Fernando Pessoa – pensar muito nunca tem bom fim. E alguma coisa está fazendo aquelas meninas pensarem demais.

Maria – beleza física e feiura técnica.

Notas relacionadas:

  1. Censura
  2. Dói
  3. Champagne e flores
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009 Tênis Brasileiro | 14:46

Completando

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Completando o assunto do post acima – “Circo” – acrescento. Não estou discutindo a lei, até porque lei se obedece, se luta para mudar ou, na pior das hipóteses, se apela para a desobediência civil.

Como nos ilustrou o leitor Mazzantini, colocando algumas das leis e IN em seus comentários, a situação, como tantas vezes é o caso nas leis, é de difícil compreensão e pode passar por diferentes avaliações. Não defendo facilidades para esportistas, assim como não entendo facilidades para ninguém, nem as mais diversas autoridades que delas usufruem impunemente ou até mesmo com o amparo da lei. Por isso entendo a indignação de alguns que eu seria defensor de privilégios para quem quer que fosse.

No entanto, como fica o caso do tenista que sai mundo afora no cumprimento de seu trabalho, atravessando fronteiras e alfândegas semanalmente? Em cada lugar que entra tem que pingar? Chegou para o U.S. Open paga para entrar com suas raquetes? Vai para Wimbledon paga de novo? Volta para casa paga mais uma vez? Lembro que o Ricardo não chega com as raquetes para vender e obter lucro. A próxima vez que ele deixar o país, as raquetes saem novamente – e aí pagaria novamente onde fosse? Quer dizer que se o Roger Federer ou o Rafael Nadal chegar amanhã em Guarulhos vai ter que pagar imposto para jogar um dia que fosse, ou eles têm privilégios? O pior é que só aqui mesmo, porque já aconteceu exatamente isso. E esse é o ponto.

As raquetes e os materiais de tenistas não são taxados em nenhum outro lugar do mundo. Até na Nigéria – que garanto é dos piores lugares para se passar pela alfândega – eles fazem isso. E o resto do mundo não está exatamente minado economicamente pela ação de esportistas muambeiros.

Acreditem, ao reportar o acontecido, não quero, de jeito algum, que Ricardo Melo, ou seja lá quem for, tenha privilégios e facilidades. Só gostaria de viver em um país onde não se criasse tantas dificuldades, até para se melhor vender facilidades. Não quero, nem gosto de “jeitinhos”. Mas o bom senso sempre encontra seu lugar em qualquer matéria e discussão; desde que exista a vontade para tornarmos melhores como pessoa e cidadão e, consequentemente, ajudarmos construir um país forte e justo e não um país de baderneiros ou burocratas.

Notas relacionadas:

  1. Circo.
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terça-feira, 1 de setembro de 2009 Tênis Brasileiro | 16:13

Circo.

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Este país é mesmo um circo. A dúvida é se os palhaços somos nós ou “eles”. Ricardo Melo desembarcou esta manhã e ficou retido por 5 horas pela Receita Federal por não ter declarado seu equipamento: raquetes, cordas e acessórios. O tenista só foi liberado após pagar R$2.260,00 de impostos, além de multa por não ter declarado as raquetes.

Como acontece nos GS, as empresas patrocinadoras distribuem seus materiais para seus tenistas que, lógico, não podem nem atirá-los no rio nem comê-los. Os leva para casa para ir usando durante a temporada, já que todos têm prazo de validade.

Não é a primeira vez que a Receita faz esse tipo de arbitrariedade com esportistas que defendem seu país. Lembro que presenciei Carlos Kirmayr ter suas seis raquetes apreendidas em Guarulhos quando chegava para jogar Copa Davis. Quando Maria Bueno chegou, após vencer Wimbledon, queriam cobrar pelo troféu. Melo já foi barrado anteriormente, quando desceu com seu troféu após vencer Delray Beach. As histórias de esportistas brasileiros confrontados pela Receita dão para encher um livro mais grosso do que voces imaginam. Ter que pagar para defender o país. Vá ver se isso acontece em algum país civilizado.

Enquanto isso, seguem as barbaridades que lemos diariamente nos jornais. E o senhor lá no aeroporto, sem dúvida alguma um servidor publico integro do país, após taxar o tenista disse que iria torcer pelo brasileiro se o visse na TV. Desse torcedor ninguém precisa.

02/09 10h: Ontem, pouco antes de iniciar a transmissão na ESPN, recebi uma ligação da Daniela, assessora do Ricardo, que informou que, na verdade, o agente disse que iria torcer “contra” o Ricardo.

Uma triste palhaçada.

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Grand Slam, Tênis Masculino | 13:14

Abaixo do padrão

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Dá para entender a performance do Thiago Alves? Dá. Mas não é fácil de aceitar. O rapaz vem fazendo um esforço danado para se enfiar entre os 100 melhores e assim entrar nos grandes e melhores eventos; quando consegue – congela.

O primeiro set foi uma das coisas mais horríveis que ele deve ter passado e jogado. Foi um erro atrás do outro, não saia jogo. O Hewitt só teve que ficar por lá, fazendo o feijão com arroz e tocando o boi para frente.

Jogo mesmo só foi sair quando o brasileiro decidiu, no seu emocional, que a vaca estava galopando em direção ao brejo e que o resultado, a derrota, seria inevitável. Ai entram aquelas vibrações de “dane-se”, o corpo relaxa, as bolas começam a entrar e o tenista pode, finalmente, se concentrar em fazer o que sabe e não ficar se martirizando com as coisas negativas que invadem a cabeça. Thiago só jogou algo parecido com o que sabe no terceiro set. Muito tarde.

Foi uma pena, porque a carreira não oferece tantas chances que possam ser desperdiçadas impunemente.

Comparo, de uma maneira obliqua, a performance da Venus Williams na estréia ontem à noite. A americana também jogou muito abaixo de seu padrão. Só que encontrou uma maneira de vencer. Essa é uma das características das irmãs. Com uma certa frequência as irmãs jogam de uma maneira horrível, bem abaixo de seu padrão, mas assim mesmo saem de quadras vitoriosas. Ontem ficou claro, mais uma vez, a razão. Ao invés da esmagadora maioria das tenistas, e dos tenistas, quando começam a errar as irmãs não se acovardam e se entregam. Saem batendo ainda mais, indo quase que para um “tudo ou nada” e suas consequências. Ou seja – ganham ou perdem jogando com coragem. E, consequentemente, como campeãs.

Notas relacionadas:

  1. Lampejos
  2. Chega.
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  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. Última