Tapete argentino
Copa Davis; para mim o momento mais dramático e emocionante do circuito. As emoções são tantas, dentro e fora das quadras, que extraem atitudes e façanhas tão inesperadas quanto fascinantes dos tenistas.
A Argentina, após perder a chance de décadas, tenta, e não sei se conseguirá, se reagrupar para novas tentativas, especialmente por atravessar aquele momento mágico em que dois grandes tenistas convivem em um mesmo time. Se a liderança do time conseguir unir o time, grandes coisas podem acontecer. Se não, novas tragédias serão inevitáveis.
Para tentar realizar isso, a federação chamou Tito Vasquez para ser o capitão no lugar de Mancini. Conheço Tito desde os tempos em que jogávamos torneios juvenis. Estudamos na mesma época nos EUA, ele foi tenista profissional por mais de uma década, técnico de Victor Pecci quando este atingiu seu melhor momento, trabalhou alguns anos na federação inglesa, está de volta a Buenos Aires há algum tempo, onde segue escrevendo poesias nas horas vagas, além de ter “roubado” a mulher de Alain Delon nos anos setenta.
Duvido que Tito fosse a primeira escolha dos tenistas atuais, mas foi a escolha da federação para colocar ordem no time. Após a derrota para a Espanha na final sobraram acusações, veladas e diretas, entre Nalbandian e Del Potro. Os argentinos, apesar do que alguns tolos afirmam por aqui, raramente são grandes amigos fora das quadras. As feridas continuam.
No primeiro confronto desta temporada a Argentina fica sem Nalbandian, doente, e Del Potro, que alega estar focado em jogar em quadras duras e não quis voltar para jogar no saibro portenho. Nalbandian havia aceitado a convocação, mas um vírus o fez se afastar. Del Potro já havia avisado que não jogaria a primeira rodada, mas aceitaria jogar a partir da segunda rodada.
Os argentinos partem do princípio que a primeira rodada contra a Holanda, atualmente sem tenistas entre os 100 melhores, será uma baba. Não deixam de ter razão. Mas conforme Tito foi sondando seus tenistas, vários pularam fora, oferecendo uma gama de razões pessoais; entre eles Calleri, Canas e Acasuso.
Como na Argentina sobra tenista, ainda deu para montar um time formado por Juan Monaco, Juan Chela, Lucas Arnold e, agora, no apagar das luzes, Martin Vassalo Arguello. Monaco contundiu o tornozelo na final de Buenos Aires, mas não quer nem cogitar ficar fora do time – é jovem, quer mostrar serviço e passa pelo momento de confirmação na carreira.
Mesmo sem suas estrelas o time de Tito Vasquez deve vencer sem maiores dificuldades. Mas o capitão terá que trabalhar diplomaticamente para montar o seu melhor time para a próxima rodada, quando jogará de visitante contra a França ou Rep. Checa.
Como declarou Lucas Arnold, o mais veterano do time; “é necessário mais transparência, não podemos mais jogar a sujeira para debaixo do tapete. Não temos que ser amigos, mas temos que nos unir para um objetivo maior”. Se Tito conseguir convencer os principais interessados que esse é o espírito que deve prevalecer, de fato, terá realizado uma das principais e mais difíceis tarefas de um capitão de Copa Davis.
Jan. de 1967: Coffe Cup, Costa Rica – PC, Felipe Tavares e Tito Vasquez.
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18 comentários | Comentar
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18 Matteoni 04/03/2009 13:33
Por falar em capitão da Davis, não ouvir falar mais nada em canto nenhum sobre Emílio Sanchez aqui no Brasil. O que ele estará fazendo tão na surdina assim?
Alguém se habilita a explicar?
Abçs
-O Emilio não está no Brasil. Ficou de voltar em data futura c/ seu plano.-
17 Martin A 04/03/2009 14:02
Excelente resumo da realidade que deve enfrentar Tito Vasquez. Como será certo o assunto das enemistades fora da quadra que ainda hoje continua aquela classica entre Guillermo Vilas e José Luis Clerc !
Não conhecía a qualidade de “roubador” de Modesto Vasquez ( a pesar de seu nome).
Se suma assim a Vilas, quem manteve um affaire com Carolina de Monaco depois de vencer seu torneio.
16 João Vitor Perilo Bahia 04/03/2009 15:19
Vamos ver o que vai dar, estou torcendo por ele.
Gostaria de ver Nalbandian dando certo com Del Potro, mas a cada dia que se passa parece mais dificil que se ocorra.
Tambem gostaria de saber o que Sanchez vem fazendo aqui no Brasil.
Abraços…….
15 Sidney 04/03/2009 16:21
Cleto
O problema da Argentina, como um time na Davis, Chama-se Nabaldian, que pensa que é o dono do time.
Aliás, descobri porque ele é gordinho: é porque tem o rei na barriga…
14 wanda fernandes 04/03/2009 17:38
Deixando um pouco de lado a Copa Davis, você deveria , mostrar mais fotos como a que ilustra o blog de 4/março. è sempre muito bom vermos fotos de alguns anos atras, é sempre um grande “barato” . Quando à Davis, já entrei no site da Copa, mas não consegui encontrar um lugar onde apareçam os componentes de cada país. Isso existe ou deve me contentar com o que for aparecendo nas notícias…….
Quando aparecerem as oportunidades o farei, com prazer. Quanto as infos de cada país está logo na primeira página, onde mostra os confrontos.
13 Matteoni 04/03/2009 18:29
Ok Cleto, entendi. Mas ele foi contratado? Está recebendo salário enquanto monta o plano dele? Ou por enquanto está “free”?
Abçs.
A CBT é que sabe e não diz.
12 Antoniel 04/03/2009 20:12
Belos óculos Cleto
Anos 60.
11 RenatoZ 04/03/2009 20:40
Vocês não estavam com roupas de tenista! Estavam indo para a balada??
Em quadra, roupa de tenistas. Fora, elegância pura. Em quadra, jogadores. Fora, jovens de 18 anos cheios de amor para dar.
10 Rodrigo P. 04/03/2009 21:41
Fala Cleto!!! Paulo, sempre tive uma dúvida na qual a resposta, para muitos, pode parecer óbvia, mas pra mim ainda é intrigante. Se você pudesse me esclarecer, suas palavras seriam incontestáveis.
Por que os jogos considerados mais “difíceis” são deixados para o fim do confronto, quando os atletas estão em teoria mais cansados fisicamente e mentalmente. Coloquei dificeis entre aspas porque considero jogos de Davis diferentes dos outros. O que pode ser considerado fácil em um torneio qualquer pode se mostrar uma tortura na Davis… afinal, Davis é um jogo de nervos, não é? Sendo assim, todo jogo será difícil e, por isso, não seria estrategicamente melhor enfrentar as pedreiras primeiro, com a cabeça fresca?
Ja imagino que você vá dizer que não, que estou errado. Então queria ouvir sua explicação do porque que quase sempre os técnicos fazem a opção de deixar as pedreiras por último. Será uma pena não vermos Novak e Nadal jogando um contra o outro pela Davis, oportunidade rara…
Desde já muito obrigado Cletão!!!
Abraço
-Veja o post sobre o assunto.-
9 maysa caruso 04/03/2009 23:12
Gostei muito do post e adorei a foto…
Era novinho mas já tinha atitude né Cleto…
Como diria Cartier Bresson:
“uma foto é um momento mágico guardado para sempre” -Fã do mestre Bresson, é? E é isso mesmo. Olho a foto e um arquivo do passado se abre na minha mente e no meu coração-
um abraço a todos
Maysa
8 Gustavo L 04/03/2009 23:16
Acho que o Tito Vazquez continua gostando bastante de mulheres, segundo se fala no Buenos Aires Lawn Tenis. Gostei do estilo “sixties”dos 3. Os “shoes” são perfeitos. Gostaria ter sido jovem naquela época (era criança). Não sei quela é a sua opinião Paulo, mas de todas as décadas do século XX acho que foi a mais otimista, idealista e aberta.
Com relação a “amizade” entre os tenistas argentinos, cada um tem seus amigos no circuito, alguns mais, outros menos, mas obviamente não são todos amigos. Tem gente muito legal com vários amigos (Zabaleta, Chela, Marcaccio, etc) e tem outros não muito queridos, especialmente Coria. Mas “amigos” como fala Brzezicki é uma palavra muito forte. São colegas de trabalho e companheiros de saídas, tereinos, etc… amigos, nem tanto.
Mas em geral não existem hoje grandes brigas… só entre as “estrelas”. Personalidade forte do armenio, segundo todos falam…
Vejo que vc tem informações privilegiadas sobre o tênis argentino; não hesite em usá-las.
7 Caio 05/03/2009 9:46
Esse ano a Davis já está valendo pontos no ranking individual, não é isso? Como isso pode ser usado pelos técnicos no momento da (tentativa de) convocação.
Abraço,
Caio
-Duvido muito que isso vá influir na decisão de algum capitão-
6 andré becker 05/03/2009 10:07
me parece que Monaco e Chela no saibro hoje são melhores do que Calleri, Canas e até Acasuso, por mais que o Chela tenha ficado muito parado…
5 Antoniel 05/03/2009 10:30
Cleto,
Aparentemente Federer ta treinando com Cahill em Dubai:
http://sports.theglobeandmail.com/servlet/story/RTGAM.20090304.wsptfed4/GSStory/GlobeSportsOther/home
Segundo esse jornal, é como se fosse um período de testes. Algum comentário sobre o que Cahill pode (ou não) acrescentar no jogo do suiço?
O Tom Tebutt, um canadense amigo meu, sempre teve boas informações. Agora é ver no que vai dar. Logo escrevo mais sobre o assunto.
4 RenatoZ 05/03/2009 11:19
Quem era o jogador de críquete que está de intruso na foto?
Aquilo é golfe, Reanato, golfe.
3 José Estelita 05/03/2009 11:20
Os três mosqueteiros dominavam (dominam) o golfe também!!!?
Abçs.
Todo mundo muito eclético, mas nem tanto.
2 RenatoZ 05/03/2009 11:20
É verdade que o Luis Felipe toma whisky desde os 13 anos????
O Luiz Felipe sempre foi um jovem precoce.
1 Martin A 05/03/2009 13:24
O “golfista” fazendo um aproach no putting green ?
e os tenistas com zapatos de rua… mmmm
que o fotografo saque logo a foto antes que venha o capitão do clube rsrsrs