As quartas-de-final masculinas
Estar entre os oito últimos tenistas de um GS, onde jogam 128, é um feito na carreira de qualquer um, independente do que alguns fãs – que só se distinguem por levantar do sofá para pegar uma cerveja e descer a lenha naqueles que estão na telinha – podem achar.
Nesta quarta-feira se joga as quartas masculinas e temos todo o direito em esperar bons confrontos. Os tenistas já estão ambientados na grama, estão confiantes pelas vitórias conquistadas e ainda não é uma semifinal ou final, sempre momentos mais tensos.
Lleyton Hewitt e Andy Roddick voltam a jogar bem no seu melhor piso, até porque sabem que a grama é a hora para mostrarem serviço. Hewitt é um ótimo contra-atacador e devolvedor, enquanto seu adversário é um excelente sacador. Como a idade deve valer para algo mais do que dores constantes, ambos vem acrescentando outros valores a seus estilos. Hewitt vem melhorando seus voleios, e Roddick sua movimentação e aquela esquerdinha marruda. O ultimo confronto entre eles aconteceu em Queen’s, com a vitória do americano em dois tie-breakers. Se for para arriscar, fico com o americano, pelo momento.
Murray volta à quadra para enfrentar o convidado de luxo de sua federação, o espanhol Ferrero, que abandona as quadras no fim desta temporada e por isso o convite. Apesar da determinação ibérica e de sua direitaça, duvido que Ferrero vá cometer a desfaçatez de cuspir no prato que o alimentou. Murray está cada vez mais à vontade com seu estilo na grama, mas continua sendo uma mala sem alça para os seus fãs, que estão prontos para engolir qualquer abacaxi para acabar com os 73 anos de jejum. Após a vibrante vitória sobre Wawrinka, o cara que o entrevistou em quadra, para o publico presente e a TV, tentou duas vezes levantar a bola para ele agradecer a participação do público em sua vitória. Nas duas o escocês se fez de rogado. Mas é o favorito.
Tommy Hass e Djokovic é a partida. Os dois fizeram a final de Halle, com vitória do primeiro, logo antes de Wimbledon, e vem dali a recém adquirida, apesar de suspeitamente tênue, confiança do alemão. Haas é mais tenista, pelo menos na grama, mas Djoko é mais forte mentalmente. Resta saber qual das duas qualidades vai falar mais alto. Vai ser interessante também acompanhar as mudanças táticas que ambos trarãoapós tão recente confronto. Não acredito em favorito aqui.
A última partida é entre Federer e Karlovic. Pelo menos aqui, todos estão cientes da força e da qualidade de Federer. Além disso, faz algum tempo que não vejo o suíço tão bem em quadra. Está confiante, e por isso indo para suas bolas, inclusive aquelas mais bonitas, que sempre atingem a confiança do oponente. Além disso, não vem dando aquelas viajadas que o marcaram no ultimo ano.
Seu adversário, pode-se até chamar de freguês, já que está 8×1, é o sacador e novo homem Ivo Karlovic. Tive a oportunidade de acompanhar a vitória do croata sobre o então campeão, Hewitt, na 1ª rodada de 2003. Logo após a partida, assisti o croata na sala de entrevista; o rapaz , de tão tímido, não conseguia sequer falar. Ele gaguejava, colocava a mão em cima da boca e ninguém ouvia ou entendia o que ele falava. Foi uma das cenas mais constrangedoras que presenciei. Atualmente, quando vence, fica ali, no meio da quadra, soltinho, sorridente e fazendo uma manivela com seu braço em direção a seu camarote. Não sei o quanto sua nova personalidade vai mudar o retrospecto com Federer, mas como tem uma capacidade única de levar as partidas para o tie-breaker, é bom o suíço ficar esperto.
Ivo e sua manivela e Andy e sua bola.
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Autor: paulocleto Tags: Djokovic, Federer, roddick













