O primeiro telefonema
Em Wimbledon existe uma evidente separação entre a primeira e a segunda semana do torneio. Para deixá-la mais óbvia, o Domingo é um dia sem jogos. Não que essa seja a razão, já que nenhuma razão é oferecida. O Domingo é o dia em que os perdedores almoçam em casa e os sobreviventes treinam sonhando até onde chegarão.
Na cabeça dos jogadores é bem claro o conceito de chegar, ou não, à segunda semana. Estar nela é uma conquista em si. Essa divisão é a única razão, na minha cabeça, para não se jogar no Domingo, algo só feito em Wimbledon. Acho o fato horrível, já que coloca uma pressão a mais no “schedule” dos jogos, que já é estressante pelas chuvas. Fora que é um belo dia para o público, tanto o de lá quanto o do resto do mundo que acompanha pela TV.
Outro fato vêm à mente sobre as duas semanas de Wimbledon. A primeira semana sempre foi a minha favorita em Roland Garros, onde se pode assistir partidas de altíssima qualidade. Em Londres é o oposto. As melhores partidas acontecem na segunda semana quando os favoritos começam a se encontrar. O saibro é um piso mais democrático em termos da qualidade do tênis jogado do que a grama. Esta exige um “know-how” mais específico. Se o tenista não sabe jogar na grama, acaba fazendo o papel de bobo e se sentindo como tal.
Na segunda semana de Wimbledon, as partidas concentram-se nas quadras principais. As secundárias passam a ser usadas pelos eventos de duplas, juvenis e veteranos.
O evento juvenil, que é disputado desde 1947, é oficial e tem suas inscrições por mérito. O dos veteranos é um evento por convites e é mais uma exibição . Entre os garotos já tivemos dois finalistas. O paranaense Ivo Ribeiro em 1957 e o carioca Ronald Barnes, o brasileiro com o tênis mais bonito e vistoso que já pegou numa raquete, em 1959. O estilo de Federer lembra o do Barnes. Para fazer uma média familiar, lembro que minha irmã,Vera Lúcia Cleto, foi a ultima brasileira a chegar à semifinal entre as juvenis, em 1967, aos 17 anos, perdendo para a eventual campeã.
Os eventos dos veteranos, todos eles de duplas, assombram as quadras na segunda semana e são divididos em acima de 35 e 45 anos para os homens e acima de 35 para as mulheres. Nos acima de 45 dos homens vale qualquer idade e é uma ótima oportunidade de ver legendas do passado.
Um charmoso evento que deixou de ser disputado na segunda semana é o “Plate”. Esse eu aposto que vocês não conhecem. É uma daquelas relíquias que só pode existir enquanto o esporte era puro e quase “amador”. O “Plate” aceitava os perdedores das três primeiras rodadas das simples em um novo evento. Também oferecia um pequeno prêmio em dinheiro e era uma boa opção para os tenistas que queriam um pouco mais de competição e “know-how” da grama, ao invés de sair correndo para casa, como acontece hoje.
Foi extinto em 1981 entre os homens e 1989 entre as mulheres. O tênis chegara a uma geração que não jogava mais o esporte simplesmente por amor. Atualmente, o primeiro telefonema dos tenistas, após uma derrota é para a companhia aérea. A idéia é cair fora o mais rápido possível.
Entre os brasileiros, foram finalistas do “Plate” os paulistas Armando Vieira, que chegou às quartas de final da chave principal, em 1954, e a paulista Claudia Monteiro, que atualmente vive nos EUA, em 1982. O gaúcho Thomas Koch venceu o “Plate” em 1969 e 1975, provando que tinha um estilo que se adaptava bem à grama.
Vera e Thomaz sacando.
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18 comentários | Comentar
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18 Matteoni 29/06/2009 20:24
Alô, é da casa do Cleto? A Vera está?
Brincadeira E-Clético, mas a Vera era muito bonita mesmo!!!
Abçs
17 Hélio Cota 29/06/2009 20:29
De fato não me lembro de ter ouvido falar no “Plate”.
De onde vem essa veia tenística da família, Cleto?
Será que o juiz marcou foot fault do Thomaz?
16 angelica m. 29/06/2009 20:30
aahh eu adoraria ver esse “Plate”… que pena não ser mais assim…bjs
15 Matteoni 29/06/2009 20:38
O que mais me impressionou na foto da Vera, além das pernas, (sorry E-Cletico, com todo respeito a sra que ela é hoje) foi o fato dela estar sorrindo durante o saque, demonstrando uma incrível leveza e beleza ao executar o golpe.
Comparem com a musas atuais:
http://bamban.files.wordpress.com/2008/01/sharapova_ana.jpg
Fosse hoje que ela jogasse, acho que a Sport Illustrated
iria ter uma capa brasileira!
Abçs
14 Eduardo J 29/06/2009 21:37
Bacana a ideia do torneio de consolação, o “Plate”. A questão é que, com a temporada de grama tão reduzida, um torneio desse perde o sentido. Já não é só a questão amador-profissional, se o Plate tinha prêmio em dinheiro (ainda que o vencedor consolação decerto não ganhasse a diferença da 3ª rodada para as quartas).
13 osvjor 29/06/2009 21:54
o que me chamou a atenção nas fotos também foi o fato de o pessoal não estar apontando pra bola a ser atingida pela raquete, como hoje acho que 99% dos tenistas fazem ao sacar. na foto da Vera, ela, se não me engano, está segurando a segunda bola enquanto saca, logo acho que não daria pra apontar mesmo, porque ela (a segunda bola) poderia até cair…
12 RONALDO JJ MENDONÇA 29/06/2009 22:36
BOA NOITE SENHORAS E SENHORES!!!!!!!!!!!!!!!!!
Srº PAULO CLETO!!!!!!!!!!!
É uma pena o PLATE ter acabado, acho que seria interessante para o torneio se ele ainda estivesse sendo disputado na grama sagrada.
Srº PAULO, estou achando que vossa senhoria,está muito light em relação a WIMBLEDON esse ano.
Será que a falta de NADAL no torneio o deixou assim???
Pra mim o NADAL não está fazendo falta!!!!!!!!!!!!
O que achou do jogo do MURRAY hoje??
Eu estou achando que o FERRERO vai aprontar contra o MURRAY, ele é a ZEBRA do torneio!!!!!!!!!!!
SALVE O THE WHO E O AC/DC?????
11 André Barcellos 29/06/2009 22:58
Seu post me fez pensar numa coisa.
Esse negócio de avião deve ser um tormento na vida dos tenistas.
Como deve ser a rotina de um Federer, que tem um jatinho, quando perde?
Será que ele tem de ligar pra alguém? Ou o piloto se hospeda em algum hotel na cidade do torneio e fica ligado…
O jatinho fica num hangar qualquer, á erspera dele? Só curiosidade de alguém que não sabe o que é ser um magnata.
O jato do Federer não é dele, é de uma empresa que loca para clientes cadastrados – o Federer é garoto-propaganda da empresa. Isso já foi tema de um post aqui no passado.
10 Felix 29/06/2009 23:11
Grande Cleto,acertou em cheio as semi finais,murray x Roddick Haas X Fed
9 Victor 29/06/2009 23:26
Cleto gostaria de saber se o “plate” era realizado somente em wimbledon ou também acontecia em outros torneios?
E realmente os jogos melhoram na segunda semana. Essa que ja começou bem com o jogão entre murray e wawrinka. Jogo que foi realizado com o teto coberto e luzes artificiais, quem diria que um dia isso aconteceria em Wimbledon!!!
8 Matteoni 29/06/2009 23:32
Peraí: o melhor do mundo do tênis de todos os tempos não tem um jato particular?
Já Felipe Massa, que é bom, mas só ganhou o campeonato de Fórmula Uno, tem um, e sensacional.
E anda de Ferrari, na pista e nas ruas de Monte Carlo.
Deve ser por isso que o sado-masoquista Max Mosley está querendo a todo custo diminuir o dinheiro gasto lá por aquelas bandas.
Dinheiro lá corre (sem trocadilhos) solto!
Abçs
7 Rafaela 30/06/2009 0:19
Matteoni, que eu saiba o jato não é dele mas ele usa quando quer. É algo como consignado, acho. Tipo, para que comprar um se ele pode usar sem desembolsar (quer dizer, sei lá se desembolsa com combustível e outras despesas)? hehehe. Ainda mais considerando o fato que, segundo relatos do Paulo Cleto aqui no blog mesmo, tenista é tudo pão duro!
Esse post a que o Cleto se referiu é do início de fevereiro de 2008, logo após as derrotas de Federer e Nadal nas semis do AO. Ele aproveitou o fato de o Nadal ter sido obrigado a viajar até a primeira conexão da escala de classe econômica e escreveu algo como “deve ser duro encarar seus fantasmas (os da derrota pro Tsonga) comendo uma coxa de frango sem vergonha no fundo do busão.” Depois de ler essa, eu fiquei morrendo de dó do Nadal.
Abraços
6 Matteoni 30/06/2009 0:29
O último Plate campeão na grama!
http://static.hsw.com.br/gif/river-plate-foto-2.jpg
Abçs
5 Flávio B. - Sampa City 30/06/2009 0:29
Matteoni
A Vera realmente era muito bonita, lembro da época em que ela jogava.
Mas você deveria ter conhecido a Katia Mittendorf (se eu não errei a grafia, é assim que se escreve!). Céus, minha memória está ficando seletiva: será que eu errei também o primeiro nome?
Bom, a única coisa que eu não esqueço é a moça … e uma foto dela que saiu numa revista. Naquele tempo, não tinha internet!!!!
Era Katia mesmo.
4 Flávio B. - Sampa City 30/06/2009 0:30
Matteoni
Esse rio não passa mais pelos campos dos troféus há muito tempo ….
3 Matteoni 30/06/2009 1:00
Flávio, tal qual o Plate!
Rafaela,
Recuperei o post do E-Cletico:
http://colunistas.ig.com.br/paulocleto/2008/01/29/tenistas-e-aeroportos-2/
Bem legal mesmo.
Incrível também é que ninguém mais daqueles blogueiros está por aqui. Por onde andam!?
Abçs
2 RenatoZ 30/06/2009 11:51
Flávio B,
Somos da mesma época sim, claro que me lembro da Kátia Mittendorf, se é assim que se escreve, ela é um pouco mais velha que eu, mas é mais nova do que a Vera e a Vera era mais bonita.
A Vera era bem bonita mesmo, fora que para quem não sabe, chegou a ser número 1 do Brasil e rivalizava bem com a Patrícia Medrado.
A irmão mais nova, Ruth Cleto também era bem bonita, pena que parou de jogar cedo e não mais a víamos em quadra.
Antigamente, todo mundo segurava as duas bolas na mão, na hora do saque. Os calções e saias não tinham bolso. Jogava-se o ponto segurando a bola na mão esquerda. Quem por aqui jogou assim?
Abraços
1 Luis Felipe 30/06/2009 13:34
Vera, belíssimo quadriceps