Publicidade

segunda-feira, 8 de junho de 2009 Grand Slam, Light | 00:50

O melhor da história! ? !

Compartilhe: Twitter

Federer, tênis exuberante, clássico, vistoso e vitorioso.

Se olharmos a história encontramos inúmeros momentos quando o universo e suas forças conspiraram para que certas áreas da humanidade brilhassem com uma luz diferenciada. A filosofia e o pensamento na Era Helênica, o iluminismo da Renascença, a pintura do fim do século XIX, e por aí vai; o leitor termine a sentença.

Cada um dos esportes que nos entretêm nos dias de hoje, também nos propiciam seus momentos mágicos, em uma bem mais curta história; a de um dos entretenimentos favoritos do homem moderno – o esporte. No caso específico deste blog, o tênis.

Muitas vezes pela quantidade desproporcional de talentos e rivalidades, como foi, para não ir muito longe, a época de Laver, Rosewall, Emerson, Santana, Ashe e Hoad, que precedeu outra também rica como a de Borg, Connors, Vilas, MacEnroe e Lendl, que se estendeu o bastante para se misturar com a de Edberg, Becker, Wilander, Sampras e Agassi. Como se vê, épocas onde quantidade na qualidade não foi um problema.

Sampras, tenis clássico, vistoso e vitorioso.

Determinar o melhor é algo que invade áreas um tanto subjetivas e arriscadas. Como comparar um tênis que era jogado com raquetes de madeira, pouco mais do que tacapes com couro em uma ponta e tripas de gato esticadas a mão na outra, com o praticado com raquetes com grips sintéticos em uma ponta, cordas sintéticas em outra, completados por uma série de materiais dos quais sequer ouvíamos falar 25 anos atrás?

Como comparar a capacidade física de um atleta treinado com as mais recentes descobertas e experiências no campo da fisiologia, ou mesmo da psicologia esportiva, com uma época onde os “cangurus” eram a maneira de se construir a força das pernas, uma cerveja após a partida era a técnica universal de “alongamento” e psicólogo coisa de louco?

Por isso, tenho meus receios em determinar “o melhor da história”, algo que os americanos não tiveram nenhuma cerimônia ao nomear Pete Sampras poucos anos atrás. No entanto, essa minha reserva não é dividida com os outros principais indicados ao título; Sampras e Laver. Ambos mostraram graça e cavalheirismo ao declarar que, com a vitória em Paris, Roger Federer é o “melhor da história”. O que, convenhamos, deve ser endosso mais do que necessário para o suíço dormir profundo e satisfeito nas próximas noites. No entanto, o próprio Federer, que os mencionou ainda em quadra, declarou na entrevista que provavelmente nunca virá o dia no qual se saberá com certeza qual o “Melhor da História”; mas que sente estar lá em cima com os outros.

Talvez a razão de tal desprendimento, quase unânime, tenha muito a ver com o personagem. Federer traz ao esporte o melhor dos cenários. Um tenista que respeita a história do esporte e seus principais personagens, um cavalheirismo impar no trato com imprensa, público e colegas, uma postura acima de qualquer restrição e um classicismo, tanto no estilo de jogar como o de se apresentar – ou alguém espera vê-lo com uma camiseta sem mangas em quadra? Isso faz com que seja adorado e respeitado, mesmo nos vestiários.

Mas, acima de tudo, Roger trouxe às quadras uma aliança raríssima de técnica, finesse, exuberância física, talento natural, disciplina, plasticidade e determinação. Todas essas são qualidades que, por vezes, sozinhas são o bastante para construir um campeão. No entanto, juntas, constroem um ídolo, uma unanimidade.

Não sei como seria a carreira e o sucesso de Federer se ele vivesse na mesma época de um gênio da raquete como Rod Laver, dono de estilo, talento e habilidades tão grandes como as dele, se tivesse que disputar títulos no saibro e na grama com Borg ou mesmo se tivesse que se digladiar nas quadras duras de Nova York, para não falar na grama de Wimbledon, com Sampras, com quem agora divide o mesmo número de títulos nos Grand Slams, assim como agora tem suas dificuldades com Rafael Nadal.

Laver, tênis clássico, vistoso e vencedor.

Roger Federer brilhou mais forte durante alguns anos onde o tênis vivia uma entressafra, o não é tão raro no esporte. No meu ponto de vista, foi só com o surgimento da força do tênis de Nadal que o suíço realmente encontrou uma grande e severa rivalidade, sendo obrigado a procurar em seu íntimo o necessário para fazer jus a pertencer a uma restrita e curtíssima lista dos melhores da história. E, convenhamos, ele tem tido enormes dificuldades em fazê-lo.

Mas vencer em Paris também é um credito que não pode ser negado a Federer. Ele venceu Wimbledon aos 21 anos. Levou seis anos para conseguir o título em uma quadra central onde, confessa, demorou a se sentir à vontade e pegar o jeito. Ou seja, ele soube trabalhar e perseverar para conquistar.

Mas a história também se escreve por linhas tortas e por momentos mais extensos do que um ou dois anos de uma carreira. Aos 27 anos, Federer vem nos entretendo como poucas vezes fomos no tênis, remetendo a épocas de gênios como Pelé, Michael Jordan, Muhamed Ali, Senna e outros que nos assombraram com suas qualidades e estilo. Se a sorte é também um componente na história de cada individuo, como Federer admite, ele também deixa claro seu papel ao afirmar que “não é que tenho sorte, mas é preciso saber usá-la quando ela aparece”.

A última década teve uma importância desproporcional para os brasileiros fãs do tênis, pelos feitos de Gustavo Kuerten que se foram mais modestos do que os de Maria E. Bueno nos encontrou em uma época onde já éramos mais informados, não só do mundo, como também de outros esportes que não o futebol. No entanto há uma tendência em considerar Kuerten o “Melhor tenista brasileiro da história”.

Tudo considerado, vejo com bons olhos o fato de tantos elegerem Federer o “Melhor da História”. Talvez se Laver vivesse nos tempos de torneios televisionados semanalmente e não tivesse sido proibido de jogar durante cinco anos pela hipocrisia do mundo de então a história fosse diferente. Mas esta é a época em que vivemos e Federer, por todas as razões acima, é o mais próximo da perfeição que o mundo teve oportunidade de assistir e acompanhar cada detalhe da carreira. E, convenhamos em que boas e habilidosas mãos estão o título.

Roger, tênis admirado e respeitado até nos vestiários.

Notas relacionadas:

  1. Exuberância
  2. Duas bolas
  3. Engano?
Autor: paulocleto Tags:

210 comentários | Comentar

  1. 10 Marcelo 08/06/2009 1:36

    Cleto, que grande honra ser o primeiro a comentar a grande vitória de Federer! Como vc avisou que colocaria um post logo fiquei esperando para ver se sairia ainda hj e valeu a pena!
    Bom em relação ao título não há o que comentar depois do que vc escreveu, mas uma curiosidade eu com certeza tenho:

    Queria ver a cara de vcs três quando o Federer isolou aquela bola nos 30/30 resultando no break point e tb a reação no momento do título! Pena que isso nunca é mostrado!

    abraços

    Responder
  2. 9 Fernando B. 08/06/2009 1:42

    Ai está uma visão realista, sem ufanismos, mas q nos deixa satisfeitos pela essência do esporte que nortei suas palavras.

    Responder
  3. 8 Guilherme 08/06/2009 1:49

    Concordo plenamente.

    Melhor dos ultimos tempos, melhor das ultimas decadas, provavelmente, mas melhor de todos os tempos, nunca saberemos. O tennis do passado era muito diferente para considerarmos alguem do presente o melhor de todos os tempos.

    Parabens a Roger Federer, que conseguiu seu Grand Slam de carreira, e entrou no grupo dos seletos tenistas a terem conquistado pelo menos um GS em cada superficie (que por acaso inclui Rafael Nadal).

    PS: falando no Nadal, o tio dele afirmou que o tenista tem tendo dores no joelho e talvez não possa jogar Winbledon (ja desistiu do Queens). Que o tio dele é exagerado nos sabemos, agora… se ele chega a desistir, RF volta a ser numero 1 acho.

    Responder
  4. 7 André Barcellos 08/06/2009 2:12

    Belo post. Verdades….
    No entanto, lembro-me de uma trasmissão onde vc falou que não havia dúvida de que o tênis jogado por Federer naquele ano sem dúvida teria sido o melhor da história…(2005 ou 2006).
    Acho que vc deu a declaração levando em conta os fatores físicos, tecnológiocs e outros que citou no posto, como evolução da prórpia era. E lembro também que vc não falou do tenista, mas do tênis. É como se vc tivesse isolado e emoldurado uma fase da carreira do suíço, onde ele tinha muito mais velocidade e elasticidade que hoje. A genilalidade continua lá…e o youtube está cheio de pontos “only Roger can do it”. Mas o corpo nñao é mais o mesmo.
    Será que se poderia usar essa afirmativa: Federer jogou o melhor tênis já visto entre 2004/2006?
    Eu acho que sim, pelo conjunto da obra.

    Responder
  5. 6 André Barcellos 08/06/2009 2:30

    Cleto: Supor que Laver ganharia nas sintéticas ou duras é o mesmo que supor que Federer ganharia RG mais três ou quatro vezes se não houvesse o Nadal.
    Suposições não podem ser contabilizadas, não é?
    Que sabe o Laver não teria um probleminha no joelho ou coisa parecida?
    NO entanto, admito que o que a era atual mostra é mais valorizado por todos. ou por falta de memória ou de informação.
    Olhando os vídeos do Laver, a gente vê o talento do cara…mas só os bons momentos também…
    Mas não dá pra comparar duas eras tão diferentes em termos de velocidade e potência.
    De qualquer forma, acho que a discussão hoje se restringe aos dois nomes citados.
    Enfim, esse é uma assunto que dá pano pra manga e ainda vai encher o saco de muita gente. Uma coisa é certa: Federer turou um grande peso das costas. Talvez até leve outros RG pra casa…
    A outra coisa assombrosa é a declaração de Agassi, Laver e Sampras quanto ao assunto, fora outros menos gabaritados estatisticamente, como Guga, Nadal, Henman, Soderling, etc.

    Responder
  6. 5 Junior 08/06/2009 4:13

    Olá Paulo Cleto, com alegria volto a postar um comentário aqui… Na maioria das vezes me contento apenas em ler os posts, confesso que por uma certa preguiça em escrever na internet e também por quase sempre entender as questões sobre tenis de forma semelhante ao que vejo aqui…
    A alegria vem pelo fato de meu ultimo comentário aqui(onde li um singelo “gostei” do Paulo Cleto como resposta) ter sido uma ‘defesa’ do Tenis como expressão de arte também,para assim me ‘explicar’ aos colegas que não aceitavam que mesmo com as vitórias consecutivas de Nadal muitos diziam que a técnica exibida por Federer (no caso fiz a referida comparação entre arte e tenis, como exemplos onde conseguimos apreciar a plasticidade de um movimento clássico com a eficiência necessária para se concluir uma jogada díficil) fazia dele o melhor na visão destas pessoas…
    Naquele momento, quando Federer perdia, usei a arte como justificativa para ainda assim preferir seu jogo( preferir! Obviamente como gosto de tenis,também sou fã de Nadal e de todo seu talento e qualidade..)hoje aqui uso o ‘tenis’, e não apenas o tenista. Conforme li no comentário do colega André Barcellos, uso a questão: “Será que Federer jogou o melhor Tenis já visto entre 2004/2006?” É bem possível, mas com CERTEZA podemos dizer que apesar da bela e VITORIOSA exibição de ontem,quando para muitos Federer tornou “legitímo” seu posto de melhor de todos, ou ainda, de todos os tempos( ah essas complicadas comparações entre épocas…) ele não jogou nem seu melhor tenis.. quanto mais o melhor de todos já jogados…
    Então para minha alegria podemos tentar concluir nesse momento de vitória e recorde que Federer possa ser citado como o melhor.. mas da mesma forma que vi Nadal como o melhor no momento em que venceu Roger numa final, Federer é o melhor pela arte exibida em seu tenis em seus melhores momentos e não pela vitória de ontem. Essa vitória, agora em todos os pisos ratifica “apenas” a eficiência presente em seu jogo clássico, porque não dizer artístico, e me permitam dizer,como apreciador do tenis também como arte… O melhor tenis já jogado…
    Abraço a todos.

    Responder
  7. 4 Junior 08/06/2009 4:22

    Olá Paulo e amigos, faltou uma palavra “NÃO” no final do comentário( deve ser a agressaca pela comemoração da vitoria de RF):
    ——-”Então para minha alegria podemos tentar concluir nesse momento de vitória e recorde que Federer possa ser citado como o melhor.. mas da mesma forma que — NÃO — vi Nadal como o melhor no momento em que venceu Roger numa final, Federer é o melhor pela arte exibida em seu tenis em seus melhores momentos e não pela vitória de ontem. Essa vitória, agora em todos os pisos ratifica “apenas” a eficiência presente em seu jogo clássico, porque não dizer artístico, e me permitam dizer,como apreciador do tenis também como arte… O melhor tenis já jogado…
    Abraço a todos.”—-

    Responder
  8. 3 André Tschumi 08/06/2009 4:58

    Belissimo post Cleto! Na mesma importancia que essa vitoria e titulo do Federer representam para a sua carreira. Parabéns!!!

    PS: Voce acabou postando duas vezes o mesmo texto.

    Responder
  9. 2 Edu 08/06/2009 6:31

    Valeu a pena esperar…pelo titulo e pelo post afinal enquanto todos os outros blogueiros ja tinham adiantado o post do titulo no sabado sem sentimentos e percepções, vem vc Paulo com tudo e nos leva para a historia com toda emoção. Valeu muito esperar…

    Responder
  10. 1 Rui Viotti Filho 08/06/2009 6:34

    Fica muito difícil, e talve até inoportuno, imaginar um cenário no qual Sampras, Borg, Laver e Federer fossem contemporâneos. Certamente perderiam os quatro, em termos de grandeza histórica. Se na época de ouro do Santos cada time tivesse seu próprio pelé, nenhum deles teria sido O PELÉ.

    Responder
  1. Primeira
  2. 7
  3. 8
  4. 9
  5. 10
  6. 11
  7. Última
  8. ver todos os comentários
 

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

* Campos obrigatórios


 

Responder comentário


* Campos obrigatórios