Uma nova visão
Uma das reações paralelas ao bizarro julgamento de Richard Gasquet é a comparação com o caso de Martina Hingis, suspensa por dois anos no ano passado pela mesma razão. A quantidade de cocaína encontrada no corpo de Hingis era ainda menor do que a “pitada de sal” mencionada no caso do francês. Se o teste fosse realizado pelo exército americano, que não quer seus soldados mais doidos do que já são e por isso os testam, ela ser enviada para o deserto do Iraque ou as montanhas do Afeganistão sem maiores problemas.
A diferença estaria na defesa de ambos. Enquanto Gasquet abriu o coração e entregou tudo o que aconteceu naquela noite na boite de strip-teasers – pelo menos na versão dele e que a FIT afirmou acreditar em cada palavra, o chamando de “homem integro e honesto” – Hingis, no pedestal de sua conhecida arrogância e combatividade, o contrário do afável francês, preferiu desafiar a FIT e todo o processo de antidoping. Para variar ela falou o que lhe veio à cabeça, resolveu não aprofundar sua defesa no tribunal e escolheu, mais uma vez, a aposentadoria precoce. Simplesmente mandou um fo….. Economizou com advogados, mas perdeu o dinheiro de prêmios, patrocínios e, talvez mais importante, perdeu a credibilidade.
A consequência imediata do “caso Hingis” foi que a FIT resolveu olhar com mais carinho à situação, já que, pela quantidade encontrada em Hingis, ela nem queria jogar melhor em Wimbledon nem teria cheirado algo que pudesse lhe dar algum “barato”. Com isso, passaram um memorando, logo após o julgamento, informando que “apesar de a substância ser proibida…não havia intenção de melhorar a performance… a sanção pode ser de uma advertência a dois anos de suspensão”. Estava aberta a porta para uma nova visão, que se tornou realidade no “caso Gasquet”, visão que só surgiu à custa da arrogância e o consequente sacrifício da “bonequinha de luxo”. Agora, que isso tudo continua sendo pessimamente administrado, continua.
Hingis, arrogante e pouco gostada no circuito.
Gasquet, tímido, afável e gostado no circuito.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Feminino, Tênis Masculino Tags: martina hingis, richard gasquet


Cleto:
Vc é mesmo multi-tarefa !
Acaba de atualizar o blog enquanto comenta Almagro x Soderling na ESPN !
Obrigada por transmitir um pouco de tênis prá gente nesse julho.
Abraço,
Luciene
Antigamente , se dizia que o esporte era inimigo dos entorpecentes e que os dois, por óbvios motivos, eram antagônicos.
Hoje me parece que esses caminhos já não são mais opostos assim. Maradona, Adriano, Rebeca Gusmão e o recente fenômeno das piscinas Michael Phelps, dentre tantos outros, são exemplos disso.
Não sei se por pressão de poderosas marcas esportivas com contratos milionários e a necessidade cada vez maior de quebrar recordes,lutar contra a própria natureza ao agredir o corpo, facilidade de obtenção de drogas sintéticas, permissividade com certos produtos vendidos como naturais, ou mesmo pura ignorância dos atletas, a realidade é que há muito tempo essa não é mais uma verdade absoluta.
Só tenho 32 anos mas lembro com saudades do tempo em que praticar esportes era só sinônimo de saúde e prazer.
acho dificil está absolvição se sustentar nos tribunais superiores.. Tem mais é que ficar 5 ano fora e acabar com a carreira.
“Tem mais é que ficar 5 ano fora e acabar com a carreira.” (sic)
Simples assim, né Rodrigo Cesar?
Aposto que você conhece o processo, a defesa do jogador, a quantidade de substância encontrada, o que esta quantidade é capaz de fazer e se ela pode ter sido encontrada nas circunstâncias relatadas pelo jogador.
Assim, como tu já sabes tudo sobre o caso, sugiro que peças para te convocarem como juiz do caso e aí tu condenas ele a esta pena. Poderias fazer isto sem nem processá-lo, já que é mais fácil, não?
Mas, enquanto ele cumpre a pena que deste sugiro pra ti uma boa leitura (já que estávamos falando de livros antes): “O Processo”, do Kafka.
Lê e depois me diz se sustentas o teu (ignóbil) ponto de vista.
Abraço,
Mártin
Olá! A ITF usou Martina como bode expiatório para dar o exemplo até porque ela era uma top ten e grande vencedora! Apesar de muitos não gostarem dela!
Essa desculpa desse Gasquet foi no mínimo ridícula! Ele assumiu ou inventou uma desculpa esfarrapada e os dirigentes acreditaram!
Martina Hingis não deu uma desculpa esfarrapada, simplesmente não falou como a cocaína entrou no seu corpo e foi duramente punida por causa disso!
É a arrogância suiça característica e hereditária.
Exemplos não faltam.
Também tinha acabado de se separar do galã de Praga naquela época. Ia dizer o que? Que tava com dor de cotovelo e resolveu encher a cara e cheirar coca para afogar as mágoas?
Bem feito!
Abçs
Tá forçando, produtor.
Uma outra visão, parafraseando o título do post, é que nestes casos, diferentemente do caso de racismo, já discutido em posts passados, puniu-se severamente a #1 (Hingis) e brandamente o # … sei lá qual (Gasquet). Sim, porque ele também foi punido, e não absolvido. A prova disso é que reincidir será banido do esporte.
Vai beijar de novo!!!
Abçs
Olha o Matteoni aí cutucando o Federer… tsk tsk tsk
A Hingis era sensacional, ainda sinto falta daquele jogo vistoso, variado, em comparação com o monotônico “porrada ball” das irmas e de outras.
Abs
Diogo
Li um comentário que me fez lembrar de um ditadinho antigo, que reproduzo pedindo perdão pelo palavreado chulo (as meninas, principalmente, não merecem): “não mete minha mãe no meio que eu meto no meio da tua.”
Mas, como sou suíço por parte de pai, não de mãe, logo “deslembrei” do ditado…
Abraços a todos e bom fim de semana.
Interessante a analogia de Martin H com “O Processo” de Franz Kafka.
O protagonista é sometido a um quase eterno e tortuoso processo sem saber se quer porque é acusado. Na realidade o verdadeiro castigo foi o processo mesmo e não a condena.
O caso de Canas foi bem kafkiano: ele teve que demonstrar sua inocencia enquanto era impedido de entrar às quadras como espectador o ainda tinha que ouvir ao “moralista” de Lubcic calumniando a ele.
A Hingis estava em Londres durante o ultimo Wimbledon e proibida de entrar no clube.
Continuo com a mesma opinião expressada em post passado: se é para dar exemplo, que se puna o atleta que consome drogas ditas sociais.
Se é para evitar atitudes ilícitas, que se puna o atleta que usou de doping para melhorar a performance.
Se você quiser ser esportista e a regra esportiva te pune por usar drogas, mesmo que ninguém tenha nada a ver com sua vida particular, não as use e pronto.
Agora, quando você deixar de ser esportiva, recomenda-se que continue a não usá-las, pois mesmo sendo dono do próprio nariz, usar drogas não parece ser das melhores coisas a se fazer.
Apenas ressalto que as autoridades têm a obrigação de deixar a regra clara para todos, indistintamente. Senão, essa história de privilégios e julgamentos diferenciados vai acabar se tornando, literalmente, uma grande droga!
Concordo integralmente com o Flávio B.!
Ana Luisa,
Acho até que de uns 20 anos para cá, a coisa melhorou. As federações e o COI estão apertando cada vez mais o cerco contra o doping!
Os controles na época eram mais precários.
O que sei de história contada a mim diretamente pelos atletas é piada. Alguns exemplos:
“O técnico obrigou a todos do time a tomar um xarope contra tosse. Corremos que nem loucos no jogo, cheguei em casa, continuei ligado e fiz faxina geral” É engraçado mas é verdade.
“O técnico chegou e disse. Para passar daqui só tomando “remédio”. Todos tomam. Você quer ser atleta profissional ou vai parar por aqui?”
“Estou em época de índice olímpico. Tenho que tomar uns remédios para melhorar meus tempos. Sei que é ruim, mas quero ir à Olímpiada” Conseguiu.
“Você tomava doping? O Médico me dava tanta pílula por dia, que eu preferia não perguntar o que era para não saber”
“Eu estudava os componentes farmacêuticos para fazer eu mesmo os meus preparados”
E mais um monte!
Abs
Reitero minhas palavras do outro post. Do jeito que a coisa funciona hoje, o moralismo e bom-mocismo passaram a imperar. Puna-se com todo rigor possível quem usar substâncias que produzam alteração no desempenho de um atleta. O doping é uma das mais abjetas formas de trapacear no jogo e quem for flagrado deve ser exemplado.
Agora, outra coisa muito diferente é a divulgação e consequente execração pública de quem, fora do ambito esportivo, faz uso de drogas que em nada afetam seu desempenho.
Quanto a essa conversa de o esporte ou o atleta servirem de exemplo para a juventude, me lembra as antigas aulas de Moral e Cívica. Se alguém realmente precisar do exemplo de um tenista para se manter longe das drogas, está faltando o principal: a oritentação da família. Esse será, sempre, o exemplo a seguir. O resto é puro desconhecimento do assunto. A ignorância não auxilia em nada o combate e a prevenção ao uso de drogas. Quando eu era garoto, dizia-se que os assaltantes de banco fumavam maconha antes do delito. Daí a idéia de que fumar maconha desperta instintos de assaltante foi um pulo. Ora, quem acabou de fumar um fininho mal conseguiur tomar um pirulito de uma criança, que dirá roubar um banco.
Usar um controle esportivo para esculhambar com a vida particular e pessoal de alguém é inadimissível. Afinal, como bem disse Nelson Rodrigues, se todos soubessem dos detalhes íntimos uns dos outros, ninguém sequer se cumprimentaria mais.
Sr Martin H. dono da verdade, do jeito que fala deve ser advogado. Então como não sabe respeitar a opinião alheia, vou exercer meu direito de resposta, já que me atacou gratuitamente.
Então digo que adorei seu ditadinho sem nexo causal, assim sendo, pegue seu Kafta e meta no meio da tua.
Esporte sempre foi sinônimo de saúde e diversão. Mas com a profissionalização, ou seja, com a transformação do esporte em negócio perdeu-se a inocência. É como a criança que cresce.
O fato é que a perda da inocência não tem necessariamente que vir acompanhada de uma má conduta. Afinal tornar-se adulto não significa passar a ter falhas de caráter.
O que me preocupa como expectadora é estar sendo enganada.
Quando eu assistir uma vitória eu espero estar diante de atletas em condição de igualdade. Que a vitória seja fruto da habilidade, da técnica, da perseverança, da insistência e não de uma “ajuda” externa.
Acho que doping precisa de punição (e severa). As regras, no entanto, devem ser claras e os processos conduzidos de forma cuidadosa pra que as punições sejam justas e a gente não tenha a sensação de que fomos enganados.
Abre-se um precedente perigosissimo para futuros flagras de cocaina…é só falar que foi beijado a força por uma doidona aspiradora, anexar e usar como exemplo o Cocasquet, e temos mais confusão a vista… amigo Martin H., tu que és advogado, o que podes comentar de futuros casos?
Abraço a todos!
O cerne do post, onde eu acho que diz tudo, está na frase que fala que isso tudo foi muito mal administrado.
Obviamente concordo que atletas profissionais não “podem” usar drogas da mesma forma que acho que ninguém “deva” usar drogas.
No entanto, deve-se, em um julgamento desses ou qualquer outro dessa ou outra natureza, saber separar o atleta do indivíduo. Não posso concordar em jogar pedras em praça pública, isso é retrógrado e ignorante.
Quanto a punir ou não, de tal ou qual forma, não cabe a nós aqui julgar. Podemos sim fazer um debate sobre o uso dessas substâncias e o que gostaríamos que fosse feito nesses casos. Mas apontar o dedo pra um ou pra outro e, daqui, a um continente de distância do julgamento e anos luz do circuito, decidir que o sujeito não presta, que deve ser banido, escurraçado… sei lá, meio imprudente de nossa parte.
Sobre o bate boca que ja começou, vamos de Gabriel pensador fumar um cachimbinho da paz….
abs
É engraçado Cleto!
Os hipócritas e seus podre poderes como dizia Caetano Veloso, os usam para punir aqueles que bebem ou beberam da agua que todos bebem, se lambuzam, adoram e que ninguém tem coragem de chamar de droga – A “marvada da cachaça”. Essa antes de beber, os drogados que a digerem sempre dão uma cheirada também. Tomar um porre pode, pois alegam por aí que não é alucinógino e não degrada o cérebro. Nossa Cleto, se não é alucinógino, o que eu tava fazendo em cima da mesa de sinuca só de cueca dançando forró com a minha prima sábado passado na festa do condomínio?
Eu não faço apologia as drogas, mas acho a coisa mais ridícula as pessoas sendo julgadas porque cheiraram isso, lamberam aquilo, beberam não sei o que, injetaram disso ou daquilo, e simplesmente acharem que beber alcool é a coisa mais normal do mundo porque é legalizado. É tão infantil e banal quanto o conteúdo do copo que bebem.
Julgar um criminoso porque ele cheira, mas não o pune porque segura um copo de whisk, é tentar tapar o sol com a peneira. É ser dono de um falso moralismo cara de pau que não garante idonidade a ninguém. Se o cara cheirou ou bebeu tem que ter o mesmo tratamento.
Marat Safin que o diga. Enchia a cara de cachaça e ia destruir todo mundo no dia seguinte quando estava no auge. Cadê a punição ?
Seguinte Cleto, vamos tomar uma cervejazada ali no Chopp do Barão em São José dos Campos e beijar umas gostosas chapadas de poeira no nariz, se me pegarem no anti doping depois não importa, a Inês tá morta lá na minha cama mesmo. Vão se os dedos (o dinheiro, a dignidade e minhas cuecas) e ficam se as carteiras vazias.
Abraço.
Divertido e diferente.
Estou lendo algumas opiniões aqui e, apesar de respeitar todas , dentro dos seus respectivos pontos de vista, não concordo com algumas.
No meu modo de ver, quando um indiivíduo assume uma condição de figura pública, seja através do esporte, da política ou da arte, querendo não, vira modelo sim, para os muitos que pretendem seguí-lo e , de uma certa forma, é mais responsável do que a pessoa comum. É aquela história: não existem os bônus sem os ônus.
O nível de alcance da comunicação hoje é extraordinário e o comportamento de um figura pública em seu mundo particular não só é julgado o tempo todo, como até ansiamos por isso e seria hipocrisia pensar o contrário, pois a curiosidade é inerente ao ser humano. Aqui no blog temos vários exemplos disso: os (para alguns poucos) atributos da mulher do Federer, a influência dela na vida do cara, as poses de Aninha Ivanovic , a cueca do Nadal, a celulite na perna da Sharapova e por aí vai!!
Claro que no meu escritório , o fato de eu consumir drogas ou não ,não é da conta de ninguém , contanto que não afete o meu trabalho pois eu sou uma pessoa como outra qualquer.
Só que no caso específico do atleta, ainda mais o de competição de ponta, o trabalho dele está inevitavelmente e diretamente ligado ao corpo e a droga vai sempre afetar o seu desempenho, para para melhor ou pior .
Por isso, não acho honesto da parte do atleta enganar primeiro a si mesmo, depois sua equipe( no caso de esportes coletivos) e, por fim, o seu patrocinador que investe milhões em um cara que vende , antes de tudo sua imagem.
A Kellogs cortou o patrocínio do Phelps depois da história da maconha. Pô, a figura do sujeito em tudo quando é rótulo de cereal consumido por milhões de crinças americanas…não adianta ser hipócrita: nessa hora, nenhuma mãe vai pensar no recorde do cara nas piscinas…e a Kellogs, claro, sabe disso, daí terem rifado o nadador.
Continuo pensando que esporte e drogas não são uma boa combinação e, desculpem os que pensam o contrário, nem um bom exemplo , mas não me considero porisso nenhuma professora de Moral e Cívica…
Acho que se nos dois casos a acusação foi pela mesma causa, o julgamento teria que ser feito da mesma forma. Simpatia ou antipatia não deveriam entrar no mérito para calcular uma punição. Mas quem disse que o mundo é justo?