O melhor da história! ? !
Federer, tênis exuberante, clássico, vistoso e vitorioso.
Se olharmos a história encontramos inúmeros momentos quando o universo e suas forças conspiraram para que certas áreas da humanidade brilhassem com uma luz diferenciada. A filosofia e o pensamento na Era Helênica, o iluminismo da Renascença, a pintura do fim do século XIX, e por aí vai; o leitor termine a sentença.
Cada um dos esportes que nos entretêm nos dias de hoje, também nos propiciam seus momentos mágicos, em uma bem mais curta história; a de um dos entretenimentos favoritos do homem moderno – o esporte. No caso específico deste blog, o tênis.
Muitas vezes pela quantidade desproporcional de talentos e rivalidades, como foi, para não ir muito longe, a época de Laver, Rosewall, Emerson, Santana, Ashe e Hoad, que precedeu outra também rica como a de Borg, Connors, Vilas, MacEnroe e Lendl, que se estendeu o bastante para se misturar com a de Edberg, Becker, Wilander, Sampras e Agassi. Como se vê, épocas onde quantidade na qualidade não foi um problema.
Sampras, tenis clássico, vistoso e vitorioso.
Determinar o melhor é algo que invade áreas um tanto subjetivas e arriscadas. Como comparar um tênis que era jogado com raquetes de madeira, pouco mais do que tacapes com couro em uma ponta e tripas de gato esticadas a mão na outra, com o praticado com raquetes com grips sintéticos em uma ponta, cordas sintéticas em outra, completados por uma série de materiais dos quais sequer ouvíamos falar 25 anos atrás?
Como comparar a capacidade física de um atleta treinado com as mais recentes descobertas e experiências no campo da fisiologia, ou mesmo da psicologia esportiva, com uma época onde os “cangurus” eram a maneira de se construir a força das pernas, uma cerveja após a partida era a técnica universal de “alongamento” e psicólogo coisa de louco?
Por isso, tenho meus receios em determinar “o melhor da história”, algo que os americanos não tiveram nenhuma cerimônia ao nomear Pete Sampras poucos anos atrás. No entanto, essa minha reserva não é dividida com os outros principais indicados ao título; Sampras e Laver. Ambos mostraram graça e cavalheirismo ao declarar que, com a vitória em Paris, Roger Federer é o “melhor da história”. O que, convenhamos, deve ser endosso mais do que necessário para o suíço dormir profundo e satisfeito nas próximas noites. No entanto, o próprio Federer, que os mencionou ainda em quadra, declarou na entrevista que provavelmente nunca virá o dia no qual se saberá com certeza qual o “Melhor da História”; mas que sente estar lá em cima com os outros.
Talvez a razão de tal desprendimento, quase unânime, tenha muito a ver com o personagem. Federer traz ao esporte o melhor dos cenários. Um tenista que respeita a história do esporte e seus principais personagens, um cavalheirismo impar no trato com imprensa, público e colegas, uma postura acima de qualquer restrição e um classicismo, tanto no estilo de jogar como o de se apresentar – ou alguém espera vê-lo com uma camiseta sem mangas em quadra? Isso faz com que seja adorado e respeitado, mesmo nos vestiários.
Mas, acima de tudo, Roger trouxe às quadras uma aliança raríssima de técnica, finesse, exuberância física, talento natural, disciplina, plasticidade e determinação. Todas essas são qualidades que, por vezes, sozinhas são o bastante para construir um campeão. No entanto, juntas, constroem um ídolo, uma unanimidade.
Não sei como seria a carreira e o sucesso de Federer se ele vivesse na mesma época de um gênio da raquete como Rod Laver, dono de estilo, talento e habilidades tão grandes como as dele, se tivesse que disputar títulos no saibro e na grama com Borg ou mesmo se tivesse que se digladiar nas quadras duras de Nova York, para não falar na grama de Wimbledon, com Sampras, com quem agora divide o mesmo número de títulos nos Grand Slams, assim como agora tem suas dificuldades com Rafael Nadal.
Laver, tênis clássico, vistoso e vencedor.
Roger Federer brilhou mais forte durante alguns anos onde o tênis vivia uma entressafra, o não é tão raro no esporte. No meu ponto de vista, foi só com o surgimento da força do tênis de Nadal que o suíço realmente encontrou uma grande e severa rivalidade, sendo obrigado a procurar em seu íntimo o necessário para fazer jus a pertencer a uma restrita e curtíssima lista dos melhores da história. E, convenhamos, ele tem tido enormes dificuldades em fazê-lo.
Mas vencer em Paris também é um credito que não pode ser negado a Federer. Ele venceu Wimbledon aos 21 anos. Levou seis anos para conseguir o título em uma quadra central onde, confessa, demorou a se sentir à vontade e pegar o jeito. Ou seja, ele soube trabalhar e perseverar para conquistar.
Mas a história também se escreve por linhas tortas e por momentos mais extensos do que um ou dois anos de uma carreira. Aos 27 anos, Federer vem nos entretendo como poucas vezes fomos no tênis, remetendo a épocas de gênios como Pelé, Michael Jordan, Muhamed Ali, Senna e outros que nos assombraram com suas qualidades e estilo. Se a sorte é também um componente na história de cada individuo, como Federer admite, ele também deixa claro seu papel ao afirmar que “não é que tenho sorte, mas é preciso saber usá-la quando ela aparece”.
A última década teve uma importância desproporcional para os brasileiros fãs do tênis, pelos feitos de Gustavo Kuerten que se foram mais modestos do que os de Maria E. Bueno nos encontrou em uma época onde já éramos mais informados, não só do mundo, como também de outros esportes que não o futebol. No entanto há uma tendência em considerar Kuerten o “Melhor tenista brasileiro da história”.
Tudo considerado, vejo com bons olhos o fato de tantos elegerem Federer o “Melhor da História”. Talvez se Laver vivesse nos tempos de torneios televisionados semanalmente e não tivesse sido proibido de jogar durante cinco anos pela hipocrisia do mundo de então a história fosse diferente. Mas esta é a época em que vivemos e Federer, por todas as razões acima, é o mais próximo da perfeição que o mundo teve oportunidade de assistir e acompanhar cada detalhe da carreira. E, convenhamos em que boas e habilidosas mãos estão o título.
Roger, tênis admirado e respeitado até nos vestiários.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Grand Slam, Light Tags: Roger Federer


Cleto,
Assim como você, não gosto muito dessa coisa de “o melhor… da história”. Federer é indubitavelmente o melhor tenista da atualidade estando ao lado de todos que citou, como um dos grandes nomes do esporte! Completo, clássico – qualidades que recuperam o charme e a elegância de um esporte onde a força tem prevalecido.
O tempo nos apresentará novos nomes que virão a substituir os atuais, mas, Roger Federer estará sempre na memória dos amantes do tênis.
Abraços
Comparações através dos tempos podem ser difíceis e tendem a serem injustas. Épocas passam, os torneios aumentam e as dificuldades se somam. Cada um viveu sua trajetória e marcou seu tempo. Federer é assim…mais jovem, venceu torneios, tem seu estilo, e, torna-se o maior ganhador até hoje. Acrescente a isso uma pitada de simpatia, elegância, e a nobreza de um jogador que cativa o público em todas as quadras que se apresenta. Essa é a sua época. Seus antecessores viveram as mesmas glórias e mantêm seus nomes na memória de todos que acompanham esse belo esporte. As palmas são nesse momento para um verdadeiro gentleman; uma figura que certamente só faz enriquecer e ilustrar a perseverança de um vencedor.
Cleto,
Acompanho o tênis, desde os áureos tempos de Björn Borg. Entendo que a habilidade é inata, podendo ser aprimorada, lapidada. O raciocínio, da mesma forma, pode ser facilitado. Qual o fator comum que vem a auxiliar os dois itens? O preparo físico! A ascensão de Nadal nos mostra isso. O preparo físico vem fazendo a diferença no esporte, quase nos fazendo acreditar que a força prevaleceria! Eis que surge Roger Federer. Federer faz as coisas parecerem muito fáceis! Não esbanja porte físico, mas parece flutuar nas quadras. Sua extrema habilidade e inteligência, fazem a diferença! Seus movimentos e batidas, naturalmente clássicas e o equilíbrio emocional nos momentos decisivos, resultando em tantos títulos nos fazem crer que é o maior nome do tênis, de todos os tempos!
Abraços,
EBISON DIETTRICH
Vi uma pesquisa que considerou Federer o melhor tenista contemporâneo e fiquei pasma. Federer não se compara a Lendl ou Borg. Tem um excelente tênis mas sua limitação é mais notável. Este ano está irregular e inseguro. Os tenistas masculinos estão equitativos, por isso, ele se sobressai. O melhor é Nadal, infinitamente melhor que Federer.
Senhores,
Não sejam saudosistas, veja o quê aconteceu com o americano que ficou em 2° lugar nos 100 metros raso no mundial de atletismo ele foi MUITO MAIS VELOZ do que o fabuloso e lendário Carl Lewis mas no final das contas foi infinitamente inferior a Bolt.
É isso, o mundo sempre caminha para frente.
Curriculo de Carl Lewis
Ouro Los Angeles 1984 100 metros
Ouro Los Angeles 1984 200 metros
Ouro Los Angeles 1984 4×100 metros
Ouro Los Angeles 1984 Salto em comprimento
Ouro Seul 1988 100 metros
Ouro Seul 1988 Salto em comprimento
Ouro Barcelona 1992 4×100 metros
Ouro Barcelona 1992 Salto em comprimento
Ouro Atlanta 1996 Salto em comprimento
Prata Seul 1988 200 metros
Campeonatos Mundiais
Ouro Helsínquia 1983 100 metros
Ouro Helsínquia 1983 4×100 metros
Ouro Helsínquia 1983 Salto em comprimento
Ouro Roma 1987 100 metros
Ouro Roma 1987 4×100 metros
Ouro Roma 1987 Salto em comprimento
Ouro Tóquio 1991 100 metros
Ouro Tóquio 1991 4×100 metros
Prata Tóquio 1991 Salto em comprimento
Bronze Sttutgart 1993 200 metros
Discordo.Continuo achando o Sampras melhor.Talvez aqui alguns anos o Federer realmente se torne o maior quando quebrar esse retrospecto de derrotas com o Nadal.O que acho possível.
Para mim são duas coisas distintas, uma é ser o Melhor da história, outra é ser um ídolo.Se as duas coisas acontecem juntas, ótimo! Para mim o Melhor da história é o Sampras e o meu maior ídolo é o Guga Fenômeno.O Federer pode até virar o melhor da história, mas nunca será um ídolo pra mim.
Outra, achei preconceituoso o comentário nítidamente direcionado ao Nadal em relação as vestimentas dele.Assim como vc disse da evolução do tênis, da preparação física, da teconologia das raquetes, acredito que deve haver tb uma evolução na tolerância e no respeito à liberdade de cada indivíduo em se vestir como quiser.
Assim como não lhe agrada o fato de um jogador vestir camisetas “diferentes” como o Nadal.Não me agrada tb o jeito “bambi” do Federer de jogar o topetinho para trás; de usar aquelas roupas coladinhas com as inicias do nome dele estampadas no peito em dourado ,expressando uma vaidade sem igual.Assim como aquele ataque de choro ridículo que ele deu quando perdeu do Nadal.Para mim tudo isto somado e outras milongas mais são minhas opiniões subjetivas sobre a falta de carisma que o Federer exerce sobre mim.
Penso o esporte individual como uma somatória de fatores para alcançar o topo e se manter lá em cima.No tênis a garra extrema de Connors era admiravél,o estilo agressivo de McEnroe idem,sem falar na frieza e talento de Borg. Sampras foi o melhor da sua época,como Laver da sua.Neste momento o tenista mais completo è Federer,mais seu estilo não consegue ganhar do Nadal que é mais forte e determinado.Vejo em todos esses tenistas citados,e posso acrescentar pelo menos mais dez,grandes atletas cada qual com seu estilo.Se nos usarmos somente o critéirio de mais titulos o Federer é o melhor,o Sampras é o segundo e assim por diante. Mas todos nos que gostamos de tênis temos os nossos preferidos e os meus são: do passado o Borg e o Connors ,mais ressentimente o Sampras, o Becker e o Agassi e atualmente por ordem o Nadal,o Djokovit e Federer.
Na minha opini, Federer é superior a Sampras e Cia
Considero o Nadal o melhor da atualidade. Tem um jogo lindo que alia a técnica com a força. É realmente um espetáculo. a parte vê-lo jogar.
Caríssimo Cleto. A história não conta tudo o que sabe. Cheia de máscaras, sombras e imprudências, a história não sabe ser matemática, sabe apenas ser esmeralda de garimpeiros que subjetivamente julgam valores de um tempo que sempre vira vilão do tempo seguinte. Mas Federer são muitos e os números dele são indiscutívelmente os melhores da história. Matematicamente.