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05/07/2009 - 22:26

A final

Esta vitória de Roger Federer merece dois posts, distintos e complementares. Um sobre a partida em si, outra sobre seu significado dentro de um contexto mais amplo e histórico.

A partida foi, como o próprio Federer admitiu, muito estranha. O suíço só saiu de quadra vencedor depois de conseguir quebrar o adversário uma única vez, após 4:16h de jogo. Devem ter sido 4:16h imensamente frustrante para um campeão de seu calibre. No entanto, não mais frustrante do que foi para Andy Roddick, que esteve a uma bola, por mais de uma vez, de liderar a partida por 2 x 0.

Roddick jogou muito tênis – um padrão que já havia mostrado na semifinal contra seu xará. Sacou muito, em termos de qualidade e não só de força, uma das mudanças que pode ser creditada a seu técnico. Também soube jogar do fundo da quadra, mesmo enfrentando um adversário que, notadamente, tem mais golpes do que ele – hoje isso não ficou evidente.

Uma partida decidida por 16 x 14 no quinto set obrigatoriamente foi decidida nos detalhes. O mais crucial, pelo menos para aqueles que conhecem o esporte, foi o fato do americano ter jogado atrás durante todo o quinto set. Só ali foi uma hora e meia e catorze games de pressão administrada por Roddick até a ultima bola. Lembrei-me de uma vez, como capitão da Copa Davis, quando Carlos Kirmayr venceu o terceiro set de uma partida contra um alemão no Ibirapuera, por 23 x 21. No intervalo, do 3º para o 4º, ele sentou na cadeira e, com a cabeça debaixo da toalha, chorou como uma criança durante um minuto e meio até se acalmar. Imaginem o alemão.

Enorme crédito deve ser dado a Federer por ter administrado o seu emocional ao longo da final. Imaginem o turbilhão de emoções, considerando o contexto e as circunstâncias. Ele estava tão ligado que notou quando Pete Sampras entrou, atrasado, na Quadra Central – e ainda o cumprimentou, o que deve ter sido a primeira vez que fez isso na sua carreira.

A partida foi tão maluca que apresentou os protagonistas em papéis trocados. Federer bateu seu próprio recorde de aces e executou muito mais deles do que o sacador Roddick. Já o americano foi o homem que teve a faca e o queijo na mão e ditou o ritmo da partida.

Se a partida foi dramática pela troca de liderança no placar e pela extensão do set final, foi menos densa emocionalmente e interessante tecnicamente do que outras disputas que temos acompanhado, neste e em outros GS, até porque foi um jogo muito dentro do contexto da quadra de grama. O serviço falou alto, as trocas de bolas foram curtas e maioria dos games sem grandes disputas. Dois sets no tie-break, um 7/5 e um 16/14 espelham isso.

Já tive a oportunidade de comentar que finais, na maioria, não são partidas de grande nível técnico pelas circunstâncias. Porém, mesmo notando um Federer mais tenso e, especialmente, conservador do que o normal, os dois tenistas se comportaram excepcionalmente, técnica e emocionalmente. Roddick não jogou, em nenhum instante, como um tenista inferior, enquanto Federer não cedeu às pressões que, mesmo quando bem mais leves, derretem tenistas menores. São dois grandes tenistas que realizaram um tremendo confronto como dois grandes campeões.

 

     

Autor: paulocleto - Categoria(s): Grand Slam, Tênis Masculino Tags: ,

44 comentários para “A final”

  1. LUCIANO disse:

    Excelente jogo, o Rodick me surpreendeu. Desta vez confesso que achei que o Federer iria bailar. Mas, para variar, a qualidade mental que todo campeão precisa na hora H se fez valer para Federer. Incrível como, no calendário maluco e extenuante do tenis atual, Federer consegue se manter anos a fio no topo. Gosto muito da determinação do Nadal também, mas bastou 1 ano como numero 1 para ele não conseguir aguentar a maratona de jogos imposta pela ATP, a ponto de seu tio esbravejar sobre o calendário. Federer vai ganhar mais uns 4- 5 GS, sempre com muita classe, estilo perfeito, pancadaria na hora certa, e nos brindando com grandes jogos. Temso sorte de acompanhar de perto um jogador como este.

  2. Alcom disse:

    Cleto, eu sei que o assunto tem uma direção mas gostaria muito que você comentasse sobre as conjecturas que rondam no mundo sobre o ano 2009 de Nadal e o futuro de deste grande tenista da atualidade? será verdade o que andam dizendo em Portugal?

    Será que Nadal vinha jogando no sacrifício, a base de medicamentos e anestésicos?

    2009-07-05 15:14
    Ténis: Rafael Nadal pode não jogar mais em 2009

    A notícia surgiu este domingo. Rafael Nadal pode não jogar mais em 2009, segundo adiantou Emílio Álvarez, amigo íntimo da família do ainda líder do “ranking” ATP.

    Nadal tem-se debatido com problemas sucessivos no joelho e falhou todos os torneios que se seguiram a Roland Garros.

    Confira no site abaixo:
    http://ogolo.clix.pt/articles/tenis-rafael-nadal-pode-nao-jogar-mais-em-2009

    É melhor nao comentar boatos. Especialmente os tristes como este.

  3. Américo disse:

    Apesar de ser fã incondicional do Federer confesso que neste jogo especificamente torci para o Rodick. Ele realmente surpreendeu tanto na parte mental quanto técnica e fisica, enfim ele fez tudo o que foi possível para ganhar o jogo, saiu de um revés que tempos atrás seria irreversível no segundo set, devido a seu comportamento temperamental. Mas apesar dele ter perdido depois pensei: Ainda bem que foi para o Federer, esse é de fato o cara. Quanto ao Rodick bola para frente já que se continuar jogando nesse nível certamente vai chegar a várias finais tendo amplas possibilidades de conquistar vários títulos.

  4. MARCELLO RIBEIRO disse:

    paulo
    você reparou que o Roddick não ganhou nenhum ponto “jogado” no último game do jogo? todos os pontos que ele fez no game vieram do saque e ele cometeu erros imperdoáveis (até botou bola fora da dupla), com umas três espanadas que me deixaram orgulhoso do meu tênis. Sabe aquela tremida, famosa? Acho que ele segurou a onda durante todo o jogo e resolveu começar a pensar em perder naquele game. Até peladeiros como eu conhecem essa sensação.
    Abraço

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