A diferença
A partida entre Novak Djokovic e Thomas Berdich, vencida com facilidade pelo primeiro, é um perfeito exemplo de como as diferentes qualidades de um tenista falam mais, ou menos, alto no circuito. Por isso que digo sempre, existe muito mais do que salta à vista acontecendo dentro de uma quadra de tênis.
Como existem alguns fanáticos por aqui que não querem, ou conseguem, ver muita coisa a mais no esporte do que uma boa rivalidade, tal qual a entre os dois melhores do ranking atual, sirvo de bandeja esta analogia.
Berdich é um tenista com um arsenal mais completo e perigoso do que Djokovic. Mas o sérvio é um melhor jogador do que ele.
Berdich é sacador, tem uma das melhores direitas do mundo, uma esquerda honesta e sabe volear. Não é nenhum segredo que é lento, até pelo tamanho – mas atualmente, se quisesse, poderia melhorar esse importante quesito.
Djokovic tem um bom saque, mas não muito melhor do que isso – lá no clube também tenho adversários com bons saques. Seus golpes de fundo de quadra são sólidos, porem nenhum excepcional – o adjetivo é reservado para aqueles que conseguem varrer o adversário da quadra ou então ser devastador quando contra-atacando. Talvez a esquerda do sérvio esteja próxima do quesito.
É também um ótimo voleador, um dos melhores do circuito. Não é nenhum habilidoso como Stepanek, mas sabe trocar a direção da bola, além de escolher, e achar, ângulos como gente grande.
O que diferencia os dois tenistas é a vontade, a determinação, o comprometimento. Berdich é o #22 do ranking, já foi #9, mas nunca se sabe como vai se apresentar. Na Austrália, após uma linda vitória sobre Wawrinka, fez uma partida memorável com Federer, abrindo 2×0 e perdendo no quinto – foi a grande partida do suíço este ano. Na semana passada, foi à final de Sunrise, um torneio pequeno com status de grande porque serve de treinamento para tenistas ociosos por conta de dois torneios de 10 dias seguidos (I. Wells e Miami). Na final tomou uma surra 6/1 6/1 do Soderling, o que mostra que aceita uma derrota como quem aceita uma ofensa no trânsito.
Já Djokovic está sempre no cangote dos melhores. Com ele não tem moleza. O sérvio é um dos maiores lutadores do circuito. Sua vontade de vencer uma partida torna possível um dos melhores aproveitamentos de qualidade disponível no profissionalismo. Melhor do que ele só o animal Nadal.
Essa característica de ambos se torna evidente até nos mínimos detalhes. Como o de bater a bolinha em demasia para sacar. Ambos estouram o tempo regulamentar, com a cumplicidade de juízes que fingem que o cronometro que seguram na mão serve para alguma coisa, e para desespero de adversário. Não acho que o fazem para irritar oponentes. O fazem porque sabem o valor da concentração dentro de uma quadra de tênis. Essa capacidade de focar, de se concentrar, de entrar e ficar, dentro do jogo é a porta para tenistas de técnica mediana se tornar grandes jogadores, assim como a porta, de direção inversa, para tenistas talentosos e habilidosos serem não mais do que jogadores medianos, quando não plenamente medíocres.
Djokovic – coração é o diferencial no seu jogo.
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Autor: paulocleto Tags: novak djokovic, Rafael Nadal, thomas berdich





