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Arquivo de abril, 2009

sábado, 4 de abril de 2009 Tênis Masculino | 17:47

A idade da razão?

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Um ponto de vista interessante sobre o momento de Roger Federer é colocado por leitores como Rodrigo P, no post “Raro e triste” e Rafael Coelho e outros.

A mencionada curva descendente deveria acontecer só mais à frente, já que os tenistas atingem seu auge emocional/mental em torno dos 27 anos, idade atual do rapaz. Dos 26 aos 28 parece existir, com pequenas variações individuais, uma conjunção de qualidades técnicas, físicas e emocionais nos esportistas em geral, no tênis em especial. É quando o tenista melhor usa o que já aprendeu do jogo e o utiliza aliado com uma exuberância física que muito em breve já não existirá.

Infelizmente transparece que Federer não soube lidar com certas variáveis – Nadal, derrotas inesperadas, expectativas, pressão e as sombras de seu próprio emocional- e, ao invés de dar aquele pulo qualitativo à frente, consequência da “idade da razão”, que era o esperado por todos, deixou-se escorregar.

Enquanto seu instinto em quadra falou mais alto viveu seu ápice, na hora de acrescentar aquele algo a mais proveniente da idade e da experiência, deixou-se escorregar. Ao invés de admitir falhas, normal na carreira de qualquer um, do mais banal a um Laver ou Sampras, repensando o jogo, a carreira, o momento, as circuntâncias e as contigências, buscando  ajuda onde necessária, trancou-se na auto suficiência tendo como parceira a soberba e como adversário a aceitação de qualquer necessidade.

Na sua última entrevista em Miami, quando perguntado se buscaria essa ajuda, respondeu, com certa rispidez, que “tive, tipo, cinco técnicos nos últimos dois anos”. Talvez não seja tão estranho que ninguém na sala teve a coragem de pedir a ele para listá-los ou esclarecer a declaração.

Enquanto isso, o tenista mais dominante da última década sobre pisos duros, termina sua entrevista dizendo que “graças a Deus terminou a temporada de duras e começa a de saibro”, onde afirma que jogará somente três torneios, incluindo Roland Garros, nos próximos 65 dias. Pouco para quem alega querer um novo piso, um novo caminho. Tempo que se não usado para voltar a vencer em quadra como antes, talvez o melhor investimento para o suíço seria um olhar sincero e crítico de seus recente caminhos e das mudanças de atitudes a serem encaradas para atingir seus propagados, esperados e hoje já um tanto distantes objetivos.  

Uma Soberba que vale ser revista; a de Orson Wells

 

Notas relacionadas:

  1. Escada abaixo
  2. Fala e faz
  3. Raro e triste
Autor: paulocleto Tags:

sexta-feira, 3 de abril de 2009 Tênis Masculino | 22:04

Raro e triste

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Quando Roger Federer começou abusar do direito de perder partidas imperdíveis, pelo menos para ele, na temporada passada, mencionei que o maior perigo residia no fato que o suíço estava brincando com sua confiança, algo que tenista nenhum deve fazer.

Roger Federer começou 2008 acreditando que era o Supremo Rei da Cocada Preta, o que era mesmo, até então. Provávelmente acreditava que 2008 seria o ano que igualaria, e quiçá ultrapassaria, o recorde de Pete Sampras, além de faturar o ouro nas Olimpíadas – nas simples.

Mas o tênis, assim como o dinheiro, não leva desaforo de ninguém. Desde janeiro de 2008 Federer não é o mesmo. Começou ali, com aquela conversa de mononucleose, que nunca ficou muito clara e me pareceu muito mais uma desculpa do que uma razão. A mono foi embora e o velho Federer não voltou.

Desde então, todos os fãs do tênis, que acredito são fãs desse fenomenal esportista, acompanham sua saga. As finais de Wimbledon e Austrália foram os momentos e derrotas mais marcantes desse tenista que, durante anos, tenistas, jornalistas e público declararam ser o melhor da história.

Já faz meses que mais ninguém levanta esse assunto. Agora, quando se fala de Federer, o assunto é Nadal e se ele voltará a “ser o mesmo”. Por mais que ele finja não estar nem aí, dizendo que o assunto é ele e não seus adversários, o que não deixa de ser verdade, o fato é que o suíço não deve mais estar aguentando a situação.

Sua recusa em buscar ajuda e principalmente se recusar a realizar ajustes em seu jogo, o levaram a um inferno astral que fica cada dia mais difícil lidar. Durante anos sua direita foi considerada, muito justamente, o golpe mais decisivo do tênis. Hoje, na partida com Djokovic, seus erros de direita simplesmente deixaram os que acompanhavam a partida embasbacados e o tenista frustrado.

A frustração chegou ao ápice no início do terceiro set, quando ele faz o approach para definir de direita do meio da quadra de maneira desleixada – percebam (no vídeo que o leitor Marcos Henrique disponibiliza o link em comentário no post anterior) como seus pés não estão na posição correta; pé esquerdo na diagonal ou, na pior das hipóteses, pés paralelos. Tanto é que Djoko “lê” o golpe se adianta para bater. É a velha maneira casual de Federer jogar, o que funciona quando está confiante. Hoje, sem a mesma confiança, deveria estar sendo bem mais cú-de-ferro na execução de seus golpes.

Após mais um erro crasso com seu melhor golpe, Federer simplesmente explode, como já confessou fazia quando era jovem. Na verdade, se vocês procurarem no you tube, encontrão ele “arregaçando” a raquete contra Kafelnikov em Wimbledon no início da carreira.

Logo após quebrar a raquete Federer se sentiu ainda pior, o que ficou claro pelos sete ou oito erros seguidos em bolas fáceis. Confesso que senti uma ponta de tristeza em vê-lo sofrer dessa maneira. Por mais porcaria que ele esteja fazendo, considerando a grandeza de seu jogo e do que já fez no circuito, continuo achando que esse suíço é uma das melhores coisas que já surgiu no nosso esporte. Só espero que uma luz o ilumine, volte encontrar seu caminho e volte a jogar tudo que um dia jogou.

A minha única duvida é aquilo que sempre disse aos meus tenistas. Cuidem da sua confiança. Não brinquem com ela, pois por mais forte que ela os deixe, é extremamente frágil. E, depois que o vaso quebra, nunca mais é o mesmo.

Imagem rara e triste. Se você quer ver o video: http://www.youtube.com/watch?v=ENdw9ezginM

http://www.youtube.com/watch?v=ENdw9ezginM

Notas relacionadas:

  1. Escada abaixo
  2. A elite
  3. Fala e faz
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Sem uma categoria | 12:43

O que será?

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Sei que não é bem o perfil do blog, mas não posso deixar de ter momentos Candinha quando for do interesse do leitor.

Os rumores que chegam de Miami aventam a possibilidade de que o melhor tenista do mundo estaria vivendo um momento delicado em sua vida e, consequentemente, em sua carreira.

Não é claro o que seria. O certo é que não é com sua saúde e nem coloca sua carreira em perigo. Como deu para ver pela TV, boa parte de sua família estava em Miami, até o zagueirão Nadal estava lá. Não lembro ter visto a namorada.

Como quase tudo acaba aparecendo, cedo ou tarde, devemos saber mais nos próximos dias. Ou não. Como às vezes as coisas vazam, mesmo com a determinação para que assim não seja, leiam, com atenção, o fechamento da entrevista de Rafael após a derrota – onde qualificou sua participação como um “grande desastre” – respondendo se estava intrigado com a derrota ou se sabia exatamente por que não havia jogado o seu melhor tênis.

“Existe sempre uma razão para não se jogar no seu nível durante um torneio…. Não sei. Há sempre uma razão – mas é pessoal”. O rapaz parecia a ponto de jogar algo no ventilador, mas segurou-se.

Alguma coisa parece estar mexendo com a cabeça do espanhol.

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quinta-feira, 2 de abril de 2009 Tênis Masculino | 23:39

Papo

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Eu ia começar escrevendo que um dia ainda entenderei a cabeça de torcedor. A verdade é que entendo, como entendo quase tudo o que acontece na vida e nem por isso concordo. Querer menosprezar a vitória de Del Potro, assim como a derrota de Nadal é ignorar o esporte e o jogo. Pouco importa as variáveis de qualquer partida e sim o que acontece lá dentro. Ou adianta alguém criar desculpas para o time Argentino que leva um 6×1 do time da Bolívia?!

Se quiserem dizer que Nadal jogou mal que digam. Ele mesmo, que geralmente não é de dar desculpa – nem precisa, pelo numero de vitórias que teve nos últimos meses – disse que jogou muito mal. Bem, azar dele e sorte do outro. Se olharmos a carreira do espanhol, encontraremos muitas partidas que ele venceu na bacia das almas e nos erros dos adversários nos momentos importantes.

Hoje foi diferente. Ele errou mais do que o seu normal, deixou escapar uma vantagem – 3×0 no terceiro set – que não é sua característica e o adversário nem se encolheu nem lhe entregou a partida de bandeja. Nem por isso deixou de lutar e mostra que queria a vitória como sempre quis.

Del Potro entrou preparado táticamente e com vontade de vencer. Soube colocar em prática e soube administrar seu emocional, o que não é simples nem fácil. Buscar desculpas para Rafael Nadal é desmerecer o número 1 do mundo, o sétimo do ranking, o jogo do tênis e negar a verdadeira essência da competição e do esporte. Podemos comentar, observar, buscar explicações, argumentos que acrescentem e enriqueçam a discussão de um confronto magistral entre dois grandes atletas. Desculpas? Não compro.

A partida foi espetacularmente, repleta de nuances emocional e tática, assim como de mudanças de ritmo e vantagens. Até o ultimo ponto não se podia apostar em um vencedor. Um momento a partida pendia para um lado e duas bolas depois para o outro. Os dois apresentavam golpes e bolas maravilhosas e ninguém abandonava a luta. Emoções à flor da pela. Se isso não é bom tênis eu não sei mais o que é.

As variáveis existem no circuito do tênis, até para torná-lo mais interessante. Se hoje o espanhol não esteve no seu melhor dia e o argentino estava ali para aproveitar, e saber fazê-lo, méritos dele. É o mesmo que ficar oferecendo desculpas para Roger Federer quando é derrotado por este ou aquele, ou para qualquer outro tenista que se considerava favorito antes de entrar em quadra. Quem morre na véspera é peru, e se não fosse assim qual seria a graça de tudo. Então só vale vencer quem agente gosta e quer e quando isso não acontece abrimos a caixinha de desculpas. Ahh, isso é papo de perdedor, ou, se preferirem, de torcedor.

Vitória e derrota, sempre próximas e distantes.

Notas relacionadas:

  1. Os match points
  2. Jedi
  3. Simpatia?
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Sem uma categoria | 20:23

Grande jogo, grande vitória

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E agora, como ficam os nossos entendidos do tênis que juravam que o Juan del Potro além de ser um filhinho do Nadal, não merece estar entre os top ten? Façam seus comentários que eu completo mais tarde.

Del Potro, olho vivo na vitória sobre Nadal.

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  1. Dores nas costas
  2. Uma final mais pobre.
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quarta-feira, 1 de abril de 2009 Tênis Brasileiro | 12:02

A volta da Era Guga?

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Já que ele esteve por aqui e ganhou o torneio, arrisco mais um post sobre John McEnroe. Ele voltou para casa e imediatamente foi fazer um comercial sobre a prevenção de câncer na próstata para homens com mais de 50 anos – ele que agora é um cinquentenário.

Aproveitou para falar que ficou feliz com o desafio de Gustavo Kuerten e voltaria ao Brasil para enfrentar o catarinense – com condições. Gosta de Gustavo, respeita o que ele fez no tênis e tudo o que o rapaz passou. Acredita que uma partida entre ambos seria competitiva, desde que jogada em uma quadra dura indoors (diferente de um tapete). Avisa que no saibro ele não entra para enfrentar o campeão de Roland Garros.

Pois é, o brasileiro lançou o desafio e o gringo impôs as condições. Resta saber se sai. Conhecendo a índole do brasileiro – que aprecia muito mais um confronto com tons bairristas do que um espetáculo em si – vai dar muito mais público que um torneio repleto de ex-campeões. Cada um tem o que merece e busca.

Com Kuerten treinando, nos intervalos das aulas de teatro, para enfrentar Sergi Bruguera, já posso prever a volta da era Guga – desta vez com o catarinense chamando pro pau diferente veteranos para enfrentá-lo em seu território.

McEnroe x Kuerten – o confronto.

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