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05/07/2009 - 18:03

A bola

Todo jogo tem seus momentos decisivos. Os tenistas e seus técnicos conseguem relembrar, sem maiores esforços, os pontos que fizeram com que saíssem de quadra como vencedores ou perdedores. A aí, durma-se com um barulho desse.

Durante alguns dias, quiçá semanas, meses e mesmo anos, Andy Roddick vai sonhar com o voleio de esquerda alto que errou no set-point do segundo set, após já ter vencido o primeiro set. A bola de Federer foi meio esquisita, meio pifada – uma passada de direita alta que Andy não conseguiu controlar. Ali o jogo virou. Ali o jogo poderia ter sido ganho pelo americano. Ali Federer nasceu de novo.

Abaixo, ainda em inglês, a resposta de Roddick sobre a bola:

ANDY RODDICK:” Well, there was a pretty significant wind behind him at that side. It was gusting pretty good at that time. When he first hit it, I thought I wasn’t gonna play it. Last minute, it looked like it started dropping. I couldn’t get my racquet around on it. I don’t know if it would have dropped or not.”

Abaixo o comentário do Federer

ROGER FEDERER: “Yeah, I mean, I thought the second set was obviously key to what came after. Maybe being down two sets to love, the way Andy was serving, would have always been a very difficult situation to be in, you know. Even then down two sets to love it’s still possible, but it definitely increased my chances of winning.”

                                     ———————

O fotografo Julian Finney captou o momento que para sempre aterrorizará os sonhos de Andy Roddick.

Roddick – o voleio de esquerda que vai lhe trazer pesadelos por um bom tempo.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Grand Slam, Tênis Masculino Tags:

116 comentários para “A bola”

  1. Kátia Cibele Graff disse:

    Srs e Sras

    Dizem que são nas derrotas que se conhece as pessoas. Pois eu discordo. Acho que são nas vitórias que realmente se conhece as pessoas.

    Às vezes tenho a sensação que abriram as portas do inferno, ou até do jardim zoológico, quando leio certas postagens aqui, como LF Jr, Fabio Teotônio, Daniel, Lynette, André Santos, dentre outros.

    Para alguns, a moderação está tal qual o Hawk Eye, totalmente descalibrada.

    Saudações suiças.

    Atenciosamente,
    Kátia

  2. henrique disse:

    se nao fosse nadal

    federer teria 21 slams

  3. RenatoZ disse:

    Comparando-se os finalistas, não lhes parecem que os adversários do Federer são melhores que os do Sampras?

  4. Fernando disse:

    E ele ja foi chamado de “Quase…quase melhor de todos os tempos”… hoje ele eh o melhor de todos os tempos, e se perder o US Open sera rebaixado denovo… Em vez de ficar classificando, apreciem.

  5. Olá Amigo Matteoni…

    Foi a bola do 0 x 30 para o Roddick no serviço do Federer em que o sistema de desafios marcou linha, sendo que a CBS recuperou a imagem e passou umas 3 x e deu algo como 2 bolinhas de diferença.

    Mas viva ao grande Roger Federer !

  6. Guto disse:

    McEnroe
    Laver
    Sampras
    Borg
    …………….

    Agora FEDERER

    É para poucos. Jogar e Ganhar na presença dessas lendas. É para poucos.

    Nada mais a comentar.

  7. Rafaela disse:

    Foi o dia dos sonhos. O cenário: o templo do tênis. Na plateia os antigos reis Pete Sampras, Bjorn Borg, Rod Laver e as lendas da grama sagrada John McEnroe, Manolo Santana, Boris Becker. No palco, a Centre Court, o protagonista, Roger Federer, em busca do feito que o tornaria o maior. Do outro lado, não seu principal rival, mas sim o primeiro, aquele que teve de vencer numa final antecipada para chegar ao 1 dos 15. Andy Roddick, que depois daquilo se tornara para sempre antagonista.

    Mas quando o espetáculo começou o antagonista deixou o mundo de boca aberta. Estava determinado a estragar a festa armada no mundo do tênis e sair do templo sagrado como novo herói. E saiu. Em muitos momentos até ocupou o lugar do protagonista. Em qualquer outro momento, ele teria conseguido dominar todos os seus fantasmas do passado e triunfar.

    Mas aquela ocasião não era uma qualquer. Valia a imortalidade. Então, o protagonista teve de usar de toda a bagagem, sua experiência em momentos como aquele para dar o bote. Venceu o antagonista pelo cansaço e, quando este deu a deixa, saltou para a cena final. Aplausos na Centre Court. A história havia sido escrita, como todos esperavam, mas num espetáculo muito mais grandioso que aquele que todos imaginavam.

    Os antigos reis reverenciaram o maior rei que já existiu, Roger Federer. E os súditos aplaudiram de pé o herói da tarde, Andy Roddick. Ele ajudou a história a ficar aiinda mais bela.

  8. Alberto disse:

    Chorem Nadaletes !!!!!

    Federer no 1 do mundo

    Pena que eu não pude estar presente para presentiar o maior feito da história do tenis. Uma pena !!!

  9. Carol disse:

    eu ainda to impressionado com o federer.

  10. Rafaela disse:

    Ao guerreiro Andy Roddick, parabéns. Jogou como nunca e não perdeu como sempre. Pq. desta vez ganhou o respeito do público, das lendas do passado e até do maior rei de todos, que parecia até um pouco chateado em tê-lo vencido quando jogou tão bem. Jogou bem como nunca, de igual para igual com o maioral. Federer ganhou pq. alguém tinha de ganhar. Mas Roddick teria sido um bom campeão também, com todas as honras.

    Sobre Roger Federer: parabéns pela luta, pelos coelhos na cartola, pela paciência que vinha se tornando incomum, pela capacidade de concentração. Enfim, por ser um vencedor, achando sempre um jeito de vencer, seja na técnica, no mental, na raça, no coração. Hoje ele teve de usar disso tudo um pouco, pois seu rival lhe deu uma bela batalha. E é por ser encontrar um jeito de vencer que ele é quem é. Hexacampeão de Wimbledon, número 1 do mundo, maior vencedor de Grand Slams da história. Pelo conjunto, maior tenista de todos os tempos. Obrigada!

    Obrigada a Federer e Roddick por essa bela final, tão cheia de significado.

    Abraços

  11. Carol disse:

    #impressionada com o Roddick. nunca pensei que ele fosse jogar o que jogou

  12. Raul disse:

    Federer tem quase todos os fundamentos do tenis muito bons.
    Por isso está onde está.
    Pode não ter o melhor preparo físico do mundo, mas sem duvida é um grande campeão.
    Elegante, preciso, educado, tenis de alto nivel esportivo e cultural.

  13. Giuliano disse:

    Grande Roddick…

    Eu sempre soube que seu jogo ainda tinha espaço para amadurecer e melhorar, Stefanski foi o cara que conseguiu.

    Por estas e outras que sempre torço pelo cara, pelo tenista que é dentro da quadra e pela figura que é fora.

    O Roddick jogou muito o torneio todo, na final ele acreditou que podia vencer e entrou na quadra com a postura correta, esquecendo totalmente do passado, das 18 derrotas anteriores, de ter sido freguês de carteirinha do Federer.

    Deletou tudo da cabeça e colocou no lugar a fé de que poderia vencer e uma atitude de campeão, nunca deu-se por derrotado em nenhum momento do jogo, mesmo após jogar fora aquele set point no segundo set, sem dúvida a bola do jogo.

    Quase deu, quase entrou para a história, fiquei muito triste por ele quando no seu discurso ele disse desejar merecer a oportunidade de ter seu nome alí junto das lendas, citando um a um, mostrando todo o respeito que um grande campeão tem que possuir pela tradição do tênis e, quando, com bom humor mesmo naquele momento difícil, brincou pedindo desculpas a Pete Sampras.
    Mostrou alí que é um grande cara, um grande tenista.

    Infelizmente para ele, do outro lado da rede, tinha simplesmente o melhor de todos os tempos…

    Confesso que torci para os dois, ambos mereciam a vitória, o quinto set deveria ter sido interrompido pelo arbitro e ter sido declarado um empate!

    Mas este é o nosso tênis…ainda bem!

    Beleza, o Roddick, que já foi número um do mundo, já sentiu o gosto de vencer um Grand Slam, sem mencionar as finais de GS que já chegou, quatro com a de hoje, se não me engano, ele ainda vai e merece beliscar pelo menos mais um.

    Uma estorinha sobre o Roddick…

    Aconteceu há 9 anos, um amigo meu, treinador, me ligou dizendo estar por perto com uma molecada para a disputa do Banana, aproveitei para além de rever o amigo, assistir uns jogos e quem sabe, poder dizer que vi um top ten ainda moleque jogando.

    Num dos dias que se passaram durante a disputa daquele Banana de 2000, fui com este meu amigo e seus moleques até o hotel, no saguão, vimos um garoto, americano, sacaneando com um funcionário do hotel, falando em inglês, armando uma bagunça danada com as malas e raqueteiras e tirando a maior onda com a cara do pobre, que ficava alí sem entender nada e com cara de bunda, o moleque sacaneava e fazia seus amigos rirem.
    Comentamos coisas do tipo que moleque babaca, arrogante e etc.

    Pois que o moleque babaca e arrogante era o Roddick, que acabou ficando com o título daquele Banana Bowl, único que acabei acompanhendo um pouco mais de perto, sem contar os que cheguei a jogar quando era infantil.

    Então que ele e o Guga, são dois números um que posso dizer que vi jogar ainda quando moleques…

    Este meu amigo treinador não suporta o Roddick até hoje, disse que ele azucrinava todo mundo no hotel e era mesmo uma mala.

    Como a primeira impressão é a que fica, a minha pelo Roddick foi de antipatia também, porém, depois fui acompanhando a sua carreira de longe pela internet.

    Admirar seu tenis, para mim não é nada difícil, com o tempo, lendo suas declarações, entrevistas e vendo que ele é um dos poucos tenistas atuais que sempre assume uma postura, que possui opinião própria e está longe de ser alienado, passei a admirá-lo como um grande tenista.
    Hoje ele ganhou mais um pouco da minha admiração.

  14. Giuliano disse:

    Corrigindo o penúltimo parágrafo…

    Como a primeira impressão é a que fica, a minha pelo Roddick foi de antipatia também, porém, depois fui acompanhando a sua carreira de longe pela internet, nos torneios pela TV e etc.

  15. Giuliano disse:

    Explicando…

    Corrigindo o penúltimo parágrafo, do meu comentário que ficou na moderação…

    Se não vão achar que to louco…

  16. L.Henrique disse:

    Hercules, no primeiro RG o Nadal venceu o Puerta.

  17. Hercules disse:

    LHenrique

    Você tem toda a razão. Falha minha. Valeu.

    Abs

  18. Phillip disse:

    Raul,

    Engano seu, ele tem um dos melhores preparos físicos do circuito e se movimenta bem como poucos.
    Não se engane com a capa de um livro meu caro.

    Abçs

  19. Sidney disse:

    Cleto

    Para resumir o que foi o jogo: O Rodick jogou como nunca… e perdeu como sempre.

  20. Eduardo J disse:

    Como eu já tinha dito sexta à noite (meu último comentário), salve salve o maior vencedor de Grand Slam de todos os tempos. Isso é indiscutível. Afinal, como ninguém ele é um jogador que sabe jogar melhor de 5.
    Só vi até o segundo set e não vi mais. Para onde eu fui almoçar depois não pegava Sportv. Só pude ver os números e notícias depois do fim do jogo. Quis ler tudo isso, mais os outros comentários, para finalmente me aventurar e fazer o meu.
    Talvez por isso, mais do que por tudo, tenha que concordar com o post do Cleto, perfeito.
    Quando eu desabafei que vimos a um filme de Tarzan, eu estava certo. E quanto melhor tenha sido o jogo, quanto mais tenha se superado o americano (que agora ganhou o respeito de todos e tenho certeza que não mais será subestimado), mais certo é que ele fizesse o que fizesse, não adianta. Algo maior que os dois já tinha decidido o campeão muito antes do torneio começar. Algo maior que os dois, do que tudo isso que fizeram, quis o que aconteceu.
    Não sei se o Roddick passou quatro sets inteiros sem tomar quebra, justo do Federer, que sabe como ninguém pressionar sacadores.

    Daí algumas coisas chamaram a atenção:

    1. Uma única quebra no 30º game do 5º set e fim de jogo. Derrota. Só um roteiro escrito, um destino, algo maior mesmo que os dois, para explicar isso.

    2. O saque do Federer sempre foi bom, só caindo um pouco quando teve dor nas costas no fim do ano passado. Mas daí a fazer o dobro dos aces do Roddick…

    3. E vejam o quanto jogou o americano. Ele quebrou duas vezes o saque desse Federer, que sacou tudo isso. Ele que não quebrava nem quando o Federer não estava tão bem. E foi punido na única que levou.

    4. Fora os dois tiebreaks, foram 75 games de serviço (38 do Roddick e 37 do Federer). Sacou um game a mais, levou uma quebra a menos, com a metade dos aces. Então o cara jogou demais, foi melhor com a bola em jogo e só perdeu porque esqueceram de convencer o diretor a não lhe dar o papel de jacaré no filme do Tarzan. O filme demorou mais, mas os papéis já estavam no script. É a única coisa com sentido que consegui pensar.

    5. Esse Roddick que jogou tanto é o típico “tenista touca” do Hercules? Ele fez tudo o que fez no Murray, que sucumbiu por 3×1 e disse não ter sido por causa da pressão. E que repetiu aquela atuação, mas contra Federer touca não vale, ele não marca touca. E por ser muito menos sujeito às toucas da vida ele venceu tanto.

    6. Aqui cabe um parêntese. O ranking considera 52 semanas e façamos de conta que é um “campeonato de pontos corridos”, em que cada torneio jogado é uma rodada. Quem assiste pontos corridos no futebol sabe que é importante não perder ponto com os “times touca”. Pouco vale vencer a maioria dos clássicos, como fazem o Nadal e o Murray, se perderem pontos para os “touca”, pois a maior parte dos jogos e dos pontos é jogada contra esses aí e só os vencendo é que o jogador se classifica para os clássicos. Nesse caso, mesmo vencendo menos clássicos (H2H negativo), o time (ou tenista) mais imune a zebras fará mais pontos. Isso explica a liderança mais longa da história, agora retomada. Assim, mais vale se qualificar mais vezes para o clássico do que vencer a maioria deles.

    7. Numa comparação com o Campeonato Paulista de Futebol, o Palmeiras venceu o XV de Piracicaba (1976) e se vencesse a Inter de Limeira (1986), o título valeria a mesma coisa. O São Paulo venceu o São José (1989) e o Corinthians, o Botafogo de Ribeirão (2001). No “ranking dos paulistas”, cada título conta igual número de pontos, não interessa o adversário da final. É a mesma coisa no ranking do tênis.

    8. Enfim, concluindo essa parte, mais vale se impor mais sobre os toucas do que vencer os clássicos. Se isso é justo ou não, se o Federer é o jogador de clássicos ou não, ele é o campeão, segundo as regras do jogo, assinadas e aceitas por todos. Ninguém pode reclamar.

    9. O “campeonato ranking” continua. No atual cenário, o Murray se afasta este ano da possibilidade de brigar pelo #1 (começa a ter chances no AO2010). Só o Nadal pode fazer isso e está 585 pontos atrás na “Corrida”, pouco importando quando os pontos A ou B serão descontados (afinal, considero “corrida” a disputa pela liderança na última semana do ano). O Murray teria que tirar mais de 1000 pontos e ainda defender uma diferença além de outros 1000. Para ele, só ano que vem. O máximo que faz é manter essa diferença. Só o Nadal pode por si mesmo retomar a liderança.

    10. E agora, que os “deuses do esporte” escreveram essa história em Wimbledon? O que mais escreverão? Quando Nadal volta? Como volta? Como fica o Murray? E o Del Potro? E o Roddick, agora incluso necessário nos comentários?

    Demorei um pouco para escrever, mas procurei refletir e ouvir os outros, que viram o jogo, e o Cleto.

    Parabéns Federer

    Abraço a todos

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