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Arquivo de junho, 2009

domingo, 7 de junho de 2009 Tênis Masculino | 20:58

Chora Federer.

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Em breve colocarei meu post sobre a vitória de Roger Federer. Enquanto isso, publico uma foto do campeão, mais uma vez chorando no pódio. Desta vez, tenho a alegria em dizer, de felicidade.

Federer abraça o único troféu de Grand Slam que lhe faltava.

Notas relacionadas:

  1. Escada abaixo
  2. A elite
  3. Staying alive
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sábado, 6 de junho de 2009 Grand Slam, Tênis Masculino | 19:21

Engano?

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Ao contrário de alguns, poucos, leitores, não vejo a final de amanhã como insossa. Muito pelo contrário. É uma final, entre dois tenistas que atravessam um momento mágico, que tem os ingredientes para se tornar histórica.

Soderling sempre foi um tenista extremamente perigoso técnicamente, sem o controle emocional necessário. Ultimamente Federer tem tido um pouco esse perfil, considerado as circunstâncias e as diferenças.

O sueco tem a mão pesada como poucos e, apesar do estilo um tanto fora dos padrões, consegue aliar regularidade e força nos golpes – especialmente se considerarmos o quanto reto bate nas bolinhas. Afiado, confiante e sem carregar o peso do favoritismo, provou ser mais perigoso do que um cachorro insano em noite de lua cheia em uma loja de cristais.

Não vou me alongar sobre Federer, porque se você ainda não sabe o que penso sobre esse tenista deve ter entrado aqui por engano. O suíço joga a partida mais importante de sua carreira, o que não é pouco; para ele, seus fãs, a imprensa mundial, os 16 mil que estarão na QC e mesmo para seus colegas de trabalho que, em esmagadora maioria, estarão torcendo pelo seu sucesso. E não somente pelo sueco ser considerado um “Mala Mor”. O suíco é mesmo uma unanimidade, nos vestiários e nas arquibancadas, e se o leitor não sabe por que é porque nunca tentou domar uma raquete, uma bolinha, uma rede, um retângulo e um adversário ao mesmo tempo.

Prognósticos não os faço, a não ser os de que deve ser uma partida repleta de qualidades técnicas, pelo momento de ambos, apesar de que uma final sempre achatar essas qualidades em favor das emoções.

Se alguém que se considera amante do tênis deixar de assistir, ou mesmo deixar de reconhecer a importância da partida, é um atestado de ignorância e descaso com o esporte que, se hospeda também “torcedores” além de amantes, exige o reconhecimento da apreciação do esporte pelo o que ele é. E isso, de Rafael Nadal a Roger Federer, passando por todos os tenistas que um dia decidiram exercer sua paixão maior, profissionais, amadores ou mero diletantes, todos tem a obrigação de saber. Ou entraram aqui por engano.

Notas relacionadas:

  1. Raro e triste
  2. Piscou
  3. Duas bolas
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Grand Slam | 16:08

Pobre menina rica

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Sai do prédio da ESPN perto da uma hora da tarde e me surpreendi com a beleza do dia. São Paulo é uma cidade distinta nos finais de semana, tanto pela ausência dos engarrafamentos de trânsito como por uma bem vinda ausência de violência por parte das pessoas que transitam pelas ruas.

O dia estava tão bonito, o céu azul e o sol gostoso, tanto pela ausência do calor excessivo e  incomodo como pelo contraste que oferecia à brisa fresca. No caminho para casa sou obrigado a passar pela Praça Benedito Calixto, onde aos sábados acontecem uma das mais antigas e charmosas feirinhas da cidade. Não resisti; estacionei o carro e fui passear entre peças tão distintas como jóias, cadeiras antigas, discos de vinil, telefones dos anos sessenta e relógios de bolso. No fim das contas, olhei mais as pessoas do que para as peças, já que para mim as primeiras são sempre mais interessantes do que as segundas. Fazia dias que eu não passava alguns momentos ao livre e com o sol ainda brilhando, algo do qual sempre sinto falta. E adorei também ficar um pouco com minha atenção longe das quadras.

Para variar, a final feminina foi aquém de qualquer expectativa – e as minhas são bem curtas no caso. Desde a vitória de Jennifer Capriati sobre a ainda adolescente Kim Cljisters, por 12×10 no terceiro, em 2001, o Aberto da França não apresenta um jogo digno de uma final. Tudo partidas resolvidas em dois sets e sempre com uma das moças derretendo emocionalmente para o meu constrangimento e, acredito, dos milhões de pessoas que acompanham as finais.

Pelo menos nesse quesito os anos noventa foram mais interessantes, nem que tivéssemos que suportar o tênis-dormonid de Arantxa Sanches, mas com a presença de Stefi Graf, Monica Seles e a encardida Martina Hingis que fez de suas derrotas um espetáculo à parte.

Hoje tive que passar mal, mais uma vez, por conta do desmanche emocional de uma tenista em quadra. Dói muito ver isso acontecer com um atleta, independente de quem seja. Como técnico tenho conhecimento pessoal dos esforços, sacrifícios, abnegações, dores e martírios que alguém tem que enfrentar para se tornar um atleta qualificado a participar de uma final de um Grand Slam.

Tenho a certeza que o meu leitor João Prada e Silva, o fã da música e do tênis, vai pensar com seus botões que, por essa e outras, um empate seria bem vindo de vez em quando ou até mais frequentemente.

Fico as coisas como elas são, porque se hoje Dinara Safina saiu arrasada de quadra, há que se lembrar que para chegar ao topo da ranking, como a filha mais sã da família Safin chegou, a tenista teve que infligir muitas dores mundo afora nos corações e mentes de muita moça bonita e frágil.

O tênis como outros esportes e a vida em geral pode ser cruel; mas essa força e a profundidade com que é capaz de tocar o âmago de seus praticantes é um dos diferenciais entre esse esporte complexo e fascinante e – sem desmerecer, só para usar um exemplo – um esporte coletivo onde as emoções, boas e ruins, são diluídas, ou mesmo a corrida contra um relógio ou uma medida.

Dinara – agônia

Svetlana – extase.

Notas relacionadas:

  1. Favoritos?
  2. A final feminina
  3. Do mesmo sangue
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quinta-feira, 4 de junho de 2009 Tênis Masculino | 11:45

Final de Melo na ESPN

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A ESPN acaba de confirmar que ira mostrar a final das duplas mistas de RG com a participacao do mineiro Marcelo Melo e a americana Vania King, enfrentando os americanos Bob Bryan e Liezal Huber. O mineiro mantem a tradicao brasileira que ja teve quatro finalistas nessa modalidade – Thomaz Koch, Cassio Motta, Claudia Monteiro e Jaime Oncins.

A partida acontece agora, logo apos o jogo da Kuznetsova, que ja esta em quadra.

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quarta-feira, 3 de junho de 2009 Light, Tênis Masculino | 17:29

Citron, Orange et Bourgeon

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Um leitor me pergunta detalhes sobre a eleição, feita pelos jornalistas, dos prêmios Laranja, Limão e “Brotinho”. Há anos esses “prêmios” são divulgados pela Madame Leuthe, e era a maneira da imprensa mundial, reunida em Roland Garros, externar seus amores e paixões através de uma eleição com votos fechados.

Alguns poucos anos atrás, já na em épocas de “politicamente corretos”, a federação “pediu” que o Premio Limão mudasse de tenista mais “chato” para o politicamente correto “tenista de caráter vitaminado” ou, como eles colocam, o “tenista que odiamos amar”, já que o “amamos odiar” de antes ficou politicamente incorreto. O Prêmio Brotinho, no qual eu sempre fui voto vencido, vai para o jovem tenista que promete vir a ser o “tenista que amamos amar”.

Lógico que sempre foi mais divertido divulgar o Prêmio Citron, mas depois que o mala do Marcelo Rios venceu cinco vezes ficou meio sem graça, pelo menos até o chileno se aposentar. Outros vencedores do Citron foram Lendl, Connors, Agassi (três vezes), Stich, Kafelnikov, Hewitt, Nalbandian, Sharapova, Golovin e até mesmo os franceses bicudos Pioline, Mathieu e Santoro, uma lista que fala um bocado sobre a personalidade de alguns ídolos. A russa foi a primeira mulher a ganhar o Limão, logo seguida da metidinha Golovin, que um dia ganhara o Brotinho.

Entre os vencedores do Prêmio Orange; Gustavo Kuerten(3), Noah, Borg, Navratilova, Edberg, Sampras, Courier, Seles, Davemport, Mauresmo, Corretja, Federer entre outros.

O romeno Ilie Nastase conseguiu a proeza, e só mesmo ele para fazê-lo, de vencer os dois prêmios no mesmo ano (1981).

Alguns dos vencedores do Premio Brotinho: Nadal, Chang, Seles, Santoro, Hingis, Gasquet, Hewitt, Dokic, Pierce, Golovin, Djokovic, Monfils e Cornet, lista que prova que os jornalistas são bem ruinzinhos de previsão.

Este ano, Federer, pelo quinto ano consecutivo, levou o Laranja e Del Potro o Limão. Não sei o que o argentino andou aprontando para tal honra, mas não deve estar lá sendo muito simpático. Para o “Brotinho”, escolheram a simpática Anastasia Pavlyuchenkova.

Gustavo Kuerten recebe seu Laranja em 2002 em uma das quadras de treino.

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terça-feira, 2 de junho de 2009 Grand Slam, Light | 20:01

Torcedores franceses.

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O ditado dos franceses diz algo como que; pior do que um torcedor francês só mesmo um parisiense. Sei lá se é verdade, eles devem saber melhor do que eu, mas o fato é que as arquibancadas, em qualquer lugar do mundo, são um tanto quanto imprevisíveis, especialmente quando um dos locais não está envolvido. É uma questão de empatia, carisma, circunstância.

Mas essas paixões são menos infiéis do que as de mulheres bonitas. As arquibancadas possuem uma inteligência coletiva difícil de avaliar e prever, porém são mais generosas e compreensíveis do que se imagina. Não pensem que aquele que é odiado hoje o será para sempre, mas aquele que são amados hoje precisarão realmente pisar na bola para serem desprezados.

Todo mundo sabe que Gustavo Kuerten era amado em Paris. E não era pelo seu francês, que é inexistente. Courier fazia o discurso em francês, mas era quando muito respeitado, e o estádio nunca fez dele um de seus favoritos. Graf só foi ser amada no dia que o público decidiu que a pentelha da Hingis tinha passado de todos os limites com sua soberba.

Agassi odiava jogar em Paris e era considerado pelos franceses como o típico americano metido a besta e ignorante de qualquer coisa que não fosse gringa. Em 1990 e 91 o público foi descaradamente contra ele nas finais. Sempre havia alguma encrenca por conta de sua postura e exigências, quase sempre reportadas pela imprensa que o criticava direto, como quando ignorando os carros de transporte do torneio, exigiu que o evento permitisse que sua limusine – aquelas americanas longas, brancas e cafonas – estacionasse dentro do complexo. Os motoristas do torneio bloquearam a entrada. No dia seguinte, querendo fazer uma média, ele mandou cerca de 20 caixas de pizza para os motoristas. Pizza?! Ficou pior ainda. Mas já mais velho e menos arrogante, inaugurou o hábito dos tenistas cumprimentarem o público da Quadra Central após o jogo e foi ganhando as arquibancadas que o apoiaram na conquista de 1999.

Nastase era adorado. Jimmy Connors era desprezado. Lendl suportado. Wilander gostado. McEnroe foi de odiado a respeitado e amado/odiado. Manoel Santana adorado.  Os recente espanhóis vencedores ignorados. Muster e Kafelnikov desprezados. Borg endeusado. Sampras, respeitado. Federer amado. Becker adorado. Nadal respeitado, pero no mucho. Segundo seu tio – que meteu a boca pela imprensa espanhola, chamando os torcedores franceses de estúpidos – muito menos do que deveria ser.

Entre as mulheres; Evert gostada, Navratilova foi de ignorada a muito gostada, sempre respeitaram e no final adotaram a Graf, as irmãs Williams são desprezadas, Hingis odiada, Pierce, a francesa/canadense/americana, suportada, mas no fundo odiada, Henin adorada. Sharapova, odiada pela sua postura marqueteira que não desce pela fina garganta francesa.

Os franceses, que são ótimos torcedores, na medida em que entendem muito de tênis, a maioria que comparece sabe jogar, sempre gostaram de torcer pela zebra, pelo esforçado sem tantas chances, pelo estiloso, pelo simpático, pelo carismático. Apóiam seus conterrâneos, mas abraçam carinhosamente outros também. E sabem ignorar e mesmo desprezar alguns franceses chatos ou metidos.

Mas realmente foram felizes quando tiveram Yannick Noah, um tenista que sabia incendiar as arquibancadas com seu tênis limitado, atlético, vistoso, simpático e acompanhado de um carisma impar que não se acha nas ruas, nem das St. Germain des Prés, e ainda encontrou uma maneira de ganhar um título para todos eles.

Noah, amado.

Borg endeusado, Federer adorado.

Gustavo Kuerten – amor correspondido.

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segunda-feira, 1 de junho de 2009 Grand Slam, Tênis Masculino | 22:53

Duas bolas

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Estou sempre repetindo, na TV, em conversas com amigos e mesmo aqui, que a partida de tênis é decidida em alguns poucos pontos. Como jogador, você pressente, antes mesmo de jogar o ponto, a importância dele. Outras vezes só depois de jogado, dentro das circunstâncias que construíram a partida.

Na partida entre Federer e Haas dois pontos definiram a partida. Simbolicamente, um acerto do vencedor e um erro do perdedor.

O primeiro surgiu com Federer sacando no 3×4 no terceiro set e o alemão liderando em dois sets a zero. Haas devolveu de esquerda, tentando não ser nem muito conservador nem arriscando demais. Assim mesmo, Federer, reconhecendo a importância do momento, que poderia determinar sua derrota, usou de seu “andar de caranguejo”, uma de suas qualidades físicas, para bater uma direita “inside out”, que passou pela frente do alemão e caiu em cima da linha. Segundo o suíço foi a primeira vez na partida que ele realmente “sentiu a bola”. Se a bola voasse 5 cm a mais o alemão sacaria em 5×3 e dificilmente deixaria escapar.

A bola acima salvou o suíço e lhe permitiu viver um pouco mais. Mas, para a vitória lhe sorrir algo mais precisava acontecer. Aconteceu no game seguinte. Haas ainda tinha a dominância da partida e Federer ainda tinha enormes dúvidas. Sacando, Haas fez 40×15 e não aproveitou indo para o ataque e deixando uma bola na rede. Mas foi no 40×30 que a partida mudou seu rumo, com o alemão cometendo sua primeira dupla falta da partida. Naquele momento ele e o suíço souberam que as coisas estavam mudando, especialmente no emocional do alemão. O voleio alto, a dois metros da rede, que ele mandou longe na vantagem contra, dois pontos depois, perdendo o game e o saque, só selou seu destino.

E QUERO AGRADECER A PRESENÇA E COMPREENSÃO DE TODOS VCS ESTES DIAS EM QUE ESTÁ UM POUCO DIFICIL POSTAR. MAS PODEM SEGUI NA ESPN! ABS

Federer, a direita “inside out”.

Federer, escapando por pouco.

Notas relacionadas:

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