Mais uma vez um leitor do blog comparece em um dos torneios internacionais e nos brinda com texto e fotos de sua aventura. E mais uma vez, em meu nome e dos leitores, agradeço a atenção, o esforço e o tempo. Parabens. Abaixo o Aberto de Roma de José e Tâmara Estelita:
Do Foro Romano ao Foro Itálico
Caro Paulo Cleto,
Como bem sabes, este final de semana estou em Roma com minha esposa Tâmara. Chegamos no sábado à tarde, e fomos logo descobrir a beleza e a história milenar do Coliseu, Palatino e Foro Romano. Ao anoitecer, fomos a Fontana de Trevi, onde joguei uma moeda e meu desejo foi conseguir ingressos no outro dia para a grande final do Master 1000 de Roma, pois já estavam esgotados pela internet há algum tempo.
No domingo pela manhã, abro o jornal e encontro a seguinte manchete: “Roger Federer non è pui il maestro del tennis mondiale”. Mais emblemática impossível, e a final seria entre Rafael Nadal e Novak Djokovic.
Após algumas visitas a outros monumentos históricos, pontualmente ao meio dia, estávamos na Praça de São Pedro, magnífica obra de Bernini, junto aos milhares de fiéis, esperando a benção do Papa. Bom, advinha qual foi um dos meus pedidos!?
De lá, foi só pegar um ônibus e chegar rapidinho ao Foro Itálico, onde se realizaria a grande final. Logo na bilheteria um cartaz quase tirou minhas esperanças: “Finale Masc. Sold Out”. Mas antes que eu pudesse pensar alguma coisa, uma senhora me ofereceu para comprar ao preço de custo, seus dois ingressos da Tribune Distinti Tevere, para a grande final. Milagres acontecem, ainda mais em Roma!
“Il primo piatto” a final masculina de duplas entre os Bryan brothers x Nestor/Zimonic e “il secondo piatto” a de simples entre Nadal x Djokovic. O interessante é que teve sérvio nas duas partidas. Dois jogos, duas histórias.
A quadra central é magnífica, com arquibancadas de mármore, que recebem o complemento das de alumínio especialmente para o torneio. Como os jogos de duplas não são televisionados, não estamos acostumados a vê-los no dia a dia, no nível top, e o jogo se tornou bastante interessante. Os pontos são extremamente rápidos, praticamente não há troca de bolas, e não existe vantagem na igualdade, o que torna o jogo bem mais rápido ainda. Acho que os caras nem suam. Bom, deu Nestor/Zimonic em 2 sets a 0. Bom sinal para a Sérvia?
Já na final de simples, a quadra estava completamente lotada. Rafa Nadal entrou ovacionado, mas Djokovic também teve muita torcida. Nadal começou com tudo, como sempre, conseguindo logo uma quebra, e sacou para fechar o set no 5×4 e no 6×5, mas incrivelmente falhou nas duas, e o 1o set foi para o tie-break, com vitória de Nadal por 7 x 6 (2). É incrível como apesar do set ter sido equilibrado, Nadal parecia sempre com o controle do jogo, e Dojokovic sempre correndo atrás.
Era nítido que quando os pontos se alongavam Nadal levava sempre vantagem, restando a Djokovic ser 100% agressivo, para tentar encurtar os pontos e neutralizar a superioridade do espanhol. O problema é que a bola dele é muito reta, sem ângulos, sempre no meio da quadra, bastando que Nadal dê um ou dois passos para o lado para bater na bola, sempre tentando angular, procurando as linhas, deslocando Djokovic, tal qual um pêndulo, para um lado e para o outro. E isso cansa o adversário.
E não deu outra, no 2 o set, com duas quebras, o número l do mundo vence pela 4a vez o Master 1000 de Roma, ultrapassa o número de Master 1000 de Federer e segue em busca de novos recordes. E nós saímos com um troféu de Roma!
Eu não sei como terminou a transmissão do jogo na TV, então para registrar, após a premiação a cerimonialista perguntou a Nadal duas coisas:
- Se você jogar uma moeda na Fontana de Trevi, qual seu pedido?
- Nadal: isto é segredo! (Eu pediria o GS em 2009!)
- Qual seu artista italiano preferido?
- Nadal: Bernini. (Uma escolha perfeita!)
E para Djokovic ela pediu que ele imitasse Rafa Nadal. Com a permissão do Rei de Roma, foi prontamente atendida.
Abraços Cleto e amigos do blog.
Até a próxima! Da Cidade Eterna,
José Estelita.
Abaixo, José e Tâmara com o troféu, no Coliseum e no Fora Itálico.


