Tem dias que estamos mais lentos do que outros. E não me refiro à velocidade em quadra. Cerca de 25 anos atrás, eu saia do hotel oficial de Wimbledon, após uma longa escalada na noite londrina, para ir à final masculina do torneio. No elevador encontrei no elevador Betina Bunge, então uma peruana “top ten”, e sua mãe. De partida para o aeroporto, perguntaram se me interessava um ingresso para o jogo. Como eu já tinha o meu, agradeci e segui meu caminho. Quando meu taxi se avizinhava do All England Club, a Radio Wimbledon anunciou que o ingresso para a final estava sendo vendido por 2 mil libras nos arredores do torneio. Só então me dei conta que atirara pela janela cerca de U$4 mil.
Já escrevi e comentei com amigos que daqui do Brasil é impossível se ter uma noção da comoção que Wimbledon causa na ilha britânica. Mais difícil é avaliar a comoção que causa a possibilidade de um britânico chegar à final, e possivelmente ganhar, como é o caso desta vez. Com Henman a coisa já ficava fora de controle – imaginem com Murray.
O jornal “The Times”, um dos mais sérios do mundo, noticia na sua primeira página que já tem gente pedindo 20 mil libras, algo como R$65 mil por um ingresso da final masculina. E o Murray ainda não está nas finais. E se for? Aí não dar para adivinhar. No entanto, para as quartas-de-final de Murray contra Ferrero, ingressos de R$400,00 chegaram a ser vendidos por R$20 mil.
Um problema é que existem sites na internet vendendo ingressos falsos. Geralmente são compradores de fora do país que quando chegam ao clube não passam da portaria. Um dos sites é um tal de onlinewimbledontickts.com, clone mais falso que nota de três do site oficial. Vende ingressos para a final por R$6.250,00 que não servem para pagar o cachorro-quente da calçada.
Para variar, são os próprios ingleses que causam a confusão, assim como armam com a questão das apostas nos esportes, já que lá isso é legal e mais popular do que a Sena por aqui.
O negócio é o seguinte: a cada vez que o All England Club resolve fazer investimentos e obras no local, emitem debêntures pelos quais os compradores recebem o direito a ingressos privilegiados e o uso de um luxuoso lounge dentro do clube. O ultimo deles custou cerca de R$75 mil e dá direito a ingressos até 2010, quando vence a debênture. O negócio é que esse pessoal tem direito a vender os ingressos, e boa parte o faz, criando um mercado paralelo.
Domingão eu vou estar em casa e acompanhar a final pela TV, que é uma das grandes vantagens de viver no mundo atual. Mas até que não seria uma má idéia receber um presente da Betina.

Ingresso – de $100 para quanto??