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segunda-feira, 6 de abril de 2009 Sem uma categoria | 17:56

Denso

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Os que acompanham meu blog e meus comentários na ESPN já me ouviram ou leram sobre Andy Murray. O bagaceiro escocês carrega, há tempos, uma expectativa de resultados tanto da minha modesta parte, como de toda a torcida da Grã Bretanha. No entanto, ele confessa que foi exatamente a sua pouca expectativa de um bom resultado em Miami que possibilitou a conquista do título.

Sou fã do tênis do rapaz porque, à parte de sua habilidade impar, ele traz à quadra uma qualidade não tão abundante no circuito. O raciocínio. Murray é um dos poucos que, se observamos atentamente, joga pensando. Sei que isso parece um pouco absurdo de escrever, já que “burro” não ganha jogo.

De fato, burro não ganha jogo, mas o cara que pensa muito também não coloca uma bola na quadra. O jogador/pensante deve encontrar uma faixa estreita entre a burrice impar, que assola boa parte do planeta, e consequentemente a população que carrega uma raquete nas mãos, e o raciocínio direcionado para alavancar uma vantagem em quadra. No entanto, não chega a ser uma surpresa que a maioria que se deu bem, erre para menos antes de errar para mais.

Além da habilidade natural – ele bate fácil todos os golpes – Murray deixa evidente que gosta de pensar em como incomodar o adversário. Boa parte dos tenistas segue seus instintos, por isso treinam tanto, e procuram não pensar muito para não pirar. Vamos comparar, neste país do futebol, com o Garrincha, que, quando orientado para uma tática de jogo da seleção, perguntou ao técnico se ele havia combinado também com os adversários. E, convenhamos, o Mané das pernas tortas foi um dos melhores do mundo, o que torna a defesa do raciocínio no esporte mais difícil, em especial para quem só usa a cabeça para coçar ou pentear.

Murray, em um momento está três passos atrás da linha do fundo jogando bolas longas ou altas, tirando o peso da bola e o ritmo adversário e, de repente, quando o oponente acredita que encontrou a distância, vem jogar em cima da linha, onde apura, acua, irrita. É a tática do “jab” em quadra. Como tem muita “mão”, se contra atacado, sabe ajustar os golpes como poucos ou passar a correr para se defender, algo que acho que ainda faz mais do que precisa.

Se bobearem, entra na quadra, passa ao ataque, especialmente com aquela esquerda venenosa, onde, se assim quiser, encurta a abertura e passa aos ângulos agudos. Além disso, slices, de ambos os lados, não são segredos que desconheça, assim como o quase caduco inside/out. Quando quer vai à rede; passa o sentimento que só vai se o jogo enrolar, mas sabe muito bem o que fazer por lá. Muito poucos fazem essa transição completa em quadra com o conforto de Murray.

E é exatamente essa gama de jogo, essas mudanças de ritmo e táticas, esses ajustes de golpes, sustentadas por uma habilidade rara e, atualmente, por um preparo físico excelente, que foi convencido a realizar por aqueles que estão na sua equipe, que vem pavimentando sua ascensão no ranking.

Enquanto meus queridos leitores se digladiam por suas paixões suíças e espanholas, deixam de apreciar um malte único importado lá das Highlands, provando que o tênis está, graças a deus, obedecendo a perene evolução e manutenção da espécie. Abram os olhos e prestem atenção ao Bagaceiro, que traz ao circuito uma riqueza rara, aliada a uma personalidade longínqua da postura politicamente correta de Federer, ou do bom mocismo de Nadal. Hoje escrevi sobre suas qualidades técnicas e não entrei nos detalhes de sua história e personalidade. Mas o que irá causar muito agito no circuito é o fato de Andy Murray ser denso emocionalmente e não há jeito de se saber o que ainda irá aprontar em quadra. De um jeito e de outro.

Murray – seu diálogo com a bolinha será sempre denso e tenso.

Autor: paulocleto Tags:

43 comentários | Comentar

  1. 43 Rafael Coelho 07/04/2009 7:34

    Cleto!!! Novamente, seus comentários sempre coerentes. Impressionante como o Murray joga fácil, é fantástico. O que se pode esperar de Murray no saibro, Cleto?

    Ele espera jogar bem. Eu espero me divertir muito. Tudo considerado, pode jogar muito.

    Responder
  2. 42 Raul Gonzalez 07/04/2009 8:22

    Tênis não é futebol, se o seu(s) ídolo(s) levar(em) tudo na moleza o negócio perde a graça.

    Como hispano-brasileiro, é natural minha preferência pelo Nadal, e sempre que ele está na quadra é pra ele a minha torcida.

    Mas penso que, se ele é desse tamanho hoje, foi por ter superado outro monstro, o grande Federer. E esse tem agora um osso duríssimo pra voltar pro nº 1. Um faz as vitórias do outro maiores. E eu quero ver ele dificultando as coisas, mesmo torcendo pro Rafael.

    Se o Murray entrar de vez na brincadeira, vai ficar bom demais. O cara destruiu nesse Miami, joga muito.

    E falando em bagaceira, sem sacanagem nem puxa-saquismo, o que está fazendo falta são seus comentários, Paulo. Vai comentar algum desse próximos torneios?

    Grande abraço!

    Só Roland Garros.

    Responder
  3. 41 Matteoni 07/04/2009 8:37

    Essa de se benzer foi demais Cleto!!!

    Estou rindo e imaginando a cena até agora!!!!

    rsrsrsrrs

    Abçs.

    Responder
  4. 40 Pance 07/04/2009 9:49

    Paulo,

    Concordo com tua análise técnica sobre o jogo do Murray, mas que estéticamente é feio ver um jogo do britânico isso é, ou seria chato?
    Prefiro ver os cabeças “ocas” jogarem, eles dão muito mais emoção e brilho ao jogo.

    Sds,

    Pance.

    Responder
  5. 39 Rodrigo P. 07/04/2009 10:15

    Olá Paulo. Cara, se formos ver meus comentários desde sempre nesse blog, que acompanho desde o início, constataremos que eu nunca fui com a cara desse Murray. Mas confesso que fiquei até meio chateado que você me fez mudar de opinião, rsrsrsrs. Vc sabe escrever com persuasão rapaz:

    “Persuasão é uma estratégia de comunicação que consiste em utilizar recursos lógico-racionais ou simbólicos para induzir alguém a aceitar uma idéia, uma atitude, ou realizar uma ação.

    É o emprego de argumentos, legítimos ou não, com o propósito de conseguir que outro(s) indivíduo(s) adote(m) certa(s) linha(s) de conduta, teoria(s) ou crença(s).”

    Sem contar que a tirada casar com a namoradinha e ser fiel foi demais!!!

    Eu sempre achei o Murray, como muito bem disse um leitor, meio mimadinho pela mãe, quando o vejo não consigo pensar em outra coisa a não ser um passado como daquelas crianças inglesas do programa “Super Nanny”. Crianças que berram e estapeiam os Pais, chutam as portas, gritam e arrancam os cabelos dos irmãos.

    Mas depois do que li no seu post e, ainda achando isso sobre seu passado na infância, penso que essa, talvez, possa ser sua vantagem. Jovens com essa história tendem a não respeitar ninguém, tendem a DE FATO acreditarem que podem qualquer coisa. Em uma idade mais madura, em um esporte individual e tão emocional como o tênis, talvez isso se torne uma vantagem. Mas não sei, venho aqui no seu blog todos os dias para aprender, e sempre aprendo, como hoje.

    A partir de hoje posso dizer que gosto do cara. Realmente ele possui muitos e muitos recursos numa quadra, o que, de CERTA MANEIRA (calma federistas), lembram ao Federer no inicio, que tinha confiança e talento pra fazer tudo que quisesse na quadra. Podia ficar la trás, podia ir pra rede, podia ir e voltar, sacava sem dó, devolvia…………… era barba cabelo e bigode. To achando que esse garoto pode fazer a mesma coisa se manter a cabeça no lugar.

    Um Grande abraço!

    Um convertido!! Minha passagem neste mundo já valeu.

    Responder
  6. 38 João Luís T. Prada e Silva 07/04/2009 10:25

    Eis uma informação que pode, quem sabe, salvar uma vida: por meio do Google Maps, descobri que o Monte Carlo Country Club, sede do tradicional Masters 1000 de Monte Carlo, na verdade está fora das “vastíssimas” fronteiras do Principado de Mônaco. Fica a uns 200 ou 300m a nordeste, portanto situado em território francês e não monegasco.
    Sou fãzaço do Google Maps, um recurso hiperfantástico. Fui lá buscar também o Indian Wells Tennis Garden e o Crandon Park Tennis Center, em Key Biscaine, Miami. Dá para ver tudinho…

    É preciso avisá-los! – Tbm sou fã do Google Earth/Maps

    Responder
  7. 37 Antoniel 07/04/2009 10:33

    Concordo que Murray joga fácil e realmente é um excelente estrategista. Acho que nos últimos 10 ou mais jogos contra Federer, Nadal e Djokovic, ele só perdeu um, o que deve deixar sua confiança simplesmente nas alturas.

    Infelizmente não gosto muito de assistir o jogo dele. Talvez tenha me acostumado com a agressividade de Federer, e ver essa aparente passividade meio que me incomoda um pouco.

    Mas certamente tem tudo pra ser um campeão e, por que nao, mais uma das futuras lendas do esporte.

    Responder
  8. 36 Nildo Lima 07/04/2009 10:46

    Murray, uma futura lenda do esporte , essa foi de lascar.

    Responder
  9. 35 Jeff 07/04/2009 11:13

    Ola !

    Nao gosto do jogo do escoces..acho chato ver ele jogar, prefiro um jogo mais explosivo. Penso q agora no saibro europeu muita gente pode bate-lo, muito especialista na terra batida pode ter mais jogo contra ele, espanhois e argentinos entram nessa.

    falando em ver ele jogar.. Paulo, sabe me dizer se a ESPN vai mostrar algum atp antes de roland garros?

    obrigado.

    Responder
  10. 34 Sueli 07/04/2009 11:28

    Realmente acho tudo isso que o Cleto falou do Murray, mas as vezes acho que ele volta ao passado e joga apenas na “defensiva” e isto cansa de ver. Ele consegue ganhar alguns jogos dessa forma, na verdade, enchendo o “saco” dos adversarios jogando a bolinha varias vezes no mesmo lugar, esperando que eles errem, mas vai fazer o que ???? Ele as vezes ganha jogando assim…
    Gosto quando ele reage, vai a rede, troca a direcao das bolas. Isto sim e’ legal de ver e ele e’ bom nisto tambem. Por outro lado, acho que ele ainda tem um caminho muito longo a percorrer para chegar perto de um Federer e/ou um Nadal, por exemplo.

    E agora vem a temporada de saibro e vamos ver como as “coisas acontecem”… Nadal ja esta tentando cair fora do Master de Madri que e’ obrigatorio, mas ao mesmo tempo joga Monte Carlo que nao e’ obrigatorio. Vai entender …

    Nao sei nao, mas pela performance dos tenistas, essa nova temporada de saibro e’ uma incognita.

    Abracos,

    Responder
  11. 33 Daniel 07/04/2009 12:03

    O Murray tem muita habilidade, cozinha muito bem o jogo, mas ele poderia ser mais agressivo. Se ele continuar com esse jogo pra sempre, o físico não vai aguentar, pois ele faz os pontos demorarem bastante com a famosa “cozinhada” dele.

    Responder
  12. 32 Zép 07/04/2009 12:42

    Paulo,

    Sobre as transmissões sua emissora fechou poucos torneios né! Foi grana ou o público ainda não é suficiente?Fico P… quando estou assistindo e cortam para colocar o futebol, assino todos os canais de esporte para ter acesso, pelo menos deixa acabar a partida…

    Você quando transmite passa a sensação do post torce pelo esporte, né?Quando foi a última vez que torceu por um tenista e estava trabalhando?

    A sensação das partidas de Miami é que o jogo tava fácil demais ele fez o jogo ficar fácil?Como o Dácio falou o fator físico foi decisivo?

    abraço

    Tambem fico p… pela mesma razão. As minhas torcidas são sempre elegidas na hora e podem mudar no transcorrer da partida. Torço pelo tênis e pelo jogo. Não sou fiel a ninguem – a não ser a minha mulher, amigos e leitores. O fisico é decisivo em uma final, especialmente no calor.

    Responder
  13. 31 André Tschumi 07/04/2009 14:14

    Cleto,

    Hoje você esta inspiradissimo nos seus comentários. Como moro atualmente em Marselha, e minha namoradinha de infância ficou no Brasil, não estamos mais juntos, hehehe… - Passa o telefone dela-

    Para explicar melhor o meu comentario anterior, acho o jogo do Murray insonso, sem tempero algum. Ele faz tudo direitinho, mas falta-lhe agressividade ou uma bola ou jogada mortal. O mesmo penso sobre Djokovic. Quanta diferença desses dois em relação ao Nadal e ao Federer. O Nadal nos brinda com passadas maravilhosas, transformando pontos perdidos (para todos os outros jogadores do circuito, menos ele) em belos winners. O Federer, quando jogo bem, é um verdadeiro espetáculo de arte. E esses dois jogadores me deixaram tão mal acostumado que agora acho estranho ver uma final de grande torneio sem nenhum deles.

    Só para mencionar, não sou tão intransigente assim. Ha outros jogadores que aprecio também: Tsonga, Nalbandian, Verdasco (depois da ultima final da Davis), Safin, Llodra, Soderling, Santoro, Lopez, Stepanek… Em compensação, ha jogadores (além do Murray e do Djoko) que não tenho tesão algum em assistir: Robredo, Davydenko (que não ta fazendo falta alguma ao circuito), Ferrer, Simon, todos os argentinos do segundo escalão…

    A proposito, dia 19 de abril tô indo a Mônaco assistir a final do Masters. Vamos ver quem o Nadal vai enfrentar na final, já que o Federer desistiu de jogar esse torneio. Vou tentar fazer umas fotos legais para você colocar aqui no blog apos a final.

    Abraço!

    Dica: preste tbm atenção ao Murray. E agora é compromisso. Vamos esperar não só as fotos como tbm seus comentários sobre o torneio, tenistas e que mais quiser comentar. Aguardo e abs.

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  14. 30 Martin A 07/04/2009 14:49

    Prezado JLTPeS:
    Curiosa sua informação. Eu lembro ter asistido em Monaco (agora descobro que foi na França) à final que ganhou Vilas (a pesar de ser “bem” mais novo que ele, rsrs). As quadras estao sobre “la cornisse” e com pouco espaço ao rededor. Se a bola vai fora vai direto para o Mediterraneo.
    Porem acho que a localização das quadras é um fato circunstancial: os prêmios são recebidos em Montecarlo, os impostos pagos ou dispensados ai, a foto com Carolina (ou não sei com quem da realeza será agora) e outros glamoures são proprios do Principado…

    Responder
  15. 29 João Luís T. Prada e Silva 07/04/2009 18:33

    Caro Martin A,
    Achei apenas curioso o fato do Country Club não estar oficialmente dentro de Mônaco, embora as distâncias ali sejam tão pequenas que nem sei se isso é notado…
    Bem que eu gostaria de estar lá semana que vem…

    Responder
  16. 28 Henrique Marcelo 08/04/2009 10:49

    Uma curiosidade, Nadal disse em Miami que o saibro não é seu piso favorito – se vcs buscarem por notícias antigas ou entrevistas no site, acharão. Segundo ele, as pessoas acham isso por causa dos resultados (obviamente), mas isso não condiz com a realidade.
    Sobre Murray, gostei muito do que andre becker falou, é por aí mesmo. Meu problema com Murray é que o vi muito defensivo nos dois últimos torneios (como Cleto chegou a colocar). Foi estranho, visto que contra Nadal no US Open ele ganhou muito em função de ter entrado na quadra e encaixado esquerdas (seu melhor golpe) bem profundas, especialmente na paralela.

    Responder
  17. 27 Guga. 12/04/2009 13:36

    O tenista preferido, de muitos.

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  18. 26 How Murray the Map-Maker is figuring out clay « Leaders We Deserve 02/07/2009 2:31

    [...] Image acknowledged from the tennis blog by Paulo Cleto [...]

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  19. 25 Juliana Maciel 12/11/2009 23:42

    Todos nós temos os nossos ídolos!!!Mais você é demais!!!Já não aguentava mais escultar Federer para cá e Federer para lá!!Mais você manerou!!!Na verdade você é parecido comigo, quando gosta não abre mão, mas não damos certo porque sou Nadal e você é Federer, e você já me irritou bastante, mas graças a Deus você melhorou…rsrsrsr

    Responder
  20. 24 PEDIR UMA INFORMAÇAO 29/11/2009 20:04

    PREZADO PAULO CLETO,
    PRIMEIRAMENTE GOSTO MUITO DE SEUS COMENTARIOS,
    APESAR DE AS VEZES DISCORDAR, MAS É ASSIM MESMO QUE VIVEMOS……
    SOU FÃ DO ROGER FEDERER, SEM FANATISMO.
    BEM, GOSTARIA DE IR ASSISTIR AO ESTORIL OPEN EM
    PORTUGAL E GOSTARIA QUE ME DESSE ALGUMA ORIENTAÇÃO: O LOCAL DA COMPETIÇÃO, VENDA DE INGRESSOS, AGRADEÇO IMENSAMENTE SE PODER RESPONDER. UM GRANDE ABRAÇO

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